Os conceitos de desenvolvimento e crescimento econômico frequentemente são utilizados como sinônimos no debate político, mas, conforme a ciência econômica, são conceitos distintos. O crescimento econômico é o aumento quantitativo da produção de bens e serviços medidos pelo PIB, ou seja, é o aumento da riqueza material. Já o desenvolvimento é um processo qualitativo que envolve a distribuição de renda, a elevação do bem-estar social, ou seja, é a melhoria da qualidade de vida de toda a população. Embora distintos, são conceitos complementares, pois o desenvolvimento necessita da riqueza gerada pelo crescimento, para acontecer.

No capitalismo, a expansão da riqueza nem sempre se traduz em bem-estar coletivo. O crescimento foca somente nos indicadores de produção e no faturamento das empresas, resultando no enriquecimento de grupos específicos e mantendo a maioria da sociedade em situação de vulnerabilidade. Para que haja desenvolvimento é preciso ir mais além. É preciso que esta riqueza se distribua e provoque modificações estruturais, amplie direitos e transforme a realidade social.

Da mesma forma, o conceito de desenvolvimento urbano é definido por processos qualitativos decorrentes do planejamento e da gestão das cidades, com o objetivo de organizar o espaço físico, garantir moradia, mobilidade, saneamento, emprego, renda e sustentabilidade ambiental.

A Região Metropolitana de Goiânia ilustra bem a ocorrência de crescimento econômico sem que tenha ocorrido o desenvolvimento. O aumento da riqueza local, visível no surgimento de edificações suntuosas, condomínios de luxo, lojas de marcas famosas e veículos de alto padrão é um fenômeno restrito a uma minoria privilegiada. Essa pujança toda não alcança a classe trabalhadora que reside na periferia e enfrenta rotinas exaustivas no deslocamento de casa para o trabalho.

A maioria dos habitantes das cidades, não residem nos condomínios de luxo, não fazem compras nas lojas de grifes e muito menos possuem carros possantes. Ela não participa deste “desenvolvimento”, pois este movimento é altamente excludente. Portanto, podemos afirmar que o dinamismo atual de Goiânia, impulsionado, dentre outros, pelo mercado imobiliário e de luxo, é meramente quantitativo, pois não reduz as desigualdades sociais e não altera a qualidade de vida de toda a população.

Além disso, está rápida expansão imobiliária, muitas vezes vista como sinônimo de progresso, pressiona os recursos naturais e reduz as áreas verdes, transformando Goiânia em uma das capitais mais quentes do Brasil. Esse impacto climático contradiz, diretamente, com o conceito de sustentabilidade urbana de longo prazo. O crescimento não solucionou problemas estruturais históricos como os da habitação, segurança e mobilidade.

Como polo de comércio e serviços, a região gera empregos majoritariamente de baixa qualificação e, consequentemente, baixos salários, prevalecendo a informalidade e carece de uma industrialização, de alto valor agregado, que remunere melhor a classe trabalhadora.

Alcançar o verdadeiro desenvolvimento é possível, mas exige um planejamento responsável que supere a busca imediatista pelo lucro e pela ostentação. Em 2026, ano eleitoral, teremos a chance de decidir os rumos de nossas cidades. Embora não sejam eleições municipais, mas os temas econômicos e ambientais passam, diretamente, pelo Congresso Nacional, Assembleias Legislativas e Executivos Estadual e Federal, onde as grandes políticas são debatidas e aprovadas.

A atual polarização política pode, inclusive, servir como uma oportunidade para comparar projetos: de um lado, propostas consistentes voltadas à transformação ecológica, que une crescimento econômico, inclusão social e preservação ambiental e leva ao desenvolvimento. De outro, propostas vazias que defendem a perpetuação de um crescimento excludente que amplia desigualdades e não leva ao desenvolvimento. A decisão final está com o eleitor.

Marcos Bittar Haddad é economista, Doutor em Desenvolvimento Econômico pela Unicamp e Pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles (Núcleo Goiânia). 

Marcos Bittar Haddad é Pesquisador do INCT Observatório das Metrópoles (Núcleo Goiânia) | Foto: Divulgação

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