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O goiano que ajudou a eleger o presidente colombiano

Com uma atuação estratégica, Marcus Vinícius Queiroz organizou a campanha que reelegeu Juan Manuel Santos em um acirrado segundo turno

Secretário de Indústria e Comércio realiza nova visita técnica ao Centro de Convenções

[caption id="attachment_7867" align="alignleft" width="620"]William O’Dwyer (centro) e engenheira Waléria Câmara em vistoria à obra / Foto: Milena Assis William O’Dwyer (centro) e engenheira Waléria Câmara em vistoria à obra / Foto: Milena Assis[/caption] Na sexta-feira, 20, o secretário de Indústria e Comércio, William O’Dwyer, vistoriou as obras do Centro de Convenções de Anápolis, às margens da BR-153. A ida dele ao local, um mês depois da última vistoria, é justificada pelas grandes intervenções que serão feitas a partir de agora. Algumas dessas obras dizem respeito às vias de acesso, o asfaltamento de vias internas e a finalização dos auditórios, que terão capacidade para 150 lugares, cada. A vistoria foi acompanhada pela engenheira da SIC Waléria Câmara e pelos engenheiros Júlio César Ramalho, Robson Lobo e Reinal­do Bastos, que trabalham diretamente na obra. O secretário diz que as obras estão em ritmo acelerado, sempre reafirmando que o local será um marco não somente para a cidade de Anápolis, como para toda a região Centro-Oeste, dada sua amplitude. “É uma obra importante e mais: feita com extrema qualidade. É possível dizer que será a melhor obra feita em Goiás nos últimos anos, em termos de material e qualidade de construção”, afirma William, que tem acompanhado o serviço de perto, desde que tomou posse como secretário, no fim de abril. Cumprindo o cronograma, a primeira etapa da obra deverá ser entregue no próximo mês, sendo que a inauguração está prevista para o fim deste ano.

Prefeito minimiza situação criada por vídeo polêmico postado no Facebook

[caption id="attachment_7878" align="alignleft" width="620"]João Gomes: “Houve um calor maior, mas logo os ânimos se acalmaram” / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção João Gomes: “Houve um calor maior, mas logo os ânimos se acalmaram” / Foto: Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Na semana passada, um vídeo causou polêmica nas redes sociais ao mostrar o prefeito de Anápolis, João Gomes, “batendo boca” com um morador. No vídeo, João Gomes aparece gritando com uma pessoa, que o teria xingado momentos antes durante uma manifestação dos moradores do Jardim Primavera I. Porém, não há cenas mostrando o momento que o morador ofende o prefeito. O vídeo foi compartilhado centenas de vezes, sobretudo no Facebook. A polêmica gerada pelo vídeo é minimizada quando contextualizado. A coluna falou com João Gomes, que deu sua versão dos fatos. Ele conta que há mais ou menos um ano, os moradores da região fizeram esse mesmo movimento, do qual o próprio João Gomes não tira a razão. Segundo ele, foi feito o asfalto num bairro adjacente — ou seja, do outro lado da rodovia GO-560 —, mas o Jardim Primavera I ficou sem asfaltamento. Assim, os moradores do bairro ficaram ressentidos. “E é legítimo isso, porque a poeira lá é realmente muito ruim e incomoda os moradores. Além disso, é importante dizer que a Saneago está trocando a adutora da região e, por conta disso, uma parte grande da cidade, inclusive a que envolve o Jardim Primavera I, ficou sem água por três dias. Ou seja, a insatisfação dos moradores é legítima. E por isso, fui lá e andei com os moradores na poeira para reconhecer a situação. E junto conosco levamos as máquinas, que não vão sair de lá enquanto não acabarem o asfalto”, frisa o prefeito. João Gomes relata que, ao saber do protesto, que contou com queima de pneus, foi ao encontro dos moradores. “Assim, logo quando chegamos, houve ali um calor maior, mas logo os ânimos se acalmaram. Falei com os moradores, os bombeiros tiraram os pneus que tinham sido usados no protesto e tudo se resolveu.” O problema, segundo o prefeito, foi que uma pessoa de fora do movimento e que nem sequer é do bairro, passou do ponto nas provocações a ele. “Infelizmente, a provocação foi muito forte e eu o chamei para provar o que ele falou, mas não houve briga, tanto que depois esse mesmo morador pediu às pessoas que estavam comigo, inclusive alguns policiais e outros servidores da prefeitura, para falar comigo. Eu disse que tudo bem, ele veio a mim, me pediu desculpa, reconhecendo que havia exagerado e que entrou no jogo que haviam armado ali, justamente para filmar tal situação. Eu aceitei suas desculpas e nós nos abraçamos ali mesmo no meio da rua. Tudo certo”, declara o prefeito. Em relação ao que se ventilou sobre a retirada das máquinas, o prefeito disse que houve um problema com o convênio que assegurava a verba e, por isso, a empresa retirou as máquinas do local. “Por um interesse da empresa, que ficou alheio à prefeitura”, afirma. Contudo, João Gomes assegura que o problema já foi resolvido. “A obra é grande. São R$ 9 milhões. A galeria, que é o mais demorado e mais caro, já está pronta. Acredito que nesta semana o asfalto começa a ser colocado.”

Planetário Digital de Anápolis tem média de 5 mil visitantes por mês

Obra inaugurada recentemente, o Planetário Digital e Obser­vatório Astronômico de Anápolis está tendo um razoável sucesso. Desde sua inauguração, em janeiro deste ano, o espaço tem recebido uma média de 5 mil visitantes por mês. O planetário foi inaugurado com a presença do astronauta brasileiro Mar­cos Pontes, que, na ocasião, palestrou para estudantes — que são o público majoritário do local. Quem visita o planetário conta geralmente com uma série de atividades, como sessões de cúpula com observação no deck ao céu aberto; e visita aos painéis que a­tualmente contam com uma mostra internacional de Astro­nomia organizada pela Nasa e pela comunidade europeia, além de poder observar o céu pelo telescópio. Telecóspio esse que foi adquirido por uma licitação internacional, sendo melhor, inclusive, do que os das Universidades de Bra­sí­lia (UnB) e Federal de Goiás (UFG). Estudantes das redes municipal e estadual, além de alunos da rede privada, têm horários especiais de visita ao planetário. Outras cidades também prestigiam o espaço. Segundo a equipe que gerencia o local, já foram registrados público de Goiânia, Brasília, Silvânia e Valparaíso.

