“No Senado, quero mostrar ao Brasil tudo o que deu certo em Goiás. Hoje, não tenho dúvida de que o Estado é um case de sucesso”, diz Gracinha Caiado
29 agosto 2026 às 21h00

COMPARTILHAR
Baiana natural de Feira de Santana, Maria das Graças Landim de Carvalho Caiado, conhecida como Gracinha Caiado (UB), tinha apenas 24 anos e finalizava o curso de Direito quando, em uma época de efervescência política, mas que ainda excluía sistematicamente a presença feminina, decidiu participar de uma reunião que daria origem, em sua região, a uma ramificação da União Democrática Ruralista, a UDR, contrariando os conselhos de familiares. “Lá só tem homem! Vai fazer o quê lá?”, advertiram.
Foi nessa reunião que Gracinha conheceu um jovem médico e ruralista chamado Ronaldo Caiado, que, décadas depois, viria a se tornar governador eleito e reeleito de Goiás, alcançando quase 90% de aprovação popular, tendo Gracinha ao seu lado como primeira-dama. Hoje, Ronaldo Caiado disputa a Presidência da República pelo PSD e Gracinha lidera as pesquisas na disputa para o Senado.
Antes de chegar à disputa eleitoral, porém, ela não se limitou ao papel de coadjuvante ao lado do governador. Como primeira-dama do Estado de Goiás, Gracinha, que hoje preside a federação UB-PP em Goiás, esteve à frente do Goiás Social, programa do governo estadual criado em maio de 2021 para combater a vulnerabilidade social e promover a inclusão de famílias em situação de pobreza ou extrema pobreza.
Em entrevista exclusiva ao Jornal Opção, a candidata ao Senado detalha a experiência de liderar um dos maiores programas de combate à pobreza da história de Goiás, com mais de uma centena de ações. “Quando você olha todos os dados, Goiás hoje é o Estado que mais tirou pessoas da pobreza. São 600 mil pessoas que saíram da pobreza”, comemora.
A ex-primeira-dama também fala sobre os desafios de ser mulher no mundo político e crava: “Eu sempre acreditei que devemos opinar sobre as coisas em que acreditamos. Precisamos participar. E, quando me perguntam sobre as mulheres, defendo que elas podem estar onde quiserem”.
Ton Paulo – A sra. é candidata ao Senado pela base governista. Gostaria de saber como foram essas conversas e negociações até que realmente batesse o martelo: “Sim, vou disputar o Senado”. E por que essa escolha de disputar a Câmara Alta?
Na verdade, nunca havia passado pela minha cabeça ser candidata a nada. Sempre ajudei o Ronaldo [Caiado] como candidato, como deputado federal, como senador e como governador. Quando assumi o papel de primeira-dama, quis trabalhar o social, estudei, busquei entender como poderia trabalhar isso.
Se você buscar a minha vida como primeira-dama, nunca fui de dar entrevistas, nunca fui falar de política, porque, naquela hora, eu entendia que era esposa de Ronaldo, primeira-dama, e queria trabalhar o social. E trabalhei todos os dias. De repente, ouvi meu nome sendo citado como candidata a senadora.

E meu nome foi aparecendo nas pesquisas em primeiro lugar. Reuni-me com minhas filhas e, no primeiro momento, confesso que elas foram um pouco resistentes, porque ter o pai e a mãe na política não é fácil.
Conversei com o nosso grupo político, com Daniel (Vilela), com Ronaldo e, depois de algum tempo, com meu nome aparecendo várias vezes em primeiro lugar nas pesquisas, decidi me candidatar. Estou aqui agora como candidata ao Senado.
Ton Paulo – A sra. é candidata ao Senado e o seu marido, o ex-governador Ronaldo Caiado, é candidato a presidente da República. Ou seja, é uma possível primeira-dama, ao mesmo tempo em que é uma possível senadora. Como está sendo a campanha neste aspecto?
A campanha, para mim, talvez tenha sido uma das mais difíceis, porque estou acostumada a trabalhar ao lado de Ronaldo. Sinto muita vontade de acompanhá-lo, e ele também de me acompanhar. Muitas vezes, ele está aqui; em outras, eu vou acompanhá-lo. Mas, em relação à minha campanha propriamente dita, quem é mulher sabe.
Mulher dá conta de cuidar do filho, cuidar do marido, cuidar da casa, trabalhar e ainda se candidatar. Então, eu não vejo nenhuma incompatibilidade entre ser candidata ao Senado e primeira-dama do Brasil. Tenho certeza de que uma coisa pode interagir com a outra, pode trabalhar junto. Não vejo nenhuma dificuldade nisso.
Trajetória política
Avessa a entrevistas e com atuação discreta, Gracinha Caiado tem uma trajetória na vida pública que teve início décadas atrás. Nesta entrevista, a candidata ao Senado narra como, rompendo a barreira contra a participação feminina, foi voz ativa até na fundação da UDR da Bahia.
Patrícia Moraes Machado – Um dos aspectos da sua história que as pessoas desconhecem é que a sra. já tem uma trajetória política, independentemente de ser mulher do ex-governador Ronaldo Caiado, correto?
