Notícias
Um olhar cuidadoso sobre a cidade revela que ela não é pensada para sua população e leva à conclusão: andar a pé na capital goiana é uma odisseia
[gallery type="slideshow" ids="30227,30228"] O processo eleitoral de 2016 já começou, pelo menos no mundo político de Anápolis. As agremiações políticas, notadamente de oposição, já se movimentam a mais de um ano do pleito, em busca de fortalecimento de seus projetos, por meio de filiação de novos quadros, novas lideranças e consolidação de bases eleitorais. Ocorre que na última semana uma notícia circulou com força nos bastidores: o possível ingresso do ex-deputado estadual e secretário de Estado Frederico Jayme ao PSDB, ou a outro partido ligado à base aliada do governador Marconi Perillo (PSDB), com vistas à candidatura à prefeitura. Atualmente filiado ao PMDB, seus dias na legenda podem estar contados por causa de seu posicionamento crítico ao ex-governador Iris Rezende. O PSDB pode ser o destino natural de Frederico Jayme, já que se trata do principal partido da base aliada. Mas há quem pretende fazer voos mais altos na política em Anápolis a partir do ninho tucano. Ultimamente, o quadro que mais tem sido apontado como provável candidato da sigla ao Executivo é o deputado federal Alexandre Baldy. Mas afinal, qual dos dois teria mais chances de ser o candidato do partido do governador à Prefeitura de Anápolis? O deputado federal, que é empresário e ex-secretário estadual de Indústria e Comércio (SIC), tem pavimentado sua candidatura desde o triunfo nas urnas nas eleições passadas. Articulado e bem-relacionado, Baldy tem a vantagem de conseguir levantar recursos para sua campanha com muito mais facilidade, além de ostentar o prestígio político de ter sido eleito à Câmara dos Deputados como representante da cidade. Já Frederico Jayme teria como vantagem não ter cargo, isto é, não precisaria abrir mão de nenhum mandato para uma candidatura. Ele é mais próximo ao governador e possui um currículo respeitável com longa trajetória política. Apesar dos fatores favoráveis apresentados, há um empecilho que recai sobre ambos: nem Baldy e nem Frederico Jayme são vistos pelos eleitores anapolinos como “de” Anápolis, ou seja, os dois podem estar eleitoralmente vinculados à cidade, mas não são enxergados como anapolinos, que vivem o município.
Negociar aliados
Há mais um fator que pode pesar nesta possível disputa interna. Outros partidos que compõem a base aliada do governador Marconi estariam se organizando para lançar candidatura. Contudo, diante de um cenário no qual a oposição precisa se fortalecer em torno de uma frente ampla, para enfrentar a máquina eleitoral petista do prefeito João Gomes e do ex-prefeito Antônio Gomide, há a real possibilidade de estas legendas negociarem a vice com os tucanos durante o desenrolar do processo eleitoral. Caso isto venha a acontecer, Frederico Jayme ficaria impossibilitado de ser o vice de Baldy e vice-versa. De acordo com o presidente municipal do PSDB em Anápolis, Valto Elias, Frederico Jayme seria bem-vindo ao partido que neste momento estaria efetivamente conversando com outras siglas, inclusive o chamado G-4 (PHS, PSD, PEN e PPS). “Estamos focados na renovação de nosso diretório que estava previsto para final de março, mas adiamos para maio. E isso exige muito diálogo neste primeiro momento para nos prepararmos ao enfrentamento político de 2016.”[caption id="attachment_30225" align="alignright" width="620"]
Saúde e educação foram áreas que tiveram os maiores investimentos[/caption]
Em audiência pública no plenário da Câmara Municipal, a prefeitura prestou contas do município referente ao último quadrimestre de 2014. Mais uma vez o fator que teve destaque foram os investimentos nas áreas da educação, tendo aplicado 29,05% do mínimo de 25%, e saúde, aplicando 18,74% do mínimo de 15%. Também foi ressaltado o equilíbrio da receita municipal com os gastos com o pessoal que está na casa dos 49%, sendo que o limite é de 54%.
A apresentação dos números à sociedade, que segue determinação da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), contou com a presença do prefeito João Gomes, do secretário municipal da Fazenda, José Roberto Mazon, de 15, dos 23 vereadores da Casa, de secretários municipais e de membros da sociedade civil. A audiência pública também foi oportunidade para a discussão de temas importantes para a sociedade, no debate realizado entre os vereadores e os representantes da administração municipal a respeito dos investimentos realizados em cada área do Executivo.
O secretário municipal da Fazenda, José Roberto Mazon, que fez o detalhamento do Relatório de Gestão Fiscal, destacou itens importantes da prestação de contas deste último período. Segundo ele, desde 2009, a organização das contas da Prefeitura têm sido uma das metas desta administração. O município tem proporcionado investimentos acima do limite prudencial para as áreas de educação e saúde, além de controlar os gastos do executivo com pessoal. “O empenho da atual gestão na quitação da dívida fundada, que nos últimos balancetes tem apresentado uma redução significativa”, disse.
