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Marqueteiro de Dilma diz que é falsa a teoria de que quem bate, perde. Só “perde quem não sabe atacar”

[caption id="attachment_27395" align="alignleft" width="250"]Foto: Livro explica quem é o marqueteiro que ajudou a eleger Lula da Silva uma vez e Dilma Rousseff duas vezes para presidente da República do Brasil / Fernando Leite/Jornal Opção Foto: Livro explica quem é o marqueteiro que ajudou a eleger Lula da Silva uma vez e Dilma Rousseff duas vezes para presidente da República do Brasil / Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] O marqueteiro de Lula da Silva e Dilma Rousseff, João Santana Filho, ex-repórter das revistas “Veja” e “IstoÉ”, é uma espécie de petelólogo — especialista em campanhas para o PT e para esquerdistas de outros países. Ajudou a ganhar sete eleições para presidente da República, no Brasil e no exterior: três para o PT (Lula e Dilma Rousseff duas vezes), em El Salvador (Mauricio Funes), na República Dominicana (Danilo Medina), Angola (José Eduardo dos Santos) e Venezuela (Hugo Chá­vez/Nicolás Maduro). Gostando ou não de seus métodos, é mesmo um fenômeno. Na campanha de Dilma Rousseff em 2014, na qual teria se comportado como “ministro da Propaganda” — insinuação de que seria o Joseph Goebbels baiano, o que, claro, não é —, João Santana, com as empresas Polis Propaganda e Marketing e a Digital Polis Propaganda e Marke­ting, faturou 60,5 milhões de reais. Nas últimas eleições, entre 2006 e 2014, o marqueteiro recebeu 158 milhões de reais do PT. Em Angola, faturou 65 milhões de dólares. Ele é dono de empresas de marketing na Argentina, Panamá, El Salvador e República Dominicana. Estima-se que, em aplicações e imóveis, João Santana tem 50 milhões de dólares. “Para mais”, disse o escritor e marqueteiro baiano Marcelo Simões, amigo do xodó de Lula e Dilma, ao jornalista Luiz Maklouf Carvalho, autor do recém-lançado “João Santana — Um Marqueteiro no Poder” (Record, 251 páginas). Trata-se de um perfil biográfico. O marqueteiro mais vitorioso dos últimos anos é, segundo sua mulher, Mônica Moura, “completamente inepto para coisas práticas. Se não prestar atenção, sai com uma meia de cada cor”. O publicitário Nizan Guanaes sintetiza-o: “O João Santana é um cara que sabe se colocar. Paixões à parte, o João cumpriu o papel dele. Se as pessoas acham que a campanha foi pesada (e ela foi) e que ela foi bruta (e ela foi), tem que ver os filmes negativos das campanhas americanas. Marketing político é UFC. O marqueteiro tem que ter estômago e os candidatos também. Eu não tenho. João Santana tem, e gosta. Por isso ele é o Anderson Silva”. O historiador Marco Antônio Villa, autor do livro “Um País Partido — 2014: A Eleição Mais Suja da História” (Leya, 224 páginas), sustenta que o embate eleitoral entre a petista Dilma Rousseff e o tucano Aécio Neves, foi o menos limpo da política brasileira. A eleição em que o paulista Júlio Prestes e o gaúcho Getúlio Vargas se enfrentaram talvez tenha sido uma das mais sujas, se não a mais suja, do País. Tanto que, rejeitando o resultado do pleito — as fraudes eleitorais ocorreram dos dois lados —, o Rio Grande do Sul, com Vargas, e Minas Gerais, com Antônio Carlos de Andrada, articularam, com o apoio dos tenentes, a Revolução de 30. Vale lembrar que, além de amplamente suja, a disputa provocou mortes, como a de João Pessoa, na Paraíba. A eleição de 2014 foi de fato suja, com os marqueteiros contribuindo para a “poluição” geral do ambiente, ao apimentar denúncias mais requentadas do que quentes. Nas e fora das redes sociais, Aécio Neves, Dilma Rousseff e, em menor escala, Marina Silva não fizeram uma campanha limpa. Os ataques foram quase sempre abaixo da linha de cintura. Fala-se, mas sem provas, que o ex-guerrilheiro Franklin Martins comandou os ataques mais virulentos a Aécio Neves. A se aceitar esta tese, João Santana, pelo menos na guerrilha mais contundente nas redes sociais, estaria subordinado a Franklin Martins. Um publicitário contrapõe: “Joãozinho Malvadeza, capaz das maiores doçuras e das maiores maldades, não se submete ao Franklin e nem a qualquer outro lua vermelha do PT. Para que seu candidato seja eleito, é capaz de tudo. Franklin é ‘frango de granja’ perto do marqueteiro baiano”. Além do perfil biográfico, lacunar porque em construção, Maklouf publica uma entrevista de Santana, na qual ele bate duro, às vezes, como um boxeador mexicano, colocando gesso endurecido nas luvas. O marqueteiro chama os tucanos e aliados de “derrotados fanfarrões”. A campanha de Aécio Neves é apontada como tendo “feito uso amador da mediocridade. O marketing de Aécio fez uma das campanhas presidenciais mais medíocres, do ponto de vista criativo e estratégico, que o Brasil já viu”. Paulo Vasconcelos, o marqueteiro do tucano mineiro, é apresentado como migrando da segunda para a terceira divisão. Santana é dado à filosofice, mas sem deixar de ser um pragmático absoluto, apesar de certo misticismo — acredita que tem alguma ligação espiritual com o físico desaparecido Ettore Majorana (maluquice ou idiossincrasia). Ele acredita que tanto Aécio Neves quanto Marina Silva parecem acreditar “em uma falsa teoria implantada no marketing político brasileiro de que ‘quem bate, perde’. Perde quem não sabe atacar. Como também perde quem não sabe se defender”. Seguindo sua ideia, o tucano e a candidata do PSB “não souberam bater certo nem se defender de maneira correta”. Tucanos dizem que a campanha de Dilma Rousseff foi “sórdida”, com ataques de baixo nível, sempre de maneira agressiva. Santana discorda: “as pesquisas do final do segundo turno” mostraram “que a maioria das pessoas achava que era Aécio quem estava fazendo a campanha mais agressiva”. Para Santana, “em determinados momentos de uma campanha, é mais tático você influenciar os adversários do que influenciar o eleitor”. Santana admite que, como outros marqueteiros, também “manipula”. “Não pode é dizer que o PT é mestre da manipulação. Todos manipulam, todos persuadem. Existe um fio muito débil que separa a persuasão da manipulação”, filosofa o marqueteiro do petismo. Curiosamente, ele diz uma coisa que, agora, faz parte do ideário de Dilma Rousseff, ao bancar o economista ortodoxo Joaquim Levy para o Ministério da Fazenda: “Se nós dizíamos, com convicção, que uma política econômica de forte ortodoxia poderia causar retração no emprego e na renda das pessoas, por que Marina [Silva] não disse exatamente o contrário?” Políticos e parte da intelligentsia patropis “não entendem o papel do marketing”, acredita Santana, que parece um oráculo. “Ou demonizam ou se embasbacam com ele. O maior equívoco é querer separar, como fazem alguns, o marketing, ou a comunicação, da política. O marketing e a publicidade são linguagens da política. Ela e eles são umbilicalmente ligados”, postula o marqueteiro. Eugênio Bucci e Carlos Mello, citados por Maklouf, talvez sejam o contraponto adequado para a fala acima: “O João fez um deslocamento do ideário em favor do marketing. Antes, o bom governo era aquele que fazia. Agora, é aquele que tem a imagem do que faz. Fazer a imagem ficou mais importante do que fazer”.