Eu tenho uma história política apartidária. Nunca havia sido candidata, nunca tinha me filiado a partido nenhum. Já há algum tempo, quando eu já era casada com Ronaldo e ele era deputado federal, eu me filiei, na época, ao PFL. Mas, antes disso, não. Eu tenho uma história na política desde quando conheci Ronaldo na UDR. E ali não era uma política partidária. Ronaldo também não fazia uma política partidária.
Eu sempre acreditei que precisamos opinar sobre as coisas em que acreditamos. Precisamos participar. E, quando me perguntam sobre as mulheres, eu defendo que elas podem estar onde quiserem. Algumas querem fazer política partidária, outras, política apartidária, outras querem ser empresárias. Enfim, cabe a elas decidir onde querem estar.
Naquele momento, eu estava como produtora rural, fazendo uma política apartidária. É a primeira vez que eu, Gracinha Caiado, faço política diretamente voltada para mim, como uma política partidária. Agora, como candidata a senadora.
Ton Paulo – Como foi, exatamente, esse encontro da sra. com Ronaldo Caiado na UDR? Há quanto tempo estão casados?
Estamos casados há 36 anos. Nos conhecemos na UDR, na Bahia. Eu estava cuidando da minha fazenda e finalizando meu curso de Direito. Meu pai havia morrido e eu me vi naquela situação, terminando o curso. Era um momento em que se falava muito em reforma agrária e eu sabia que, para fazê-la, teria que entregar a terra para pessoas vocacionadas. Porque cuidar de uma terra não é uma coisa fácil. E aí fui para a reunião.
Na época, meu irmão e minha mãe disseram: “Você vai? Lá só tem homem, você é uma menina de 24 anos”. Eu falei: “Mas eu entendo do assunto, eu quero ir”. E fui. Naquela época, a UDR só se formalizava quando você fazia uma doação, ela não aceitava dinheiro.
A gente disse: “Vamos fazer a doação”. Mas, antes disso, o que aconteceu na fundação da UDR? Ela seria fundada em um hotel que tem lá, chamado Feira Palace. Seria a sexta UDR fundada no Brasil. E disseram que iam colocar uma bomba lá. Lembro que a esquerda fez uma passeata: “Fora UDR, assassina. Não vai fundar”. E eu disse: “O que está acontecendo aqui?”. Cheguei em casa e meu irmão disse: “Tem um pessoal de Goiás que vai fundar uma entidade exatamente para defender o direito de propriedade na Constituinte”. Falei: “Eu quero ir”. Quando disseram que iam fundar a UDR lá, foi aquele alvoroço, e eu fui.

Na hora da doação, os fazendeiros ficaram com receio de doar. E, se não houvesse a doação, a UDR não seria fundada lá. Era assim que funcionava o regulamento da UDR. Eu falava: “Meu irmão, faça a doação, seja o primeiro”. Falava para os meus tios, e eles diziam: “Não, você não sabe o que vai acontecer”. Então, eu disse: “Eu vou fazer”. E fiz a minha doação.
Quando fiz, nunca me esqueço disso, Ronaldo, que é bom de discurso, levantou-se, olhou para mim e fez um discurso: “A UDR na Bahia está sendo fundada de uma forma diferente. Eu quero agradecer a presença…”. Ele perguntou o meu nome e eu falei, toda sem graça.
Aí o João Ventura teve que doar mais do que eu. E foi fundada a UDR. No outro dia, amanheci em casa com jornalistas de todo o Brasil na minha porta, querendo saber o que eu, uma menina, nessa hora você é menina, queria fazer em um evento da UDR, que era de homens. Eu disse: “Não, a UDR não é uma entidade de homens, é de produtores rurais, e eu sou produtora rural”.
Mas, antes de dar a entrevista, tive muita preocupação. “Eu vou falar pela UDR? Uma entidade com tantos homens e a imprensa vem me procurar?”. Eu não sabia se era isso que deveria fazer, tinha que respeitar. Comecei a ligar. Naquela época, não tinha celular. Liguei para o doutor Altair Veloso, uma pessoa de Goiás por quem tinha o maior respeito. Ele fez até uma poesia linda para mim, chamada “Olhos de Sanhaço”. Tenho essa poesia guardada até hoje. Liguei para Salvador Farina [que foi presidente da UDR em Goiás], mas também não atendeu.
Se você buscar a minha vida como primeira-dama, nunca fui de dar entrevistas, nunca fui falar de política, porque, naquela hora, eu entendia que era esposa de Ronaldo, primeira-dama, e queria trabalhar o social. E trabalhei todos os dias. De repente, ouvi meu nome sendo citado como candidata a senadora
Disseram para mim: “Ligue para o Ronaldo Caiado, porque ele deve estar no hospital e vai atender”. Perguntei qual era o número do hospital, me deram e eu liguei. Falei: “Doutor Ronaldo, o sr. não deve estar lembrado de mim. Gracinha, aqui de Feira de Santana”. Ele respondeu: “Claro que eu lembro”. E expliquei a situação. Falei: “Tem um monte de repórteres aqui. Minha mãe está querendo me matar”.
