1º colocado teria elaborado questões e MP pede suspensão de concurso da Câmara por 90 dias
30 abril 2026 às 08h21

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O Ministério Público de Goiás (MPGO) recomendou a suspensão imediata, por 90 dias, do concurso público da Câmara Municipal de Goiânia após identificar indícios de irregularidades que podem comprometer a lisura do certame. A medida foi formalizada em documento expedido pela 78ª Promotoria de Justiça, especializada na defesa do patrimônio público.
Segundo o MP, há risco de violação aos princípios da isonomia, impessoalidade e moralidade administrativa — fundamentos que regem a administração pública. A recomendação foi encaminhada ao presidente da Câmara, com prazo de dez dias para manifestação sobre o cumprimento da medida.
Entre os principais pontos levantados estão falhas nos mecanismos de segurança durante a aplicação das provas. De acordo com as denúncias recebidas, não houve coleta de biometria dos candidatos, uso de detectores de metal ou identificação das cadeiras, além da permanência de candidatos no local mesmo após o toque de celulares — situações que, em tese, fragilizam o controle do processo.
O aspecto considerado mais grave, porém, envolve possíveis conflitos de interesse. O Ministério Público aponta que candidatos aprovados em posições de destaque possuem vínculos diretos com o Instituto responsável pela organização do concurso. Um dos casos destacados é o de um candidato aprovado em primeiro lugar, que teria atuado como bolsista da própria instituição, participando inclusive da elaboração de questões e da representação da banca em contratos. Ele também esteve presente em evento institucional poucos dias antes da realização da prova.
Além disso, o documento menciona que familiares próximos desse candidato mantêm ou mantiveram relações profissionais com a organizadora do certame, atuando em áreas como logística e fiscalização. Há ainda o registro de outros candidatos aprovados entre os primeiros colocados que também teriam algum tipo de ligação com a banca, com a Universidade Federal de Goiás (UFG) ou com a própria Câmara.
Outro ponto de atenção diz respeito à segurança da informação. O MP avalia que os mecanismos adotados — como o uso de senhas individuais para acesso a arquivos — são insuficientes para garantir o sigilo das provas, uma vez que poderiam ser facilmente compartilhados entre funcionários. Depoimentos de ex-diretoras da instituição indicam, inclusive, que gestores tinham acesso amplo a sistemas sensíveis, incluindo aqueles responsáveis pelo processamento das notas .
Diante desse cenário, o MPGO considerou necessária a suspensão cautelar do concurso para evitar prejuízos aos candidatos e ao erário, especialmente porque a homologação do resultado final estava prevista para ocorrer nas próximas semanas. O órgão também destacou que o Tribunal de Contas dos Municípios já havia recomendado a suspensão do certame, ao menos para um dos cargos, ampliando agora a preocupação para toda a seleção.
Caso a recomendação não seja acatada, o Ministério Público alertou que os gestores poderão ser responsabilizados por eventuais danos decorrentes da continuidade do concurso.
A Câmara Municipal de Goiânia ainda deve se posicionar oficialmente sobre o caso dentro do prazo estabelecido. Enquanto isso, candidatos aguardam a definição sobre o futuro do certame, que pode ser suspenso ou até anulado, a depender do desdobramento das investigações.
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