“Com a baixa umidade do ar, ocorre o ressecamento das vias respiratórias e o comprometimento de um dos principais mecanismos de defesa do organismo”, alerta a pneumologista Fernanda Miranda, presidente da Sociedade Goiana de Pneumologia e Tisiologia de Goiás. O período de estiagem em Goiás começa a refletir diretamente na saúde da população, especialmente entre crianças, idosos e pessoas com doenças respiratórias.

De acordo com o boletim do Centro de Informações Meteorológicas e Hidrológicas de Goiás (Cimehgo), a terça-feira, 2, será marcada pelo declínio da umidade relativa do ar durante o período da tarde. Em diversas regiões do estado, os índices mínimos devem ficar em torno de 30%, nível considerado de atenção pelos parâmetros da Organização Mundial da Saúde. Além disso, Goiás já acumula entre 38 e 54 dias sem chuvas, dependendo da região, cenário que contribui para o ressecamento do ambiente.

Em entrevista ao Jornal Opção a Fernanda Miranda, o ar seco compromete a barreira mucociliar, estrutura responsável por filtrar e eliminar partículas, poluentes, vírus e bactérias das vias respiratórias. “Com isso, aumenta a irritação das vias aéreas e a suscetibilidade a infecções respiratórias”, explica.

A médica ressalta que a baixa umidade também favorece processos inflamatórios das mucosas e agrava doenças respiratórias preexistentes. “O ar seco pode provocar inflamação das mucosas, piora de quadros alérgicos e agravamento de doenças respiratórias já existentes, como asma, rinite, bronquite e doença pulmonar obstrutiva crônica”, afirma.

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Segundo Fernanda Miranda, o ar seco compromete a barreira mucociliar, estrutura responsável por filtrar e eliminar partículas, poluentes | Foto: Acervo pessoal

Os grupos mais vulneráveis aos efeitos da estiagem são crianças, idosos e pacientes com doenças respiratórias crônicas. De acordo com a especialista, as crianças possuem o sistema respiratório ainda em desenvolvimento, enquanto os idosos apresentam redução natural dos mecanismos de defesa das vias aéreas.

“Pacientes com asma, bronquite crônica, DPOC e outras doenças respiratórias possuem vias aéreas inflamadas e hiperresponsivas. O ar seco funciona como um fator irritante, podendo desencadear crises de falta de ar, tosse, chiado no peito e exacerbações que, em alguns casos, exigem atendimento médico ou hospitalização”, destaca.

Entre os sintomas mais frequentes associados à baixa umidade estão ressecamento do nariz, garganta e olhos, ardência nasal, sangramentos nasais, tosse seca, irritação na garganta, rouquidão, dor de cabeça e sensação de cansaço. Em pessoas com doenças respiratórias, também pode haver aumento da tosse, chiado no peito, produção de secreção e piora da falta de ar.

A orientação é procurar atendimento médico caso ocorram sintomas mais graves, como dificuldade para respirar, falta de ar progressiva, chiado intenso, febre persistente, dor no peito ou redução da oxigenação.

Para minimizar os impactos do período seco, a pneumologista recomenda reforçar a hidratação ao longo do dia e adotar medidas simples de proteção. “A principal recomendação é manter uma boa hidratação, aumentar a ingestão de água e realizar lavagem nasal com solução fisiológica, que ajuda a manter as mucosas hidratadas e favorece a limpeza das vias respiratórias”, orienta.

Ela também recomenda evitar a exposição prolongada ao sol nos horários mais quentes e secos, manter os ambientes ventilados, utilizar umidificadores de forma adequada e evitar contato com fumaça de cigarro, queimadas e outros poluentes.

“A baixa umidade do ar é um fenômeno sazonal esperado em nossa região, mas seus impactos podem ser significativamente reduzidos com medidas preventivas simples e com atenção especial aos grupos mais vulneráveis”, conclui a especialista.

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