Contas são aprovadas com ressalva

O Tribunal de Contas do Estado (TCE) emitiu parecer favorável pela aprovação das contas consolidadas do ex-governador do Estado Si­queira Campos (PSDB), referentes ao ano de 2013, em que pese o Tribunal ter apresentado mais de 100 ressalvas e recomendações. Uma delas, apresentadas pelo relator do processo e presidente do órgão, Manoel Pires, foi a ausência de registro de despesa orçamentária.

Paulo Henrique Amorim perde processo para Merval Pereira e terá de indenizá-lo

Paulo-Henrique-Amorim1Paulo Henrique Amorim foi condenado à pena de um mês e dez dias de prisão. Mas o Tribunal de Justiça de São Paulo decidiu que, no lugar de ficar encarcerado, o jornalista deve pagar 30 salários mínimos para a parte ofendida, Merval Pereira, de “O Globo”, que foi chamado de “jornalista bandido”. A crítica de Paulo Henrique Amorim foi feita num texto publicado no blog Conversa Afiada, em 2012, com o título de “CPI da Veja. Dias a Merval: vale-tudo não vale nada”. O jornalista pode recorrer, mas, depois de perder em duas instâncias, dificilmente ganhará nos tribunais superiores. Até porque a ofensa é grave e, sobretudo, não há evidência algum de que Merval Pereira seja bandido. Devido à quantidade de processos, Paulo Henrique Amorim moderou sua linguagem. Mas possivelmente será processado por outros de seus textos contundentes.

“Todos os serviços básicos do Estado estão impactados, não funcionam bem porque não houve investimentos”

Secretário da Administração defende enxugamento da máquina e diz que governador Marcelo Miranda deu duas ordens: mostrar à população a real situação do Estado, mas sem ficar olhando pelo retrovisor

Roberto Bolaños, que fez o personagem Chaves, ganhou dinheiro do narcotraficante Pablo Escobar

chavesO ator Carlos Villagran, que fazia o personagem Quico, revelou, na semana passada, que o ator Roberto Bolaños, que fazia o personagem Chaves, participou de festas regiamente pagas pelo narcotraficante colombiano Pablo Escobar, chefão do Cartel de Medelín morto pela polícia em 1993. “Eu não fui [às festas de Pablo Escobar] e tenho orgulho de dizer isso, mas Roberto foi. Não sei quantos foram com ele, mas eu não compareci. Chegaram a me oferecer 1 milhão de dólares e isso me causou arrepios”, garante Carlos Villagran

Ao se exaltar, petista Paulo Garcia deu repercussão a charge de Jorge Braga

charge-jorge-bragaUma charge até ingênua de Jorge Braga, do “Pop”, provocou polêmica na semana passada, ganhando repercussão nacional numa charge de Ique. Braga desenhou dois homens conversando e um deles disse que a Prefeitura de Goiânia está uma “zorra”. “A culpa é do Sargento Garcia” — uma referência ao prefeito Paulo Garcia, do PT. Paulo Garcia demonstrou sua irritação nas redes sociais e Cileide Alves, de maneira sutil, tentou vincular sua reação ao caso do “Charlie Hebdo”. Não tem nada a ver. O petista não pediu censura nem a cabeça do chargista. O petista tem o direito de se exaltar, de mostrar sua insatisfação. Mas pedir retratação de algo feito com humor, como uma charge, não leva a lugar algum. Na prática, se não fosse a ira de Paulo Garcia, a charge teria passado praticamente batida, num mundo em que as notícias, inclusive o humor, morrem ao nascer.

Especulações falam em racha no PMDB provocado pela ministra Kátia Abreu

Pelos bastidores, corre a informação de que as desavenças com o governador Marcelo Miranda começaram durante a formação do primeiro escalão do governo tocantinense

Já passou a hora de o país voltar os olhos àquilo que é ensinado aos seus alunos

Atualmente, se alguém perguntar a qualquer um no Ministério da Educação o que um adolescente de ensino médio está aprendendo, a resposta será: não sei. Para haver melhoras no ensino, isso deve mudar

Circuito cultural promete tomar Inhumas

Inhumas, cidade a pouco mais de 50 quilômetros de Goiânia, realizará seu primeiro circuito cultural. A série de eventos acontecerá entre abril e setembro deste ano e contará com shows, apresentações, performances, espetáculos, exposições, mostras, en­con­tros e várias outras atividades artístico-culturais. O projeto deverá apimentar o setor cultural da cidade, que, como dizem, ain­da tenta alçar seu lugar ao sol. Só não poderão participar membros das secretarias estadual e municipal de cultura, assim como parentes de 1º grau e os membros da comissão técnica de análise dos projetos. O circuito será só em abril, mas as inscrições já estão quase abrindo e poderão ser realizadas nas áreas de artes visuais, audiovisual, cultura popular, dança, literatura, música e teatro.

José J. Veiga: goiano cosmopolita mostra vitalidade ao ser editado pela Companhia das Letras