Então, expliquei a situação. Ele perguntou: “Você tem algum problema com a sua fazenda?”. Eu falei: “Não, não tenho problema nenhum”. Minha fazenda era toda organizada. Naquela época, era considerada empresa rural. Ele falou: “Então, fale”. Eu fui e falei. Saí no “Jornal do Brasil”. Aí começaram a dizer que eu tinha falado porque era “paquera” de Ronaldo Caiado. Mas eu ainda nem tinha conversado com ele.
João Paulo Alexandre – A sra. falou há pouco que as pessoas a conhecem muito como primeira-dama, mas que, a partir de agora, conheceriam a coragem e a determinação de uma mulher. De certa forma, com essa fala, a sra. também busca se desassociar um pouco desse título de primeira-dama e construir uma identidade própria de Gracinha Caiado?
Não. A gente nunca exclui a história que viveu. Eu tenho muito orgulho de ter sido primeira-dama ao lado do melhor governador do Brasil, avaliado oito vezes, com 88% de aprovação popular.
Trabalhei ao lado dele todos os dias, acompanhando a seriedade, a determinação e a coragem de Ronaldo para tratar de todos os assuntos. Vivi com ele a transformação que fez em Goiás. Mas eu, como primeira-dama, nunca me manifestei politicamente.
Eu sempre tive muito respeito pelos políticos, porque acho que você tem que respeitar a posição em que se encontra. E ali eu me encontrava em uma posição em que Ronaldo era o governador, ele era o político, e eu, a primeira-dama. Quando disse isso, foi no sentido de conhecerem a coragem e a determinação de uma mulher que saberá, no plenário, levantar sua voz, colocar suas posições, principalmente neste momento tão difícil que o Brasil vive e em que todos nós estamos vendo e vivenciando tantas dificuldades.
E nós sabemos que o Senado é a Câmara Alta do Congresso Nacional, que é lá que muitas decisões são tomadas. E ali eu saberei usar a minha voz, a minha força e a minha coragem, levando esperança não só para o povo de Goiás, mas também para o povo do Brasil.
“Por que vocês acham que as pessoas em vulnerabilidade merecem receber isso?”
À frente da OVG e do Goiás Social, como primeira-dama do Estado, Gracinha Caiado relata ter visto de perto a preocupante situação de vulnerabilidade na qual encontrou Goiás quando Ronaldo Caiado foi eleito.
Ton Paulo – A sra. é muito associada às ações da OVG e às ações sociais. Inclusive, muitos cientistas políticos dizem que construiu parte de sua reputação com essa atuação no social. Em um ato em Niquelândia, fez uma fala muito firme em relação a isso, de que não existe política social sem combate à fome.
Para falar exatamente sobre a OVG, trata-se de uma entidade que representa a primeira-dama no Estado de Goiás e que tem 77 anos. Quando cheguei como primeira-dama, a OVG estava totalmente dilapidada. As ações eram muito restritas e voltadas a beneficiar companheiros e partidários do governo que estava no poder. Não acredito em uma política social assim.
Acredito que, depois que vence as eleições, o governador precisa trabalhar com os 246 municípios. E dei a minha demonstração disso porque, quando Ronaldo foi eleito governador, em janeiro de 2019, comecei a fazer um levantamento das vulnerabilidades do Estado de Goiás. E, nesse momento, quero agradecer ao Pnud, que me ajudou a entender como poderia construir isso.
Em fevereiro, o primeiro lugar ao qual fui foi exatamente o Nordeste goiano, onde não havia prefeitos que tinham ajudado Ronaldo. Muito pelo contrário. Na primeira cidade, havia uma divergência muito grande com Ronaldo e ele havia perdido a eleição.
Um dos poucos municípios em que Ronaldo perdeu as eleições foi Cavalcante. E foi a primeira cidade que visitei, porque entendi que precisava começar as minhas visitas pelos locais mais vulneráveis, que estavam exatamente no Norte e no Nordeste de Goiás. E comecei a trabalhar ali.

E você sabe qual é a minha maior alegria? O prefeito me chamou esses dias e disse: “Primeira-dama, vou pedir um favor à senhora”. Eu falei: “Pois não, prefeito”. E ele disse: “Não cite mais Cavalcante como o município mais vulnerável do Estado, porque a senhora trabalhou tanto lá que nós não somos mais pobres dessa forma”. Você quer ouvir uma coisa melhor do que isso?
Quando Ronaldo assumiu o governo e eu vi os brinquedos, a primeira coisa que perguntei ao secretário foi: “Seu filho ficaria feliz com esse brinquedo? Por que vocês acham que as pessoas em vulnerabilidade merecem receber isso? Por que as pessoas em vulnerabilidade não merecem o melhor?”
Não merecem o melhor centro de juventude, a melhor casa de idosos? A gente precisa tratar as pessoas em vulnerabilidade com mais respeito. Quando o dinheiro público é tratado com respeito, a gente consegue fazer tudo.
