De 500 para 200 anos: Justiça diminui pena de João de Deus
05 maio 2026 às 15h59

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A Justiça de Goiás revisou o conjunto de condenações impostas ao médium João Teixeira de Faria, conhecido como João de Deus, e reduziu de forma significativa o total das penas aplicadas. A soma, que anteriormente ultrapassava 500 anos de prisão, passou para cerca de 200 anos após reavaliação judicial.
A diminuição decorre da análise de recursos apresentados pela defesa, que questionaram critérios adotados nas sentenças. Entre os pontos considerados pela Justiça estão a revisão da dosimetria das penas, mecanismo que define o tempo de condenação — e o reconhecimento de prescrição em parte dos crimes.
João de Deus foi condenado em diversos processos por crimes de natureza sexual, como estupro de vulnerável e violação sexual mediante fraude. As denúncias envolvem dezenas de vítimas e apontam para abusos ocorridos ao longo de anos, principalmente na cidade de Abadiânia, onde o médium mantinha atendimento espiritual.
As investigações contra o líder religioso ganharam grande repercussão nacional a partir de 2018, quando vieram a público relatos de vítimas que afirmavam ter sido abusadas durante atendimentos espirituais. A partir dessas denúncias, o caso resultou em uma série de ações penais e condenações em diferentes instâncias da Justiça goiana.
Apesar da redução expressiva, o total de penas ainda é considerado elevado. João de Deus segue cumprindo prisão domiciliar, medida que já havia sido determinada anteriormente por questões de saúde e idade avançada.
As decisões recentes não anulam as condenações, mas ajustam o tempo total de cumprimento de pena conforme os parâmetros legais analisados pelo Judiciário. O caso continua sendo um dos mais emblemáticos envolvendo crimes sexuais no Brasil, tanto pelo número de vítimas quanto pela repercussão pública.
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