11 vexames inesquecíveis de grandes seleções em Mundiais

Uma lista de casos de fracassos clássicos em Mundiais. Alguns poderiam até ter sido evitados, mas outros são coisa que talvez só se explique com o Sobrenatural de Almeida de Nelson Rodrigues

Elder Dias

Quanto maior a altura, maior também o tom­bo. A história das Copas é re­cheada de seleções po­derosas que chegaram como grandes favoritas e acabaram humilhadas pela própria soberba ou pela força das circunstâncias. Brasil, Itália, Ale­manha, Argentina, In­glaterra, entre outras: nenhuma escapou de passar por vexames quando delas se esperava triunfos. A laureada Espanha, portanto, é só mais uma a entrar na lista, com o desempenho vergonhoso deste ano.

Nestas páginas, uma lista de casos de fracassos clássicos em Mundiais. Alguns poderiam até ter sido evitados com mais harmonia, espírito de grupo ou humildade. Mas outros são coisa que talvez tenha sentido somente em Nelson Rodrigues e seu Sobrenatural de Almeida, o personagem fantasma que ele criou para explicar as questões imponderáveis do futebol.

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1) INGLATERRA/1950

Uma derrota que virou filme
Era a primeira participação dos criadores do futebol em uma Copa do Mundo. Até então, os ingleses não reconheciam a Fifa como entidade mandatária do esporte no mundo e desprezaram o torneio desde a primeira edição, no Uruguai, em 1930. A soberba britânica sofreu um golpe duríssimo no dia 29 de junho de 1950. O jogo era contra os Estados Unidos, um país onde poucos sequer sabiam que existia futebol. Esperava-se um massacre do English Team, que começou pressionando, mas não conseguia o gol. Aos poucos, os norte-americanos foram ganhando confiança. Fizeram um gol e até o fim seguraram o resultado, que foi comemorado como título em Belo Horizonte, tanto pelos vencedores como por brasileiros. O jogo virou assunto de livros e até tema do filme “Duelo de Campeões” (veja dica sobre o filme neste caderno).

Tocantins_1885.qxd2) FRANÇA/2002

A grande vergonha da era Zidane
Em 2002, a França era a seleção toda-poderosa do mundo. Defenderia o título mundial conquistado em casa quatro anos antes e chegava com muito prestígio. Na abertura da Copa, a seleção do Senegal, caloura em Copas. E o primeiro tropeço: um célebre gol de Bouba Diop deu a vitória aos africanos. Na sequência, Zidane e cia. não conseguiram se encontrar: empataram em 0 a 0 e depois, no último jogo do Grupo A, perderam para a Dinamarca por 2 a 0. A França conseguia a inédita e indesejada façanha de uma campeã ser eliminada na Copa seguinte ao título sem fazer um único gol.

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3) ITÁLIA/1966

O dia em que a Itália conheceu a Coreia
A Itália chegava ao último jogo da fase classificatória da Copa de 66 precisando vencer. Nada que assustasse, pelo contrário: o adversário era a inexperiente, amadora e desconhecida Coreia do Norte, considerada a seleção mais fraca da competição. Questão de cumprir tabela. Bastava uma vitória simples, e ela veio. Só que do lado contrário. Os asiáticos venceram por 1 a 0 e se classificaram de forma surpreendente. A derrota italiana entrou para os fiascos clássicos da história das Copas. Coincidentemente, outra Coreia, a do Sul, eliminaria a mesma Azzurra da Copa de 2002, mas já nas oitavas-de-final.

Tocantins_1885.qxd4) ESPANHA/2014

“Roja” de vergonha
A “Fúria” tinha vencido a Copa do Mundo de 2010 e as duas últimas Eurocopas, em 2008 e 2012. Ainda que envelhecida, era tida como uma das grandes favoritas ao título pelo currículo, pelo nível técnico de seus jogadores e pelo desempenho nas Eliminatórias europeias. É bem verdade que a goleada sofrida para o Brasil na final da Copa das Confederações era um alerta. Mas nada que fizesse esperar o vexame inédito de uma campeã na Copa seguinte: a Espanha conseguiu a façanha negativa de ser eliminada antecipadamente, com duas derrotas e menos de uma semana de torneio. Tão cedo os espanhóis não vão esquecer o atropelamento sofrido da Holanda, por 5 a 1, ou o Maracanazo número 2, protagonizado pelo Chile.

Tocantins_1885.qxd5) FRANÇA/2010

O vexame que quase deu em “CPI”
Vice-campeã da Copa anterior, a França já chegava à África do Sul sob polêmica: a classificação havia sido obtida com um gol irregular de Henry, que conduziu a bola com a mão. Na Copa, apenas três jogos, um ponto e muitos vexames. Houve briga entre jogador (Anelka) e treinador (Raymond Domenech) e entre os próprios atletas — caso de Gourcuff e Ribéry. Eliminada, os “bleus” viraram tema no Parlamento francês: integrantes da comissão técnica foram ouvidos a portas fechadas. O técnico responsabilizou a imprensa pela campanha vexaminosa. Após ameaça de intervenção na federação, houve recuo após alerta da Fifa sobre risco de suspensão da entidade, caso ocorre algo do tipo.

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6) ITÁLIA/2010

A campeã virou lanterninha
A Azzurra vinha como campeã, embora com uma geração já um tanto envelhecida. Mas voltar para a Itália sem nenhuma vitória diante de adversários sem nenhuma tradição em Copas, como eram os de seu grupo – Paraguai, Eslováquia e Nova Zelândia -, era algo jamais imaginado até mesmo pelo mais pessimista dos “tifosi”. Mas foi pior: em campo nada funcionou e a seleção tetracampeã mundial terminou a fase de grupos como lanterninha, após dois empates e uma derrota. Um fim melancólico para uma geração que, mesmo não sendo favorita ao início, havia vencido com galhardia a Copa da Alemanha.

