Major Vitor Hugo: “Se queremos que o PL cresça em Goiás e a candidatura do Wilder seja competitiva, precisamos ter o máximo de união”
12 setembro 2026 às 21h00

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Major Vitor Hugo (PL) tenta retornar à Câmara dos Deputados quatro anos depois de deixar Brasília e após duas experiências eleitorais que ampliaram sua presença na política goiana: a candidatura ao Governo de Goiás, quando recebeu mais de meio milhão de votos, e a eleição como vereador mais votado de Goiânia. Ex-líder do governo Jair Bolsonaro (PL) na Câmara, ele mantém a identificação com a direita e o bolsonarismo como pilares de sua campanha e afirma que não pretende esconder seu alinhamento ideológico.
Em entrevista ao Jornal Opção, Major Vitor Hugo avalia que a prisão de Bolsonaro, em vez de desmobilizar seus apoiadores, fortaleceu o sentimento entre os eleitores de direita e conservadores. Para ele, Flávio Bolsonaro também tem conseguido alcançar uma parcela do eleitorado que havia se afastado do ex-presidente nos últimos anos.
No cenário estadual, o candidato a deputado federal defende Wilder Morais e aposta na presença do senador no segundo turno da disputa pelo Governo de Goiás. Ao mesmo tempo, prega uma pacificação interna no PL diante do processo de expulsão contra o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, aliado de Daniel Vilela (MDB). Próximo dos dois lados, Major Vitor Hugo afirma atuar como uma ponte e avalia que o acirramento da disputa não interessa ao partido a menos de 30 dias da eleição.
O ex-deputado também reconhece avanços dos governos de Ronaldo Caiado (PSD) e Daniel Vilela na segurança pública, embora aponte problemas nas carreiras policiais e déficit de efetivo. Ao projetar um eventual retorno a Brasília, afirma que a experiência acumulada o tornou mais preparado para o diálogo, a articulação política e a disputa por recursos para Goiás.
Ton Paulo – Durante muito tempo, seu nome foi ventilado como possível candidato ao Senado e chegou a aparecer em pesquisas. No entanto, sua candidatura a deputado federal acabou sendo confirmada. O que pesou nessa decisão? A preferência da direção nacional por Gustavo Gayer (PL) teve influência ou foi uma decisão pessoal?
Foi um misto de fatores. Primeiro, eu já fui deputado federal, de 2019 a 2023, e, naquela época, fui líder do governo Bolsonaro, escolhido diretamente pelo presidente. Fui o primeiro político de Goiás dessa nova geração que teve uma proximidade com Bolsonaro. Na época, ele era deputado federal e aspirava à Presidência da República.
Construímos uma amizade que começou em 2015. Depois, ele me apoiou, fui eleito, ele também foi eleito e me tornei líder do governo. Posteriormente, Bolsonaro me pediu, orientou e estimulou a ser candidato ao Governo de Goiás. Eu sabia que seria um desafio muito grande. Tive mais de meio milhão de votos, mas não venci a eleição.
Considero que foi uma vitória política, porque meu nome passou a ser conhecido em todo o Estado. Apesar da derrota eleitoral, houve um crescimento muito grande.
Na sequência, Bolsonaro pediu que eu fosse candidato a vereador em Goiânia, e não a prefeito, para que eu estivesse como um “franco-atirador” na eleição de 2026. Essa foi a expressão que ele utilizou. Eu poderia disputar a Câmara Federal ou o Senado.
O Gayer está no auge da carreira política dele, assim como eu estava quatro anos atrás, quando havia acabado de ser líder do governo e fui candidato ao Governo de Goiás. Também estou cansado de brigas dentro da própria direita. Há espaço para todo mundo. Conversei com Bolsonaro, com a direção nacional, com outros políticos e também tomei uma decisão pessoal.
Eu poderia ter feito como outros fizeram, migrado para outro partido e disputado mesmo assim, mas preferi manter minha linha. Sou de direita, sou conservador e o PL me abraçou, inclusive me dando a possibilidade de ser candidato ao Governo de Goiás.
