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OPINIÃO
Estamos perto do fim do ano, mas longe do fim da violência contra as mulheres 

Somente neste mês de dezembro, pelo menos cinco casos ganharam a mídia local

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ÍCONE DA FRANÇA
De ícone do cinema à ativista política: Brigitte Bardot foi intensa do começo ao fim

Cultuada como ícone da cultura francesa e protetora dos direitos dos animais, Bardot também é lembrada pelo seu posicionamento político radical

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Saúde
Bolsonaro segue internado após cirurgia e deve passar por endoscopia para avaliar refluxo

A informação consta em nota médica divulgada nesta terça-feira, 30, pela equipe responsável pelo atendimento

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Social
Adote um Piloto: projeto social quer revelar talentos do automobilismo em Goiânia

Segundo Maranhão, a iniciativa nasce da percepção de que o automobilismo, especialmente o kart, é o primeiro degrau para quem deseja se tornar piloto profissional

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Tragédia
Saída de pista na BR-050 deixa quatro mortos em Goiás, entre elas uma mulher e dois filhos; assista

De acordo com informações preliminares, um veículo de passeio saiu da pista, colidiu contra uma defensa de concreto e, na sequência, caiu em uma ribanceira às margens do ribeirão Paineiras

Violência
Prefeito confirma suspensão de barraca envolvida em agressão a turistas em Porto de Galinhas

Caso ocorreu após discussão sobre cobrança de cadeiras de praia e mobilizou prefeitura, Procon, forças de segurança e o governo de Pernambuco

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Desempenho
Goiás tem o segundo maior crescimento econômico do Brasil em 2025, diz IBCR

O secretário-geral de Governo de Goiás, Adriano da Rocha Lima, atribuiu os resultados a políticas voltadas para o fortalecimento da economia estadual

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Alto Custo
Inflação recorde de cacau e café desafia operação da Nestlé Brasil

A inflação das matérias-primas atingiu níveis sem precedentes, aponta Marcelo Melchior

Economia
Ibovespa sobe no último pregão do ano e caminha para melhor desempenho desde 2016; dólar recua

O principal índice da Bolsa brasileira flertou com os 162 mil pontos ao longo desta terça-feira, 30, enquanto o dólar operou em queda

OPÇÃO PLAY
Câmara de Goiânia aprova orçamento em definitivo com arrecadação e despesas de R$ 10,8 bilhões

Relatório ampliou total de emendas impositivas, mas reduziu valores individuais

Prisão
Veja quem é o Tenente-coronel condenado por tentativa de golpe que se apresentou em Goiânia

O mandado contra Guilherme Marques ainda não havia sido executado porque o militar estava na Bahia

Economia
Goiânia espera sair da nota C e alcançar classificação B na Capag, diz secretário da Fazenda

Município finaliza o balanço fiscal do ano para envio à Secretaria do Tesouro Nacional; avaliação mede capacidade de pagamento e sustentabilidade das contas públicas

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Trânsito e Mobilidade
Fiscalização de ciclomotores elétricos começa em janeiro de 2026 em Goiânia; entenda as novas regras

Condutores terão até 31 de dezembro de 2025 para registrar e emplacar veículos; ciclomotores passam a seguir regras semelhantes às das motocicletas

DESIGUALDADES
Reduzir a maioria parlamentar a uma minoria política

A democracia representativa vive hoje uma de suas mais profundas ambiguidades: a maioria numérica no Parlamento nem sempre corresponde à maioria política da sociedade. Eleições produzem números; a política, porém, produz sentidos, conflitos e legitimidades. Quando o Parlamento deixa de expressar a pluralidade social e passa a operar como instrumento de interesses concentrados, ocorre um fenômeno inquietante: uma maioria parlamentar transforma-se, substantivamente, em minoria política.

No ambiente acadêmico me dei conta de que essa tensão não é nova. Já estava presente nos clássicos do pensamento político. Tocqueville advertia que a democracia corre risco não apenas pela tirania das maiorias, mas também pela captura das instituições por elites que falam em nome do povo sem representá-lo de fato. Rousseau foi ainda mais radical: a soberania não se delega sem perda; quando o povo se limita a votar e depois se cala, deixa de ser soberano. Marx, por sua vez, denunciou o Parlamento liberal como espaço onde interesses de classe se apresentam sob a máscara da universalidade jurídica.

