Paulo Vitor Avelar: “Os municípios podem fazer um antes e um depois de Ronaldo e Daniel. Todos os programas do governo foram feitos em parceria com as prefeituras”
25 julho 2026 às 21h00

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Por anos antagonistas, a Federação Goiana dos Municípios (FGM) e a Associação Goiana dos Municípios (AGM) passaram a desenvolver um trabalho integrado em prol das cidades goianas e ganharam novo fôlego ao serem comandadas por figuras mais jovens da política estadual. A AGM é presidida por Zé Délio (União), prefeito de Hidrolândia, enquanto a FGM está sob a gestão de Paulo Vitor Avelar, prefeito de Jaraguá.
Paulo Vitor, inclusive, chegou ao comando do Executivo municipal em 2020, quando foi eleito com 45,59% dos votos válidos (10.499 votos). Sua gestão foi marcada por alta aprovação, superior a 90%. Iniciou o mandato com o apoio de sete vereadores e consolidou sua base política ao conquistar o respaldo de 12 dos 13 parlamentares da Câmara Municipal. Nas eleições de 2024, foi reeleito pelo União Brasil com uma vitória expressiva, obtendo 83,13% dos votos válidos (20.622 votos). Além disso, fez história ao eleger 100% da bancada de seu grupo político para a Câmara Municipal.
Paulo Vitor conta que a aproximação entre as duas entidades teve início durante a gestão de Ronaldo Caiado no Governo de Goiás, quando o então governador entendeu que ambas deveriam atuar de forma conjunta para fortalecer a solução das demandas dos municípios e que passaram a ganhar mais espaço dentro das elaboração das políticas públicas. A sintonia permaneceu na gestão de Daniel Vilela. Tanto que Jaraguá foi a primeira cidade a receber o Pra Frente Goiás, evento promovido pela base governista que percorreu todas as regiões do Estado para ouvir as principais demandas dos municípios e contribuir para a elaboração do plano de governo dos candidatos.
Além disso, Paulo Vitor, que é formado em Comunicação Social e pós-graduado em Gestão Pública, foi convidado para integrar a coordenação da campanha de Gracinha Caiado, que busca uma vaga no Senado.
Em entrevista ao Jornal Opção, Paulo Vitor explica como serão os trabalhos da campanha, aponta os programas estaduais que, segundo ele, mais contribuíram para o desenvolvimento dos municípios goianos e analisa o conjunto de fatores que levou a base governista a reunir o apoio de 222 prefeitos ao projeto de Daniel Vilela para o Governo de Goiás. Na avaliação do prefeito, o vice-governador está plenamente preparado para comandar o Palácio das Esmeraldas pelos próximos quatro anos. Paulo Vitor também comenta a pré-candidatura de Ronaldo Caiado à Presidência da República e defende que o governador representa uma alternativa à polarização política nacional.
Ton Paulo – Hoje, o senhor está como prefeito de Jaraguá e, também, presidente da Federação Goiana dos Municípios (FGM). Como estão sendo os trabalhos para a coordenação da campanha de Gracinha Caiado para o Senado? O senhor vai precisar se licenciar?
O ex-governador Ronaldo Caiado (PSD) e o governador Daniel Vilela (MDB) pediram que eu e o Zé Délio, da Associação Goiana dos Municípios, fizéssemos essa ponte. Porque, por muitos anos, a FGM e a AGM sempre foram antagonistas. Uma era o escudo e a outra, o chicote do governador. Ronaldo Caiado começou a trabalhar a forma de atender os municípios de maneira igualitária.
Se você pegar o que foi feito durante os sete anos e três meses em que ele esteve à frente do governo, vai notar que não se repetiu o que aconteceu no tempo em que estive na Prefeitura, quando éramos oposição ao governo e o brinquedo doado pela Organização das Voluntárias de Goiás (OVG) era entregue na casa do deputado, em vez de ser entregue na sede do Executivo Municipal.
Ronaldo nunca fez isso, independentemente do partido ao qual o prefeito era filiado. Ele sempre foi igualitário e isso facilitou muito essa união. Haroldo Naves e Carlão da Fox também contribuíram muito para isso, e Zé Délio e eu fomos eleitos com o propósito de consolidar essa aliança. Até mesmo porque somos de perfis bem diferentes: eu sou mais de bastidor e o Zé Délio é mais de frente de trabalho. Além disso, ele conta com uma proximidade maior com Goiânia. Ele gasta uns 20 minutos para vir a uma reunião; eu já gasto uma hora e meia. Por causa disso, eu tive que organizar a minha agenda.