Você vê isso dentro do Goiás Social, porque as pessoas às vezes falam do social apenas na OVG, mas, na verdade, fiz um trabalho social que chegou a todas as secretarias. No início, quando eu as chamava para reuniões, dizia que queria que cada secretaria tivesse uma parte social. “Digam o que vocês podem fazer.”
Todos ficavam se perguntando: “Mas o que tenho a ver com o social?”. Do meio para o fim do mandato de Ronaldo, o pessoal das secretarias já dizia: “Pelo amor de Deus, eu tenho uma ideia. Deixe-me participar do Goiás Social”. Todas as secretarias fizeram parte do Goiás Social.
Eu sempre acreditei que precisamos opinar sobre as coisas em que acreditamos. Precisamos participar. E, quando me perguntam sobre as mulheres, eu defendo que elas podem estar onde quiserem. Algumas querem fazer política partidária, outras, política apartidária, outras querem ser empresárias. Enfim, cabe a elas decidir onde querem estar
Vieram me perguntar por que os Bombeiros fazem parte do Goiás Social, por que a Polícia Civil, por que a Polícia Militar. Todas participaram. Porque, quando você fala em social, não é só o benefício.
O que nós construímos aqui em Goiás vai além disso. Nós não fizemos uma política social apenas de entrega de benefícios, que é necessária, mas fizemos uma política social que devolvesse a dignidade às pessoas. Uma política inclusiva, de qualificação. Uma política em que as pessoas pudessem voltar a ter esperança, pudessem voltar a sonhar. E conseguimos. Quando você olha todos os dados, Goiás hoje é o estado que mais tirou pessoas da pobreza. São 600 mil pessoas que saíram da pobreza.
A maior renda média do Brasil. A miséria e a extrema pobreza foram reduzidas em 55%. A evasão escolar diminuiu muito em Goiás. Quando Ronaldo assumiu o governo, a evasão escolar era muito grande, porque o jovem chegava ao nono ano e encontrava escolas pichadas, escolas de placa, jovens estudando a 40 graus, a mais de 40 graus. Aqui na Região Metropolitana e em algumas escolas do Sudoeste, a situação era melhor.
Você tem que pensar o Estado como um todo. A oportunidade que um jovem em Cavalcante tem não pode ser diferente daquela que um jovem em Goiânia tem. Mas, para que isso aconteça, você precisa fazer esse trabalho. Nós reformamos todas as escolas. Faltam algumas, acho que 29 escolas, que Daniel está finalizando. Nós demos uniforme para mais de 500 mil alunos.
Ton Paulo – A sra. se deparava com muitas situações de pessoas em situação de extrema vulnerabilidade?
Para você ter uma ideia, nessas visitas ao Nordeste goiano, no início, lembro que cheguei a Colinas do Sul e uma jovem veio até mim e falou: “Primeira-dama, eu estou morrendo de fome. Na minha escola, só tem arroz-doce, que eu comi”.
Eu não posso ouvir isso como primeira-dama e falar: “Está bem, minha filha, sinto muito”. Eu sei que um governo não pode tudo, mas pode muito. Hoje, a merenda escolar, a alimentação na escola, é completa, é nutritiva, porque prometi a mim mesma que, enquanto Ronaldo fosse governador, não faltaria alimento. E fico feliz porque Daniel está dando continuidade a tudo isso.
A gente nunca exclui a história que viveu. Eu tenho muito orgulho de ter sido primeira-dama ao lado do melhor governador do Brasil, avaliado oito vezes, com 88% de aprovação popular
A criança poderia até querer comer novamente em casa, mas sairia da escola bem alimentada. Eu vi crianças em Teresina de Goiás sentadas em latas de tinta, embaixo de um pé de manga. Essa era a sala de aula.
Fui, inclusive junto com você, a um local no distrito de São Domingos de Cavalcante, onde uma professora dava aula em uma sala sem reboco, com uma lousa, se é que posso chamar aquilo de lousa, e as crianças sentadas no chão. Do lado de fora, porque não havia sequer energia. Esse foi o Goiás que eu vi.
Patrícia Moraes Machado – Quando assumiu como primeira-dama, o modelo que tínhamos de primeiras-damas em Goiás era muito ligado à realização de festas, à recepção do governo e a atividades como essas. E, de fato, a sra. vem colocando em prática uma atuação diferente, inclusive como uma prática política enquanto primeira-dama. Para executar tudo isso, a sra. também teve que exercer um poder político. Como foi isso?
Eu tenho o maior respeito por todas as primeiras-damas que vieram antes de mim. Acho que cada uma tem um jeito de trabalhar, cada uma tem a sua forma de exercer esse papel, porque ser primeira-dama não é fácil. Existe uma cobrança muito grande e, na verdade, o candidato é o nosso marido.
Então, eu sempre digo que jamais farei crítica a uma primeira-dama, porque tenho que respeitar a vontade de cada uma. Existem primeiras-damas com filhos pequenos, outras que não têm interesse e nem por isso são menos valiosas ao lado de seus maridos. Mas eu decidi que queria trabalhar a pobreza.