Em comemoração ao centenário no próximo dia 2 de fevereiro, o Jornal Opção traz um pequeno festejo de um escritor goiano que fez história escrevendo sobre homens e suas relações de poder e sobre as coisas universais e indizíveis [caption id="attachment_27362" align="alignleft" width="620"]Veiga estreou na literatura com “Os Cavalinhos de Platiplanto” e ganhou o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra / Reprodução/Arquivo Pessoal de Luiz de Aquino Veiga estreou na literatura com “Os Cavalinhos de Platiplanto” e ganhou o prêmio Machado de Assis pelo conjunto de sua obra / Reprodução/Arquivo Pessoal de Luiz de Aquino[/caption] Yago Rodrigues Alvim Nasceu peladinho da silva como qualquer outro José. Só não era da Silva. O anjo safado o predestinou a ser da casa dos Veiga. E lá nasceu, numa beirada que não era Corumbá e tampouco Pirenópolis: Sítio do Morro Grande, que só serviu de primeiro berço. O menino perambulou por bonitezas rurais doutro sitiozinho, vendinha de polonês na pequena Goyaz, voo para Londres e enamorou bibliotecas do Rio de Janeiro. E para as bibliotecas, José J. Veiga, o “matuto pra burro”, deixou sua maior herança: a literatura. Corumbópolis Foi num dia 2 de fevereiro que nasceu filho do verão de 1915. Era só José da Veiga. O homem não tinha inventado, ainda, a ideia de pôr um “J” lá no meio. Ainda assim, o “J” estava na certidão. Vinha de raízes maternas, da dona Marciana Jacinto Veiga, que o ensinou a graça de juntar letras e brincar de palavrear. Era afeiçoada aos livros, diferentemente do marido, o pai de Veiga, senhorzinho Luís Pereira –– que se interessava em pôr tijolo em cima de tijolo e, assim, construir casa para quem vivia em Corumbá. Lá tinha uma escolinha, que com seus frufrus atraía a criançada. Era encadernação vistosa, não a que canta Caetano, uma outra que também enfeitava palavras. Os livros ficavam sob a guarda dum padre que, vez ou outra, abria as portas e as páginas para quem quisesse ler. Veiga era o primeiro da fila. Ali, já se avistava a semente que foi sendo aguada noutras paisagens: a do sitiozinho, onde viveu quando a mãe viu que o céu era mais azulinho que a Terra. De lá, seguiu para Goyaz. Trazia consigo seus poucos 12 anos de vida. Em redomas literárias, vulgas bibliotecas de padres dominicanos e gabinetes que existiam na vila de 1927, dispendeu horas sobre livros. Nos seus 18, conheceu um moço vindo doutra terra: o polonês Oscar Breitbarst, a quem lhe concedeu outros cuidados para que ele frutificasse. José J. Veiga foi se fazendo aos poucos, tropeçando nas pedras no meio da vida. Breitbarst era uma delas. Em sua vendinha de refrescos avermelhados, sabor groselha, atraía crianças e prosas de quem se amigava. Numa delas, firmou história com Veiga. O homem botou-lhe a ideia –– não a do “J” –– de ir para outros cantos, São Paulo ou Rio. Rio de Janeiro, decidiu ele com seus 400 mil réis ganhados no bolso. Sabia que ali não era só capital federal: os intelectuais, da época, lá residiam. O Rio Na labuta de encontrar emprego, pendengou os anos de 1930. A fadiga vinha da censura, do cerceamento instaurado por Getúlio Vargas que levou Veiga a declarar: “Acho que 10 de novembro de 1937 foi o dia em que tive mais raiva na minha vida”. Não era só espinhos, a época deu ao corumbaense bons botões profissionais. No auge de seus 30 anos, já graduado pela Fa­culdade Nacional de Direito, ele vivenciou as efervescentes ruas londrinas já com resquícios da 2° Guerra Mundial. Trabalhou como comentarista e tradutor de programas para o Brasil na BBC inglesa. Na volta, conquistou bons postos do escalão jornalístico. E mais, conquistou a jovem Clérida Geada. Foi namoro digno de Biblioteca Nacional –– onde a moça o atendia gentil e charmosa. Nasceu, então, no hall literário e perdurou até o ínfimo segundo que assoprou a vida de Veiga. Estudiosa na Escola de Belas Artes, o acompanhou por 49 anos, abandonando o insosso e ocupado trabalho de vida pouco tempo depois da perda de Veiga. Marinando os dias numa rotina de redação de jornal e passeios com a esposa, Veiga abandonou o oficio de catar feijões em obras literárias consagradas e “escrever para nada”, como dizia, e passou a “escrever a sério”. O caso é que Veiga reescrevia, desde o ginásio, a literatura de quem admirava. A prática tirou-lhe a frase: “Mais tarde descobri que isso me valeu muito”. As publicações, no entanto, se retinham à população das gavetas. No puir do tempo, decidiu aumentá-la, o que frutificou um conto gozado. Além do real e regional Foi numa tarde de quarta-feira, um pouco mais de quinze anos após o falecimento do “matuto pra burro” — é que ele se dizia assim; de Guimarães Rosa, seu amigo, a frase surtiu-lhe bem: “Eu quase que nada sei. Mas desconfio de muita coisa”. No pormenor, a iguaria de Veiga acompanhava dose certa de ironia — não era nada de matuto e Agostinho Potenciano de Souza sabe bem disso. Sua obra, “Um Olhar Crítico Sobre o Nosso Tempo”, traz consigo o subtítulo “Uma Leitura da Obra de José J. da Veiga”. Leitura que, numa conversa da tarde quente de verão goiano, simplificou-se em epifania boba e maravilhosa, tal qualquer outra. O título de Agostinho diz sobre o olhar de Veiga sobre o que ele, então, vivia. O “crítico” não é mero adjetivo; está mais para substancial. A reflexão de Veiga quanto ao mundo era a obra-prima. A frase “as perguntas são mais importantes que as próprias respostas” vinha da sabedoria desconfiante (de muita coisa) do professor que debruçou seu mestrado a estudar sobre a literatura do “matuto”. O “conto gozado” foi Agostinho quem narrou e o personagem não era de fabulação alguma de Veiga, e sim o próprio. Já com quase 40 anos, inventou –– calma, não é o “J” –– de ir ao Ministério da Educação, no Rio mesmo, com um punhado de escritos. A história da população? Sim, ele queria publicar seus textos, ter lá seus bons leitores – com todo respeito às gavetas. Deixou com o editor a bagatela de linhas escritas e, antes mesmo que o fim do dia seguinte chegasse, se aprumou numa jornada a fim de resgatar os bons merréis, que para ele já não valiam nada. Pois, ele cumpriu sua missão e tratou de jogá-la no cesto de lixo. “Foi minha salvação ter buscado aquele envelope”, disse o personagem sobre o episódio. Bichanos [caption id="attachment_27363" align="alignleft" width="620"]Quanto à análise da obra de José J. Veiga e qualquer especulação sobre o escritor, o professor Agostinho Potenciano diz, certeiro: “As perguntas são mais importantes que as próprias respostas” / Fernando Leite/Jornal Opção Quanto à análise da obra de José J. Veiga e qualquer especulação sobre o escritor, o professor Agostinho Potenciano diz, certeiro: “As perguntas são mais importantes que as próprias respostas” / Fernando Leite/Jornal Opção[/caption] Era cheio deles, “recheado”, em melhor palavra. Num deles, o encontro com Rosa, o tal Gui­marães. A paixão por biblioteca talvez se enciumasse pela que Veiga devotava aos bichanos bigodudos. Os gatinhos eram tão danados que, numa de adoecer, botou Veiga em prosa com Rosa, amigando-os por bons anos. Foram tão danados que, certamente, a culpa da história do “J” é toda dos adoentados. Depois da aventura de busca, Veiga abandonou o papel de bom marido e trocou a esposa pela máquina de escrever –– ela logo compreendeu a situação. E ele varou noites amontoando novos escritos. Já tinha ali caule, copa e até frutos. Buscando as palavras do professor e também amigo de Veiga, o professor Agostinho, “se você visitar a obra de J. Veiga, certamente saberá que ‘Os Cava­linhos de Platiplanto’ é a entrada principal”. O amontoado ganhou o 2° lugar no “Prêmio Monteiro