Desse modo, segunda e terça eu fico em Jaraguá, atendendo secretários, vereadores e a população. Quarta, geralmente, eu tento fazer alguma coisa, visitar uma obra, e venho à tarde para Goiânia. Quinta, eu sempre estou na FGM atendendo às demandas, e temos recebido uma retórica muito positiva dessa união.
E eu só consegui isso porque tenho um vice que é um grande parceiro, já foi meu secretário de Finanças e é uma pessoa em quem tenho total confiança. Estando na FGM, eu não consigo, durante os 40 dias de campanha, estar presente tanto em Jaraguá quanto na campanha, porque acaba que você faz as coisas malfeitas. Então, eu fiz esse combinado com o vice-prefeito para que ele ficasse na prefeitura durante esse período de campanha. Não foi combinado com ninguém. O governador pediu para a gente estar mais presente, e nós temos esse compromisso de estar com a dona Gracinha e com o Daniel onde eles estiverem, 24 horas por dia.
Ton Paulo – Neste período em que ele estiver à frente, você vai focar na campanha?
Ainda não temos uma programação e já adianto que não há uma metodologia de campanha. Tudo é construído com o passar do tempo. Estamos esperando começar, porque vou ter noção do que realmente vão pedir para nós: se iremos acompanhá-los, se vamos ficar nos escritórios ou se vamos fazer esse meio de campo com os prefeitos e as lideranças políticas. Campanha não é estática, ela vai sendo construída de acordo com que foi desenhado, por exemplo, para uma semana, está dando ou resultado ou não.
João Paulo Alexandre – Dia 5 de agosto é a data marcada para as convenções dos partidos da base governista. Passada essa data, quando de fato começa o período eleitoral, o que podemos esperar dali para frente?
Nós vamos trabalhar em cima da ordem que nos for dada, levando em consideração o jeito que Daniel Vilela tem conduzido as parcerias, mantendo esse diálogo com os prefeitos e com as lideranças. Vamos fazer campanha como se estivéssemos 20 pontos atrás, com foco em vencer no primeiro turno.
Será uma campanha de rua com quatro frentes: a primeira-dama, Iara Vilela, de um lado; dona Gracinha, de outro; Daniel em uma frente; e os demais candidatos ao Senado em outra. Além disso, vamos analisar se será necessário criar uma frente de prefeitos para conversar com as lideranças. O trabalho será intenso.
Ton Paulo – Qual parte específica da campanha Iara Vilela vai cuidar?
Ela é chefe do Goiás Social. É um papel importante. Ela é extremamente educada, advogada e uma pessoa mais reservada, mas que, nesses três meses à frente do governo, tem demonstrado uma sensibilidade e uma vontade de participar impressionantes.
Ela já fez a campanha do Daniel Vilela em 2018, participou conosco em 2022 e está totalmente preparada para assumir uma frente com as primeiras-damas e dialogar com elas. Além disso, tem ampliado as ações do Goiás Social. Tenho certeza de que será uma excelente primeira-dama e vai conseguir abraçar esse papel de mãe que Gracinha desempenhou. As pessoas gostam desse papel, ainda mais em um estado de direita, em que essa mística cristã e a importância da família são muito presentes. Esse papel da mãe, refletido na figura da primeira-dama, é importante nessa jornada.
Ton Paulo – Ainda falando sobre o Senado, há uma impressão de que está havendo algum tipo de pressão para que haja um afunilamento entre os nomes da base. Atualmente, além de Gracinha, ainda temos Vanderlan Cardoso (PSD), Gustavo Mendanha (PRD) e Zacharias Calil (MDB). Alexandre Baldy (PP) voltou atrás e aceitou ser suplente da ex-primeira-dama, e o irmão dele, o secretário Joel Sant’Anna, até fez uma afirmação chamativa de que, se não houver mais recuos, os três vão perder. Como você avalia isso? Você concorda que mais nomes devem recuar?
Eu acho que é uma fala muito desnecessária. Eu analiso política com o estômago e com a mente, não com o coração. O nosso principal foco é a continuidade do trabalho que Ronaldo Caiado conseguiu fazer no Estado nesses sete anos e três meses. Os avanços só existem com uma continuidade segura e responsável, e Daniel Vilela está preparadíssimo para dar sequência a isso.
