Cineclube Antônio das Mortes é homenageado com mostra dentro da mostra

Em três sessões na programação de “O Amor, a Morte e as Paixões”, são exibidos filmes produzidos por membros do CAM, criado em 1977, responsável pela formação de uma boa safra de cineastas e críticos de cinema em Goiás

Detalhe de cena do filme “O Turista no Espelho”, de Lourival Belém Jr, membro-fundador do Cineclube Antônio das Mortes; a instituição celebra seus 40 anos com mostras no Cine Lumière Bougainville e no Cine Cultura | Foto: Guaralice Paulista

Muitos personagens de ficção são mais reais do que a maioria das pessoas que ainda não foram beijadas pela morte. Eles entram na memória e no imaginário social e de lá custam sair. Alguns se eternizam.

Antônio das Mortes, por exemplo, personagem criado pelo cineasta baiano Glauber Rocha, em “Deus e o Diabo na Terra do Sol”, de 1964, deu nome ao cineclube goianiense nascido em 1977, com paternidade assinada por Lisandro Nogueira, Lourival Belém Jr e Luiz Cam (1963-2015), este último com alcunha retirada do caminho que se bifurca entre o personagem e o cineclube, em suas iniciais.

O Cineclube Antônio da Mortes fez 40 anos em 2017, e dentro de seu ano de celebração realiza agora uma série de eventos que realçam sua importância histórica para o cinema em Goiás. Além da mostra no Cine Lumière Bougainville, haverá outra no Cine Cultura, e uma exposição fotográfica no hall de entrada do Centro Cultural Marieta Telles Machado, ambas a partir de 23 de fevereiro.

Os eventos são organizados pela produtora goianiense F64 Filmes. Segundo Marina Campos, diretora da F64, a preocupação dos membros do CAM era com a linguagem do cinema, tanto em seu aspecto estético quanto político. Havia então exibições de “mostras de cinema brasileiro, em grande parte de filmes do Cinema Novo e Cinema Marginal, obras da Nouvelle Vague, do cinema russo, tcheco e, principalmente, do Cinema Novo Alemão.”

Mais tarde, em 1981, o CAM criou seu Núcleo de Produções, que ao longo de três anos de intenso trabalho produziu 15 filmes, “sendo 11 curtas-metragens e quatro médias-metragens. Outros registros e filmes não finalizados também foram elaborados neste tempo”, diz Marina.
Parte dessa produção está sendo exibida na mostra “O Amor, a Morte e as Paixões”, com debates com nomes importantes da crítica cinematográfica brasileira, como Ismail Xavier, Rubens Machado e Rafael Parrode.

Outra parte da produção do CAM será exibida na mostra do Cine Cultura, em que será mesclada com filmes que foram essenciais na formação de seus integrantes, como “O Bandido da Luz Vermelha”, de Rogério Sganzerla, “Terra em Transe”, de Glauber Rocha, e “Teorema”, de Pier Paolo Pasolini.

Veja abaixo as programações completas:

“O Amor, a Morte e as Paixões”
(Cine Lumière Bougainville)

09/02/18 – Sexta-feira
Sala 3
Sessão 2101 – 18:00
Cineclube Antônio das Mortes Sessão 1:
– Contemplação (Ricardo Musse – 4’)
– João Bennio, Glauber e o Povo Goiano (Ricardo Musse, 1986 – 24’)
– Recordações de um Presídio de Meninos (Lourival Belém Jr, 2009 – 28’)
(Debate com Ismail Xavier e membros do CAM)

13/02/18 – Terça-feira
Sala 3
Sessão 2373 – 17:00
Cineclube Antônio das Mortes Sessão 2:
– Altar (Divino Conceição, 2016 – 18’)
– O Turista no Espelho (Lourival Belém Jr, 2018 – 26’)
(Debate com Rubens Machado e Rafael Parrode).

16/02/18 – Sexta-feira
Sala 3
Sessão 2575 – 17:00
Cineclube Antônio das Mortes Sessão 3:
– Conceição My Love (Hélio de Brito – 8’)
– Quinta Essência (Lourival Belém Jr, 1981, 17’)
– Nosso Cinema, Aspectos e Sua Gente (Eudaldo Guimarães – 27’)
– As Margens da Vila Roriz (Luiz Cam, 2002 – 24’)
(Debate com Marina Campos e membros do CAM)

Cine Cultura (de 23/02 a 10/03 de 2018)
(Centro Cultural Marieta Telles Machado, Praça Cívica)

23/02 – às 18h
– The Bitter Tears of Petra von Kant, 1972 (124’), de Rainer Werner Fassbinder

24/02 – às 18h
– Contemplação (4’), de Ricardo Musse
– Aguirre – A Cólera dos Deuses, 1972 (95’), de Werner Herzog

25/02 – às 18h
– Effi Briest, 1974 (140’), de Rainer Werner Fassbinder

01/03 – às 17:30
– Imagens da Cidade dos Homens, 2005 (19’), de Lourival Belém Jr
– O Bandido da Luz Vermelha, 1968 (92’), de Rogério Sganzerla

02/03 – às 17:30
– Cinzas de Quarta-Feira, 1984 (16’), de Hélio de Brito
– Matou a Família e Foi ao Cinema, 1969 (78’), de Júlio Bressane

03/03 – às 17:30
– Vidas Secas, 1963 (103’), de Nelson Pereira dos Santos
(Sessão com debate)

04/04 – às 17:30
– Terra em Transe, 1967 (111’), de Glauber Rocha

08/03 – às 16h
– Autonomia, 2006 (26’), de Lourival Belém Jr
– Desterro, 2004 (27’), de Luiz Cam
– Altar, 2016 (18’), de Divino Conceição
– Dedo de Deus, 1987 (11’), de Lourival Belém Jr

09/03 – às 16h
– 295.5, 1981 (12’), de Lourival Belém Jr e Ronaldo Araújo
– Teorema, 1968 (99’), de Pier Paolo Pasolini

10/03 – às 16h
– Zabriskie Point, 1970 (113’), de Michelangelo Antonioni
(Sessão com debate)

Exposição Fotográfica
(23/02 a 10/03 de 2018)

40 Anos Cineclube Antônio das Mortes
Fotografias de Guaralice Paulista, pioneira em still cinematográfico em Goiás
Local: Hall de entrada do Centro Cultural Marieta Telles Machado (Praça Cívica)

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