Embaixadores de Alemanha, Áustria e Canadá vêm a Anápolis para um jantar em homenagem a Goiás

No fim da última semana, o secretário de Indústria e Comércio e Cônsul Honorário da Alemanha em Goiás, William O’Dwyer, recebeu os embaixadores do Canadá, Jamal Khokhar; da Alemanha, Wilfried Grolig; e da Áustria, Marianne Feldmann. A reunião aconteceu em Anápolis e foi considerada como um jantar em homenagem a Goiás. O jantar antecedeu o encontro realizado na embaixada do Canadá, em Brasília. Como adiantado aqui, o secretário foi a Brasília para tratar de assuntos comerciais que beneficiam Goiás frente a aproximadamente 17 países, fora Canadá, Alemanha e Áustria. Já há previsão de conversas sendo realizadas com dois empresários canadenses, embora ainda não se saiba seus nomes. É certo, porém, que há notícias de bons investimentos a serem realizados no Estado.

Governador pode inaugurar Centro de Convenções, simbolicamente, até o dia 5 de julho

Pela lei eleitoral, os políticos que detêm mandato não podem comparecer, nos três meses que precedem o pleito, a inaugurações de obras públicas. Assim, como as eleições são no dia 5 de outubro deste, os governantes têm até o dia 5 de julho para participar de inaugurações e eventos semelhantes. Dessa forma, tendo em vista que a construção do Centro de Convenções de Anápolis está a todo o vapor, mas tem data de entrega prevista apenas para o fim do ano, o governador Marconi Perillo pode participar de uma inauguração simbólica da obra até o dia 5 de julho. A informação é de um tucano aliado de longa data do governador. Contudo, ele não confirmou se haverá, de fato, a solenidade. Por enquanto, cogita-se a possibilidade, uma vez que o Centro de Con­venções é a menina dos olhos do governador em Anápolis.

Trindade no pódio do Motociclismo

“Obrigado governador, por mais este grande presente a nossa cidade”, disse Jânio Darrot, ao divulgar evento inédito no Estado

Base peemedebista teme eleger apenas dois deputados federais, Iris Araújo e Daniel Vilela

A crise do PMDB, dividido entre Iris Rezende e Júnior Friboi, pode reduzir ainda mais sua importância no plano nacional. Líderes acreditam que o partido, se o quadro não melhorar até setembro, deve fazer no máximo dois deputados federais — Iris Araújo, que tem o apoio de Iris Rezende, e Daniel Vilela, que é bancado pelo pai, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Peemedebistas acreditam que Pedro Chaves, um dos deputados federais mais qualificados do PMDB, pode não ser reeleito. A crise tomou tal dimensão que Marcelo Melo, que era tido como potencialmente eleito, pode não disputar e deve apoiar Chaves. É outra grande perda para o partido.

PMDB concretiza chapa majoritária

semana.qxd Na tarde da quarta-feira, 18, o PMDB anunciou sua composição de chapa majoritária com nomes que em outros tempos estiveram associados à base aliada e ao governador tucano, Marconi Perillo. Os pré-candidatos ao senado, Ronaldo Caiado, e a vice, Armando Vergílio, se juntaram a Iris Rezende, que disputará o governo. O “espirito de goianidade” e “necessidade de mudança” são a motivação para composição. Vergílio disse: “Nós dialogamos com todas as forças políticas e tivemos em Iris Rezende a receptividade de todas as nossas propostas. Este é o melhor caminho”. Caiado reafirmou sua coerência e alegou o uso da máquina governamental com motivos puramente eleitorais, por parte de Perillo. “Isso é o que existe de mais retrógrado. Usar a máquina de governo para querer calar as pessoas e sufocar as lideranças. Isso é crime eleitoral”, afirmou. No dia seguinte, o democrata anunciou que entrará com representações contra o governo estadual, por improbidade administrativa. Aliados do empresário Jú­nior Friboi, os deputados federais Sandro Mabel e Pedro Chaves compareceram ao evento, no escritório de Iris, e enalteceram a posição dos pré-candidatos. Chaves afirmou que Friboi não vai voltar. “Não é candidato.”

Medidas são estabelecidas para reduzir criminalidade na Grande Goiânia

Com o agravo diário da violência na cidade, a Secretaria de Segurança Pública de Goiás (SSP-GO) informou sobre uma ação, com o enfoque em 15 bairros, para amenizar a criminalidade. Os bairros somam 16% da população e 27% dos homicídios ocorridos, desde janeiro de 2013. A medida foi estabelecida na quarta-feira, 18, e conta com a atuação de 40 policiais militares em horários e áreas específicas, quando o número de crimes é maior. O superintendente-executivo da SSP-GO, coronel Edson Costa de Araújo se reuniu, no dia seguinte, com diretores da Secretaria de Administração Penitenciária e Justiça (Sapejus) para discutir medidas quanto à organização do sistema prisional. No inicio da semana, Marconi Perillo (PSDB) havia decretado estado de emergência em relação ao sistema. Já a Polícia Militar deflagrou a Operação Prioridade Duas Rodas, na grande Goiânia, para amenizar os assassinatos cometidos por motociclistas. As abordagens já estão sendo realizadas e drogas e armas foram apreendidas. sem

Déficit na balança comercial

O coordenador-geral do Boletim Macro do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre-FGV), Regis Bonelli, anunciou a estimativa, no seminário de Análise Conjuntural na terça-feira, 16, que a balança comercial feche o ano de 2014 com déficit de US$ 2 bilhões. O Produto Interno Bruto (PIB) tem previsão de crescimento em 1,6% com inflação em 6,7%. Bonelli afirmou que o risco não está no setor externo e, embora não sejam boas, as perspectivas não representam nenhuma catástrofe. “Para o ano que vem, a nossa previsão [de crescimento do PIB] é um pouco pior do que para este ano, mas tem boas expectativas de que tudo melhore a partir daí”, concluiu

Transporte público em greve

Em quinta audiência de conciliação, motoristas de ônibus e sindicato, que representa as empresas do Trans­porte Coletivo da Grande Goiânia, não entraram em acordo e greve da categoria deve ser deflagrada nesta segunda-feira, 23. O encontro foi no auditório do Tribunal Regional do Trabalho (TRT), na capital. O efetivo mínimo de ônibus que deverá circular durante a paralisação foi discutido. A procuradora-chefe do Ministério Público do Trabalho, Janilda Gui­marães, propôs o porcentual de 50%, em horários de pico, e 30%, nos demais horários. Já o Sindicato das Empresas de Transporte Co­letivo Urbano de Passageiros de Goiânia (Setransp) defendeu o porcentual em 80% e 50%, findando em desacordo. Reajuste de 10% sobre o salário, 23% sobre o ticket-alimentação e a volta da manobra ou indenização de 250 reais são reinvindicações da categoria.