Quando Ronaldo assumiu o governo e eu vi os brinquedos, a primeira coisa que perguntei ao secretário foi: “Seu filho ficaria feliz com esse brinquedo? Por que vocês acham que as pessoas em vulnerabilidade merecem receber isso? Por que as pessoas em vulnerabilidade não merecem o melhor?”
Estudei, procurei entender o que fazer para ajudar de fato. Porque eu também sabia que não queria fazer uma política mais ou menos, uma política que não atendesse às necessidades das pessoas. E, quando você fala em vulnerabilidade, uma pessoa precisa de hospital, outra precisa de cadeira de rodas, outra precisa de uma vaga na escola, outra precisa de um remédio, outra tem um filho com problema de visão e não tem como comprar óculos.
A vulnerabilidade também está na região quilombola, onde não existiam condições para que as pessoas pudessem sequer chegar ao hospital na época de chuva. Você vê a diversidade da vulnerabilidade das pessoas. Então, decidi que iria trabalhar isso.
E existe um fundo, que não fui eu quem criou, ele já existia, que é o Fundo Protege, que deveria ser usado no combate à pobreza. Só que os governos anteriores não o utilizavam dessa forma porque, quando chega o dia 31, o dinheiro que ficou no fundo pode ser transferido para o Tesouro e utilizado conforme o governo deseja. Então, muitos governos usaram esse recurso para pagar servidores, enfim, para outras coisas.

Conversei com Ronaldo e disse: “Se eu for trabalhar com o Fundo Protege, o dinheiro será usado única e exclusivamente no combate à pobreza. Eu vou fazer esse trabalho”. E ele me deu total liberdade para que eu pudesse trabalhar dessa forma.
Porque eu vejo também muitos homens falarem: “Vou deixar a mulher trabalhar”, mas deixam apenas no discurso. Você precisa ter liberdade de agir, liberdade de decidir. E Ronaldo me deu toda essa liberdade.
E eu decidia, dentro do Gabinete de Políticas Sociais, onde nós iríamos atuar. E estou falando de um orçamento de quase R$ 3 bilhões. Foi assim que comecei a trabalhar. Havia 11, 16 programas quando Ronaldo assumiu o governo, em 2019. A maioria deles não era paga. Existia o programa no discurso, mas sem a execução daquele programa.
Eu deixei o governo com mais de 100 programas dentro do Protege, todos com monitoramento, todos com acompanhamento e com transformação na vida das pessoas.

Tenho visitado casos que me emocionam. O primeiro Goiás Social que fiz foi na cidade de Americano do Brasil. Cheguei lá muito empolgada e ofereci qualificação. Cheguei a uma pessoa que estava reclamando e falei: “Eu tenho um curso de cabeleireiro para oferecer. Por que você não faz esse curso e começa a trabalhar para seus vizinhos, cortar o cabelo?”. Eu estava toda empolgada.
Ele olhou para mim e falou: “A senhora está brincando, não é? Eu já fiz. Uma vez vieram aqui e me ofereceram um curso. Eu não tenho dinheiro para comprar tesoura, não tenho dinheiro para comprar nada. Como vou trabalhar?”.
Eu falei: “Ele está certo”. Se estou falando com a pobreza, não basta oferecer a qualificação. Disseram para mim: “A senhora não vai conseguir, porque eles vão pegar esse dinheiro e usar para outra coisa. A senhora não vai conseguir”. Eu falei: “Eu vou conseguir. Vamos tentar”. E hoje quase 80% dos que receberam o Crédito Social mudaram a renda de suas famílias.
Mudança de pensamento?
Para Gracinha, existe um estereótipo enganoso de que o “pobre quer favor”. Em sua vivência à frente da OVG e do Goiás Social, ela garante: “Pessoas em vulnerabilidade querem uma oportunidade”.
Patrícia Moraes Machado – Como foi essa mudança no pensamento do goiano ao receber o benefício?
Eu não acho que fui eu que consegui mudar o pensamento do goiano. Acho que as pessoas não querem favor. Existe um engano muito grande quando se pensa que as pessoas que estão na pobreza, na vulnerabilidade, querem permanecer nessa condição. Que o filho de uma pessoa pobre quer permanecer pobre. Não, isso não é verdade.
É você realmente estar qualificado para fazer aquilo. E você tem o curso do Sebrae dizendo: “Pegue o seu dinheiro, faça isso, isso e isso. Vou lhe ensinar como vender”.
Você vê a oportunidade à sua frente e as pessoas abraçam a oportunidade que têm. Eu vi isso claramente aqui. É claro que existe uma minoria que não quer. Mas são muito poucos. Então, eu vou sempre dizer: o que as pessoas querem não é favor, elas querem oportunidade.
João Paulo Alexandre – O governo federal, aparentemente, tomou como inspiração programas estaduais de Goiás para fazer programas federais para a juventude. O Pé de Meia é um exemplo. Qual a importância dessa atenção aos jovens e estudantes, até para evitar que sejam cooptados pela criminalidade?