Entre setembro e dezembro de 2014, a receita corrente líquida da Prefeitura de Anápolis foi de R$ 268.759.118,88. A receita total do ano passado fechou com valor de R$ 741.514.644,05.
A Prefeitura de Anápolis, por meio da Secretaria Municipal de Trabalho, Emprego e Renda, divulgou os dados do mês de janeiro do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério do Trabalho. De acordo com o relatório, Anápolis, diferente de outros municípios goianos, manteve crescimento, pois o número de admissões superou as demissões registradas no município no primeiro mês do ano. Ao todo, foram 4.110 novos contratos de trabalho nos diversos segmentos que empregam em Anápolis. O setor que teve destaque foi o da indústria com saldo positivo de 256 novas admissões. O comércio de serviços e a construção civil também foram outros setores que contribuíram com a empregabilidade do município no mês de janeiro. O secretário municipal de Trabalho, Emprego e Renda, Ilmar Lopes disse que um dos motivos que favorecem o quadro em Anápolis é o constante processo de capacitação profissional oferecido à comunidade pela Prefeitura.
No segundo semestre de 2015, a Base Aérea de Anápolis (Baan) se tornará sede do Terceiro Grupo de Defesa Antiaérea (3° GDAAE) da Força Aérea Brasileira (FAB). Localizada a 120 km de distância de Brasília, a base anapolina será a primeira unidade da Aeronáutica a receber os caças Gripen NG, escolhidos em 2013 pelo governo federal para ser o vetor supersônico de defesa do espaço aéreo brasileiro. No mês passado, a equipe responsável pela implementação do 3° GDAAE em Anápolis inaugurou o simulador Konus, que permite treinar os militares para o manuseio do míssil antiaéreo de fabricação russa IGLA-S. A capacitação inclui um exercício de tiro real. De origem russa, o simulador Konus é composto de um tubo e um mecanismo de lançamento que juntos somam 18,25 kg, o mesmo peso do equipamento real, além de uma tela de projeção, onde são simulados mais de 20 cenários em ambientes diversos, e de um sistema computadorizado que gera relatórios de eficiência dos atiradores.
Presidente do instituto diz que objetivo de sua gestão é ter equilíbrio nas finanças, cobrir lacunas da iniciativa privada no serviço e ter o interesse do servidor como foco
[caption id="attachment_30217" align="alignright" width="620"]
José Nelto e Jovair Arantes: PMDB e PTB podem caminhar juntos na disputa eleitoral de 2016 em Goiânia. É o início de uma nova aliança[/caption]
Na audiência (marcada por Maguito Vilela) com o vice-presidente da República, Michel Temer, na semana passada, peemedebistas, como José Nelto, Samuel Belchior e Agenor Mariano, contaram que Iris Rezende vai disputar a Prefeitura de Goiânia. “Temer gostou”, garante Nelto.
Sobre o vice de Iris, Nelto diz que sairá dos próprios quadros do PMDB — Sandro Mabel e Agenor Mariano são os mais cotados — ou do PTB do deputado federal Jovair Arantes. O peemedebista frisa que não está descartada a hipótese de Vanderlan Cardoso ser o vice. Um integrante do DEM teria dito que Vanderlan Cardoso aceita ser vice de Iris desde que este o apoie na eleição seguinte. Verdade? Vanderlan Cardoso chegou a admitir, há pouco tempo, a possibilidade de ser vice, mas não disse que seria de Iris.
A aliança político-eleitoral de 2016 deve ser conectada com a de 2018. “Na próxima eleição para governador, a aliança básica será entre PMDB e DEM. O candidato tanto pode ser Maguito Vilela, pelo PMDB, quanto Ronaldo Caiado, pelo DEM — com um vice do PMDB.” Caiado, afirma Nelto, “tem o coração peemedebista. As portas do PMDB estão sempre abertas à sua filiação”.
Como defende a permanência de Júnior Friboi no PMDB e Iris articula para que seja expulso — com o objetivo de torná-lo um exemplo para outros possíveis “infiéis” —, o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela, estaria se posicionando contra Iris? “Maguito pode ter suas posições, como sugerir que Friboi não deve ser expulso, mas não briga com Iris Rezende. Tanto que, quando Iris disse que seria candidato em 2014, passou a apoiá-lo imediatamente. Iris e Maguito são, na verdade, irmãos siameses”, acredita Nelto.