Ton Paulo – O cenário atual é bastante diferente daquele em que você foi eleito deputado federal e, posteriormente, disputou o Governo de Goiás. Jair Bolsonaro está preso, e Flávio Bolsonaro disputa a Presidência da República. Você acredita que a prisão de Bolsonaro e os desgastes recentes envolvendo Flávio, como as questões relacionadas ao Banco Master e ao filme Dark Horse, impactaram o movimento bolsonarista em Goiás? Esse cenário pode afetar sua candidatura, que é diretamente ligada ao bolsonarismo?
Acho que todo esse cenário impactou, sim, mas de uma maneira que tornou o eleitor de direita ainda mais aguerrido. O eleitor de direita de Goiás e do Brasil olha para essa situação e enxerga muita injustiça.
Na minha avaliação, toda essa situação em torno do presidente Bolsonaro, que foi condenado com base em uma hipótese reconhecida judicialmente de que houve uma tentativa de golpe, em um domingo esvaziado em Brasília, sem nenhuma autoridade para receber o golpe, vamos dizer assim, sem apoio político, de militares, da imprensa ou apoio externo de algum líder mundial, e que está proibido de receber visitas dos filhos, pois só agora pôde receber Carlos e Jair Renan, reforça, no coração e na mente do eleitor de direita e conservador de Goiás, a disposição de dar ainda mais força ao movimento. Não vejo desânimo, vejo força.
Além disso, a rejeição ao atual governo petista está alta e as pessoas estão olhando para Flávio como uma nova esperança de retirar democraticamente esse governo do poder.
Recentemente, em Goiás, fui pedir votos com um santinho que tinha minha foto, a de Bolsonaro e a de Flávio. Uma eleitora chegou e disse que votaria em mim, mas não votaria em Bolsonaro. Depois olhou para Flávio e disse que votaria nele porque o considerava mais ponderado.

Refleti sobre isso. Acho que Flávio está conseguindo conquistar pessoas que, ao longo do tempo, talvez por uma interpretação do que aconteceu durante a Covid ou por alguma fala de Bolsonaro que tenha sido mal interpretada, se afastaram. Flávio está conseguindo resgatar parte dessas pessoas.
Há quatro anos, neste mesmo período, pesquisas colocavam Bolsonaro 15 ou 20 pontos atrás de Lula. Agora, vemos cenários de segundo turno em que Flávio aparece empatado com Lula. Então, considero que o cenário hoje é muito positivo para nós.
Ton Paulo – Uma das críticas feitas ao candidato do PL, Wilder Morais, é a de que sua candidatura ao Governo de Goiás estaria excessivamente apoiada no bolsonarismo e dependeria muito da candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República. Isso difere de outros nomes, como você e Gustavo Gayer, que, apesar da ligação com o bolsonarismo, não passam essa mesma impressão. Você concorda com essa avaliação? E por que, mesmo com a força do bolsonarismo em Goiás, Wilder ainda aparece em segundo ou terceiro lugar em algumas pesquisas?
Wilder é um estrategista. Quando fui candidato ao governo, há quatro anos, convidei-o para ser meu candidato ao Senado. Ele apareceu em terceiro, quarto e até quinto lugar nas pesquisas até duas semanas antes da eleição e, na sequência, venceu.
Wilder é engenheiro, um grande empresário no Brasil e fora dele. É alguém que consegue estruturar sua campanha de maneira estratégica, com muita lucidez e planejamento. Vejo essas críticas como vindas de adversários que querem diminuir a história e a estratégia dele.
Acho que Flávio está conseguindo conquistar pessoas que, ao longo do tempo, talvez por uma interpretação do que aconteceu durante a Covid ou por alguma fala de Bolsonaro que tenha sido mal interpretada, se afastaram
Andando por Goiás, tenho visto os bolsonaristas, de maneira geral, apoiando Wilder. Também vejo pessoas de outros campos políticos, do centro, centro-direita e até centro-esquerda, olhando para ele como alguém que veio de uma família muito pobre, venceu pelos próprios meios e pelos estudos, é inteligente e possui planos concretos para o Estado.