Quando Ronaldo assumiu, falando de jovens, educação e violência, havia os Cases, que são os Centros de Atendimento Socioeducativo para jovens em conflito com a lei. Eu lembro que o primeiro problema foi: “Os Cases estão lotados, é preciso construir mais quatro Cases. Tem que assinar um TAC”. O Estado estava sem dinheiro, mas era preciso assinar um TAC e construir essas unidades.
Haviam morrido 11 jovens, vocês se lembram disso? Incendiados. Havia as mães, toda aquela situação. No primeiro encontro que tive com a Defensoria Pública, disseram para mim: “É a primeira vez que uma primeira-dama chama a Defensoria Pública aqui”. Isso foi em janeiro de 2018. Eu disse: “Fiquei sabendo desse problema, nós precisamos resolver. O que está acontecendo?”. Disseram: “As mães querem receber, entraram com o processo de indenização”. Eu falei: “Perfeitamente”. Liguei para a Secretaria de Educação e disse: “Vamos começar sendo justos. Os filhos delas estavam ali no programa socioeducativo, mas nós erramos”.
Nós, quando digo, refiro-me ao governo anterior. Nós precisávamos pagar. Pagamos. Mas disseram: “Agora a senhora tem que construir Cases, porque há 1.198 jovens nos Cases, não cabe mais ninguém e existem mais de 400 na fila de espera”. Construímos quatro Cases.
Sabe o que aconteceu? Eu falei: “Esses jovens estão fazendo o que nos Cases? Vamos colocar escola, qualificação, trabalho. Vamos fazer esse jovem pensar em alguma coisa, para não ficar ali articulando. Vamos colocar uniforme nele”.
Sabe qual foi o resultado? Hoje, são apenas 178. Os Cases estão fechados, a grande maioria deles. A gente não queria que houvesse nenhum, mas a queda foi de 91%. Já vem gente de todos os estados para saber o que foi feito.

Com toda essa legislação que determina a participação das mulheres, estabelecendo que, dentro dos partidos, 30% das candidaturas devem ser femininas, ainda temos, entre os 81 senadores, apenas 16 mulheres. Quando eu digo a elas: “Deixem-me representar vocês”, é porque sei que, quando a mulher chega ao poder, ela entra com gestão, mas entra também com o coração e com a família. Então, sem dúvida nenhuma, é uma atuação diferente.
A gente sabe que existe preconceito. Eu não gosto de me vitimizar por causa do preconceito. Vivi a minha vida, fiz Direito na Universidade Federal da Bahia, onde havia poucas mulheres. Poucas mulheres tinham entrado naquele momento.
Dentro da UDR, quando conheci Ronaldo, eu era a única mulher. Hoje, você tem 22 mil mulheres gestoras de suas propriedades rurais só aqui em Goiás, mas, naquela época, era raro.
Eu nunca me acovardei, mas é impressionante o preconceito que ainda existe contra as mulheres.
Eu mesma vejo como ainda existem candidatos que gostam, dentro do preconceito deles, de criar deboche, ironia e fake news. Eu sofri isso recentemente. Na semana passada, foram fake news uma atrás da outra.
Pensei muito se deveria responder ou não, mas nunca corri do debate político. O debate político eu enfrento de frente. O que me deixa triste é ver que o preconceito desses homens fala mais alto do que os argumentos. Como eles não têm argumentos, entram no deboche, na ironia e nas fake news contra as mulheres. Mas nós vamos enfrentar isso de frente e mostrar a esses covardes que mulher tem força, mulher tem coragem para ir até o fim naquilo que se propõe a fazer.
Patrícia Moraes Machado – Se eleita senadora, a sra. vai seguir com a mesma maneira, com o mesmo projeto, como as bandeiras de combate à pobreza e à vulnerabilidade social?
Eu quero mostrar ao Brasil tudo o que deu certo em Goiás. Hoje, não tenho dúvida de que Goiás é um case de sucesso para o Brasil. Eu tenho percorrido todo o País e todos querem saber.
Recebi visitas de várias primeiras-damas do Brasil. Ronaldo recebeu visitas de vários governadores, que queriam saber sobre a segurança, o social e a educação.
Nós não fizemos uma política social apenas de entrega de benefícios, que é necessária, mas fizemos uma política social que devolvesse a dignidade às pessoas. Uma política inclusiva, de qualificação. Uma política em que as pessoas pudessem voltar a ter esperança, pudessem voltar a sonhar. E conseguimos
Na verdade, esses eram os temas que eles mais procuravam, porque são cases de sucesso. O que eu quero, ao ir para o Senado, é exatamente, primeiro, mostrar o que deu certo, mostrar isso ao Brasil.
Porque a gente sabe que o Senado é uma Casa que fiscaliza o Supremo, fiscaliza o Executivo, que trabalha com orçamento e com leis. E é isso que eu quero fazer lá: trabalhar com a mesma determinação com que trabalhei como primeira-dama do Estado de Goiás.
Euler França de Belém – Qual a posição da sra., como candidata ao Senado, sobre o Supremo Tribunal Federal?
Ninguém está acima da lei. Acredito que nós deveríamos ter harmonia, respeitando a competência de cada um, estabelecida na Constituição da República. A competência entre os Poderes.