Sobre Júnior Friboi, Nelto é peremptório: “Será expulso do PMDB, ao lado de Frederico Jayme. Nada tenho de pessoal contra eles, mas voto pela expulsão de todos os infiéis”. E Marcelo Melo? “Marcelo Melo não apoiou a candidatura de Marconi Perillo, ao menos não publicamente. Afianço que ele deve fazer parte da comissão provisória do PMDB de Luziânia e será nosso candidato a prefeito no município. E anote: vai ganhar.”
Nelto diz que o 1º Congresso Nacional do PMDB será realizado em Goiânia, até o final de maio. “O Diretório Regional está cuidando disso junto com as bancadas federal e estadual, com a Fundação Ulysses Guimarães e com o prefeito de Aparecida de Goiânia, Maguito Vilela. Nós vamos trazer ministros, governadores, senadores, prefeitos, deputados e economistas, como José Márcio Camargo e, possivelmente, Delfim Netto e Luiz Gonzaga Belluzzo.”
O objetivo dos líderes é fortalecer o PMDB para a disputa de 2016. “Vamos filiar eleitores em todos os 246 municípios goianos.”
[caption id="attachment_30215" align="alignright" width="620"]
Adriana Accorsi, Edward Madureira e Humberto Aidar: um deles deve ser candidato a prefeito de Goiânia pelo PT. O 2º tem menos desgaste[/caption]
Tese de um lua vermelha petista dos mais atentos aos jogos da política: “O candidato do PT a prefeito de Goiânia, por mais que isto pareça impossível, dada a relativa força de quem está no poder, deve ser o menos possível identificado com o prefeito Paulo Garcia”. O paulo-garcismo definiu dois caminhos: o primeiro é indicar o vice de Iris Rezende — que não estaria muito disposto a carregar o fardo do PT em Goiânia, embora seja amigo e aliado de Paulo Garcia — e o segundo é lançar a candidatura da deputada estadual Adriana Accorsi. Aposta-se que, por ser mulher, por ter sido bem votada na cidade e, como delegada de polícia, ter amplo domínio do tema segurança pública, um dos principais problemas da capital, Adriana Accorsi tem fôlego para disputar a eleição contra Iris Rezende, Vanderlan Cardoso e Jayme Rincón.
O lua vermelha avalia que, se lançar Adriana Accorsi, “ainda que a deputada tenha méritos inquestionáveis, será caixão e vela preta para o PT de Goiânia. Vamos perder e, pior, temos de torcer para o PSOL e o PSTU lançarem candidatos para que Adriana não seja a última colocada”. O que se deve fazer? “O PT precisa lançar, se quiser ter alguma chance eleitoral, nomes que não são, de cara, identificáveis com o prefeito Paulo Garcia. Cito dois nomes: o deputado estadual Humberto Aidar e o ex-reitor da Universidade Federal de Goiás Edward Madureira.”
O petista diz que, se não apoiar Iris Rezende, o prefeito Paulo Garcia tende a bancar Adriana Accorsi, mais para mostrar força do que para ganhar. “Agora, se quiser ganhar, deve abrir mão de lançar candidato e deixar o partido escolher livremente. Com a imagem mais de gestor do que de político, o nome forte do partido para Goiânia é mesmo o de Edward Madureira.”
Humberto Aidar corrobora o correligionário e avalia que o candidato mais sólido, com apoio no e fora do PT, é mesmo Edward Madureira.
[caption id="attachment_30210" align="alignright" width="620"]
Iris Rezende e Paulo Garcia: o primeiro não gosta nem de aparecer em fotos com o segundo, pois quer descolar sua imagem da do petista[/caption]
Na semana passada, o Jornal Opção conversou com peemedebistas que circulam com desenvoltura ao lado do ex-prefeito de Goiânia Iris Rezende. Um deles, irista de carteirinha, frisa: “Anote e cobre depois. O PT, como está desgastado na capital, vai fazer o impossível para manter a aliança com o PMDB, sobretudo com Iris Rezende. E, mesmo sabendo que a aliança não será mantida, os petistas, tanto os ligados ao prefeito Paulo Garcia quanto ao deputado federal Rubens Otoni, preferem continuar dizendo que a aliança persistirá porque, no dia que admitirem que Iris Rezende não quer ninguém do PT na vice, vão ficar ainda mais fragilizados administrativa, política e eleitoralmente”. O segundo peemedebista, que não se considera irista, e sim um admirador de Iris, é radical: “A aliança com o PT é para ajudar Paulo Garcia a terminar sua gestão em Goiânia, pois fomos a sua principal base de apoio eleitoral. Mas é definitivo: a aliança com o PT está descartada. Não tem saída”.
Os peemedebistas dizem que sabem que em 2016 o tucanato vai usar um vídeo no qual Iris aparece pedindo voto para Paulo Garcia. “De fato, Iris é o principal responsável pela vitória eleitoral do petista, mas não é o responsável por sua administração.”