Lobato” de 1958. Outra historieta contada na tarde de quarta é que o livro, tão aclamado pela crítica na época, só chegou às prateleiras muitos anos depois. É que a publicação pela Companhia Editora Nacional, prevista como premiação, nunca aconteceu. Foram só uns tais gatos pingados que saíram de uma primeira edição, um ano depois. E lá estava o tal “J”, todo pomposo na capa do livro. Quem contou o caso do “J” nem tinha voz alta ou coisa assim. Mas dá para imaginar que seja bem mansa e agradável, quase que com acentos de gracejos. A voz é de Lêda Selma que pôs pompa na alegoria de Veiga. A escritora ou “simples curiosa” fez lá uma biografia da vida do escritor. A quase-epopeia foi publicada sob a edição de Hélio Moreira do livro “Memórias de Nossa Gente”, concebido pela Unicred Centro Brasileira, que traz a vida de literatos e médicos goianos. A paciência ressoa no timbre e em todas as peripécias do escritor que ambos foram encontrando em artigos, prosas com amigos próximos de Veiga — como Luiz de Aquino —, dando-lhes mais pano para manga de um homem que escapulia o real e regional. Magia sem lugar As perguntas, tão valorizadas pelo professor, traziam os dois “R”s no corpo do texto. Visto como escritor fantástico ou de realismo mágico, o goiano matuto viveu boa parte da sua vida no Rio de Janeiro. Ele escapuliu do litoral brasileiro só trinta anos depois e atracou-se em Corumbá, revisitando sua infância. Ainda que a morte o consagre “escritor goiano” e a certidão não nega –– não nega tampouco o “J” ––, Veiga escrevia de um lugar em que os homens esbravejavam mais. As relações de poder, muitas vezes revistas sob a perspectiva histórica de uma vida marcada por guerras, golpes de Estado, ditadura militar e outros conflitos, estão no cerne de suas obras. O professor autor de “Um Olhar Crítico Sobre o Nosso Tempo”, que teve o prazer de tê-lo em sua defesa de mestrado, revela que o homenzinho lançava mais perguntas a si e aos homens de seu tempo. O lugar, a seu ver, existe; só não é o substancial. E a fantasia vinha, pois coisas indizíveis contam mais sobre a vida; a magia, no caso, era dona do substancial. Ainda naquela quarta, dia comum de qualquer calendário, trazia consigo surpresa em capa amarela. Era encadernação de uma prova da Companhia das Letras. A editora publicará, em comemoração ao centenário de Veiga, a obra completa do escritor. Depois de lido um trecho do prefácio –– e vale lembrar o curioso fato que Veiga detestava prefácios ––, dava para jurar certo marejo nos olhos de Agostinho. Assinado por Antonio Arnoni Prado, orientador do mestrado de Agostinho, o trecho contava um detalhe do dia de defesa da dissertação. “Ainda me lembro, a propósito, de uma manhã, ali pelo final dos anos 1980, em que fui buscá-lo num hotel de Campinas [São Paulo] para assistir a uma defesa de tese sobre sua própria obra. [...] ‘Ele saiu cedinho’, o homem foi logo me dizendo. ‘Foi andar pelas ruas do centro enquanto ainda não tem muita gente na cidade.’ E emendou: ‘Sujeito gozado aquele, não? Queria ver se encontrava cavalos e carroças circulando pelas ruas’”, escreveu Arnoni nas primeiras páginas do livro “A Hora dos Ruminantes” da Cia., que será lançado em breve. A simplicidade estatela no ocorrido proseado e nas palavras de Agostinho sobre Veiga. Era um senhorzinho simples, que se dizia “pra burro”. Matuto, o homem desconfiava de muita coisa mesmo. Desconfiava tanto, como reconta Lêda, que meteu um “J” no nome de literato só “para equilibrá-lo”. Afinal de contas, a tal simples curiosa tem toda razão: “Tenho cá meu palpite: esse J foi cravejado entre José e Veiga também para dar-lhe ar de mistério e motivo de especulação. Eita, José J. Veiga!”. O homem que disse ter ingressado “velho” na literatura, lá com seus 44 anos, deixou as letras de seu nome imbuídas de palavras, como a mãe bem lhe ensinara, para quem quisesse ler. Deixou num dia de domingo, já exausto de uma luta contra um câncer de pâncreas. E já era primavera toda florida de um 19 de setembro de 1999 quando foi-se o homem. Como põe Lêda, com a poesia de Rosa: José J. Veiga “ficou encantado”. Leia um trecho do conto “Os Cavalinhos de Platiplanto”, presente no livro de mesmo nome, publicado em 1959. E, para descobrir um pouco mais do universo literário e pessoal do escritor, visite o Memorial José J. Veiga, na Biblioteca Central do Sesc, em Goiânia. O meu primeiro contato com essas simpáticas criaturinhas deu-se quando eu era muito criança. O meu avô Rubem havia me prometido um cavalinho de sua fazenda do Chove-Chuva se eu deixasse lancetarem o meu pé, arruinado com uma estrepada no brinquedo do pique. Por duas vezes o farmacêutico Osmúsio estivera lá em casa com sua caixa de ferrinhos para o serviço, mas eu fiz tamanho escarcéu que ele não chegou a passar da porta do quarto. Da segunda vez meu pai pediu a seu Osmúsio que esperasse na varanda enquanto ele ia ter uma conversa comigo. Eu sabia bem que espécie de conversa seria; e aproveitando a vantagem da doença, mal ele caminhou para a cama eu comecei novamente a chorar e gritar, esperando atrair a simpatia de minha mãe e, se possível, também a de algum vizinho para reforçar. Por sorte vovô Rubem ia chegando justamente naquela hora. Quando vi a barba dele apontar na porta, compreendi que estava salvo pelo menos por aquela vez; era uma regra assentada lá em casa que ninguém devia contrariar vovô Rubem. Em todo caso chorei um pouco mais para consolidar minha vitória, e só sosseguei quando ele intimou meu pai a sair do quarto. Vovô sentou-se na beira da cama, pôs o chapéu e a bengala ao meu lado e perguntou por que era que meu pai estava ju­diando comigo. Para impressioná-lo melhor eu disse que era porque eu não queria deixar seu Osmúsio cortar o meu pé. — Cortar fora? Não era exatamente isso o que eu tinha querido dizer, mas achei eficaz confirmar; e por prudência não falei, apenas bati a cabeça. — Mas que malvados! Então isso se faz? Deixa eu ver. Vovô tirou os óculos, assentou-os no nariz e começou a fazer um exame demorado de meu pé. Olhou-o por cima, por baixo, de lado, apalpou-o e perguntou se doía. Naturalmente eu não ia dizer que não, e até ainda dei uns gemidos calculados. Ele tirou os óculos, fez uma cara muito séria e disse: — É exagero deles. Não é preciso cortar. Basta lancetar. Ele deve ter notado o meu desapontamento, porque explicou depressa, fazendo cócega na sola do meu pé: — Mas nessas coisas, mesmo sendo preciso, quem resolve é o dono da doença. Se você não disser que pode, eu não deixo ninguém mexer, nem o rei. Você não é mais desses menininhos de cueiro, que não têm querer. Na festa do Divino você já vai vestir um parelhinho de calça comprida que eu vou comprar, e vou lhe dar também um cavalinho pra você acompanhar a folia. — Com arreio mexicano? — Com arreio mexicano. Já encomendei ao Felipe. Mas tem uma coisa. Se você não ficar bom desse pé, não vai poder montar. Eu acho que o jeito é você mandar lancetar logo. — E se doer? — Doer? É capaz de doer um pouco, mas não chega aos pés da dor de cortar. Essa sim, é uma dor mantena. Uma vez no Chove-Chuva tivemos que cortar um dedo — só um dedo — de um vaqueiro que tinha apanhado panariz e ele urinou de dor. E era um homem forçoso, acostumado a derrubar boi pelo rabo. Meu avô era um homem que sabia explicar tudo com clareza, sem ralhar e sem tirar a razão da gente. Foi ele mesmo que chamou seu Osmúsio, mas deixou que eu desse a ordem. Natural­mente eu chorei um pouco, não de dor, porque antes ele jogou bastante de lança-perfume, mas de conveniência, porque se eu mostrasse que não estava sentindo nada eles podiam rir de mim depois.

