Especulações falam em racha no PMDB provocado pela ministra Kátia Abreu

Pelos bastidores, corre a informação de que as desavenças com o governador Marcelo Miranda começaram durante a formação do primeiro escalão do governo tocantinense

Kátia Abreu não teria ficado satisfeita com sua participação no governo do companheiro de partido Marcelo Miranda | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Kátia Abreu não teria ficado satisfeita com sua participação no governo do companheiro de partido Marcelo Miranda | Fotos: Fernando Leite / Jornal Opção

Gilson Cavalcante

Semana tensa nos bastidores da política tocantinense. Alguns sites noticiaram um possível rompimento da senadora Kátia Abreu, ministra da Agricultura, com o gover­nador Marcelo Miranda, em meio a um processo de discussões, articulações e entendimentos para a eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa, que acontece neste domingo, 1º de fevereiro.

Especulações e conjecturas davam conta de que a senadora assumiu provisoriamente o comando do PMDB tocantinense por força de uma intervenção da Executiva Nacional do partido antes mesmo das convenções, para impedir que o deputado federal Junior Coimbra, que não foi reeleito, assumisse a legenda para compor com o siqueirismo, alijando Marcelo Miranda da disputa.

No final do ano passado, quando Marcelo Miranda anunciou seu secre­tariado, Kátia Abreu teria ficado insatisfeita com a participação do seu grupo no governo e, com isso, espe­rou a oportunidade para tentar de­ses­tabilizar o governo peemedebista. Chegou-se a se cogitar um governo paralelo que a senadora poderia realizar. Comenta-se que Katia Abreu, que tem o domínio também do PSD cujo presidente regional é o seu filho Irajá Abreu, reeleito deputado federal, queria uma fatia maior no governo, principalmente todos os setores da área de agricultura e pecuária, inclusive para colocar em prática um programa gigantesco para esse segmento, que seria uma vitrine de visibilidade política importante para o grupo da senadora.

Contrariando todas as expectativas, o PSD se reuniu em Palmas, na semana que passou e reiterou o seu incondicional apoio ao governo Marcelo Miranda, tentando, com isso, colocar panos quentes em possíveis dissenções dentro do PMDB, que agora no mês de fevereiro deve se rearticular para dar novo ânimo ao partido e acabar com as desavenças entre o grupo dos chamados autênticos e os recém-chegados.

No entanto, a deputada federal eleita Josi Nunes (PMDB), numa entrevista ao Portal Atitude, admitiu que há um clima de animosidade dentro do seu partido e não nega que haverá novos embates. “Só que agora entre o grupo de Marcelo Miranda e o da senadora Kátia Abreu”. A parlamentar é taxativa ao afirmar que o partido “não é partido de ser mandado e colocar debaixo o braço e fazer o que quiser dele”, referindo-se à ministra Kátia Abreu.

No seu entendimento, o problema do PMDB é que as pessoas que vem para o partido querem mandar na legenda. “O partido tem história, tem militância e este embate com a senadora, que está em crise junto com o governo, pode trazer alguns problemas com relação ao PMDB, mas nós vamos definir”, disse a de­pu­tada.

Josi Nunes confirmou que em breve o partido deverá formar uma comissão para criar os diretórios definitivos e preparar o partido para as eleições de 2016. “De início, já conversamos com o governador Marcelo Miranda para a gente formar uma comissão provisória e desta comissão possamos formar os diretórios e continuarmos os traba­lhos, porque temos que nos preparar para as eleições do ano que vem; vamos trabalhar para que o partido continue unido e seja respeitada a identidade do PMDB e esta sempre foi a luta das lideranças do partido”, apregoou a parlamentar na entrevista.

Ainda sobre o diretório estadual, Josi Nunes defendeu o nome de Derval de Paiva para comandar o partido. “O deputado Derval de Paiva pode ser um nome de consenso, também pode ser um dos deputados federais; mas, eu creio que o Derval de Paiva seja o nome de consenso, pois é uma pessoa com experiência e a imagem do Derval é a imagem do PMDB e nada melhor neste momento”, defendeu.

A verdade é que os atritos entre Kátia Abreu e Marcelo Miranda tiveram início durante a discussão para a montagem da equipe de governo, no final do ano passado. A senadora queria uma fatia maior de secretaria e órgãos, mas Marcelo Miranda não aceitou. Comenta-se que as desa­venças chegaram às raias de xingamentos, provocações e insultos.

Kátia Abreu, que havia indicado Mila Jaber para a Secretaria de Educação, voltou atrás e desistiu da indicação, levando a sua protegida para o Ministério da Agri­cultura. O PSD do deputado federal Irajá Abreu não assumiu nenhum órgão. O imbróglio levaria, incontestavelmente, a uma reação política mais contundente da senadora, na oportunidade que ela achasse mais conveniente e oportuna. E foi isso que ocorreu, de acordo com as especulações e conjecturas da semana que passou.

