A verdade sobre Cristóvão Colombo: não era genovês, e era judeu e espião
28 abril 2026 às 10h16

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Foram mais de 20 anos de pesquisas com a participação de arqueólogos, historiadores e cientistas para chegar à conclusão sobre a misteriosa identidade de Cristóvão Colombo. O descobridor do “Novo Mundo” não era genovês, mas de origem ibérica. E, o mais surpreendente, exames de DNA comprovaram que Colombo era um judeu sefaradita e um espião que atuou como personagem central de uma trama altamente secreta a serviço do rei dom João II.
Durante centenas de anos, a questão Cristóvão Colombo sempre pareceu algo certo e inquestionável. Aprendemos na escola que o “Descobridor da América” era genovês ( no século XV a Itália como conhecemos ainda não existia e Gênova era um República. A principal cidade portuária da Ligúria). Em 1492, após três meses navegando o Atlântico, rumo ao oeste, chegou ao que hoje é a América Central, mais precisamente as Antilhas, sob a bandeira do reino de Castela e Aragão, dando início à colonização da América Espanhola.
Mas a vida do navegador desde o início esteve envolta num imenso mistério criado para manter, em segredo eterno, sua identidade. Poucos escolhidos sabiam da verdade que, ao longo de mais de 500 anos, dissipou-se e virou poeira. Pode -se dizer que Cristóvão Colombo foi o melhor agente duplo da História porque conseguiu manter, durante séculos, sua identidade secreta.

O fato é que o personagem histórico que conhecemos como Cristóvão Colombo partiu de Portugal para a Espanha em missão secreta a serviço do rei de Portugal, dom João II, com o objetivo de enganar os Reis Católicos, e assim proteger o monopólio do comércio marítimo português.
Os séculos XIV e XV, tempos áureos das grandes navegações “além mar” responsáveis pela descoberta de novos mundos, são considerados como períodos épicos da história da humanidade. Não foram a Gestapo nazista, a KGB soviética, a CIA norte-americana e muito menos 007 que deram início ao mundo da espionagem.
O pioneiro e verdadeiro jogo de espiões com manobras, fraudes, mentiras, assassinatos e enganos foi arquitetado, planejado e executado 500 anos antes de todas as agências de inteligência — e, frise, por apenas um homem: dom João II. Foi esse monarca genial que, com a ajuda de Cristóvão Colombo, fez Portugal se tornar o primeiro império global.

A obsessão de um pesquisador
A constatação genética que comprovou que as origens de Colombo é o resultado final e bem-sucedido de uma pesquisa solitária que começa muitos anos antes, em 1991.
Em 2019 foi lançado em Portugal, pela editora Alma dos Livros, o livro “Portugal e o Segredo de Colombo — A Conspiração Secreta Que Enganou os Reis Católicos e Fez de Portugal o Primeiro Império Mundial”, de Manuel da Silva Rosa.
A obra já está na quarta edição, sinal de que se trata de um best-seller. O livro, que não tem versão brasileira, foi considerado, em 2023, “o melhor livro de História do ano” pelo jornal digital Huffington Post.
O livro de Manuel da Silva Rosa é um compêndio que — de forma nada erudita e não cansativa — arrola um conjunto de informações que ajuda o leitor a entender quem era o homem chamado Colombo e o que ele fazia em Castela.

A narrativa revela uma sucessão de fatos — bem expostos e nuançados — para que o leitor tire suas próprias conclusões. Escreve o autor: “Muitos de nós leram esta espantosa história da vida do descobridor da América no ensino básico, e acreditamos. Mas, hoje, ela só pode parecer-nos o conto mais inacreditável e sem pés nem cabeça que alguma vez nos impingiram, fabricado sem recurso, sequer, a uma fada madrinha ou a personagens do Walt Disney” ( é bom alvitre salientar que o autor é português, por isso seu texto foi escrito de acordo com a gramática expressa pela língua portuguesa de Portugal).
Manuel Rosa afirma que não foi fácil chegar à conclusão de que a história que nos foi contada sobre Cristóvão Colombo era totalmente inverossímil. Assinala o autor: “Toda gente que rodeava este homem, de reis a amigos, mentiu acerca da sua identidade”.
Na introdução de “Portugal e o Segredo de Colombo”, o autor revela ao leitor que “não foi fácil chegar a este ponto. Tudo começa em 1991, ao trabalhar na tradução do livro de Mascarenhas Barreto, descobri quem era a esposa do descobridor da América — Felipa Moniz, filha de um cavaleiro português e capitão da ilha de Porto Santo, na Madeira. Rapidamente comecei a perceber que a vida de Cristóvão Colón não poderia se resumir a uma história de meras más interpretações. Aquilo era mais um cenário de crime a analisar, abrangendo muitas cumplicidades. Acredito que no fim, o leitor aceitará, como eu aceito, que o imenso mistério que envolvia a vida e a missão do navegador está, finalmente, resolvido”.
“A primeira confusão relacionada com o nome Cristóvão Colombo consiste no erro de tradução grosseiro do pseudônimo adotado pelo descobridor que era Cristóvão Colon. O argumento que sustentava o ‘Colombo Genovês’ provou ter tantos buracos que acabou se desfazendo por completo em 2004, graças a intervenção da ciência forense. Em 2002, dois professores de Sevilha decidiram realizar testes de DNA às ossadas de Cristóvão Colon. Os investigadores começaram por levantar as ossadas que se julga pertencerem a dom Diego Colon, o irmão mais novo de Cristóvão. No dia 2 de junho de 2003, os investigadores colheram, finalmente, as ossadas que se acreditam pertencerem a Dom Cristóvão Colon e as do seu filho d. Fernando (os únicos restos mortais cuja origem não oferece dúvidas), ambos sepultados na Catedral de Sevilha”, informa Manuel Rosa.
“O professor José Lorente dirigiu os testes de DNA na Universidade de Granada e eu participei das pesquisas junto a ele e sua equipe. Demorou 500 anos a construir uma mentira e duas décadas de investigação a desmascará-la. O homem que conhecemos erradamente como Cristóvão Colombo chamava-se a si mesmo Cristóvão Colon em Espanha, para esconder a verdadeira identidade”, postula Manuel Rosa. O escritor ressalta que foi criado um labirinto no final do século XV e início do século XVI para manter a identidade do “descobridor da América” secreta.
Ele faz um spoiler e adianta o final de sua obra na introdução, mas que aguça, ainda mais, a curiosidade do leitor sobre sua pesquisa: “Posso afirmar com grande confiança que o mistério da verdadeira identidade do descobridor está resolvido. Muito longe de ser um modesto tecelão, Dom Cristóvão Colon nasceu príncipe de sangue real, mas, por imposição do pai, foi forçado a ocultar sua linhagem para evitar perseguição por ser judeu”.
Isso e muito mais o leitor vai encontrar nas mais de 600 páginas de “Portugal e o Segredo de Colombo”. Aos interessados, desejo uma boa viagem por meio dessa grande aventura em busca da solução de um imenso mistério que permeou a história da humanidade por mais de meio milênio.