Tivemos exemplos na Bahia e em Pernambuco, que mostraram que a definição das chapas é algo muito corajoso, porque vimos personagens querendo mais protagonismo do que outros, com esvaziamento de nomes que migraram para outras coligações e que isso está refletindo muito nas pesquisas. Quem estava à frente nos números agora está tecnicamente empatado com outros adversários, por exemplo.
Campanha não é estática, ela vai sendo construída de acordo com que foi desenhado, por exemplo, para uma semana, está dando ou resultado ou não.
Em 2022, Ronaldo Caiado foi muito criticado por abrir a coligação para as candidaturas de Vilmar Rocha (PSD), Delegado Waldir (União) e Alexandre Baldy (PP). Na ocasião, Marconi Perillo (PSDB) era, disparado, o favorito em todas as pesquisas. Ronaldo Caiado montou uma coligação assustadoramente ampla, com praticamente todos os partidos da composição, deixando o PL sozinho e o PSDB sozinho. Mas houve um forte movimento da base bolsonarista, que foi aquele “vota 22”, e que ajudou Wilder Morais a ser eleito senador. Ainda assim, ganhamos o governo de Goiás no primeiro turno. O nosso objetivo maior era essa eleição.
João Paulo Alexandre – Mas, quando era discutido um acordo com o PL lá atrás, o intuito era formar uma base fechada com apenas dois nomes para o Senado: o de Gracinha Caiado e o de Gustavo Gayer. O acordo com a legenda não vingou e surgiram mais nomes. Essa quantidade de candidatos não pode dificultar a vitória de outro nome da própria base? Vale ressaltar que até Gracinha Caiado era favorável a ter apenas dois nomes…
Sim, ela nunca escondeu isso, e a maioria era favorável, porque, com a base fechada em dois nomes, nós teríamos melhores condições de elegê-los. Gracinha é a favorita pelo trabalho e pela visibilidade que teve durante os sete anos à frente de todos os programas sociais. Prestou um excelente serviço e foi uma primeira-dama à qual o marido deu autonomia para sair da OVG e atuar à frente de todas as outras secretarias.
Mas temos Zacharias Calil, que é uma pessoa conhecida internacionalmente. Você não o vê caçando polêmicas e, se abrir qualquer pesquisa na Região Metropolitana, ele aparece com 10, 14, 15 pontos. Gustavo Mendanha também é um candidato fortalecido, com uma votação expressiva aqui na Grande Goiânia. Vanderlan Cardoso fez um trabalho extraordinário nos municípios. Toda ação com a qual ele se comprometeu junto aos prefeitos foi cumprida, e isso tem sido amplamente discutido.
Mas eu acho — e estou falando por mim, não sou menino de recado de ninguém — que a pessoa que ficou mais contrariada com a inexistência do acordo entre a base e o PL foi Gustavo Gayer, porque ele teria o segundo voto garantido caso essa aliança tivesse sido firmada.
Ton Paulo – Mas o Gustavo Gayer ainda continua pontuando muito bem…
Ele está pontuando porque a direita vai pontuar. Ao meu ver, o Wilder Morais não faz campanha e está deitado nesse berço esplêndido porque acha que tem a garantia de que, na hora em que Flávio Bolsonaro for consolidado como candidato pelo PL, ele pode ser alçado ao segundo turno. Não sei se isso vai acontecer.
Hoje nós temos inúmeras pesquisas qualitativas, quantitativas e tracks que nos mostram que ainda não é possível dizer se as pessoas vão ligar essa questão presidencial à disputa pelo governo, porque Ronaldo Caiado também é de direita e estará na campanha. Esse cenário ainda tem sido uma incógnita.

As eleições para o Senado já nos proporcionaram surpresas fantásticas ao longo da história. Iris, naquela vez, perdeu para Lúcia Vânia por 5 mil votos porque não largou da mão do Mauro Miranda, por fidelidade partidária. Demóstenes Torres virou o segundo voto do então PMDB e do PSDB e, quando as urnas foram abertas, tinha um milhão de votos. Lúcia ganhou de Iris por 5 mil votos, e Iris era o favorito, com 70% das intenções de voto.
Nós temos que tomar muito cuidado com essa eleição. Por isso, estamos mudando a rota da Gracinha, visitando as lideranças, conversando com os vereadores e voltando às cidades para mostrar o que foi feito. Ronaldo Caiado ainda não entrou na campanha, mas nós temos que trabalhar isso, porque manter o voto, às vezes, é mais difícil do que conquistá-lo.