Dentro da nova postura política, a senadora estaria se reaproximando de seu desafeto Junior Coimbra, para mostrar o seu poder. Na estratégia dela, o seu filho Irajá se licenciaria para que Coimbra assumisse a cadeira na Câmara Federal, abrindo assim um canal para tomar de vez o PMDB do comando dos autênticos.

Em meio a essa beligerância política, o prefeito de Palmas, Carlos Amastha (PP), que atacou Marcelo Miranda durante toda a campanha eleitoral, aparece com o seu oportunismo para tentar se aproximar do Palácio Araguaia, ao mesmo tempo em que se encontra com a senadora Kátia Abreu para tentar costurar possíveis alianças já para 2016, de olho em 2018.
Para amenizar o rebuliço politico da semana, o presidente regional do PSD, deputado federal Irajá Abreu, afirmou que o seu partido foi o primeiro a declarar apoio à candidatura do governador Mar­celo Miranda. “Colaboramos e trabalha­mos muito para elegê-lo e vamos continuar buscando recursos para o Tocantins. Não vamos deixar de dar a sustentação necessária para que o Estado cresça e desenvolva a sua economia, o agronegócio e melhore a qualidade de vida do povo tocantinense”, sustentou o parlamentar.

Rombo no Igeprev deixa governo do Tocantins de mãos e pés atados

O déficit do Fundo Previ­denciário do Instituto de Gestão Previdenciária do Tocantins (Igeprev) é de R$ 1,2 bilhão, segundo informações do presidente do órgão, Jacques Silva, ao afirmar que o rombo pode ser considerado uma prática de corrupção pelos governos que antecederam Mar­celo Miranda, entre os anos de 2011 e 2014.

Na sua avaliação, a perda do patrimônio líquido do Igeprev, nos últimos quatro anos, foram mais de R$ 475 milhões. O fundo Viaja Brasil, ligado ao doleiro Alberto Youssef, recebeu um aporte de R$ 13 milhões do Igeprev, mas atualmente o valor do resgate é de R$ 107.445, um prejuízo de mais de 99,1%, pelo cálculos do presidente, que já anunciou que o governo vai apurar os responsáveis por aplicações dos recursos do Fundo Previdenciário.

Está também nos planos do presidente a contratação de uma consultoria do Banco do Brasil ou Caixa Econômica para fazer uma avaliação de cada fundo com investimento do Igeprev, ao garantir que fará apenas investimentos seguros.

“Estancamos a roubalheira, pois não existia nenhum cuidado nas aplicações”, sustenta Jacques Silva, para quem o real quadro do Instituto deverá ser mostrado à sociedade e que não vai proteger ninguém.

O governo do Estado continua sem o Certificado de Re­gularidade Previdenciária (CRP), porque uma das razões foi a extinção, por parte do MPS, do TAC assinado com o Igeprev para regularizar os desenquadramentos e cumprimento da legislação.

“Em julho de 2014, a Advocacia Geral da União (AGU) emitiu um parecer recomendado ao MPS a imediata rescisão do TAC firmado no dia 12 de dezembro de 2012”, explica o presidente. O governo passado deixou de cumprir com suas obrigações estabelecidas no Termo e lembra que já é o segundo TAC para tratar da mesma situação, pois o primeiro não foi cumprido.

“O MPS quer que regularizemos os desenquadramentos o mais rápido possível, sem fazer isso continuaremos com pendências”, observa o gestor, garantindo que vai buscar uma forma de resgatar as aplicações, não apenas nos fundos desenquadrados, mas em todos que apresentam risco. “Vamos estudar cada caso, pois avalio que pode ser melhor pagar a taxa de saída e garantir parte do dinheiro do que esperar mais alguns anos e nenhum recurso ser encontrado.”

De acordo com o balanço preliminar do presidente do Igeprev, o governo anterior deixou de repassar mais de R$ 159,6 milhões de contribuições dos servidores e patronal ao órgão. Desde agosto do ano passado têm ocorrido problemas nos envios das contribuições. A dívida existente corresponde a mais de R$ 45 milhões do Executivo, porém ainda não foi identificada a origem.

“Queremos que o Executivo acerte os repasses atrasados o mais rápido possível, pois isso gera mais uma pendência com o Ministério da Previdência Social (MPS)”, observa Jacques Silva, que está em negociação com o secretário estadual da Fazenda, Paulo Afonso Teixeira. No entanto, ele ressalva que o governo não tem condições de fazer o repasse integral das contribuições atrasas e ainda manter os próximos envios regulares

Por­tanto, propôs ao secretário da Fazenda que seja enviado a contribuição recolhida dos servidores e a patronal será parcelada. “A contribuição dos servidores precisa ser regularizada, pois o recurso foi descontado dos seus salários, mas não enviado. Isso é apropriação indébita”, sustenta.

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