A presença portuguesa em Locarno

A presença de filmes e pessoas ligadas ao cinema português é marcante no Festival Internacional de Locarno. Eis abaixo uma rápida relação

O curta-metragem Como Fernando Pessoa Salvou Portugal | Foto: Divulgação

Rui Martins**
Especial para o Jornal Opção

A realizadora Marta Mateus
Está no júri das curtas de Locarno, Marta Mateus, que teve uma experiência de atriz como Odete, filme do mesmo nome de João Pedro Rodrigues. Como realizadora, fez Farpões Baldios, curta-metragem premiada, em julho do ano passado, com o Grande Premio Internacional no Festival do Curtas de Vila Conde.

Esteve também na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes, no ano passado.
Farpões Baldios, fábula sobre um Portugal rural em que se cruzam velhos e novos, o filme, de acordo com a ata do júri, pertence a “uma linhagem de obras onde a infância desbloqueia os sofrimentos, os erros e as virtualidades do passado, tradição que devemos, entre outros, a Manoel de Oliveira, a Antonio Reis, Margarida Cordeiro e Teresa Vilaverde.”

O realizador Marco Amaral
Realizador do curta Três Anos Depois – Uma mulher, com o cabelo ao vento, vê um grande clarão no escuro da noite. O que é que ela teme? Porque desvia o olhar? Marco Amaral volta a concentrar-se numa narrativa muito concisa e precisa, procurando mostrar como os espaços parecem caracterizar as personagens: desolados, perdidos, incompreendidos. Entre aquela mulher e a casa onde está, encontra-se uma criança e outra mulher mais velha. Parecem formar uma família, mas a instabilidade e o silêncio prolongam um sofrimento escondido.

O filme conta o encontro de mãe com seu filho João, que ela abandonara e deixara com a avó, e sua tentativa de reconquistar o rapaz. Para tanto, leva consigo uma bola de futebol, mas João nesses três anos deixara de gostar de jogar futebol.

Marco Amaral quis saber com seu filme se, no momento do retorno da mãe Ana, ela ainda é considerada como mãe por seu filho que, abandonado com cerca de três anos, tem agora por volta de seis. Não lhe interessa as questões legais mas simplesmente as reações afetivas.

Há também na curta a figura de uma cão desaparecido, Golias, que teria assim ficado sem o afeto do seu mestre, o menino João, como João ficara sem o carinho de sua mãe.

Dídio Pestana e Sobre Tudo Sobre Nada

Antes de ser realizador, Dídio Pestana é músico e compositor com Gonçalo Tocha com o qual forma o grupo TochaPestana. Os TochaPestana editaram Música Moderna, o primeiro álbum, em 2014, dez anos depois da residência artística em Alcobaça.

Sobre Tudo Sobre Nada, primeira longa de Dídio Pestana, colaborador habitual de Gonçalo Tocha ou Filipa César, está na mostra paralela Sinais de Vida.

Como Fernando Pessoa Salvou Portugal

O curta-metragem Como Fernando Pessoa Salvou Portugal, de Eugène Green, integra a competição da secção Signs of Life da 71.ª edição do Festival de Locarno.

Como Fernando Pessoa Salvou Portugal estreou antes em Portugal, no dia 22 de Julho, no Curtas Vila do Conde – Festival Internacional de Cinema. O filme é uma coprodução entre França, Bélgica e Portugal e tem a duração de 28 minutos.

O curta-metragem é protagonizada por Carloto Cotta, Manuel Mozos, Diogo Dória, Alexandro Pierroni Calado, Ricardo Gross, Mia Tomé e o próprio Eugêne Green. A narrativa é baseada no episódio do slogan que Fernando Pessoa criou para a Coca-Cola, no caso a Coca-Louca (“Primeiro estranha-se, depois entranha-se”), e na rocambolesca proibição da bebida que se seguiu.

**Rui Martins está em Locarno, convidado pelo Festival Internacional de Cinema.

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