Rússia contesta Estados Unidos

O primeiro-ministro russo, Dmitri Medvedev, anunciou na sexta-feira, 20, que a Rússia contestará as sanções impostas ao país, pelos Estados Unidos, devido à crise na Ucrânia. “Os Estados U­nidos aplicaram sanções contra a Rússia que vão ter consequências negativas para o comércio ex­terno. Decidimos contestar essas sanções na Organização Mundial do Co­mércio (OMC)”, declarou Med­vedev, durante um fórum internacional, em São Peter­s­burgo. O chefe do governo considera um procedimento complicado, pois os Estados Unidos dominam a OMC, e afirmou que esse procedimento “permitiria avaliar [sua] imparcialidade e objetividade”.

China proíbe “trabalhos críticos” da imprensa

A Administração Estatal de Im­prensa, Publicação, Rádio, Cinema e Televisão chinesa anunciou, na quarta-feira, 18, que seus jornalistas “estão proibidos de realizarem trabalhos críticos a não ser que tenham recebido aprovação do seu local de trabalho”. A decisão é um agravo da repressão, em um país, cujas restrições à imprensa estão entre as mais rígidas do mundo. O objetivo do governo chinês é justificado na intenção de evitar extorsão, notícias pagas e reportagens falsas. Quem escrever criticamente, sem autorização, pode ser acusado pela Justiça, perder a carteira profissional e, ainda,  ser expulso do Par­­tido Comunista, caso seja membro. Recentemente, lançaram uma forte ofensiva contra rumores online, cujos internautas que escreverem mensagens difamatórias e forem republicadas 500 vezes, podem enfrentar pena de prisão.

Os riscos de uma nova mudança de estratégia de campanha ao sabor das pesquisas

[caption id="attachment_7689" align="alignright" width="350"]Lula muda o tom e esbraveja, fazendo Fernando Henrique o responder Lula muda o tom e esbraveja, fazendo Fernando Henrique o responder[/caption] A confrontação com o PSDB quanto a corrupção seria a quarta tro­ca de foco na campanha do PT. Antes houve uma guinada quando o partido deixou de lado o seu tradicional mote para infundir esperança no eleitor e partiu para o contrário: transmitir medo quanto à volta dos tucanos ao poder, o que seria a redução de programas sociais. Como numa ejaculação precoce, a campanha do medo não funcionou porque veio antes da hora. O tema está mais para o fim da propaganda eleitoral, para uma cartada final se foi o partido quem perdeu a esperança em urnas risonhas. Além disso, a Justiça vetou o tema que antecipava acusações a possíveis posições dos adversários. A seguir veio a opção de Lula pelo ataque agressivo à oposição, aquele “partir para cima” tipo olho por olho, dente por dente. Vigorou até o episódio do Itaquerão, quando Lula radicalizou na sua antiga tendência a estimular a luta de classe com aquela história de que rico não tolera a presença de pobre na universidade ou na viagem de avião. Veio então o ódio de classe. Os riscos de troca de focos de uma campanha começam pelo fato de que repassam insegurança do partido ou candidato quanto ao sucesso nas urnas. A instabilidade de tema pode chegar ao ponto em que denota desespero. Seria o fim da picada para quem se oferece aos eleitores como líder ou comandante certo para aquele momento de cisão sobre governo. Além disso, veja-se o tema do ódio. Lula não acompanhou a presidente Dilma no desafio de ir ao estádio para o início dos jogos da Copa, mas no dia seguinte estava com a sucessora em Recife, onde inaugurou o discurso para transformar a candidata em vítima do ódio da oposição e de elites brancas. Com agressividade e mau humor maior ainda do ritmo que mantinha ultimamente, Lula defendeu ferozmente a presidente contra a hostilidade popular insuflada pela mídia. Naquela ênfase, procurou apagar a imagem de omisso que deixou no estádio. Era um esforço para mostrar presença intensa capaz de mudar a imagem de uma ausência anterior. Conseguiu. Tanto Lula conseguiu mostrar presença que a oposição reagiu, também numa escalada de tom nas discussões de campanha. Contes­tou com os presidenciáveis Aécio Neves (PSDB) e Eduardo Campos (PSB). A mudança de comportamento retirou FHC de seu sossego e o levou a duelo verbal com Lula. Deu no que deu. Conforme a pes­quisa do Ibope divulgada em se­guida, na quinta-feira, a massa de elei­tores rejeitou o bate-boca entre os políticos. Todos foram reprovados numa dimensão que ampliou o desencanto popular quanto a políticos.

