O Cerrado perdeu 11.011 quilômetros quadrados (km²) de vegetação nativa de agosto de 2022 a julho de 2023. Isso significa 3% de aumento no desmatamento da região em comparação com o mesmo período do ano anterior, segundo dados do projeto Prodes Cerrado, que faz o monitoramento por satélite do bioma. No entanto, indo na contramão dos outros estados, em Goiás houve uma redução do desmatamento de 18% em comparação com o mesmo período do ano passado. 

As informações foram divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), vinculado ao Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI), nesta terça-feira, 28.

A secretária de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável, Andréa Vulcanis, declarou ao Jornal Opção que foram medidas estabelecidas para alcançar as metas estabelecidas. “É um reflexo das movimentações do Estado, como o Pacto pelo desmatamento zero com os empresários e o constante reforço na fiscalização”.

Conhecido como “berço das águas” por sua enorme capacidade de abastecimento, oito das 12 principais bacias hidrográficas brasileiras nascem no território do Cerrado — como as dos rios São Francisco e Paraná —,  que é o segundo maior bioma do país, atrás apenas da Amazônia.

Cenário geral do Cerrado

A maior área de vegetação nativa desmatada foi no estado do Maranhão, que registrou 2.928 km². Em seguida vem o Tocantins, com 2.233 km²; Bahia (1.971 km²) e Piauí (1.127 km²). Na contramão, os estados de Goiás (-18%); Mato Grosso(-18%); Minas Gerais (-12%) e o Piauí (-5%), conseguiram reduzir o desmatamento.

A área vem aumentando desde 2019 no Cerrado , entretanto, o percentual neste último período foi menor em comparação com os quatro anos anteriores. Entre agosto de 2021 e julho de 2022, o Cerrado perdeu 10.688 km², um resultado 25,29% superior aos 8.531 km² desmatados entre 2020/2021.

Um levantamento do MapBiomas mostrou que a maior parte da área agrícola do Brasil está no Cerrado. A vegetação nativa está sendo substituída pelo cultivo extensivo de commodities agrícolas, principalmente soja, milho, cana-de-açúcar e algodão, ou usado para extração de matérias-primas voltadas à produção industrial. O desmatamento do Cerrado é um problema ambiental que já devastou pelo menos metade da área de cobertura original do bioma brasileiro. 

Preservamos a Amazônia destruindo o Cerrado?

Enquanto o Cerrado bateu recordes de destruição nos primeiros cinco meses de 2023, o desmatamento na Amazônia caiu 31% na comparação com o mesmo período do ano passado. 

Enquanto o Código Florestal protege 80% da mata localizada em áreas privadas na Amazônia contra o desmatamento, as reservas legais cobrem apenas de 20% a 35% do Cerrado, sendo que a floresta no norte do Brasil tem quase o dobro da área da região savânica. O que é contraditório, ao levar em consideração que as duas áreas são fortemente relacionadas e dependem uma da outra para sobreviver. Isso porque os os rios da margem direita do Amazonas dependem da água do Cerrado.

Especialistas afirmam que é necessário cautela ao interpretar os dados de desmatamento em épocas de chuva, já que a alta cobertura de nuvens pode aumentar o tempo de detecção dos alertas de desmatamento.

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