Ton Paulo – E, mesmo com esse projeto para o Palácio do Planalto, Ronaldo Caiado vai conseguir entrar nas campanhas da Gracinha e do Daniel?
Hoje, com o digital, é muito tranquilo. Se Ronaldo Caiado vier uma vez por semana aqui em Goiás, participar de uma carreata, de uma gravação ou de alguma ação para nós, já é maravilhoso, porque ele é um governador aprovado por 86% da população.
Vou fazer uma retrospectiva. Em 1986, Iris Rezende, com 90% de aprovação, elegeu Henrique Santillo. Depois, eles brigaram, e Iris voltou e ganhou a eleição de Henrique. Em 1994, Iris, com 60% de aprovação, pegou Maguito Vilela, com 40 anos, e venceu Lúcia Vânia e Ronaldo Caiado juntos. Em 1998, houve o equívoco daquela chapa, porque, se Maguito tivesse sido o candidato ao governo, Marconi não teria existido.
Tanto que Maguito foi, acho, o senador mais votado daquela eleição proporcional. Até hoje, acho que ninguém superou essa votação. Em 2006, Marconi, com 54% de aprovação, elegeu Alcides Rodrigues. Agora, pense bem: conseguiu eleger Alcides Rodrigues, que tem uma história muito bonita na política, mas era uma pessoa mais reservada.
Será uma campanha de rua com quatro frentes: a primeira-dama, Iara Vilela, de um lado; dona Gracinha, de outro; Daniel em uma frente; e os demais candidatos ao Senado em outra
Daniel Vilela, além da fisionomia, é preparado, educado e estudado. Nasceu dentro do Palácio. A mãe dele, Sandra, foi uma das primeiras-damas de maior destaque da época. Ficou três anos e meio como vice-governador e não exerceu um papel de stand-by; pelo contrário, sempre foi participativo dentro do governo. É uma pessoa que sabe dar entrevista em qualquer situação adversa, sabe participar de um debate e sabe sair de qualquer situação. Então, além de termos Ronaldo com essa aprovação, temos um excelente candidato de rua. Temos um produto muito bom para apresentar à população: alguém extremamente confiável, testado e aprovado.
João Paulo Alexandre – Mas, pegando o exemplo que você trouxe, o cenário daquela época era diferente do atual. Não existia o bolsonarismo, que é muito expressivo em Goiás. Marconi Perillo, por mais desgastes que tenha sofrido nos últimos anos, ainda tem um legado a apresentar. Há pessoas que encontramos na rua que ainda dizem não conhecer Daniel Vilela. Como vocês estão trabalhando essa soma de fatores para fazer com que ele vença no primeiro turno ou, em um eventual segundo turno, não tenha tanta dificuldade?
Eu sou publicitário de marketing eleitoral. Entrei na prefeitura igual Pilatos entrou no Credo, foi um “gostoso acidente” (risos). É um presente governar a minha cidade. Fui convidado por Ronaldo Caiado após o candidato que era previsto desistir, fui aceito pelo grupo, mas eu sou e sempre fui de bastidor.
Na comunicação, quando você lê e analisa uma pesquisa, é muito pior ter 30% de rejeição e 2% de aceitação. Porque, na matemática da ciência política, se a pessoa não conhece, ela não rejeita e pode passar a conhecer e votar. Mas, se conhece e rejeita, não vota. A rejeição é praticamente imutável. Já o conhecimento permite transformar esse cenário.
Estamos vendo diversas notícias de que as articulações de Daniel Vilela lhe garantiram 50% do tempo de TV e rádio nas inserções. Isso já é um trabalho de bastidor, porque ainda não temos Ronaldo Caiado dizendo, nesses programas, que Daniel é “meu candidato”, “meu sucessor”, “esteve ao meu lado”, “fez tudo comigo”, “confie nele”, “vote nele”, porque ainda não pode falar.
Dos 246 prefeitos, temos 222 chefes do Executivo municipal que farão comitês, pedidos nas rádios e mobilização política. Foi esse exército que fez Marconi Perillo ficar 20 anos no poder, que fez o MDB permanecer 16 anos no governo e que fez o PT comandar a Prefeitura de Goiânia durante o período em que esteve à frente da administração.
Quando, em 2022, Marconi Perillo retirou a candidatura ao governo para disputar o Senado, foi porque já não tinha mais um exército para colocar na rua, pois ainda carregava a marca das operações. Tanto que achei muito inteligente essa volta do Marconi. Ele não é uma pessoa boba. Foi governador por 20 anos, senador e presidente nacional do PSDB.
