Irã recusa nova rodada de negociações com os EUA no Paquistão e tensão aumenta no Estreito de Hormuz
19 abril 2026 às 16h01

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O governo iraniano, anunciou neste domingo, 19, que não participará da segunda rodada de negociações com os Estados Unidos, prevista para ocorrer no Paquistão na segunda-feira, 20. A decisão foi divulgada pela agência estatal Irna e ocorre a apenas três dias do término do cessar-fogo firmado entre os dois países.
Segundo Teerã, Washington estaria impondo “exigências excessivas” e apresentando demandas consideradas “irracionais e pouco realistas”. Além disso, o Irã acusa os norte-americanos de violarem o acordo de trégua iniciado no dia 7 deste e válido até quarta-feira, 22. “Nessas condições, não se vislumbra um cenário claro para negociações bem-sucedidas”, afirmou um porta-voz iraniano.
Do lado norte-americano, o presidente Donald Trump declarou que uma delegação dos EUA desembarcaria no Paquistão para dar continuidade às conversas. Em suas redes sociais, porém, ele endureceu o tom e ameaçou destruir “todas as usinas de energia e todas as pontes no Irã” caso não haja acordo. “Chega de fazer o bonzinho!”, escreveu.
O principal negociador iraniano, Mohammad Baqer Qalibaf, havia reconhecido avanços nas tratativas, mas destacou que ainda existem divergências profundas, especialmente em relação ao programa nuclear e ao controle do Estreito de Hormuz. Em contraste, Trump afirmou na sexta-feira, 17, que não restavam mais “pontos conflitantes” e que um acordo estaria próximo.
A crise se intensificou após o Irã anunciar, na sexta-feira, a reabertura do Estreito de Hormuz, que é rota estratégica por onde passa boa parte do petróleo mundial. No dia seguinte, Teerã voltou atrás e declarou o fechamento da passagem em resposta a um bloqueio naval imposto pelos EUA. No sábado, 18, a Guarda Revolucionária disparou contra dois petroleiros indianos, ação que provocou críticas imediatas de Trump.
O Estreito de Hormuz, considerado vital para o comércio global de energia e fertilizantes, tornou-se o epicentro da disputa. O bloqueio e os ataques a embarcações aumentaram a pressão sobre os mercados internacionais e ampliaram o risco de escalada militar na região.
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