É o que não está acontecendo. Nós temos um governo presidencialista acovardado, que só pensa em campanha, não pensa nas pessoas, quer ganhar a eleição de qualquer forma, mentindo para a população. Um governo que, ao prometer crédito, endividou uma população, endividou as pessoas.
Isso é muito triste. E você vê um Supremo em que um juiz, muitas vezes, na mesma ação em que é vítima, também é juiz. Isso é inaceitável. Então, o que se precisa não é apenas ter uma posição a favor ou contra, mas também que o Senado tenha coragem de colocar em votação. Porque há quanto tempo você vê essa discussão sobre impeachment de ministro do STF? Agora, muitas regras precisam ser mudadas.

Você vê um ministro que pode ficar 40 anos no poder. Isso significa décadas. Você vê um governador ficar quatro décadas no poder?
Isso é impossível. Então, você precisa mudar as regras, precisa mudar as regras das decisões monocráticas. É preciso ter mais respeito em relação a isso. Porque ninguém pode estar acima da lei, nem acima do Brasil. E você pode ter certeza de que, chegando ao Senado, respeitando toda a forma legal pela qual deve acontecer um impeachment e, é claro, sabendo que houve crime, eu sou favorável.
Continuidade
A candidata ao Senado pelo União Brasil revela ter uma boa relação tanto com o atual governador Daniel Vilela quanto com a primeira-dama Iara Vilela, figura a qual teceu elogios e que, segundo ela, tem dado continuidade ao trabalho de combate à pobreza.
Ton Paulo – A sra. tem uma relação muito boa com o governador Daniel Vilela. Acredita que, caso reeleito, ele manterá o ritmo de obras sociais que a senhora trouxe a Goiás?
Eu não tenho dúvida. Tenho conversado muito com o governador Daniel Vilela e com a primeira-dama, Iara Vilela, que assumiu a coordenação do Goiás Social e tem feito um trabalho brilhante à frente do programa. O governador Daniel Vilela vai dar continuidade a tudo isso que deu certo, não só no Goiás Social, como também na construção das rodovias. Ele tem trabalhado e acompanhado cada rodovia que está sendo feita no Estado de Goiás.
Para você ter uma ideia, quando Ronaldo assumiu o governo, encontrou mais de 400 obras paradas, na verdade, quase 500. Posso citar o Hecad, que é o Hospital da Criança, que era uma obra inacabada; o Hospital de Águas Lindas; várias escolas do Século XXI. Poderia dar vários exemplos aqui de obras que estavam paradas. Obras paradas representam um dos maiores prejuízos que um governo pode deixar.
Ações sociais sem monitoramento são outro desperdício de dinheiro, porque você tem que ter responsabilidade com aquilo que se propõe a fazer. Quando você assina para que uma obra seja construída, tem que ter o dinheiro para finalizá-la. Você não pode simplesmente autorizar a construção de uma obra porque é ano de eleição, porque vai ganhar votos e ganhar espaço na imprensa.
Eu não acho que fui eu que consegui mudar o pensamento do goiano. Acho que as pessoas não querem favor. Existe um engano muito grande quando se pensa que as pessoas que estão na pobreza, na vulnerabilidade, querem permanecer nessa condição
Isso é responsabilidade. Então, de todas essas obras, o governador Ronaldo Caiado finalizou 390. O governador Daniel está finalizando as outras, dando continuidade a tudo o que Ronaldo fez e avançando ainda mais, porque a tendência de Goiás é evoluir cada dia mais, em oportunidades, geração de emprego, empresas que chegam ao Estado e com o agro goiano se desenvolvendo. Goiás hoje é um estado que produz 37 milhões de toneladas de grãos.
Veja no que se transformou Rio Verde, com aquele polo de logística e o polo de tecnologia que foi criado ali. Essa é a realidade de Goiás. Veja também no que se transformou Formosa.
Formosa hoje é um polo do agro para a produção de sementes, que vem se desenvolvendo e vai se tornar referência no Brasil. Cristalina, com a irrigação. Você vê o Vão do Paranã, que estava abandonado e hoje está se desenvolvendo. Esse Nordeste goiano, onde ninguém tinha esperança, hoje está se desenvolvendo.
Euler de França Belém – Na questão da segurança pública, a sra. avalia que o governador Daniel Vilela deu continuidade e acrescentou aos avanços na área?
Com certeza, está indo muito bem, avançando cada dia mais. Os índices de segurança de Goiás que Ronaldo deixou são índices excelentes. A gente sabe que não consegue chegar a 100% em nada. Quando você fala em roubo de veículos, por exemplo, houve uma queda de 97%. Aqui, chegava a ter dia em que eram roubados 90 carros.
Nós tínhamos o seguro mais caro do Brasil, porque era um estado extremamente violento. Na região do Entorno de Brasília, entre as dez cidades mais perigosas do Brasil, cinco estavam ali.
Você via as pessoas vivendo com grades nas portas. Hoje, a realidade é outra.