Nesta eleição, ele consegue lavar a própria imagem. Busca fazer o que Iris Rezende fez em 1998, quando saiu muito machucado pelos casos da Caixego e da Astro Gráfica, voltou de forma humilde, se recolocou no cenário político, recuperou a imagem, retornou como prefeito de Goiânia e encerrou a carreira política por cima, como um grande administrador e, até hoje, um dos políticos mais elogiados de Goiás.
Acho que o pessoal do PL julgou que a entrada da Ana Paula Rezende seria a bala de prata, mas acredito que a resposta foi o contrário
Nós vamos ter esse tempo e, hoje, com o advento das plataformas digitais, teremos essa facilidade de fazer com que o eleitor que ainda não conhece Daniel passe a conhecê-lo e entenda por que Ronaldo o escolheu: pelo preparo, por tudo o que ele fez e por tudo de que participou.
Daniel não é apenas a pessoa que fala inglês, que estudou nos melhores colégios ou que teve um pai governador. Ele foi vereador, deputado estadual, deputado federal, presidente da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados, tem relacionamento com os Poderes, viu o pai ser prefeito, acompanhou de perto aqueles oito anos e ficou quatro anos ao lado de Ronaldo Caiado no Palácio. Então, se hoje existe uma pessoa mais preparada do que Daniel, eu desconfio.
O Wilder está com essa história de “eu era pobre e fiquei rico com o meu trabalho”. É uma estratégia de marketing. Se vai funcionar, eu não sei. A história é bonita, mas não sei se as pessoas entram nessa narrativa e se é isso que elas querem. Agora, o Marconi, em qualquer cidade a que vá, pode chegar e apontar o que fez pelo município. Da mesma forma, nós estamos fazendo com Daniel, mostrando os feitos que o pai dele também realizou nos municípios.
Ton Paulo – Mas Marconi Perillo é o mais rejeitado entre os nomes apresentados. A que você atribui isso?
Porque a geração dos últimos 30 anos, que hoje representa a maior parte do eleitorado, já não se lembra do governo Marconi. O grande auge foi de 1998 a 2002. Nos mandatos seguintes, começaram aquele sistema de propaganda e as disputas internas. Eles seguraram o Carlos Maranhão, que era um grande estrategista, mas Marconi começou a acumular rejeição e a brigar dentro do próprio grupo. Tanto que ele se manteve até 2018, mas já machucado, esfacelado.
Mas reforço: ele tem serviço prestado. Pode chegar a qualquer lugar e apontar o que foi feito durante a gestão dele.
Agora, o PL fechou com a filha achando que o legado é de uma pessoa, mas o legado é de um grupo. Não sei se foi a síndrome da família real, mas eu não represento uma história apenas pelo fato de ser filho de alguém ou porque tenho o mesmo sangue. Ela tem legitimidade para se impor porque é herdeira, mas não pode dizer que vai arrastar todo mundo.
Então, acho que o pessoal do PL julgou que a entrada da Ana Paula Rezende seria a bala de prata, mas acredito que a resposta foi o contrário. Hoje, Wilder não tem como chamar ninguém para compor a chapa, porque ela já está totalmente fechada: governador, vice, candidatos ao Senado e suplências já estão definidos. A única pessoa que ainda tem condições de chamar um partido para fazer parte da chapa é Marconi, porque a nossa também já está completa.
Ton Paulo – Já que a chapa está cheia, então quem será o vice de Daniel Vilela? Você tem simpatia por algum nome?
Tenho por todos. Mas eu não tenho voto na escolha do vice. Nem eu, nem Zé Délio, nem ninguém. Essa é uma decisão de Ronaldo e Daniel. Eu sei que encomendaram pesquisas de todo tipo e de todas as metodologias que você pode calcular, mas não tive acesso a elas e nem sei se já estão prontas. Só sei que elas existem. Essas informações serão cruzadas para chegar a um denominador comum.
Mas ninguém faz política por fazer. Você tem José Mário Schreiner (PSD), que é vice-presidente da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), presidente da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg) e tem abertura nos sindicatos rurais de todo o Estado. Tem Luiz do Carmo (PSD), que foi suplente de senador e foi extremamente respeitoso com Ronaldo Caiado, parceiro, sem fazer nenhum tipo de contragolpe.

Além disso, conta com a força do bispo Oídes do Carmo, que tem um respeito gigantesco entre as lideranças evangélicas.
