“Avançamos mais em três anos e meio do que nos 16 que me antecederam”

Prefeito de Águas Lindas afirma que promoveu revolução: reorganizou a administração, quitou dívida milionária e conseguiu mais de meio bilhão em obras

Prefeito de Águas Lindas de Goiás foi o primeiro deputado estadual eleito da cidade | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

Prefeito de Águas Lindas de Goiás foi o primeiro deputado estadual eleito da cidade | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

Alexandre Parrode

Sexta cidade mais populosa do Estado, Águas Lindas de Goiás sofria com a falta de infraestrutura básica até o começo da década. Faltava água, esgoto tratado, asfalto, atendimento básico de saúde… Uma triste realidade que aflige, até hoje, os moradores do Entorno do Distrito Federal.

Contudo, o prefeito da cidade — que fica a menos de 50 km do centro de Brasília –, Hildo do Candango (PSDB), garante que promoveu uma verdadeira revolução nos últimos três anos e meio. Apesar de reconhecer as dificuldades que ainda persistem, o neo-tucano comemora conquistas importantes em todas as áreas.

Pré-candidato à reeleição, ele relata que sua primeira gestão avançou mais em todas as áreas do que nos 16 anos de administrações anteriores. A jovem Águas Lindas tem apenas 20, mas acumulava problemas seculares. Para se ter ideia, em pleno 2012, apenas 15% da cidade tinha asfalto. Até o final do ano serão 70% de malha asfáltica, garante ele.

Esgoto e água tratada também atendiam uma pequena parcela da população. Justamente por isso há, hoje, mais de 80 mil fossas sépticas espalhadas pela cidade. Hildo do Candango garante que, com os mais de R$ 300 milhões de recursos angariados, conseguirá  resolver “em definitivo” o problema de saneamento básico.

As conquistas comemoradas pelo prefeito abrangem todas as áreas, mas ele ressalta, em visita ao Jornal Opção, a mais importante delas foi a regularização do município e ter conseguido preparar a administração para os próximos anos.

Saneamento básico sempre foi um problema no Entorno, em especial, Águas Lindas. O que o sr. fez neste sentido?
Em questão de saneamento, o consórcio firmado em 2002 entre o governo de Goiás e a Companhia de Saneamento Ambiental do Distrito Federal (Caesb) foi instituído para integrar o sistema de esgoto na cidade, só que não aconteceu até o começo de nosso governo, em 2012. Nós retomamos as negociações tanto com o DF quando com o Estado e a captação foi nossa. São R$ 120 milhões apenas para saneamento. Conseguimos desenvolver junto ao consórcio a estação de tratamento de esgoto (ETE), sete reservatórios, sendo 12 elevatórias e o complemento de 85% de rede do município.

Com relação à água, captamos junto ao governo de Goiás, mais de R$ 130 milhões. Iniciamos o projeto, licitamos, para garantir o financiamento, uma parte de R$ 6,5 milhões para a construção de um centro de reservação que está sendo finalizado no Bairro Coimbra. Com a autorização do Ibama, concluiremos a travessia para buscar água no DF e levar para o município. Vamos licitar a estação de tratamento e a captação, que vai pegar água na Barragem do Descoberto, tratar e distribuir para os centro de reservação, que serão oito.

Um conjunto de R$ 250 milhões em obras de saneamento no município.

Qual a porcentagem de cobertura de saneamento?
Vamos entregar 85% até o final de 2016. A parte de água vai levar mais um tempo porque temos que construir a estação e implantar a captação. Estamos construindo os oito centros de reservação.

Qual a previsão?
Acredito que mais dois anos será possível resolver o problema de abastecimento de água e o esgotamento.

Como era antes do sr. assumir?
Esgoto era zero, só um bairro que tinha uma estação de tratamento de esgoto compacta. Eram poços de coleta. Com relação à água, eram apenas poços artesianos. Ainda somos, mas temos, hoje, uma integração da rede, construída por nossa gestão. Entregamos o primeiro centro de reservação e estamos implantando a estação de tratamento, que depende só da licença do Ibama para dar início às obras.