No primeiro dia da nossa carreata, fomos exatamente ao Entorno, porque o ex-governador Ronaldo Caiado estava presente e queria mostrar para o Brasil que é possível, sim, fazer com que o País deixe de ser dominado pelas facções.
Quando você fala em Brasil, nós não somos produtores de cocaína. E, hoje, temos um dos maiores índices de circulação de cocaína. Você vê a Amazônia. Antes, falava-se muito na venda de madeira. Hoje, você não ouve mais falar tanto disso, porque a madeira deixou de ser o principal problema e a cocaína tomou conta da Amazônia.
Patrícia Moraes Machado – Ronaldo Caiado é um grande líder político de Goiás. A escolha de Daniel Vilela para sucedê-lo foi política, mas também de responsabilidade sucessória. Qual cenário a sra. traça para Goiás caso essa sucessão não aconteça, ou seja, se for eleito outro candidato, como Marconi Perillo ou Wilder Morais?
Eu não consigo nem imaginar isso. Eu não faço política falando mal de ninguém, mas você vê que Ronaldo foi eleito com 52% dos votos e foi avaliado oito vezes consecutivas pelo povo de Goiás com 88% de aprovação popular. Isso significa que a gestão deu certo. E não acredito que o goiano vai querer arriscar andar para trás.
Eu não acredito. Acho que, quando o goiano for às urnas, vai votar com aquele sentimento de proteção a ele e à família dele. Daniel esteve trabalhando ao lado de Ronaldo, aprendendo, ensinando, acompanhando todas as ações do governo. Desde o primeiro dia em que Ronaldo ganhou a reeleição, em 2022, e Daniel veio como vice dele, Ronaldo fez questão de deixar Daniel ao lado dele em todas as ações do governo, exatamente para que não tivesse que aprender sentado na cadeira.
Essa é a grande diferença. Daniel está pronto para governar Goiás. Daniel tem acompanhado tudo, conhece cada palmo deste Estado. Andou ao lado de Ronaldo, conhecendo o Estado. Ele conhece as ações da saúde, da educação, da infraestrutura e da IA, Inteligência Artificial, área em que Goiás foi o primeiro Estado a criar uma lei específica.
O governador Marconi Perillo fez governos muito bons no início de seus mandatos. Não tem como não reconhecer isso. Acho que a gente tem que encarar de frente as coisas como aconteceram.
Acho que, nos anos subsequentes, e é por isso que me pergunto se muitos mandatos valem a pena para qualquer gestor, nos últimos mandatos ele tenha se perdido um pouco. E eu acabei de relatar para vocês como Ronaldo recebeu o governo.
Pensei muito se deveria responder ou não, mas nunca corri do debate político. O debate político eu enfrento de frente. O que me deixa triste é ver que o preconceito desses homens fala mais alto do que os argumentos. Como eles não têm argumentos, entram no deboche, na ironia e nas fake news contra as mulheres
Isso é fato, não é história, não é factoide nem mentira. Goiás inteiro acompanhou. E Wilder Morais é uma pessoa por quem tenho todo o respeito. Foi secretário de Ronaldo, foi candidato a senador na chapa de Ronaldo, mas acho que você não pode pleitear o governo do Estado ou a Presidência da República apenas porque seu número é 22.
Acho isso muito pouco para Goiás e muito pouco para o Brasil. Eu acredito em um Brasil e em um Goiás muito maiores do que isso. Não acredito que você vá votar para presidente da República apenas por causa de um sobrenome.
Você vai votar em quem tem serviço prestado. Eu apoiei o presidente Bolsonaro no primeiro mandato. Ronaldo ganhou a primeira eleição no primeiro turno e Bolsonaro foi para o segundo turno. Nós o acompanhamos e trabalhamos para ele.
Na segunda eleição foi a mesma coisa. Bolsonaro foi para o segundo turno, Ronaldo ganhou no primeiro, e nós fomos apoiá-lo. Agora é outro momento. Você não pode achar que o filho dele é ele só porque tem o sobrenome Bolsonaro.
Deveria ter ido ontem ao debate apresentar as propostas dele. Eu não acho que nós queremos um presidente que tenha que explicar se fez parte do Mensalão, do Petrolão, da Lava Jato ou do Banco Master. Não é isso que eu quero para o meu País.
Eu quero muito mais do que isso. Eu tenho filhas, vou ter netos, tenho sobrinhos. Eu quero ter esperança no Brasil. Infelizmente, há algumas décadas o Brasil não evolui. Se você pegar como parâmetro, Patrícia, quando fiz um curso na Escola Superior de Guerra, no Rio de Janeiro, enquanto fazia faculdade de Direito na Bahia, lembro do ministro Rouanet dizendo que nós éramos o país-solução para o mundo e que a Ásia era o continente-problema. Veja o que aconteceu.
Veja o que se tornaram a China, Taiwan, Singapura e Tailândia. O que se tornou a Malásia. O que se tornou o Vietnã, que a gente só conhecia pela guerra. E nós? O que nós evoluímos? Você fala do agro, qual foi a defesa que houve por parte desse governo para o agro?