Tem também Bruno Peixoto que, mesmo não sendo do PSD, desenvolve um trabalho fabuloso com o programa Deputados Aqui, por meio do qual transita bem por todas as cidades e mantém diálogo com diversas lideranças.
Ton Paulo – Você não citou Adriano da Rocha Lima, e ele é um dos nomes ventilados. O que acha dele?
O Adriano é uma situação que eu considero até um pouco adversa, porque seria uma opção pessoal do Ronaldo Caiado. Ele não é político, e eu acharia que isso seria um desprestígio aos políticos, porque o Adriano é técnico, uma pessoa extremamente técnica. Foi um excelente secretário, um excelente chefe-geral de Governo. É uma pessoa de bastidor.
Ele seria uma escolha pessoal do governador. Meu amigo, não tenho nada contra. Trabalhamos juntos como secretários durante dois anos e ele fez um excelente trabalho. Mas eu acho que política é para político.
Você tem três nomes, como Bruno, José Mário e Luiz, que teriam um exército, que teriam condições de dar um plus na campanha do Daniel, de somar, de mobilizar seus segmentos e fazer a campanha acontecer. Na minha avaliação, essa seria uma troca que eu não faria.
Ton Paulo – Há algumas análises que apontam que a escolha do vice virou uma disputa entre os evangélicos e o agronegócio. Você concorda com isso?
Eu participei da primeira conversa. Ronaldo Caiado é muito pragmático. Quem trabalhou com ele sabe que ele não enrola.
Com exceção do Bruno, todo mundo está no PSD. Coloco o Bruno aqui porque ele faz parte do mesmo grupo político e, se não for vice-governador, será o deputado federal mais votado pelo trabalho que tem feito.
Mas, como dizia Pedro Ludovico: “Não existe nem passado nem futuro. O que se conjuga é o presente.” Hoje, seria isso. Tanto José Mário quanto Luiz do Carmo estão preparados para a escolha, assim como o Bruno.
Nós não estamos mais naquela fase do “vou magoar alguém, pegue seu banquinho e saia de mansinho”. Estamos em um grau de maturidade muito grande. Acho que as pesquisas qualitativas vão apontar o caminho e avalio que a escolha deve ficar entre esses três.
Eu não tenho voto na escolha do vice. Nem eu, nem Zé Délio, nem ninguém. Essa é uma decisão de Ronaldo e Daniel.
Pode haver surpresa? Claro que pode. Convenção é algo imprevisível. Já vi candidato entrar em uma convenção e sair dela no mesmo dia. Às vezes, a convenção está praticamente pronta, faltando 15 minutos para ser encerrada, acontece um atrito e muda tudo.
A única que não teve problema foi a de Ronaldo Caiado, em 2022, quando ele anunciou Daniel com um ano de antecedência.
Ton Paulo – Obviamente, estando na campanha de Gracinha Caiado, uma das cadeiras será para ela. Mas quem você acha que deve ser o segundo nome?
Gosto demais do Zacharias, porque acho que ele é um orgulho para Goiás. Foi um deputado federal atuante, respeitoso e apresentou projetos de extrema capacidade técnica. Acho que ele não vacilou, não teve derrapadas e foi muito coerente com a postura que adotou. Seria um grande senador da República. Mas não é uma pessoa próxima de mim.
Aprendi a gostar do Gustavo (Mendanha) depois da eleição de 2022, quando nos aproximamos. Na eleição de Leandro Vilela, em 2024, Ronaldo me pediu para vir a Aparecida para ajudá-lo e vi que ele é um cara muito articulador, inteligente e que tem um futuro muito promissor pela frente. Vejo que, mais cedo ou mais tarde, ele acaba chegando ao governo. Além disso, o suplente dele é um dos meus melhores amigos, o Carlos Filho, de Goianésia.
Mas há uma situação: vários prefeitos estavam desesperados porque Vanderlan foi muito correto com muitos deles. Tudo o que foi combinado foi cumprido, e a equipe dele também é muito boa.
Eu acho que os municípios podem fazer um antes e um depois de Ronaldo e Daniel. Todos os programas do governo foram feitos em parceria com as prefeituras. Isso nunca existiu
Isso também aconteceu com Alexandre Baldy. Ele é uma das pessoas mais bem relacionadas do Brasil e ajudou muita gente, não apenas na Agehab, mas também pelo bom trânsito que tem em Brasília. Quando conseguimos firmar a aliança entre Gracinha e Baldy, o Zé Délio e eu recebemos inúmeras manifestações de prefeitos que estavam aliviados, porque estavam divididos e com receio de parecerem ingratos.