Uma questão de “sincretismo geográfico“

carta da europa.qxdO meu professor de psicologia costumava tornar os temas mais compreensíveis dando e­xem­plos. Certo dia, referindo sobre “sincretismo infantil” explicou-o da seguinte maneira: “Entende-se por sincretismo infantil”, disse ele, “aquela fase da criança na qual ela ainda não distingue entre a parte e o todo. É a fase na qual a criança ao ver, por exemplo, uma árvore, vê-a como um todo. Ela ainda não distingue que a árvore é formada por um tronco, muitos galhos, hastes, folhas e eventualmente flores. Em regra, esta fase vai, aproximadamente, até aos 3 anos de idade”. O Dicionário Aurélio menciona que o termo é do campo da Psicologia sem citar explicitamente que se trata de um termo da Psicologia Infantil. Aurélio interpreta-o assim: “Percepção global e indistinta da qual surgem, depois, objetos distintamente percebidos”. A explicação de Aurélio corresponde à explicação do meu mestre embora a dele tenha sido mais simples e mais compreensível. Passaram os anos, nunca esqueci esta singela explicação tampouco aprofundei o tema. Especialistas do ramo que me perdoem, caso não tenha eu reproduzido corretamente a definição. Em todo caso, o sincretismo infantil existe. É um termo real e específico do campo da Psicologia Infantil para explicar uma realidade, isto é, um fenômeno natural no desenvolvimento da criança em seus primeiros anos de vida. O termo sincretismo é usado também em outras áreas do saber humano, se bem que com distintas conotações. Encontramo-lo na Filosofia, na Etnografia, na An­tropologia, nas Artes, especialmente na pintura, bem como em várias religiões como no cristianismo, no budismo, no hinduísmo, no islamismo e em outras ciências. O que por definição não existe é a expressão “sincretismo geográfico”. É uma invenção minha, uma artimanha estilística, para explicar lapsos muito comuns na mídia europeia em relação ao Brasil. “Sin­cretismo geográfico, portanto, não existe na realidade, mas existe na prática como demonstram os exemplos concretos que encontrei em jornais, folhetos de propaganda, cartazes, letreiros luminosos, paredes pintadas e outros meios de poluição visual. Também a TV fornece, nesses dias da Copa, fartos exemplos. Os exemplos comprovam que alguns jornalistas, redatores e profissionais, não só da área da publicidade, têm um problema que bem poderíamos chamar de “sincretismo geográfico” cuja definição poderia ser a seguinte: “Trata-se de uma anomalia mental que se manifesta na fase adulta de indivíduos com faculdade intelectual subdesenvolvida cujos sintomas consistem em verem um Continente, por exemplo a América Latina, como um todo, como se o Continente fosse um país só”. Os exemplos a seguir não deixam dúvida quanto a existência desta anomalia. Na internet encontrei a seguinte frase: “A cidade do Rio de Janeiro, a metrópole sul-americana, apresenta o seu completo esplendor durante o carnaval”. Neste caso, o Rio, antes de ser cidade brasileira, é a metrópole sul-americana. Um jornal alemão anuncia um espetáculo musical com o título “Canções de amor da América Latina” seguido com a seguinte informação: “No programa “Monday Sessions” participará a cantora Dorothee Götz que apresentará uma seleção de títulos, selecionados pessoalmente pela cantora, de seu álbum “Brasilian Love Song Book”. Neste exemplo quem vai ao espetáculo, na esperança de ouvir canções de amor da América Latina, acaba ouvindo brazilian love songs. Um político de um dos Estados da Alemanha perdeu a eleição, o cargo e a reputação, mas teve uma oferta de uma grande empresa alemã para um cargo de chefia em sua filial brasileira no Rio de Ja­neiro. Em um en­contro regional de seu partido o político convidou al­guns amigos para visitá-lo em seu novo posto de trabalho, no Rio de Ja­neiro, “a fim de tomar uma boa caipirinha com vocês”. Um jornal local registrou a notícia e um leitor enviou uma carta à redação na qual perguntou: “Que tal seria se o político convidasse também o sr. Friedrich Wegner (nome alterado) para visitá-lo na América do Sul?”. Neste exemplo o Rio de Janeiro e a América do Sul também são a mesma coisa. Além disso, visitar alguém na América do Sul! Onde? Outro exemplo com o seguinte título: “Brasil atrai montadoras” seguido com um texto que é típico para o sincretismo geográfico: “Apesar de os automóveis da classe alta ocuparem apenas um pequeno segmento do mercado a Audi, BMW e a Daimler investem fortemente na América do Sul”. Neste caso é o Brasil que atrai as montadoras mas todas elas investem na América do Sul. Afinal onde, em que país? Outro exemplo da área industrial com o título: “BASF investe 500 milhões de euros” seguido com o seguinte texto: “O maior grupo mundial da área química, a BASF, investirá 500 milhões de euros numa nova fábrica no Brasil. Trata-se do maior investimento da centenária história da BASF na América do Sul... Em Camaçari a BASF construirá o primeiro complexo industrial para a produção de ácido acrílico e superabsorventes na América do Sul”. Como vemos, Brasil, Camaçari e América do Sul parece um todo! Um jornal alemão publica artigo sobre o prefeito de uma cidade, uma personalidade conhecida no sul da Alemanha. O artigo inclui dados biográficos onde se lê: “Formação: Após concluir o ensino médio, o prefeito Fulano de Tal fez uma aprendizado na área de transportes e em prosseguimento estudou Ciências Econômicas na Universidade de Paderborn e nos Estados Unidos. Encarregado pela Fundação Friedrich-Ebert, trabalhou vários anos na América do Sul”. Trabalhou na América do Sul? Onde? Entre o Canal do Panamá e a Tierra del Fuego há inúmeros países. Um exemplo do comércio. Na caixa do correio encontro um folheto de uma loja chique da cidade no qual vejo a seguinte aberração: “Camisetas-Benchmarking. +invariáveis há 20 anos, +algodão sul-americano, +embalagem dupla por 29,00 euros”. Algodão sul-americano! Afinal donde vem o algodão? Do Brasil? Da Guiana Francesa? Do Chile ou quiçá de uma país chamado América do Sul? No folheto de uma grande cadeia de supermercados vejo a foto de uma embalagem com a seguinte inscrição: “Rosbife sul-americano”! Curiosamente, o concorrente deste supermercado anuncia, com foto semelhante, um “Filé de peixe sul-americano”. Donde será que vem o rosbife sul-americano? Dos pampas argentinos? Do Uruguai? De alguma fazenda de Goiás? Tentei descobrir a procedência do filé de peixe sul-americano. Casualmente encontrei o gerente quando me encontrava no supermercado. Mostrei-lhe a embalagem e perguntei: “Donde vem este filé de peixe sul-americano?” O homem pegou a embalagem, fitou-a, fitou-a longamente e disse: “Da América do Sul! Está escrito na embalagem”. Desisti. Já que estamos presenciando o Mundial de Futebol registro um exemplo típico de sincretismo geográfico referente a este esporte. Em agosto de 2011 houve uma partida amistosa entre as seleções do Brasil e da Alemanha. Na época Mano Menezes era o técnico da seleção brasileira. O encontro teve lugar no Estádio do VfB em Stuttgart. A Alemanha venceu por 3 a 2. Mano Menezes, em entrevista à imprensa, comentou: “Desde que sou técnico da Seleção Brasileira, já faz um ano, foi este o primeiro jogo no qual o adversário nos superou em todos os sentidos”. No dia seguinte o maior jornal local alemão comenta:”A interpretação de Mano Menezes foi muito franca o que não facilita as coisas para o técnico da Seleção Sul-Americana”. No dia da abertura da Copa um jornal alemão escreve o seguinte: “Com a cerimônia de abertura e o jogo entre o país anfitrião e a Croácia começa hoje, em São Paulo, o Campeonato Mundial de Futebol. A equipe sul-americana entra em campo carregando um enorme peso: ela terá que conquistar o sexto título”. A Seleção Brasileira é a equipe sul-americana. Não é somente na mídia escrita que se ouvem tais “sincretismos geográficos”. Durante os jogos da Copa em andamente é comum na TV ouvir falar da equipe uruguaia como sendo a equipe sul-americana. O mesmo já se ouviu da equipe chilena, da argentina, da colombiana... Todas elas, antes de serem chilena, argentina ou colombiana, são sul-americanas. Além disso, no que diz respeito à pronúncia, ouve-se coisas engraçadíssimas. As cidades ou os estádios nos quais são realizados os jogos, falados pelos homens e mulheres da TV, soam pra doer: Curitchiba, Guiaba, Portalechre, Sankpaulo, Fortaletza, Retzife, Maracaná... e a “Marcha Real”, o hino nacional da Espanha, passou a ser a “Marca Real”. Terça-feira, 17 de junho, teve lugar a partida entre a Bélgica e a Argélia em Belo Horizonte. No momento em que a Argélia fez o primeiro gol o comentarista saiu com a seguinte observação: “Os africanos estão complicando a vida dos belgas”. Sincretismo geográfico também em relação à África! Estão realmente vendo a árvore como um todo. Desliguei a televisão.