Por isso, considero essa uma crítica de adversários que querem diminuir as possibilidades e as chances que ele efetivamente tem de vencer.
Ton Paulo – Você tem uma relação próxima com o prefeito de Anápolis, Márcio Corrêa, que declarou apoio à sua candidatura. Recentemente, a Executiva Estadual do PL aceitou uma representação apresentada por um assessor de Wilder Morais pedindo a expulsão de Márcio do partido devido ao apoio declarado à reeleição de Daniel Vilela. Como avalia esse processo que vai passar ao Conselho de Ética?
Nessa disputa, torço pela paz. Não considero estratégico levar isso adiante neste momento e já falei isso ao Wilder, porque ele precisa do apoio de todo mundo.
Márcio declarou apoio a Daniel, mas existem várias formas e graus de apoio. Tenho tentado ser uma ponte porque, na verdade, trouxe os dois para o PL. Wilder veio ao PL a meu convite. Na época, Vanderlan Cardoso (PSD) sugeriu o nome dele para que fosse candidato ao Senado na minha chapa. Eu o convidei e ele veio. Com Márcio Corrêa aconteceu algo semelhante: ele queria ser prefeito de Anápolis.

Hoje, quero que eles façam as pazes. Não considero esse conflito estratégico para ninguém. Márcio, assim como Wilder, faz campanha para Flávio Bolsonaro, para Gustavo Gayer e apoia minha candidatura. Existem mais pontos de convergência entre todos nós do que de divergência.
Torço para que haja uma boa solução. Vejo Márcio se esforçando muito para fazer campanha para Flávio, que é nossa principal batalha no país. O próprio Wilder já disse que a principal disputa é eleger Flávio.
Ton Paulo – Gustavo Gayer também questionou o fato de outros prefeitos e mandatários do PL não apoiarem Wilder Morais e, mesmo assim, não enfrentarem o mesmo tipo de processo, como Carlinhos do Mangão, prefeito de Novo Gama, que está no PL e apoia Daniel Vilela. Mas ele não é uma exceção, já que há outros nomes no partido que mantêm uma relação muito boa com o emedebista. Como você vê essa diferença de tratamento?
Acho que é mais um argumento para que essa temperatura diminua. A política precisa ser feita sem sobressaltos, principalmente agora, a menos de 30 dias da eleição. Conversei sobre isso com Wilder, pois não sei se isso é estratégico para ele também.
Se queremos que o PL cresça em Goiás, que a candidatura de Wilder seja efetiva e competitiva, que ele vença a eleição, que façamos nosso senador e tenhamos chapas fortes para deputado federal, com três a quatro nomes, e para deputado estadual, onde podemos fazer até cinco nomes, precisamos ter o máximo possível de união dentro dessa conjuntura.
Ton Paulo – Você acredita que ainda seja possível uma pacificação entre Wilder Morais e Márcio Corrêa?
Trabalho por ela. Procuro entender o lado dos dois. Márcio Corrêa foi apoiado o tempo inteiro por Daniel Vilela, inclusive depois de eleito prefeito, e não apenas durante a campanha. Ele foi para o PL com o aval de Daniel, e Anápolis foi a única cidade em que Daniel apoiou um candidato diferente daquele que era apoiado por Ronaldo Caiado (PSD).
Também entendo o lado de Wilder. Ele é candidato ao Governo de Goiás e Anápolis é a maior cidade administrada pelo PL. É lógico que esperava o apoio de Márcio. Existem argumentos dos dois lados, mas considero que, neste momento, muito melhor para todos do que o acirramento da disputa seria alcançar o máximo de paz e pacificação possível.
Ton Paulo – Quando você foi eleito deputado federal, o bolsonarismo vivia um momento diferente e o antipetismo estava em alta. Qual é sua estratégia em 2026 para retornar ao Congresso Nacional? O que pretende apresentar ao eleitor além da identificação com o número 22?
Tenho feito uma campanha que, logicamente, busca contribuir para a eleição de Flávio Bolsonaro. Por isso, meu material tem sempre Flávio e também Bolsonaro. Isso aparece nos vídeos e nas redes sociais porque quero manter essa chama viva. Goiás é um estado bolsonarista, de direita e conservador. Foi uma das unidades da Federação onde Bolsonaro venceu, mesmo diante do resultado eleitoral adverso em 2022, assim como também havia vencido em 2018.