Então, na minha visão, pelo trabalho que desenvolvo com os prefeitos, a maioria deles deve apoiar Vanderlan como segundo nome, em razão da gratidão e do trabalho que ele realizou no Senado.
Mas Zé Délio e eu vamos manter uma posição de neutralidade, até porque esse foi um pedido da dona Gracinha, para que não contaminássemos as decisões nem provocássemos qualquer tipo de ciúme. O que estou dizendo é fruto da leitura que faço do cenário junto aos prefeitos.
João Paulo Alexandre – Sobre o projeto de Ronaldo Caiado para a Presidência. Em algumas pesquisas, nós vemos o ex-governador oscilando bastante, mas sempre dentro da faixa de 3% a 5%, a depender do levantamento. Os números melhoram nos cenários de segundo turno. Caiado pode chegar até lá?
Nós estamos muito cansados desses dois polos. Estamos andando em círculos, como Moisés no deserto. Se o PT ganhar de novo, vai querer se vingar do grupo de Jair Bolsonaro; se o grupo de Bolsonaro ganhar, vai querer se vingar do PT. E vai ficar nisso.
Eu confio muito no Ronaldo Caiado. Ele é o mais preparado, o mais capacitado. Se as pessoas tiverem acesso às informações após as convenções, quando ele se tornar oficialmente candidato e passar a ter uma cobertura maior, podendo conceder mais entrevistas, vejo que elas vão perceber que existe vida inteligente fora dessa polarização.
Além disso, ele está muito preparado para os debates. Está com uma disposição que, quando você conversa com ele, já sai querendo pedir emprego em algum ministério (risos). Ele não deixa você duvidar do projeto dele.
João Paulo Alexandre – Assim como vemos em Goiás, a escolha do vice tem como objetivo somar. No caso de Caiado, que busca se tornar mais conhecido nacionalmente, ele optou por não trazer uma pessoa de regiões onde ainda não possui tanta capilaridade eleitoral e escolheu Kassab como vice, formando uma chapa pura do PSD. Essa escolha foi assertiva?
Quem conseguiu fazer um partido nanico se tornar o maior do Brasil? Gilberto Kassab. Para que eu escolheria alguém de uma determinada região, se posso ter uma pessoa que vai ajudar a conquistar espaço no Brasil inteiro, que conversa com governadores e tem articulação nacional?
Eduardo Leite perdeu para Ronaldo Caiado e ainda assim o convidou para a convenção dele. O prefeito de Salvador, Bruno Reis, também fez esse convite. Raquel Lyra já disse que vai conversar com Kassab antes de declarar apoio para presidente. Então, eu acho que a escolha de Kassab foi a mais inteligente possível.
João Paulo Alexandre – Mas por que dentro do partido não há uma unidade entre os prefeitos para apoiá-lo? Um exemplo é Eduardo Paes, no Rio de Janeiro, que já disse que vai apoiar a reeleição de Lula da Silva…
O Eduardo Paes está em uma cidade onde o candidato à Presidência é de lá e onde existe um antagonismo muito forte: ou você é lulista ou você é bolsonarista. O Rio é um caldeirão fervente.
Lula e Eduardo são corda e caçamba. Ele foi muito gentil com Ronaldo Caiado, eles já se encontraram, mas hoje é tempo de eleição. O PSD se tornou o maior partido do Brasil pela capacidade de Gilberto Kassab de dialogar. Por que vou brigar com um nome, sendo que posso precisar dele no segundo turno? E o restante do partido?
Kassab é doutor honoris causa nisso. Quando entrou na chapa, mostrou que a candidatura é para valer e que não tem volta. Ele não colocaria o nome dele à disposição simplesmente por um jogo político.

Kassab é um avião. Derrotou o PSDB em São Paulo, ajudou a eleger Tarcísio de Freitas governador e derrotou os prefeitos do PT.
Reafirmo: a escolha dele foi extremamente inteligente. Quando entra na chapa, ele diz ao Ronaldo: “Estamos juntos”. Está oferecendo a melhor estrutura para Ronaldo, com os melhores profissionais de marketing, comunicação, logística e organização. Isso demonstra que ele está presente e que não se trata de um apoio vazio.
Eu estou muito otimista com isso e confesso que fico triste quando vejo pessoas de Goiás cogitando a possibilidade de que ele não vai ganhar. A pessoa precisa acreditar. Eu me questiono como alguém pode deixar de votar em uma pessoa em quem acreditou, que foi testada, deu certo e foi aprovada, por causa dessa justificativa.