Chama atenção que uma cidade tão grande, com mais de 200 mil habitantes, não tinha, em pleno 2012, esgoto e água tratada.
Eram usadas fossas sépticas, hoje temos mais de 80 mil na cidade. É bastante preocupante que tínhamos uma cidade abastecida por poços artesianos e fossas sépticas. Hoje temos uma programa no município que faz um controle da qualidade da água todas as semanas.

Com essas mudanças de saneamento básico, já se percebe melhora na saúde básica?
Será perceptível quando inaugurarmos a partir de dezembro a estação de tratamento. Assim que inaugurarmos, vamos tratar quase 80% do esgotamento da cidade, o sistema de tratamento vai destinar a água com 99% de pureza. Vamos devolver água no Córrego Paulistinha mais limpa do que a que há lá. Águas Lindas, no passado, já tivemos casos de surtos de Miningite justamente pela falta de tratamento. É importante lembrar que ainda temos problema de falta d’água na cidade nos períodos de seca em vários setores. Resolveremos em definitivo com o complexo de tratamento de água e saneamento.

Qual a maior demanda da cidade quando o sr. entrou?
Saúde. Sempre foi muito grande. Ainda existe, porque é um gargalo em todo o País. Nós conseguimos superar em mais de 54% os déficits. Tínhamos 11 postos de saúde, hoje são 18. Um aumento de 61% em quatro anos. O hospital Bom Jesus, que era mal equipado e precário, avançou muito, conta com mamógrafo, aparelhos de raio-x, plantão médico 24 horas. Acabamos com a espera de seis, sete, oito horas. A média é de 40 minutos a uma hora. Importante dizer que 20% do atendimento de nossos postos de saúde são de moradores do DF.

Sempre foi o inverso.
Sim. Ainda é. Buscamos o DF na alta complexidade, mas chama atenção que o atendimento básico da cidade tem atendido brasilienses. Em nosso hospital, atendemos até média complexidade e pequenas cirurgias. Vamos conseguir suprir a demanda quando o Hospital Regional ficar pronto.

Como estão as obras?
A obra física deve ser concluída em fevereiro de 2017, mas já temos garantia com uma emenda de bancada para equipar o hospital e a expectativa é que comece a funcionar em até outubro. Serão 130 leitos e fará parte da rede Hugo, será o Hugo 9.

Hospital de Águas Lindas de Goiás, o Hugo 9, deve ser concluído até o começo de 2017 | Foto: reprodução/ MPGO

Obras do Hospital Regional de Águas Lindas de Goiás, o Hugo 9, que deve ser concluído até o começo de 2017 | Foto: reprodução/ MPGO

Qual a preocupação dos gestores anteriores? Vemos que há muito pouco feito antes da gestão do sr.
A nossa preocupação sempre foi atender a população que é tão carente.

O sr. se assustou quando assumiu?
Já sabíamos que a situação era precária. Escolas depredadas, cidade sem saneamento, ruas sem asfalto, máquina pública inchada, gestão ruim, sem certidões e regularidade. Acompanhamos de perto como deputado. Este foi um dos motivos que nos motivou a candidatar em 2012.

Quando assumimos, herdamos uma dívida de R$ 123 milhões — que nossa gestão já quitou. O município não tinha lastro, uma certidão sequer para captar recursos. Para se ter ideia, em 2012, o Fundo de Previdência dos Servidores tinha R$ 12 milhões. Hoje, R$ 62 mi e sede própria. Dívida com o próprio fundo, com a Celg, imposto de renda, fornecedores, folha de pagamento da Saúde atrasada, várias situações que enfrentamos de forma transparente e responsável. Nós conseguimos regularizar o município.

Podemos buscar emendas parlamentares, convênios, parcerias. Antigamente, não. Resolvemos a questão da gestão e, com isso, melhoramos a própria qualidade da vida das pessoas.

O que era mais crítico?
Na Educação, avançamos em três anos e meio mais que nos 16 anos que me antecederam. Construímos 150 salas de aula, ampliamos todas as escolas e equipamos de forma adequada. Fizemos concurso para professores, assumiram 576 novos, melhoramos os índices na Prova Brasil. O investimento foi muito grande. No passado, foram construídas 216 salas de aula, só na minha gestão foram 157. Para você ver, em 16 anos, construíram apenas 216. Sem falar na qualidade.

40% da receita líquida do município, R$ 45 milhões, investimos em Educação.