Meu alinhamento ideológico é com a direita e não vou esconder isso. Pelo contrário, quero deixar isso cada vez mais claro.
Também tenho um histórico como ex-deputado federal, líder do governo Bolsonaro, líder do maior partido da Câmara, candidato ao Governo de Goiás, com mais de meio milhão de votos, e, depois, vereador mais votado de Goiânia. Tudo isso aprofundou minha experiência política.
Tenho procurado mostrar meu trabalho. Destinei quase R$ 400 milhões em emendas, distribuídas por cerca de 200 cidades. Em Goiânia, foram quase R$ 40 milhões indicados, a maior parte já paga.
Torço para que também exista equilíbrio na distribuição dos recursos. Fazer campanha atualmente sem recursos é muito difícil, especialmente para as mulheres, que buscam cada vez mais espaço e precisam de maior representatividade
Também mostro meus posicionamentos políticos sobre a defesa da vida, das famílias e das mulheres. Tenho trabalhado, por exemplo, para impedir que o prefeito Sandro Mabel (União Brasil) ingresse na Justiça contra o Escudo Feminino. Para mim, seria uma incoerência invalidar um programa voltado à proteção de mulheres vítimas de violência.
Também apresento os projetos que desenvolvi na Câmara Federal nas áreas de segurança pública, prevenção e combate ao terrorismo, apoio aos produtores de leite e aos colégios militares.
Minha campanha é voltada aos públicos com os quais tenho ligação, como militares, advogados, forças de segurança e produtores rurais, além das cidades e regiões para as quais destinei emendas.
Ton Paulo – Caso Wilder Morais não avance ao segundo turno, com quem o PL deve caminhar?
Não vou trabalhar com essa hipótese. Trabalho com Wilder vencendo o primeiro turno. Estamos trabalhando para que isso aconteça e não consigo enxergar um segundo turno em Goiás sem que ele esteja presente.
Uma fala hipotética nesse sentido poderia dar margem a diversos direcionamentos, que somente serão pensados caso essa possibilidade, que hoje considero remota, se concretize.
Ton Paulo – O PL enfrentou algumas polêmicas envolvendo a participação feminina em Goiás. Na convenção da sigla, por exemplo, a deputada Magda Mofatto gravou um vídeo ao lado da então pré-candidata Ana Eliza Machado, que teria sido impedida de participar do evento. Além disso, nossa reportagem apurou que as mulheres receberam uma quantia abaixo do esperado. Você considera que falta espaço para as mulheres dentro da direção estadual do partido?
Confesso que não consultei o DivulgaCand para verificar exatamente quanto cada mulher recebeu. Mas considero importante o gesto de Wilder ao escolher Ana Paula Rezende como vice. Foi a primeira candidatura majoritária ao Governo de Goiás a escolher uma mulher como vice.
É uma mulher com representatividade não apenas pela história de sua família, mas pela própria trajetória de vida e de trabalho, como produtora rural e advogada.
Torço para que também exista equilíbrio na distribuição dos recursos. Fazer campanha atualmente sem recursos é muito difícil, especialmente para as mulheres, que buscam cada vez mais espaço e precisam de maior representatividade.

Também é necessário respeitar a legislação sobre a proporcionalidade na distribuição desses recursos. Esse equilíbrio é observado nacionalmente e pode haver alguma discrepância regional, mas torço para que as mulheres recebam, também em Goiás e especialmente no PL, recursos distribuídos de maneira equilibrada.
Ton Paulo – A segurança pública se tornou uma das principais vitrines dos governos de Ronaldo Caiado e Daniel Vilela. Inclusive, alguns avanços foram reconhecidos pelo próprio Wilder Morais. Como você, enquanto advogado e major, avalia os avanços do Estado nesse setor?
É inegável que hoje o povo goiano vive uma sensação que não é compartilhada por diversas outras regiões do país. Vivemos praticamente em uma ilha nesse aspecto.
