“Grande Irmão”: André Mendonça cita George Orwell no pedido de afastamento do diretor-geral da PF
08 setembro 2026 às 14h34

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O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, recorreu ao clássico 1984, de George Orwell, para descrever o cenário envolvendo relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal sobre ele e o advogado-geral da União, Jorge Messias. A referência aparece na decisão que determinou, nesta terça-feira, 8, o afastamento do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
Segundo Mendonça, o episódio “mais se assemelha” à distopia de Orwell, na qual o Estado mantém uma estrutura permanente de vigilância orquestrada por um personagem chamado “O Grande Irmão”. A comparação foi feita no contexto da análise de documentos produzidos pela inteligência da PF e encaminhados ao ministro Alexandre de Moraes.
São seis relatórios, elaborados entre 3 e 31 de agosto, que tratavam da atuação de autoridades, incluindo o próprio André Mendonça e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Um dos documentos analisava a decisão de Messias de não recorrer em processos relacionados às operações Sem Desconto e Compliance Zero e levantava hipóteses sobre possíveis motivações políticas.
Mendonça questionou o conteúdo e a forma de elaboração dos documentos, que, segundo ele, não tinham assinatura, identificação formal ou numeração e apresentavam baixa confiabilidade. Também apontou que os relatórios continham informações sobre investigações sigilosas da PF.
A decisão determina ainda a abertura de investigações criminais e administrativas e suspende a produção e o compartilhamento de relatórios destinados a analisar a atuação funcional de magistrados e outras autoridades. A medida foi submetida à análise da Segunda Turma do STF e já recebeu votos favoráreis de Luiz Fux e Kássio Nunes Marques. Gilmar Mendes pediu vistas do processo e o caso pode ser levado a plenário.
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