Há problema de vagas de creches?
Isso é outro avanço. Quando assumi, havia uma creche na cidade, que atendia no máximo 50 crianças. A ampliamos, triplicando a capacidade, para 150, inauguramos mais duas e estamos construindo mais oito. Nossa capacidade será de 1,8 mil alunos no começo de 2017. E em tempo integral.

O que foi feito na área de infraestrutura?
Só para pavimentação, nós conseguimos captar mais de R$ 200 milhões de investimento. Em 2012, o IBGE levantou que apenas 15% da cidade era atendida com malha asfáltica. Nós entregaremos até o final do ano mais de 70% de asfalto. Veja o volume de obras. Às vezes as pessoas não acreditam, mas quem conhece Águas Lindas vê que a cidade está se transformando. Para se ter ideia, temos mais obras, hoje, que o DF inteiro.

Uma das obras que mais nos gratificam é a iluminação da BR-070, trecho Águas Lindas à Brazlândia (DF). Diminuímos as mortes na estrada em 73%, dados da Polícia Rodoviária Federal. Fizemos isso instalando postes de iluminação e radares de velocidade. Ficou tão bonita a nova iluminação que os comerciantes da via até sugeriram que seja cartão postal da cidade. Inclusive, a própria atividade econômica se desenvolveu na região.

Dentro da própria cidade, trocamos todas as lâmpadas das principais avenidas. Substituímos as antigas, que tinham menor potencial luminoso e consumiam mais, por novas, modernas e econômicas.

A iluminação é aliada à prevenção de crimes, não é?
Sim. Os índices da cidade têm caído sempre. No passado, fazíamos parte das cinco mais perigosas do Estado, já não somos mais.

Como está a questão da segurança? O Entorno, como um todo, tem taxas altas de criminalidade.
Melhorou bastante. Implantamos uma delegacia regional, o quantitativo de policiais também foi incrementado e as próprias mudanças na infraestrutura que promovemos auxiliou o trabalho da polícia.

Como?
É diferente uma viatura fazer uma perseguição em uma rua de terra e escura e em uma rua asfaltada e bem iluminada. Melhoramos a mobilidade, inclusive da polícia. Outro ponto que temos uma gestão compartilhada, então cedemos servidores municipais para trabalharem na parte administrativa, tanto da PC, quanto da PM, para que os policiais estejam nas ruas.

Captamos R$ 500 milhões para obras”

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Prefeito comemora avanços dos últimos três anos e meio | Foto: Alexandre Parrode/ Jornal Opção

Qual a receita do município?
É muito pequena. Além de pequena, inadimplente. Gira em torno de R$ 12 milhões por ano.

E o sr. conseguiu fazer tudo isso com esse orçamento?
Não. Temos algumas contrapartidas, como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), R$ 50 milhões ao ano; ICMS, R$ 6 mi/ano; e IPVA, R$ 1,8 mi. E convênios… Ao todo, captamos R$ 500 milhões.

É o timing. Quando foi liberado o PAC 2 [Programa de Aceleração do Crescimento], todos os municípios podiam captar. Eram R$ 5 bilhões para o Brasil todo. Só deste programa, nós conseguimos R$ 327 milhões. Quer dizer, tem que ver que 50% desses recursos vão para São Paulo, 15% para o Rio, outros 15% para Minas Gerais… Do que sobrou para o restante dos Estados nós conseguimos praticamente 10% do valor só para Águas Lindas.

Ao que o sr. atribui?
Projeto na hora certa, cadastro, lastro, cumprimento de exigências e timing. Os amigos nossos prefeitos da região que ficaram esperando, estão com projetos na gaveta de ministros. O governador Marconi fala uma coisa muito certa: “Papel não tem perna”. Se você esperar os projetos andarem “pelos veios naturais”, não vai acontecer, como não aconteceu para ninguém. Quando a presidenta ganhou e mudou o sistema, que a liberação deveria ser via ministérios, aí que tudo ficou mais complicado ainda.

O sr. procurou a Justiça para denunciar a situação que recebeu quando assumiu?
Todos. Entramos com todos os processos necessários para nos resguardar, em especial, porque não houve transição de governo. Recebemos a prefeitura com computadores sem HD, sem CPU, arquivos empilhados, montanhas de papel, na verdade. Temos tudo isso documentado. Tivemos que buscar ajuda de órgãos fiscalizadores, como o Tribunal de Contas do Município (TCM), a Controladoria Geral da União (CGU) o próprio Ministério Público.