Ton Paulo – Quero a sua visão agora enquanto estrategista político: União Brasil e PP declararam neutralidade e acabaram com a expectativa de Flávio Bolsonaro de selar um acordo com eles. Você vê que isso ocorre pelo receio do que ele ainda pode enfrentar diante dos recentes escândalos que vieram à tona?
Nós assistimos à Operação Lava Jato, que começou igual àquela roupa de crochê, em que vimos a linha ser puxada e, quando percebemos, a roupa já estava toda desfeita. Governadores, ministros e até um presidente foram derrubados. Nunca tínhamos visto aquilo na história do país.
Agora, eu vejo que o Brasil está com medo dessa questão do Banco Master. Quando viajamos para Brasília ou São Paulo, sentamos com políticos e o assunto vem à tona, todo mundo fica constrangido, porque ninguém sabe o que vai acontecer no dia seguinte nem quem será o próximo personagem.
Essa decisão do PP e do União Brasil foi para não ficar na linha de tiro. Os partidos buscam eleger deputados federais para manter o fundo partidário.
João Paulo Alexandre – A relação entre o governo e as prefeituras melhorou muito, mas sabemos que, mesmo assim, até as cidades em melhores condições sofrem com suas demandas. Quais têm sido os maiores gargalos que você tem escutado nas suas andanças?
Eu acho que os municípios podem fazer um antes e um depois de Ronaldo e Daniel. Todos os programas do governo foram feitos em parceria com as prefeituras. Isso nunca existiu. Eu fui chefe de gabinete do prefeito durante oito anos, com Marconi governador e nós sendo oposição. Nós não podíamos nem sentar no banco da missa onde ele sentava. Era uma situação meio trash.
O atendimento não levou em consideração o partido do prefeito. Independentemente da legenda, todo mundo que tinha a documentação, fazia o cadastro e encaminhava o ofício era atendido. O Goiás em Movimento, que levou a construção de pontes e o asfaltamento para dentro dos municípios, foi uma das nossas maiores conquistas. Isso porque, dos 246 municípios, temos apenas cerca de 20 cidades financeiramente independentes. Não passa disso.
Vou dar o exemplo de Jaraguá. Com os recursos que eu tinha, conseguia pagar a folha e realizar a limpeza urbana. Todos os investimentos vieram por meio de emendas, parcerias e convênios com os governos estadual e federal. Hoje, nós dependemos das emendas impositivas dos senadores e dos deputados estaduais e federais. Por isso digo que o Pacto Federativo não vai mudar, porque somos reféns desse modelo.
Hoje, a principal demanda dos prefeitos é que esse programa de recapeamento e asfaltamento das cidades seja ampliado, porque foi imprescindível para nós. Inclusive, essa foi uma sugestão que apresentei para o plano de governo de Daniel.
Ton Paulo – E quem participou da elaboração desse plano?
Todos os prefeitos da FGM e da AGM foram convidados. Nós fizemos uma reunião e encaminhamos as demandas ao Instituto Ulysses Guimarães, do MDB.
A minha sugestão foi a criação de uma patrulha mecanizada para auxiliar na manutenção das estradas rurais e das pontes rurais, porque hoje o agronegócio cresceu muito, enquanto nossas estradas e pontes, em muitos casos, ainda são da década de 1940 ou de 1950. Precisamos desse apoio.
Além disso, é fundamental dar continuidade a todas as ações do Goiás Social e ao programa Casas a Custo Zero, da Agehab, que devolve dignidade às pessoas. É o sonho de muitas famílias e muda completamente a história delas.
Porque é o que eu falo para muitos prefeitos: ganhar uma eleição não é vencer. Você sabe que venceu quando termina o mandato, sai pela porta da frente e as pessoas dizem que valeu a pena ter votado em você. Nem sempre quem ganha a eleição, vence. Zé Délio e eu temos orientado muitos prefeitos a cortarem gastos. Eu vejo cidades promovendo pecuárias gigantescas, e isso pode fazer faltar dinheiro para pagar a folha. Independentemente de quem vencer as eleições, se houver necessidade de cortar verbas, as prefeituras sempre serão as mais prejudicadas.
Por isso, falamos para que tenham disciplina financeira e façam uma reserva, porque a festa dura apenas três dias e, depois, ninguém mais se lembra. Agora, atrasar o pagamento da folha ou faltar um medicamento no hospital, todo mundo vai cobrar.