Tocantins_1885.qxd7) ARGENTINA/1958

“Hermanos” sob chuva de pedras e moedas
O pior placar da história da seleção argentina em Copas — aliás, em qualquer competição — na pior Copa da história da Argentina. Assim se resume o dia 15 de junho de 1958 e o jogo contra a Checoslováquia, perdido por 6 a 1. Com uma defesa irreconhecível, que levou dez gols em três jogos, a Copa que seria a redenção de seus arquirrivais acabava já no nascedouro para eles. Em Buenos Aires, foram recebidos com chuva de moedas e pedras pelos portenhos, especialmente o goleiro Carrizo, considerado um dos maiores de todos os tempos no país.

Tocantins_1885.qxd8) COLÔMBIA/1994

Ascensão, queda e tragédia de uma seleção
Os anos 90 trouxeram a melhor geração de jogadores produzidos em território colombiano — basta lembrar do trio ofensivo Valderrama– Asprilla–Rincón. O histórico massacre sobre a Argentina de 5 a 0 em Buenos Aires, em pleno Monumental de Nuñez, pelas Eliminatórias, em 1993, elevou a Colômbia a candidata ao título da Copa do ano seguinte. É exatamente por essa alta expectativa que ela se torna a única seleção não campeã a entrar nesta lista. No Mundial dos Estados Unidos, além de tudo, deram a sorte de estar em um grupo teoricamente fácil. Mas a expectativa não se concretizou. A Colômbia perdeu seus dois primeiros jogos e acabou desclassificada logo na 1ª fase. Mais do que isso, por causa de um gol contra no segundo jogo, contra os Estados Unidos, o zagueiro Andrés Escobar foi morto ao voltar à Colômbia.

Tocantins_1885.qxd9) BRASIL/1966

Depois do bi, o fiasco
O Brasil de 1966 ainda tinha Pelé e Garrincha juntos e vinha de dois títulos mundiais em sequência, fato que só havia acontecido uma vez — com a Itália em 34 e 38 — e não mais se repetiu nunca mais. Não tinha como não ser apontado como favorito, apesar de estar entrando em uma fase de transição. Mas a eliminação veio logo na 1ª fase, depois de duas derrotas, para Hungria e Portugal, e apenas uma vitória, sobre a Bulgária. A desorganização marcou aquela seleção fora de campo, e a violência dos adversários, não coibida pela arbitragem, colaborou para o fracasso.

Tocantins_1885.qxd10) ALEMANHA/1938

O “Führer” não deve ter gostado
Nem com o reforço de jogadores da Áustria, a Alemanha conseguiu êxito na Copa de 1938. O esporte era um joguete político nas mãos de Adolf Hitler, que o usava para proselitismo, como fizera nos Jogos Olímpicos de 1936, em Berlim. Por isso, era grande a expectativa pelo desempenho germânico na França. Mas a participação acabou sendo a mais rápida da história da Alemanha em Mundiais: uma derrota de 4 a 2 logo na primeira partida, contra a Suíça, fez os alemães deixarem a competição.

Tocantins_1885.qxd11) BRASIL/1990

O desastre do “Professor Pardal” Lazaroni
A seleção de Sebastião Lazaroni foi a menos brasileira da história das Copas. O treinador resolveu incrementar o esquema tático com uma inovação europeia: o líbero, hoje uma figura em desuso no futebol. Assim, escalou um time com três zagueiros – Ricardo Rocha, Mauro Galvão e Ricardo Gomes –, mas sem que nenhum deles ficasse definido como o tal líbero. A invenção não funcionou. O Brasil saiu logo nas oitavas-de-final e, pior, eliminado pela Argentina de Caniggia (autor do único gol do jogo) e Maradona, que seria vice-campeã. Anos depois, o camisa 10 argentino contaria, como pilhéria, que ofereceu água “batizada” (com substância dopante) a jogadores brasileiros, notadamente o lateral Branco naquele jogo.

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Jose Alexandre Teixeira Cardos

12° o Maracanaço de 2015,7 gols da Alemanha,até o Fuhrer comemorou do caixão ,bem diferente da Alemanha de 1938 pra quem lembra kkk.Seleção séria 7 x 1 Brasil ou deveria ser Alemanha e os 11 patetas,ou alemanha x pernas de pau,alemanha x quase nada.ou ainda Alemanha e Brasiliense e olha que o Brasiliense não levaria estes 7 nas costas.

Lucas M.

Acho melhor o Sr rever a escalação dos seus jogos, pois Zidane estava machucado e não participou da derrota de 1 a 0 para Senegal, nem do empate em 0 a 0 com o Uruguai.

FSociety

Maradona foi um tremendo calhorda precisou dar aguá batizada para jogadores Brasileiros pra poder vencer, esse mediocre nunca será melhor que Pelé e por isso e outras falcatruas que a Argentina fez no passado ela paga como castigo no presente Vice na Copa América ,2004, 2007,2015 e 2016 Copa das Confederações 2005 e Copa do Mundo 2014. “Aqui se faz aqui se paga.”

Messi melhor de todos os tempos!

Burro, dá zero pra ele. Não foi Maradona que batizou a água, foi a comissão técnica da Argentina. Eles apenas sabiam que não era pra beber a água de certa garrafa. Agora Maradona não jogou 1/3 do que Romário jogou.