Breve história sobre meu pai, um homem correto e justo

cont2Pioneiros sempre têm muito a contar. Eli Brasiliense, por exemplo, em seu romance “Chão Vermelho”, fala da Goiânia que viu brotar da argila do Cerrado, na primeira metade do século passado. Mas sempre é pouco. Muitos desses pioneiros — a maioria — não contam o que viram e viveram, e se perde a história rica, às vezes dramática, às vezes cômica, mas sempre épica, de seu tempo. Gostaria que meu pai tivesse escrito um livro, ele que viveu desde o primeiro dia a saga de Goiânia, até seu falecimento, em 1982. Getulista empedernido, foi amigo incondicional de Pedro Ludovico, embora da geração seguinte, e por isso amigo também dos filhos do velho cacique. Na construção de Goiânia, foi um dos primeiros funcionários selecionados por Pedro Ludovico, na antiga capital, para a mudança. Sempre foi um membro de carteirinha do PSD, e ocupou nos governos dos Ludovico cargos de confiança, embora nunca tivesse se arriscado em eleições. “Não tenho jeito para pedir votos”, dizia. Era verdade. Nunca o vi pedir nada a ninguém, ele que viveu toda uma existência modesta, e que, com seus vencimentos de funcionário público, somados aos de minha mãe, professora, educou os filhos — e educou bem. A mim mesmo, fez questão de enviar ao Rio de Janeiro para fazer o curso que escolhi — Engenharia. Só hoje posso avaliar o sacrifício de meus pais para que a mesada chegasse religiosamente, como chegou, nos sete anos que passei estudando na então chamada, merecidamente, de Cidade Maravilhosa. Quando os Ludovico foram derrotados por Jerônimo Coimbra Bueno em 1947, no fim do Estado Novo, meu pai foi demitido do cargo de delegado (os cargos policiais de chefia eram de livre nomeação do governador), como o foram todos os amigos de Pedro Ludovico. Mas ele tinha a filosofia do personagem Ripol, de Vianna Moog, no livro “Uma Jangada para Ulysses”: “Never complain, never explain”. Não se amofinou nem por um momento. Juntou as economias da família, comprou um carro e foi ser “chofer de praça” como se chamavam os motoristas de táxi de então. Durante os anos do governo Coimbra Bueno dirigiu seu “carro de praça”, vendeu fios de cobre (conseguiu uma representação da fábrica Pirelli) sem uma queixa, uma recriminação sequer, embora trabalhasse febrilmente na eleição seguinte, a de 1950, para que Pedro Ludovico voltasse vitorioso para o governo de Goiás, e Getúlio Vargas para a Presidência do Brasil. Convidado por Pedro Lu­dovico, foi ser comandante da Guarda Civil, como se chamava a polícia fardada da época, em que não havia Polícia Militar. Sua infância, na antiga capital, não foi fácil. Minha avó paterna, Luiza, que residia na cidade de Goiás, era uma bela moça da família Sardinha da Costa, descendente de portugueses imigrados para a região de Paraúna, onde tinham léguas de sesmaria doadas pela coroa portuguesa à época do Brasil Colônia. Deu ela o que se chamava um “mau passo”, e para o qual não havia perdão numa cidade de Goiás supermoralista. Enamorada de um jovem engenheiro que viera do Rio de Janeiro a Goiás fazer uns serviços de cartografia, viu-se só, grávida e solteira, quando Benedito Netto de Velasco, o engenheiro, viajou inopinadamente para o Rio, e não mais voltou a Goiás. Imagine-se o escândalo, naquele ano de 1911, na pequena e preconceituosa capital. Basta dizer que minha avó encerrou ali sua carreira amorosa, e cuidou de educar o filho único, desprezada pela família e pela comunidade onde vivia. Imagine-se a dificuldade com que mãe e filho sobreviveram. Isso acabou por fortalecer o caráter de meu pai, que sempre na vida cuidou de ser o mais trabalhador e honesto, em qualquer função que exercesse, e uni-lo à minha avó por quem teve a maior afeição e a quem dedicou o maior desvelo até o dia de sua morte, o único dia em que o vi verdadeiramente abatido. Por outro lado, jamais perdoou o pai. Conviveu e fez amizade com o irmão deste, o brilhante político Domingos Velasco, que foi o pioneiro do socialismo no Brasil (fundador do Partido Socialista Brasileiro em 1947). Nunca aceitou sequer conhecer o pai, Benedito Velasco. Domingos Velasco era um advogado destacado, deputado federal por quatro mandatos e senador por um mandato, por Goiás. Aproximou-se de meu pai, certamente constrangido pelo comportamento do irmão, que condenava. Ele recebeu com naturalidade a amizade do tio. Quando Domingos Velasco disse a meu pai que o irmão desejava conhecer o filho, agora já adulto, e que jamais vira, meu pai foi categórico: “Impossível. Passou a época disso acontecer”. Anos mais tarde, quando um Benedito (que era bastante rico) talvez arrependido, já velho, perto do fim, pediu ao irmão que comunicasse a meu pai que pretendia contemplá-lo no testamento, teve a resposta: “Diga a ele que se o fizesse, estaria me fazendo um favor. Se não o fizer, serão dois favores. Que não o faça, pois ficaremos assim melhor os dois”. E mais não disse, nem lhe foi perguntado. Meu pai ocupou vários cargos na Segurança Pública, desde aqueles anos de 1930, em que se mudou para Goiânia, cidade existente mais no papel e tinta do arquiteto Atílio Correa Lima do que nos tijolos e cimento do interventor Pedro Ludovico. Foi agente de polícia (detetive, à época), delegado, respondeu pela Chefatura de Polícia (hoje Secretaria de Segurança), diretor da Penitenciária Estadual (agora Cepaigo ou Penitenciária Coronel Odenir Guimarães) e por longos anos pelo Serviço de Trânsito (hoje Detran), por onde se aposentou. Teria muitas histórias a contar ou a pôr no papel. Como a de quando Goiânia (início dos anos 1940) tinha apenas um ladrão, o “Boca Larga”, bastante conhecido. Dos crimes que chocaram o Estado, como o “Crime da Camionete Azul”, quando um assassinato foi cometido e a vítima desfigurada para ser tomada pelo criminoso, que pretendia se apossar dum grande seguro de vida em benefício de um parente cúmplice. Ou da morte dos bancários do hoje extinto Banco da Lavoura, em um assalto praticado por um membro — descobriu-se depois — de uma das famílias mais tradicionais e ricas de Goiás. Lembro-me da aflição de minha mãe, no início dos anos 1940, quando houve um motim na Pe­nitenciária Estadual, e meu pai, então diretor, entrou sozinho no pátio do estabelecimento, para negociar com os detentos, entre os quais os mais cruentos assassinos. Conseguiu acalmá-los e terminar a revolta. Carlos Lacerda, governador da Guanabara (Rio de Janeiro), faria a mesma coisa, em 1961. Quais as palavras trocadas entre o diretor e os presos? Esses diálogos estão perdidos para sempre. contDurante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), meu pai foi encarregado das campanhas de apoio ao esforço de retaguarda. Lembro-me vagamente da campanha da borracha, quando coletavam-se pneus usados para serem reciclados nos Estados Unidos e da campanha da sucata, com a mesma finalidade. Era a época do racionamento de combustível, gasolina principalmente, e também caiu nas mãos de meu pai a distribuição das cotas e a fiscalização do seu uso. Foi a única vez que eu soube de uma insinuação quanto à sua honestidade, uma agressão à sua reputação, de que zelava cuidadosamente. As consequências quase foram funestas. Existiam duas empresas que exploravam o transporte coletivo em Goiás, e o proprietário de uma delas, Pilade Baiocchi, tradicional descendente de imigrantes italianos no Estado, sentindo-se prejudicado, discutiu com meu pai. No aceso da discussão, acusou-o de beneficiar o concorrente, e pior, levar vantagem com isso. Soube depois que meu pai chegou a “coçar” o coldre do revólver, e possivelmente Pilade teria feito o mesmo. “Deveria lhe dar um tiro” — teria dito meu pai. “Mas há ainda uma instância antes disso, que é a Justiça. Se ela não resolver, esteja certo de que voltaremos a tratar do assunto.” Feita a denúncia de injúria, convocadas as testemunhas, a Justiça, que então era rápida, enviou Pilade para uma temporada na cadeia, mesmo tendo se retratado. Tempos depois, amigos que eram antes, reaproximaram-se. Esses e muitos fatos, que hoje sabemos por alto, sem as precisões devidas, ou de que nem tomamos ciência, perdem-se na poeira do tempo, vão-se com a memória daqueles pioneiros que vão nos deixando.