O dilema da Turquia

Os curdos enfrentam os terroristas do Estado Islâmico, mas vai apresentar essa conta depois [caption id="attachment_27359" align="aligncenter" width="620"]Abdullah Öcalan, o separatista curdo: condenado e preso na Ilha Imrali, mas sua luta continua com outros | Foto: reprodução Abdullah Öcalan, o separatista curdo: condenado e preso na Ilha Imrali, mas sua luta continua com outros | Foto: reprodução[/caption] À partir de 1980 era co­mum ver, aos sábados, sem­pre as mesmas de­monstrações, as mesmas passeatas em cidades da Europa Ocidental especialmente na Alema­nha, em parte também na França, na Inglaterra, na Áustria e Suíça. Eram caminhadas coletivas organizadas por diversos grupos imigrantes da comunidade curda que protestavam em nome e em apoio ao PKK (Partiya Karkerên Kurdistan), o Partido dos Trabalhadores do Curdistão. As demonstrações eram toleradas pelas autoridades desde que previamente autorizadas e geralmente decorriam sem maiores incidentes. Os manifestantes curdos que viviam e continuam a viver na Europa, ostentavam bandeiras negras com legendas em língua curda que exigiam a criação de um estado próprio, o Curdistão. O fundador do PKK e líder do movimento, o curdo Ab­dullah Öcalan (pronúncia Oet­chalan), dominou o partido de forma autoritária, tratou brutalmente dissidentes e assassinou ou mandou assassinar supostos rivais e traidores. O PKK continua sendo uma organização ativa na Turquia com entrelaçamentos estreitos em vários países da Europa. Na Dinamarca a organização chegou até a operar oficialmente uma televisão, a Mezopo­tamya Broadcasting com seus canais MMC, Nuçe TV e ROJ TV, que trans­mitiam programas em língua curda para a comunidade curda radicada na Europa. Em 2013 as autoridades da Dinamarca, no entanto, cancelaram a licença de operação com o argumento de que a emissora estaria “difundindo programas e informações para uma organização terrorista”. Além disso a emissora foi multada com a importância de 1,35 milhãos de euros, algo ao redor de 3,5 milhões de reais. Nos Estados Unidos, na União Europeia e na Turquia o PKK é visto como um movimento subversivo, com métodos terroristas e de orientação marxista. Em seu país de origem, a Turquia, o PKK foi proibido em 1999 e Öcalan foi condenado, por ausência, à pena de morte por alta traição, formação de organização terrorista, por atentados, roubos e assassinatos. A mídia europeia, até hoje, sempre que se refere ao PKK, também fala do PKK como “partido proibido”, o que em verdade é uma estultice pois o PKK não é registrado oficialmente como partido em nenhum país europeu. É fato confirmado que a organização usava métodos terroristas (atentados, bombas, assaltos) em sua luta para criação de um Estado próprio, o Estado curdo. Os curdos fazem parte de uma etnia originária do oeste asiático, com língua própria, proveniente do indo-germânico. Atualmente habitam grande parte do leste da Turquia, a Anatólia, parte do Iraque, do Irã e parte da Síria. Sua população distribuída em vários países é estimada entre 25 milhões e 30 milhões. Estima-se que só na Turquia, com uma população de 76,7 milhões de habitantes, 18% (13,8 milhões) são curdos. O governo da Turquia sempre tem refutada a ideia da criação de um Estado curdo e, por esta razão, combateu e reprimiu todo e qualquer movimento com tais ambições. Recep Tayyip Erdogan, presidente da Turquia, é um de seus mais ferrenhos opositores. A ideia da criação de um Estado curdo na Anatólia é um pesadelo que persegue Erdogan desde o início de sua carreira política. Da mesma forma é um pesadelo turco a criação de um Estado curdo em território iraquiano, na região de Mossul, junto à fronteira turca, uma área rica em petróleo denominada Curdistão. Em 1984 foi morto um dissidente do PKK em Rüsselsheim, cidada localizada no centro-oeste da Alemanha. Em 1990 a justiça alemã emitiu um mandado de prisão internacional contra Abdullah Öcalan que, em seguida, refugiou-se na Síria, o que culminou com uma ameaça de guerra da Turquia contra aquele país. Öcalan tentou, sem sucesso, obter asilo político em vários países da Europa. Em 1993 membros do PKK in­vadirm o Consulado Geral da Tur­quia em Munique e levaram vários funcionários como reféns. Os invasores exigiram do então chanceler Helmut Kohl, maior empenho para a causa e direitos curdos. Em setembro de 1998 Ab­dullah Öcalan foi preso na Itália, com base na ordem de prisão internacional expedida pela Alemanha em 1990. As autoridades italianas se propuseram extraditá-lo à Alemanha. O governo alemão, no entanto, receando forte reação por parte da numerosa população curda no país, resolveu abster-se da extradição. Em consequência o governo italiano teve que pô-lo em liberdade. Öcalan deixou Roma em janeiro de 1999. Em 15 de fevereiro de 1999 Öcalan foi sequestrado por agentes turcos, ao deixar a Embaixada da Grécia no Quênia, e levado para a Turquia. O sequestrado portava um passaporte cipriota em nome de Lázaros Mavros. O governo da República do Chipre declarou que o passaporte era uma falsificação turca. Desde aquele ano, o dia 15 de fevereiro é, para a comunidade curda internacional, um dia de luto. É o “Dia Negro”, anualmente lembrado com passeatas e demonstrações em vários países do mundo, especialmente na Europa. Logo que Öcalan foi preso a comunidade curda na Europa moveu ações contra embaixadas e consulados, especialmente contra representações diplomáticas da Grécia, do Quênia e também da Nigéria em vários países na Europa. Só da Grécia foram atacadas 12 representações em vários países europeus. O Consulado Geral da Grécia em Frankfurt, que se instalara numa das mais bonitas mansões históricas da cidade, foi invadido por um grupo de centenas de curdos que não só danificaram os móveis históricos, mas demoliram inclusive parte do prédio. Na Suíça foi necessária a intervenção do exército suíço (medida rara naquele país) pelo fato de elementos curdos terem atacado prédios das Nações Unidas. Em 29 de junho de 1999 Abdullah Öcalan (desta vez presente) foi condenado à morte por alta traição pela justiça turca em Istambul. A pena, no entanto, não foi executada, entre outras por intervenção europeia; em 2002 a lei da pena de morte foi abolida na Turquia e a condenação de Öcalan foi transformada em prisão perpétua. Desde a sua prisão em 1999 Abdullah Öcalan está confinado numa penitenciária de segurança máxima na Ilha Imrali, no Mar de Mármara, a única construção da ilha. Passou ali os primeiros dez anos como único detento. Só em 2009 a justiça turca resolveu alojar outros cinco condenados. A condenação de Abdullah Öcalan foi levado à Corte de Justiça Europeia de Direitos Humanos que, em 12 de maio de 2005, sentenciou que o processo é incorreto e exigiu a revogação e abertura de novo processo, o que as autoridades turcas até hoje refutam. Enquanto isso, Öcalan segue preso e continua a escrever livros (o que