O problema contemporâneo não é a inexistência de maiorias, mas a dissociação entre número e legitimidade. Parlamentos podem aprovar leis com maioria formal enquanto produzem políticas rejeitadas pela maioria social. A legalidade permanece intacta; a legitimidade, corroída.

No Brasil, esse fenômeno assume contornos dramáticos. O Congresso Nacional, embora eleito pelo voto popular, é profundamente marcado por desigualdades estruturais de representação. Bancadas organizadas por interesses econômicos — financeiro, agrário, armamentista, religioso-midiático — frequentemente pautam a agenda legislativa em detrimento de temas centrais para a maioria da população: desigualdade, racismo estrutural, pobreza, moradia, educação e saúde pública.

A matemática parlamentar, nesses casos, não traduz vontade popular, mas capacidade de organização do poder econômico. Forma-se uma maioria legislativa que governa contra a maioria social. Trata-se de uma maioria procedimentalmente válida, porém politicamente minoritária.

É aqui que o pensamento de Steve Biko oferece contribuição decisiva. Líder da Consciência Negra sul-africana, Biko ensinou que opressão não se sustenta apenas pela força institucional, mas pela colonização da consciência. Para ele, não basta que estruturas sejam formalmente democráticas se continuam a reproduzir hierarquias raciais, econômicas e simbólicas herdadas do colonialismo. Uma ordem política pode se dizer representativa e, ainda assim, operar contra os interesses vitais da maioria oprimida.

Biko alertava que a dominação moderna é sofisticada: ela não precisa negar direitos abertamente; basta esvaziá-los de sentido. O mesmo ocorre no Parlamento. A presença formal de representantes negros, pobres ou periféricos não garante, por si só, ruptura com uma lógica política estruturada para manter privilégios. Sem transformação das condições materiais e simbólicas do poder, a representação torna-se decorativa.

No caso brasileiro, essa contradição se manifesta de modo evidente quando pautas de enfrentamento ao racismo estrutural, às desigualdades regionais ou à concentração de renda são sistematicamente bloqueadas, relativizadas ou adiadas em nome de uma suposta “responsabilidade fiscal” ou “neutralidade institucional”. O Parlamento fala em nome da nação enquanto silencia sobre a experiência concreta da maioria da população.

Os clássicos ajudam a compreender esse paradoxo. Gramsci já havia advertido que o poder moderno se exerce tanto pela coerção quanto pelo consenso. Uma maioria parlamentar pode governar porque construiu hegemonia, não necessariamente porque representa a maioria social. Quando essa hegemonia entra em crise, surge o que ele chamou de interregno: o velho ainda não morreu, o novo ainda não nasceu — e, nesse intervalo, proliferam distorções institucionais.

Reduzir a maioria parlamentar a uma minoria política não significa negar a democracia, mas salvá-la de sua forma vazia. Significa reconhecer que legitimidade não se mede apenas em votos, mas na capacidade de responder às demandas históricas de justiça social, igualdade racial e dignidade humana. Significa admitir que a democracia pode adoecer quando se limita à contabilidade eleitoral e ignora a realidade material da sociedade.

Steve Biko lembrava que “a arma mais poderosa do opressor é a mente do oprimido”. No Parlamento, essa arma se traduz na naturalização de uma política que trata desigualdade como dado técnico, racismo como tema secundário e pobreza como fatalidade econômica. Romper essa lógica exige mais do que reformas regimentais: exige consciência política, no sentido profundo que Biko atribuía ao termo.

O desafio brasileiro, portanto, não é apenas produzir maiorias legislativas, mas reconectar número e sentido, voto e vida concreta, legalidade e justiça. Enquanto a maioria parlamentar continuar legislando como minoria política — surda às vozes periféricas, negras e populares —, a democracia seguirá formalmente intacta e substantivamente incompleta.

E a história ensina: democracias que ignoram suas maiorias reais não costumam cair de uma vez. Elas se esvaziam, lentamente, até que o silêncio substitua o debate e a apatia ocupe o lugar da participação. O Parlamento permanece de pé; a política, não.