11 vexames inesquecíveis de grandes seleções em Mundiais

Uma lista de casos de fracassos clássicos em Mundiais. Alguns poderiam até ter sido evitados, mas outros são coisa que talvez só se explique com o Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues Elder Dias Quanto maior a altura, maior também o tom­bo. A história das Copas é re­cheada de seleções po­derosas que chegaram como grandes favoritas e acabaram humilhadas pela própria soberba ou pela força das circunstâncias. Brasil, Itália, Ale­manha, Argentina, In­glaterra, entre outras: nenhuma escapou de passar por vexames quando delas se esperava triunfos. A laureada Espanha, portanto, é só mais uma a entrar na lista, com o desempenho vergonhoso deste ano. Nestas páginas, uma lista de casos de fracassos clássicos em Mundiais. Alguns poderiam até ter sido evitados com mais harmonia, espírito de grupo ou humildade. Mas outros são coisa que talvez tenha sentido somente em Nelson Rodrigues e seu Sobrenatural de Almeida, o personagem fantasma que ele criou para explicar as questões imponderáveis do futebol. Tocantins_1885.qxd 1) INGLATERRA/1950 Uma derrota que virou filme Era a primeira participação dos criadores do futebol em uma Copa do Mundo. Até então, os ingleses não reconheciam a Fifa como entidade mandatária do esporte no mundo e desprezaram o torneio desde a primeira edição, no Uruguai, em 1930. A soberba britânica sofreu um golpe duríssimo no dia 29 de junho de 1950. O jogo era contra os Estados Unidos, um país onde poucos sequer sabiam que existia futebol. Esperava-se um massacre do English Team, que começou pressionando, mas não conseguia o gol. Aos poucos, os norte-americanos foram ganhando confiança. Fizeram um gol e até o fim seguraram o resultado, que foi comemorado como título em Belo Horizonte, tanto pelos vencedores como por brasileiros. O jogo virou assunto de livros e até tema do filme “Duelo de Campeões” (veja dica sobre o filme neste caderno). Tocantins_1885.qxd2) FRANÇA/2002 A grande vergonha da era Zidane Em 2002, a França era a seleção toda-poderosa do mundo. Defenderia o título mundial conquistado em casa quatro anos antes e chegava com muito prestígio. Na abertura da Copa, a seleção do Senegal, caloura em Copas. E o primeiro tropeço: um célebre gol de Bouba Diop deu a vitória aos africanos. Na sequência, Zidane e cia. não conseguiram se encontrar: empataram em 0 a 0 e depois, no último jogo do Grupo A, perderam para a Dinamarca por 2 a 0. A França conseguia a inédita e indesejada façanha de uma campeã ser eliminada na Copa seguinte ao título sem fazer um único gol. Tocantins_1885.qxd 3) ITÁLIA/1966 O dia em que a Itália conheceu a Coreia A Itália chegava ao último jogo da fase classificatória da Copa de 66 precisando vencer. Nada que assustasse, pelo contrário: o adversário era a inexperiente, amadora e desconhecida Coreia do Norte, considerada a seleção mais fraca da competição. Questão de cumprir tabela. Bastava uma vitória simples, e ela veio. Só que do lado contrário. Os asiáticos venceram por 1 a 0 e se classificaram de forma surpreendente. A derrota italiana entrou para os fiascos clássicos da história das Copas. Coincidentemente, outra Coreia, a do Sul, eliminaria a mesma Azzurra da Copa de 2002, mas já nas oitavas-de-final. Tocantins_1885.qxd4) ESPANHA/2014 “Roja” de vergonha A “Fúria” tinha vencido a Copa do Mundo de 2010 e as duas últimas Eurocopas, em 2008 e 2012. Ainda que envelhecida, era tida como uma das grandes favoritas ao título pelo currículo, pelo nível técnico de seus jogadores e pelo desempenho nas Eliminatórias europeias. É bem verdade que a goleada sofrida para o Brasil na final da Copa das Confederações era um alerta. Mas nada que fizesse esperar o vexame inédito de uma campeã na Copa seguinte: a Espanha conseguiu a façanha negativa de ser eliminada antecipadamente, com duas derrotas e menos de uma semana de torneio. Tão cedo os espanhóis não vão esquecer o atropelamento sofrido da Holanda, por 5 a 1, ou o Maracanazo número 2, protagonizado pelo Chile. Tocantins_1885.qxd5) FRANÇA/2010 O vexame que quase deu em “CPI” Vice-campeã da Copa anterior, a França já chegava à África do Sul sob polêmica: a classificação havia sido obtida com um gol irregular de Henry, que conduziu a bola com a mão. Na Copa, apenas três jogos, um ponto e muitos vexames. Houve briga entre jogador (Anelka) e treinador (Raymond Domenech) e entre os próprios atletas — caso de Gourcuff e Ribéry. Eliminada, os “bleus” viraram tema no Parlamento francês: integrantes da comissão técnica foram ouvidos a portas fechadas. O técnico responsabilizou a imprensa pela campanha vexaminosa. Após ameaça de intervenção na federação, houve recuo após alerta da Fifa sobre risco de suspensão da entidade, caso ocorre algo do tipo. Tocantins_1885.qxd 6) ITÁLIA/2010 A campeã virou lanterninha A Azzurra vinha como campeã, embora com uma geração já um tanto envelhecida. Mas voltar para a Itália sem nenhuma vitória diante de adversários sem nenhuma tradição em Copas, como eram os de seu grupo - Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia -, era algo jamais imaginado até mesmo pelo mais pessimista dos "tifosi". Mas foi pior: em campo nada funcionou e a seleção tetracampeã mundial terminou a fase de grupos como lanterninha, após dois empates e uma derrota. Um fim melancólico para uma geração que, mesmo não sendo favorita ao início, havia vencido com galhardia a Copa da Alemanha. Tocantins_1885.qxd7) ARGENTINA/1958 “Hermanos” sob chuva de pedras e moedas O pior placar da história da seleção argentina em Copas — aliás, em qualquer competição — na pior Copa da história da Argentina. Assim se resume o dia 15 de junho de 1958 e o jogo contra a Checoslováquia, perdido por 6 a 1. Com uma defesa irreconhecível, que levou dez gols em três jogos, a Copa que seria a redenção de seus arquirrivais acabava já no nascedouro para eles. Em Buenos Aires, foram recebidos com chuva de moedas e pedras pelos portenhos, especialmente o goleiro Carrizo, considerado um dos maiores de todos os tempos no país. Tocantins_1885.qxd8) COLÔMBIA/1994 Ascensão, queda e tragédia de uma seleção Os anos 90 trouxeram a melhor geração de jogadores produzidos em território colombiano — basta lembrar do trio ofensivo Valderrama– Asprilla–Rincón. O histórico massacre sobre a Argentina de 5 a 0 em Buenos Aires, em pleno Monumental de Nuñez, pelas Eliminatórias, em 1993, elevou a Colômbia a candidata ao título da Copa do ano seguinte. É exatamente por essa alta expectativa que ela se torna a única seleção não campeã a entrar nesta lista. No Mundial dos Estados Unidos, além de tudo, deram a sorte de estar em um grupo teoricamente fácil. Mas a expectativa não se concretizou. A Colômbia perdeu seus dois primeiros jogos e acabou desclassificada logo na 1ª fase. Mais do que isso, por causa de um gol contra no segundo jogo, contra os Estados Unidos, o zagueiro Andrés Escobar foi morto ao voltar à Colômbia. Tocantins_1885.qxd9) BRASIL/1966 Depois do bi, o fiasco O Brasil de 1966 ainda tinha Pelé e Garrincha juntos e vinha de dois títulos mundiais em sequência, fato que só havia acontecido uma vez — com a Itália em 34 e 38 — e não mais se repetiu nunca mais. Não tinha como não ser apontado como favorito, apesar de estar entrando em uma fase de transição. Mas a eliminação veio logo na 1ª fase, depois de duas derrotas, para Hungria e Portugal, e apenas uma vitória, sobre a Bulgária. A desorganização marcou aquela seleção fora de campo, e a violência dos adversários, não coibida pela arbitragem, colaborou para o fracasso. Tocantins_1885.qxd10) ALEMANHA/1938 O “Führer” não deve ter gostado Nem com o reforço de jogadores da Áustria, a Alemanha conseguiu êxito na Copa de 1938. O esporte era um joguete político nas mãos de Adolf Hitler, que o usava para proselitismo, como fizera nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Por isso, era grande a expectativa pelo desempenho germânico na França. Mas a participação acabou sendo a mais rápida da história da Alemanha em Mundiais: uma derrota de 4 a 2 logo na primeira partida, contra a Suíça, fez os alemães deixarem a competição. Tocantins_1885.qxd11) BRASIL/1990 O desastre do “Professor Pardal” Lazaroni A seleção de Sebastião Lazaroni foi a menos brasileira da história das Copas. O treinador resolveu incrementar o esquema tático com uma inovação europeia: o líbero, hoje uma figura em desuso no futebol. Assim, escalou um time com três zagueiros – Ricardo Rocha, Mauro Galvão e Ricardo Gomes –, mas sem que nenhum deles ficasse definido como o tal líbero. A invenção não funcionou. O Brasil saiu logo nas oitavas-de-final e, pior, eliminado pela Argentina de Caniggia (autor do único gol do jogo) e Maradona, que seria vice-campeã. Anos depois, o camisa 10 argentino contaria, como pilhéria, que ofereceu água “batizada” (com substância dopante) a jogadores brasileiros, notadamente o lateral Branco naquele jogo.