já fizera antes de ser preso) e manifestos dos quais, de vez em vez, faz levar um ao conhecimento de seus milhares de seguidores através de seus advogados. Com a condenação e o confinamento de Abdullah Öcalan os separatistas curdos perderam seu líder e, em consequência, amainou o movimento separatista na Europa. Inesperadamente, por influência alheia, outros movimentos curdos deflagraram de forma diferente em outra parte do mundo. Criou-se, portanto, uma nova situação que ainda não chegou ao fim, mas que num futuro ainda indefinido poderá culminar em concretizar os anseios curdos. A Turquia e o Mundo Ocidental terão que se prepar para o que provavelmente estará por vir. O mapa do Oriente médio provavelmente terá nova configuração e os curdos, pelos serviços e pela atuação que, de momento, estão prestando, no fim de tudo, irão apresentar a sua conta.Tratarei de elucidar esta análise. Vamos aos pormenores: A invasão do Iraque por parte dos Estados Unidos e alguns países aliados da Europa, foi uma das mais lunáticas aventuras bélicas no fim do século 20. O resultado está aí, é visível. O Iraque, um mar de escombros; a Líbia, outro mar de escombros e, de momento, um país não governável; a Síria, um inferno. E, pior de tudo, como consequência, o Islamic State, Estado Islâmico, o IS que surgiu como Fênix das cinzas e que já aterroriza, com métodos e ideologia medieval, parte do Oriente Médio, do norte da África e, provavelmente, em pouco tempo, demais regiões também em outros Continentes. Em um determinado momento desta catástrofe bélica que, no Iraque e na Síria ainda não chegou ao último ato da tragédia, aparecem os curdos, anteriormente vistos como terroristas por parte dos Estados Unidos e da União Europeia, que se projetam como bravos e valorosos milicianos contra os bárbaros do Estado Islâmico. A milícia curda na região de Mossul onde, apesar do equipamento militar obsoleto de que dispunha, reagiu bravorosamente ante as atrocidades dos fanáticos do Estado Islâmico. Foram milicianos curdos que salvaram milhares de cristãos jesidas forçados a se refugiar nas montanhas iraquianas diante dos avanços dos selvagens do Estado Islâmico. A milícia curda, repentinamente, torna-se aliada dos Estados Unidos, que lhe dão cobertura aérea para enfrentar os ataques terrestres contra as hordas do Estado Islâmico. Exemplo mais dramático e convincente é o caso de Kobane (alguns jornais usam o termo Kobani ou Kobanê), cidade síria, com uma população de 100 mil habitantes, a maioria curda, localizada a poucos quilômetros da divisa turca. Há cinco meses forças do Estado Islâmico tomaram conta da cidade e durante todo este tempo milicianos curdos enfrentaram galhardamente a situação. Os curdos, com apoio aéreo dos Estados Unidos, conseguiram sobrepor-se às forças do Estado Islâmico. Kobane foi recuperada das mãos dos fanáticos cegos e intolerantes do IS. A cidade foi transformada em um grande monte de entulhos. Foi a mais ferrenha luta desde o início da guerra na Síria há quase três anos. Ali tudo virou às avessas pois terroristas lutaram contra terroristas e os Estados Unidos e a Europa bandearam-se para uma das facções. Ontem inimigos, hoje amigos. Willy Brandt (1913-1992), ex-chanceler da Alemanha, certa vez disse: “Em política muitas vezes é necessário falar até com o Diabo”. No início da ocupação de Ko­bane por parte do Estado Islâ­mi­co, a OTAN pediu ao governo turco que intercedesse, que contribuísse para rechaçar os ocupantes do EI. A Tur­quia, mesmo sendo membro da OTAN, teve um problema com o pedido desta organização e acabou por rechaçá-lo em duas razões. Primeiro porque a Turquia, no caso de interceder junto a Kobane, em território Sírio, para muitos países passaria a ser visto como agressora; segundo porque a Turquia, atacando o Estado Islâmico em Kobane, teria que lutar ao lado dos curdos os quais vêm combatendo há décadas. É este o dilema turco. Por outro lado, o governo turco, receando ataques com foguetes balísticos por parte do EI da região de Kobane, pediu auxílio a OTAN para que enviasse soldados e equipamento de defesa junto a fronteira turca-síria. Baseado numa decisão interna da OTAN, o exército da Alemanha foi autorizado a estacionar equipamento antiaéreo do tipo Patriot, com foguetes sofisticados teleguiados junto a fronteira turca-síria para rechaçar eventuais ataques aéreos do Estado Islâmico ou de outros grupos litigiosos atuantes em território sírio. Segundo especialistas da área militar a decisão da OTAN é vista como uma decisão supérflua. Técnicos do ramo argumentam que o exército turco estaria adequadamente equipado de forma que bem poderia garantir suas fronteiras sem auxílio das forças da OTAN. O governo turco não tem demonstrado grande empenho em combater o avanço do Estado Islâmico. Aliar-se aos milicianos curdos é uma opção que o presidente Recep Tayyip Erdogan simplesmente não tolera. O impressionante desempenho dos milicianos curdos no Iraque e na Síria não pode ser do agrado do governo turco e os pesadelos do presidente Erdogan tendem a transformar-se em paranoia. O substancial apoio que a milícia curda está tendo de parte dos Estados Unidos e da União Europeia incomodam o presidente Erdogan. Ursula von der Leyen, a ministra da Defesa da Alemanha, em recente visita feita a milicianos curdos em Mossul, prometeu atender o pedido curdo em fornecer-lhes armamento mais sofisticado. E, como se tudo isso não bastasse, vários grupos políticos da Alemanha pleiteiam que o Movimento Separatista Curdo deixe de ser visto como uma organização terrorista. Enquanto isso, círculos da União Europeia defendem a mesma ideia. Para o presidente Erdogan este novo posicionamento europeu em relação ao PKK, o movimento separatista curdo, deve parecer coisa do demônio. Não estranha, portanto, o fato de Erdogan, em surdina, procurar uma aproximação com Vladimir Putin. O fato de a Turquia, país membro da OTAN, não ter-se filiado ao embargo americano-europeu contra a Rússia prova que o presidente Erdogan não mais confia na Europa. A aliança americana-europeia perdeu a guerra no Iraque e na Síria. Ambos os países acabarão sendo esfacelados, divididos. O Iraque entre sunitas, xiitas e curdos. Parte da Síria provavelmente será abocanhada pelaTurquia que, há tempos vem sonhando em reestabelecer o antigo Império Otomano. Os curdos, que não constavam na estratégia dos especialistas militares ocidentais, talvez serão os únicos vencedores desta guerra: pelo empenho que, até agora, têm demonstrado na guerra contra o Estado Islâmico os curdos acabarão apresentando a sua conta e a Europa e os Estados Unidos dificilmente poderão deixar de atendê-los em sua campanha para a criação oficial de seu país, o Curdistão. A Turquia, de modo algum, aceitará este desfecho e tramará uma nova guerra no fim da qual teremos a configuração de um novo mapa do Oriente Médio. Aguar­daremos no que dará. l