Segundo os peemedebistas, Iris torce pela recuperação da gestão de Paulo Garcia. “É verdade que Iris nutre carinho especial pelo prefeito, que considera quase como um filho. Mas Iris não é adepto da história do ‘abraço dos afogados’. Em Goiás, apoio do PT só se for no segundo turno — e olhe lá. Não queremos Paulo Garcia no nosso palanque.” Porém e se Paulo Garcia melhorar sua gestão e sua imagem? “Bem, aí podemos conversar”, afirma o irista de carteirinha. “Mas não acredito que Paulo Garcia tenha tempo e ânimo para trabalhar de maneira profunda para restaurar sua imagem.”
O advogado Sérgio Lucas, líder do PP goiano, diz que, para atacar o vice-governador José Eliton, o deputado federal Roberto Balestra passou a defender o deputado federal Sandes Júnior. O argumento básico é que, na campanha de 2014, embora seja presidente do PP, José Eliton, no lugar de apoiar os candidatos do partido para deputado federal, trabalhou na campanha de Giuseppe Vecci. Por isso, Sandes teria ficado como suplente. “Parece tudo bonitinho e arrumadinho, mas não foi assim. José Eliton, como candidato a vice-governador, de uma base política ampla, não poderia, evidentemente, pedir votos tão-somente para os candidatos de seu partido. Acrescente-se que, em determinadas cidades, Vecci tinha uma estrutura ‘x’ e Sandes não estava lá. O vice pediu-me para trabalhar na campanha de Sandes e eu trabalhei”. Balestra, na opinião de Lucas, persegue Sandes há anos. “Ele não deu legenda para Sandes disputar a Prefeitura de Goiânia contra Darci Accorsi. Mais tarde, não abriu espaço nas comissões provisórias do PP para o correligionário.”
O senador Ronaldo Caiado disse ao Jornal Opção, em Brasília, que o Brasil vai pegar “fogo”. O líder do DEM frisa que a presidente Dilma Rousseff pode perder o cargo por dois motivos: Pasadena ou a Operação Lava Jato. Se for por Pasadena, não leva o Michel Temer junto. Pela operação Lava Jato — que tem a ver com o financiamento de sua campanha —, leva o vice-presidente junto. É aquela história: se ficar o bicho come; se correr, o bicho pega.
Pré-candidato a presidente da OAB-Goiás, o professor Lúcio Flávio reuniu-se na quarta-feira, 4, no Clube da Caixa Econômica Federal, com dezenas de advogados. O próprio Lúcio Flávio teria ficado surpreso com a presença expressiva. Seu grupo avalia que a saída repentina de Henrique Tibúrcio da presidência da OAB, para ocupar cargo no Estado, “queimou o filme” da OAB Forte. Um de seus aliados afiançam que será muito difícil recompor a imagem do grupo.
O deputado federal Heuler Cruvinel (PSD) e o veterinário Augusto Martins de Oliveira, filho do prefeito de Rio Verde, Juraci Martins (PSD), não param de trocar farpas. Um integrante do PSD afirma que Cruvinel costuma dizer, sobretudo nos botecos, que Juraci lhe deve 4 milhões de reais. O prefeito nunca responde às provocações, mas seu filho, “tomando suas dores”, estaria criticando o parlamentar e sugerindo que Juraci pode apoiar o deputado estadual Lissauer Vieira (PSD) para prefeito. Quando perguntado sobre a crise, Cruvinel costuma dizer que é “invenção da imprensa”. A situação de Juraci Martins não é nada boa. Depois de anunciar um polpudo aumento no seu próprio salário, o prefeito teve de aumentar o salário dos professores. Já começam a chamá-lo de “Paulo Garcia de Rio Verde”.
As oposições em Rio Verde cobram mais presença do petista Karlos Cabral nos debates sobre os problemas da cidade e uma crítica mais atenta à gestão do prefeito Juraci Martins. “Karlos Cabral é um político articulado, um crítico posicionado, por isso precisa apresentar-se de maneira mais contundente sobre os assuntos de interesse dos eleitores de Rio Verde”, diz um peemedebista. Karlos Cabral planeja disputar a prefeitura. Mas há quem aposte que vai compor com o médico Paulo do Vale, do PMDB, aceitando ser seu vice.
A secretária da Fazenda, Ana Carla Abrão Costa, tem jogado duro no corte de despesas do governo de Goiás. A economista quer um Estado cada vez mais enxuto e propõe economia de café e, até, de guardanapo. “Ela não titubeia nem tem medo de cara feia”, afirma um secretário. Em recente reunião, jogou pesado, frisando que o Estado precisa se viabilizar, para fazer investimentos, e que, para tanto, é preciso fazer cortes”. A jovem fala o que é preciso, não o que agrada.

