Observe as duas imagens lado a lado. A da esquerda mostra o que aconteceu com a atmosfera terrestre em 1877 e a da direita é um registro do que deverá acontecer até o final do ano. Ambas retratam o Oceano Pacífico perigosamente aquecido na altura da linha do Equador. E, se eu fosse você, pararia tudo que estiver fazendo agora para tentar entender o que acontece quando as duas imagens são comparadas uma com a outra.

O El Niño de 1877 é considerado o evento climático mais mortal registrado na História moderna. Pesquisas publicadas no Journal of Climate calculam que o fenômeno tenha matado mais de 50 milhões de pessoas em todo planeta. 3% da população mundial, na época, morreu devido à fome, seca e enchentes, num efeito cascata, que começou na Índia, passou pela China e terminou no Brasil. A seca começou dois anos antes do pico daquele El Niño e persistiu por mais outros dois anos.  

O super El Niño que está a caminho em 2026  é mais feroz porque a temperatura da Terra vai subir à níveis tão elevados, como nunca se viu antes, a partir desse verão. O que está se formando no Pacífico, neste momento, é alarmante. O Centro de Previsão Climática da NOAA calcula, em até 96%, que as condições climáticas adversas, impostas pelo super El Niño, serão tão fortes que deverão durar até o final de 2027. E tudo vai começar, a partir do final do mês de maio. 

Bem mais rápido do que outros El Ninõs poderosos, como o de 1997 e, mais recentemente, de 2015. Essa observação foi feita após meteorologistas detectarem que a onda subterrânea de Kelvin, que neste momento está se movimentando à leste do Pacífico, a 300 metros da superfície marítima, está bem mais aquecida do que nos dois super eventos anteriores.

Um super El Niño é formalmente definido quando a temperatura superficial do Oceano Pacífico ultrapassa 2 °C  acima da média. As previsões atuais projetam o pico da anomalia em mais de 3°C com condições de ultrapassar 5°C na parte oriental da Terra. O super El Niño de 1997 a 1998 gerou cerca de 5,7 trilhões de dólares em perdas econômicas globais e deixou 110 milhões de pessoas em fome extrema. Na época, ele ultrapassou 3°C acima da média.

O fenômeno climático que vem por aí é algo que o planeta ainda não experimentou, e vai acontecer num Oceano que já está mais quente do que nunca. Os cientistas estão prevendo uma repetição de 1877, mas cinco vezes pior. Os números continuam aumentando a cada semana, por isso é bom ir se  preparando para o que está por vir.

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