Verão

O Jornal Opção tem publicado a série literária “Quatro Estações”. Trata-se de quatro contos em que dois autores escrevem, a quatro mãos, uma breve narrativa inspirada em uma estação do ano. Nesta semana é a vez de “Verão”, obra de criação dos escritores Anderson Fonseca e Mariel Reis. O terceiro texto, “Outono”, de Mauricio de Almeida e Rafael Gallo, será publicado na próxima semana. gurila Edgar parecia um gorila resolvido. Gozava de respeito na cidade. Um investigador particular com muito pouco trabalho. Os clientes haviam sumido. A polícia não o procurava mais. A monotonia tomou a rotina do investigador desde o último caso: O Assassinato da Rua Morgue. Talvez o mais intrincado de sua carreira. Um dos seres humanos do zoológico havia escapado e protagonizado um crime brutal. Edgar enfrentou a descrença das autoridades que se recusavam a atribuir o caso a um animal enfurecido, lhes parecendo trabalho de um assassino como das inúmeras séries televisivas veiculadas, em que a maioria dos psicopatas tinha um alto quociente de inteligência, além de beleza e força física. Porém, o que o intrigava não era a apatia criminosa instalada na cidade, tampouco a falta de clientes ou a responsabilidade das séries de tevê pelo aumento da violência. A preocupação de Edgar era a existência de outro dele, além das fronteiras. Nenhum macaco ousava atravessá-la, ninguém sabia o que havia por lá. Inúmeras histórias eram contadas a todos, desde a infância, e a es­cola as reforçavam. Edgar pensava consigo mesmo que não eram mais do que fábulas terríveis com o intuito de ad­moestação moral. Nunca lhe passou pela cabeça que fossem verdadeiras. Viveu toda a juventude sem inquietação nenhuma sobre o que se passava além das fronteiras. No curso universitário, embora não tivesse aptidão para a vida estudantil, fora apresentado, nas diversas fraternidades que percorreu, às teorias de multiuniversos. Escara­funchando as bibliotecas do campus, descobriu, em livros de autores duvidosos, a confirmação das informações obtidas nas conversas de fraternidades. No entanto, tudo aquilo parecia um mundo fantasioso, um escapismo juvenil. Agora, mais velho, quando tudo o que podia dar errado já havia ocorrido, quando já alcançara a notoriedade, resolvera reviver a tal fantasia. O carro, aparelhado com o necessário, o esperava na garagem. Um mapa com as paradas para descanso, aberto à sua frente, mostrava parte do planejamento e em um bloco de notas, com mais de vinte folhas escritas, a estratégia se desdobrava. O objetivo era a captura de seu duplo. Edgar contava com armas tranquilizantes e letais; não contava ter que usá-las, mas sabia manejá-las, se preciso. Edgar, o gorila, sonhava com um homem com cabelos negros revoltos, testa alta, queixo curto, cujo nome, sobrenome e filiação fossem iguais aos seus. Virgínia, datilógrafa e namorada de Edgar, rogava para que ele tirasse da cabeça a maluquice. Ele parecia a ela obstinado –– em geral são assim os gorilas. Partiria no dia seguinte, portanto, dormiria como um bebê. Retirou o carro da garagem, o estacionou em frente de casa, compraria alguns víveres no centro da cidade e voltaria para repousar. Ouviu o alarme de fuga de humanos, enquanto manobrava próximo ao supermercado, procurando vaga. A polícia não perdoaria quem lhe roubou a soneca do plantão. Edgar costuma deixar destrancada a viatura para as emergências, vício antigo, sem nenhuma serventia em tempos tão calmos. Levou consigo apenas as chaves e a carteira que estavam sobre o painel atulhado de quinquilharias, badulaques e um amontoado de multas vencidas. Entrou no mercado. Quando retornou, a rua estava tomada de policiais, os chimpanzés, agitados, segurando lanternas, reviravam os latões de lixo e observavam o interior dos automóveis largados ali. Edgar saudou o sargento Lerie, um velho conhecido. –– Como está, meu velho? –– Nada bem, Edgar. Pa­rece que tivemos o perímetro da cidade violado por um humano... –– Boa sorte. –– Obrigado, companheiro. Edgar entrou no carro, jogou as compras no banco traseiro. Deu a partida e pisou fundo. As luzes das viaturas policiais sumiram do retrovisor. Ele abriu o porta-luvas, com rapidez, e sacou a pistola. Apontou para o humano encolhido, perto da sacola de compras e rosnou: –– Me dê um bom motivo para não estourar seus miolos... O invasor estendeu a mão, timidamente, dedos longos e finos, a pele pálida, os olhinhos perturbados e penetrantes: –– Boa noite. E me desculpe. Sou Edgar. O detetive piscou duas vezes antes de perguntar: –– Qual é seu nome? –– Edgar. O detetive passou as grossas mãos no rosto, manteve a arma apontada para o invasor, relaxou os ombros, balançou a cabeça negativamente e disse: –– Você só pode estar brincando. Você tem sobrenome? Qual é? –– Por que quer saber? –– Responde a pergunta! –– Alan Poe. O investigador gargalhou escandalosamente. –– Alan Poe, repetiu aos risos. O homem contraiu as sobrancelhas sem entender o porquê do riso. Edgar percebeu que o outro estranhou sua reação. –– Ah, não me diga. Você não sabe por que estou a rir? Eu sou Edgar Alan Poe, você é Edgar Alan Poe. Você sou eu. –– Ou você sou eu –– disse o homem. –– Não, meu amigo. Eu sonhei com você, eu senti que você existia. Ei-lo aqui, diante de mim. Você é meu oposto em um universo paralelo. –– E se estiver sonhando nesse exato momento? Edgar aproximou-se do homem, encostou o cano da arma na cabeça dele e disse: –– Se eu atirar e você morrer e eu acordar, então era um sonho, se não, isso é real. O homem engoliu a saliva. –– Mas se você não despertar, então terá a certeza de estar no Inferno. –– Ou, se meus olhos permanecerem abertos, constatarei somente que você é minha versão em um universo paralelo que violou as leis da física aparecendo aqui. –– Está assistindo muitos filmes ultimamente, detetive. Eu só fugi do zoológico e cometi um assassinato. Por que acredita tanto nisso? –– Você já assistiu “O Confronto”, com Jet Li? Nesse filme o protagonista descobre que existem 12 versões dele em 12 universos paralelos e que uma dessas versões está eliminando todas as outras a fim de obter poder absoluto. –– Você tem assistido muita porcaria. Sugiro lavagem cerebral com a intenção de curá-lo de suas paranoias. –– Vá se ferrar! Você é ou não de um universo paralelo? Confirme a droga da minha hipótese. –– Admito que sim e estou surpreso que você, detetive, seja um gorila. Aliás, que eu nesse mundo seja um gorila. Edgar sentiu-se tão ofendido com a palavra “gorila” que desferiu um soco no rosto do homem. Isso bastou para que escolhesse bem as palavras. –– De onde você é, seu desgraçado? –– O sangue já fervia no corpo de Edgar; por ele, teria matado o outro, mas o desejo de saber a verdade o detinha. –– Eu sou de outra terra e creio que estou aqui graças a um abalo sísmico. Se minha teoria estiver certa, o abalo distorceu as ondas eletromagnéticas da terra criando um portal para essa versão alternativa. Estou aqui por um acidente. –– E o que você é em sua terra? –– Eu sou detetive e escritor. Mas isso importa agora? Só não posso deixar de rir da situação, lembra-me muito o filme “Planeta dos macacos”, um mundo governado por símios em que os humanos são escravizados. Se o diretor da porra daquele filme soubesse que a visão dele era tão real, acho que teria feito outra coisa. Agora estou aqui como um animal de zoológico diante de mim mesmo numa versão primitiva. –– Você é de fato um desgraçado. Merece outra porrada, mas desta vez não receberá. Em meu mundo, o filme teve outro nome “Planeta dos humanos”. E você parece um animal. Responda-me, quem você matou? –– Não acreditaria, toda uma família que me olhou como um animal de estimação. –– Você não estaria aqui se não fosse o conceito de simetria que rege o universo, mas deveria haver alguma lei inviolável que proibisse a ruptura da simetria, senão você já teria desaparecido. Além disso, se sou de fato sua outra versão cósmica, por que ainda estou aqui? Por que não houve uma fusão entre nossos corpos e o desaparecimento de ambas as versões? –– Isso é claro, se desaparecermos, os dois universos também desaparecem. A questão é como fazer com que eu volte. –– Se continuar aqui, eu tenho certeza que matará mais gente. Você não tem respeito pela minha espécie e nem pela minha realidade, seu escritor de bosta. –– Tenha certeza que matarei, sou um homem e você um gorila. –– Tenho certeza que sim, por isso não tiro o gatilho da sua cabeça. –– Mas até agora não apertou. — Se eu apertar, quem irá morrer, eu com você ou esta realidade? Como não sei a resposta, não é hora de estourar seus miolos. No filme “O confronto”, a morte de um não afeta os outros universos. E se isso valer para nós dois? Se você morrer talvez eu morra, mas não esta realidade. –– Dê logo a droga desse tiro. –– Tens razão, é hora de dar o tiro. Edgar afasta a arma da cabeça do humano, coloca-a na própria boca e aperta o gatilho. O corpo do gorila cai em peso sobre o chão. O humano –– o outro Edgar –– observa a queda, estarrecido. O gorila estava morto, foi o que pensou. Mas não foi bem o que aconteceu. No instante após o tiro, a mente de Edgar sofreu um violento colapso, as luzes que o atingiam se desfizeram e um clarão mais intenso que o sol tomou seus olhos. Em uma fração de segundos, o universo desapareceu e outro emergiu do oceano de energia e, como uma porta que é aberta por dentro, a mente de Edgar atravessou incontáveis dimensões. Quando esse instante passou, ele viu a si mesmo de joelho diante de um homem. Ele continuava um gorila, mas não era um detetive, era um animal. Suas mãos estavam ensanguentadas, ele as olhou com pesar, tinha matado não um, mas toda uma família, assim como seu eu do universo paralelo. Ergueu o rosto para ver o homem que o prendera. Não estava surpreso, era o outro Edgar. Assim que o viu, Ed­gar entendeu o que é o Uni­verso, um infinito labirinto de portas. Não importa por qual delas atravessemos, as situações serão idênticas ainda que a posição dos personagens tenha se alterado. [caption id="attachment_27350" align="alignleft" width="300"]Foto: Divulgação Foto: Divulgação[/caption] Mariel Reis é carioca, nascido em 1976. Cursou Letras na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). A partir da década de 1990, começou a publicar seus contos em diversas revistas eletrônicas, culminando a experiência com a extinta revista Paralelos. Publicou o último livro “A Arte de Afinar o Silêncio” (Ponteio Editora), em 2012. É um dos editores da revista eletrônica de contos Flaubert.   [caption id="attachment_27352" align="alignleft" width="300"]Foto: dvulgação Foto: dvulgação[/caption] Anderson Fonseca é escritor e professor. Autor dos livros de contos “Sr. Bergier & Outras Histórias” (Rubra Cartoneira, 2013) e “O que Eu Disse ao General” (Oitava Rima, 2014), Anderson escreve diariamente duas laudas de um livro novo de contos e, quando não escreve, está brincando com sua filha Ana Clara.