Foram abertas ações?
Sim. Várias. Hoje ex-prefeitos têm bens bloqueados, investigados e condenados…

Como conseguiu montar a gestão ante ao caos que alega ter recebido?
Fomos reorganizando a situação da cidade e com projetos bem feitos, conseguimos os recursos. Uso aqui as palavras do superintendente Nacional de Convênios do Ministério das Cidades, César Scherer: “É a cidade que mais captou recursos proporcional ao número de habitantes”.

O sr. acredita que a população consegue perceber os avanços?
Sabemos que o cenário nacional não é positivo, muitas vezes acabamos assumindo os desgastes. Porque, quem está mais próximo à população? O presidente? O governador? Não. O prefeito e os vereadores. A vida acontece na cidade, então, a própria situação de instabilidade nos afeta. Contudo, felizmente, sabemos que nossa aceitação é muito boa.

Sempre ando nas ruas e, há um ano, pessoas me questionavam “prefeito, cadê isso?”, “prefeito, e aquilo?”. Hoje é diferente, mais carinhoso, “ô, meu prefeito”. A cidade ganha com nosso governo, não é egoísmo, mas é a realidade. Com outros, não consigo ver o mesmo.

Digo isso como morador, comerciante, que mora ali há 20 anos. Gosto da minha cidade e não gostaria de vê-la administrada como os outros que se apresentam aí. Seria um retrocesso. Eles não têm proposta, fazem discursos bravateiros… Não podem nem dizer que são moradores de Águas Lindas. O que tentam fazer é desconstrução mentirosa e vaga.

Qual o projeto do sr. para os próximos quatro anos, caso seja reeleito?
Estamos preparando a cidade para a população. Águas lindas ainda é uma cidade dormitório, como todas do Entorno, como todas da região Metropolitana de Goiânia são, queremos melhorar a qualidade de vida das pessoas. Queremos dar mais oportunidades dentro da cidade, isso é fundamental. Para que isso aconteça, é preciso que haja água, saneamento básico e energia. Nenhuma empresa vai investir sem isso. A partir desses eixos, podemos desenvolver projetos em parceria com o governo do Estado.

Há um estigma contra o Entorno dentro do Distrito Federal, como se fosse um “peso” a ser carregado. Como superar isso? Falta engajamento dos governos para desenvolver a região socialmente?
Essa é a proposta da Ride [Região Integrada de Desenvolvimento do Distrito Federal e Entorno], justamente construir sistema de integração envolvendo todas as cidades e o DF. Só que não existe. Não há gestão financeira, é muito mais um programa de orientação. Sem orçamento, o DF se retrai, por achar que não é responsabilidade do governo distrital ter tal compromisso; e acaba que fica só nas costas do governo de Goiás. Hoje, para moradores de Águas Lindas, Novo Gama, Valparaíso, por exemplo, não há “fronteira”. Você sai de Goiás e entra no DF sem saber que entrou no DF.

Só que existem duas realidades: a maior renda per capita do Brasil está no Distrito Federal; ao passo que várias cidades do Entorno estão na lista das com mais pessoas em situação de vulnerabilidade social. Os governadores que já passaram pelo DF não perceberam que é preciso integração. Acredito que esse que está lá [Rodrigo Rollemberg, do PSB] também não tem essa visão.

O slogan dele é “governo de Brasília”, né? Não é Distrito Federal. É só Brasília.
Governar só o Plano… É muito fácil.

Um problema grave é o transporte na região que também é fruto dessa falta de integração, não é?
A questão do transporte é uma coisa que vimos brigando desde o início do mandato, entramos na Justiça contra a ANTT [Agência Nacional de Transportes Terrestres], contra empresas de transporte, porque, o que queríamos, buscar para nós — prefeitura — a fiscalização da operação do transporte para Brasília. Mas não conseguimos, nosso projeto de lei aprovado na Câmara foi considerado inconstitucional. Então, estamos limitados. O que fazemos é cobrar investimento, reavaliação no preço da passagem, mas foge da nossa alçada.

 

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