“Importação” de xingamentos do futebol revela infantilidade da discussão política no Brasil

Somos o país da novela e do futebol. Nossos pontos de vista se dividem entre os que são a favor e os que são contra: um maniqueísmo jardim-de-infância João Paulo Lopes Tito Especial para o Jornal Opção A Copa do Mundo chegou e, com ela, conforme previsto, a onda de protestos. Uma das poucas coisas em que não houve atraso. É engraçado notar que o brasileiro geralmente protesta da mesma forma com que torce. Como o futebol é o esporte com mais força no País, acaba identificando-se, em cada manifestante, um torcedor apaixonado. De longe, ouvimos gritos de “Ôôô, o Joa­quim julgou! O Joaquim julgou!” ou “Arranja outro deputado pra votar na nossa linha”, “Fulano ladrão! Porrada é a solução!”. Rimas pobres, entrosamento momentâneo, ausência de profundidade. No fim, claro, xingam o juiz — ou a presidente — mandando-o ir para algum lugar obsceno. Mais do que falta de criatividade e desrespeito, isso evidencia um ato falho desconcertante. A mentalidade brasileira, quando se trata de discussão política, ainda beira o infantil. Não é à toa que Romário hoje é deputado, que Silvio Santos cogitou a carreira política (e, de acordo com as pesquisas da época, prometia dar trabalho na disputa presidencial) e que Ayrton Senna ganharia qualquer eleição fácil, para qualquer coisa a que se candidatasse. Mais recentemente, muita gente queria ver o ministro-presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, como chefe do Executivo — sem perceber que ele já era um dos três maiores líderes da Nação. [caption id="attachment_7634" align="aligncenter" width="521"]Tocantins_1885.qxd Xingar a presidente Dilma na abertura da Copa foi uma forma de protestar: o jeito mais chulo, sem razão e abarrotado de senso comum que existe — a falta de educação | Fotomontagem[/caption] Somos o país da novela e do futebol. Nossos pontos de vista se dividem entre os que são a favor do herói e os que são contra o vilão. Time nosso contra time adversário. E se resume a isso: um maniqueísmo jardim-de-infância. O lado bom é santo e deve ser presidente do País (seja ele carteiro, escritor, jogador de futebol, piloto de F-1 ou apresentador de programa de auditório). O lado mau é o de quem discorda (ou seja, nunca é o seu) e deve morrer, ir para o inferno, tomar em algum lugar (ou ser xingado de reacionário, esquerdinha, coxinha, direitona, marginal, vândalo etc., o que quer que essas palavras signifiquem, na cabeça de quem xinga). Não existe meio termo e isso, infelizmente, acaba com qualquer discussão. Não que não existam motivos para críticas e manifestações. Principalmente em se tratando de Copa do Mundo. Análises superficiais sobre todo o processo que envolveu desde a escolha do Brasil como sede até a festa de abertura, no dia 12 de junho, em São Paulo (e, muito provavelmente, englobará a festa de encerramento também), já escancaram uma série de amadorismos por parte do governo — em todas as esferas — e de entidades privadas responsáveis pelo evento. O protesto é sempre cabível. Mas existem 1 milhão de formas de se protestar. E exatamente por isso, é grave o ato falho do povo brasileiro: de 1 milhão de formas, escolheram os gritos do futebol. Está na cara que, se for só assim, não vai dar em nada. No jogo de estreia da Copa, por exemplo, escolheram xingar a presidente Dilma Rousseff. O jeito mais chulo, sem razão e abarrotado de senso comum que existe: a falta de educação. Num estádio superfaturado, onde morreram oito operários por falta de segurança no desempenho dos trabalhos — segurança essa que faltou por ganância ou comodismo de empresas privadas —, centenas de pessoas que provavelmente sonegam seus impostos, defendem a violência contra fiscais de trânsito e trombadinhas e cortaram fila pra entrar mais cedo no estádio gritam, estapafurdiamente, desaforos inócuos a uma pessoa que, independentemente de partido, classe social ou sexo, é uma semelhante. Mais do que isso, xingaram a chefe do Poder Executivo do próprio país. A questão esbarra em aspectos institucionais que passam muito longe da percepção de quem xingou: existe, disfarçado no ato, uma insubordinação à própria organização política do País, uma ofensa a princípios democráticos conquistados a muito custo. E o fato de as mesmas bocas que cantaram o Hino Nacional apaixonadamente minutos atrás, chorando junto com Júlio César e David Luiz, serem protagonistas de tais impropérios escancara o quanto estamos perdidos em nossas reivindicações. O brasileiro não sabe, ainda, distinguir um argumento racional e verossímil da birra clássica do “quero e não posso ter”. Um comportamento infantil, de quem ainda precisa aprender a lidar com a frustração eventual, inerente a processos democráticos, para tentar influir de maneira positiva — ainda que radical, vez ou outra — na vida política do País. Por enquanto, o que vimos foi um chilique maciço de pessoas vergonhosamente mandando a chefe do Executivo ir tomar em algum lugar, do mesmo jeito que fazem os torcedores de um time de futebol que sofre pênalti. Enquanto for assim, estaremos sempre na atitude passiva de torcedores sem educação, e o juiz vai continuar mandando no jogo. João Paulo Lopes Tito é advogado.

Motociclista morre vítima de linha com cerol

O motociclista Gleisson Alves da Rocha, de 36 anos, foi vítima de uma linha com cerol (vidro moído com cola) enquanto transitava pelas ruas de Anápolis. Gleisson conduzia uma motocicleta quando uma linha de pipa com cerol o atingiu no pescoço. Com um profundo corte, o homem já estava morto quando os paramédicos chegaram. Um adolescente de 17 anos, apontado por testemunhas como o responsável pela utilização da linha com cerol, foi apreendido pela Polícia Militar. Depois de prestar depoimentos o jovem foi liberado, sendo que a pipa e a linha com cerol foram apreendidos.