Prefeitura concede aumento de 13,01% aos professores da rede municipal

Após o envio do Projeto de Lei de reajuste salarial dos professores da rede municipal de ensino à Câmara Municipal de Anápolis, foi aprovado o incremento de 13,01% no vencimento base do magistério público municipal da educação, estabelecido pelo governo federal. Com isso, Anápolis garante os direitos da classe e repassará o aumento já na folha do mês de janeiro. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o piso salarial dos professores anapolinos corresponde ao determinado pelo Ministério da Educação e está acima da média de muitas cidades brasileiras, demonstrando atenção aos direitos da categoria. Até o fim de 2014, por 40 horas trabalhadas, o salário do professor era R$1.697,00. Com o reajuste vai para R$ 1.917,78. Anápolis foi a primeira cidade de Goiás e uma das primeiras do Brasil a respeitar o piso do professor. “Vamos continuar com esse objetivo. Já mandamos a convocação para a Câmara para que, dentro do prazo legal, o projeto seja votado”, ressaltou o prefeito João Gomes.

Prefeitura inicia ano letivo com cerca de 35 mil alunos

Atualmente, a rede municipal de ensino de Anápolis possui 98 unidades — escolas de ensino fundamental e centros municipais de Educação Infantil, e todas elas estão em funcionamento. No dia 22 de janeiro tiveram início as aulas dos alunos do ensino fundamental e agora, o início do ano letivo é para as crianças ma­triculadas nos Centros de Edu­ca­ção Infantil (CEI’s) e nos Centros Mu­ni­cipais de Educação Infantil (CMEI’s) mantidos pela Secretaria Municipal de Educação ou em convênio. Segundo a diretora de Educação do município, Ângela Isaac, desde novembro, a secretaria tem trabalhado pela organização da metodologia de trabalho para o ano de 2015. Este planejamento, segundo ela, garante o cumprimento de metas na área da educação em Anápolis que neste ano trabalhará com o lema Gentileza gera Gentileza. “Nosso foco é chamar a atenção dos alunos para o cumprimento de todo o calendário programado, aliando o convívio social harmonioso com toda a comunidade escolar”, comentou.

Sistema de videomonitoramento de Anápolis será ampliado

A prefeitura tem realizado ações focadas na contribuição com a segurança pública do município. Após firmar parcerias com a Secretaria de Segurança Pública do Estado na última semana, o prefeito João Gomes realizou uma visita técnica no Gabinete de Gestão Integrada do Município (GGIM) acompanhado do deputado federal Rubens Otoni (PT) e da deputada estadual Adriana Accorsi (PT), especialista da área de segurança. Lá foi confirmado que o sistema de videomonitoramento municipal será ampliado. Segundo o prefeito, o aumento do número de câmeras se deve à participação do município no programa “Crack, É Possível Vencer” do governo federal. “Vamos receber, nos próximos meses, o auxílio de mais 20 câmeras que serão monitoradas por uma unidade móvel. Estas contribuirão ainda mais com a vigilância da nossa cidade, sobretudo no combate às drogas”, disse o prefeito, classificando o sistema como uma ação que traz resultados diários e positivos à cidade. “Nosso foco, agora, é pela melhoria do nosso sistema de câmeras. Temos prova de que onde elas estão instaladas é sentida a diferença e quem nos diz isso são as pessoas”, pontuou.