Recentemente, estava em São Paulo, no lobby de um hotel, pedindo um Uber pelo celular. Dei dois passos para fora do hotel e, quando entrei no carro, o motorista me alertou sobre ficar com o celular na mão. Isso mostra a diferença de percepção de quem está acostumado com a realidade de Goiás.
Realmente temos uma situação diferenciada, mas existem vários aspectos que precisam melhorar. Se você conversar com um policial na ponta da linha, perceberá que há insatisfação.
Minha percepção é de que Caiado investiu nas instituições e foi muito eficiente no discurso. Quando o governador adota um discurso favorável ao policial, cria uma rede de proteção e estímulo para que ele vá às ruas e cumpra sua missão.
Por outro lado, considero que faltou investimento na carreira dos policiais. Também houve movimentos que, na minha avaliação, quebraram aspectos da hierarquia e da disciplina, que são bases das instituições militares.
Também existe um déficit de pessoal. Há uma discrepância muito grande entre o efetivo autorizado pela legislação e o que efetivamente existe nas instituições.
Além disso, embora Goiás esteja muito bem em relação aos crimes contra o patrimônio, existem áreas em que os indicadores precisam melhorar, como o feminicídio. Portanto, Goiás está bem na segurança pública, mas ainda precisamos avançar muito.
Ton Paulo – Mesmo diante das críticas da direita ao governo federal, Lula continua liderando as pesquisas de intenção de voto. Em Goiás, Daniel Vilela também permanece na liderança. A que você atribui esses dois cenários?
No cenário nacional, acredito que a fragmentação da direita no primeiro turno favorece, em alguma medida, esse resultado. Flávio continua sendo, de longe, o candidato da direita mais bem colocado e aparece com uma diferença que está estabilizada ou diminuindo.
Acredito que os problemas e escândalos que têm surgido, com suspeitas envolvendo o filho de Lula, enquanto ele próprio se afasta e joga os filhos aos leões, além das questões relacionadas ao Banco Master e ao ministro do Supremo, diante da percepção da população de uma proximidade com o governo, também podem se acirrar nesses últimos 30 dias e, na minha visão, tendem a fazer Lula cair nas pesquisas.
Quando analisamos os cenários de segundo turno, Flávio e Lula aparecem empatados em algumas pesquisas. Para mim, o que vale efetivamente é o segundo turno.
Minha percepção é de que Caiado investiu nas instituições e foi muito eficiente no discurso. Quando o governador adota um discurso favorável ao policial, cria uma rede de proteção e estímulo para que ele vá às ruas e cumpra sua missão
Há quatro anos, neste mesmo período, pesquisas mostravam Bolsonaro dez ou 15 pontos atrás de Lula. Hoje, já mostram Flávio empatado. Na minha visão, isso demonstra uma situação bastante competitiva.
No cenário estadual, é inegável que existe um sentimento de continuidade. Caiado deixou o governo com mais de 80% de aprovação. Além disso, o grupo conquistou mais de 200 prefeituras nas eleições municipais e criou programas sociais ao longo do tempo.
Tudo isso contribui para que o candidato governista esteja à frente neste momento. Mas o crescimento de Wilder também tem sido consistente.
Ton Paulo – Marconi Perillo aparece com índices elevados de rejeição nas pesquisas. Isso, inclusive, na maioria das pesquisas. Por que você acredita que isso acontece?
Primeiro porque ele teve quatro oportunidades de governar o Estado. Existe um desgaste natural depois de tantos períodos no governo.
Também houve as operações contra ele e sua prisão. Acho que tudo isso desgastou muito sua imagem e ele sofre atualmente as consequências disso.
Ton Paulo – Caso seja eleito deputado federal, você deixará a Câmara Municipal de Goiânia. Qual balanço faz do seu mandato como vereador?
Estou muito satisfeito. Torço para que meu mandato se encerre agora porque isso significaria que consegui retornar à Câmara Federal.
Tem sido uma experiência marcante poder me aproximar mais de Goiânia no campo político e entender melhor como funcionam os parlamentos nos diferentes níveis.
Na Câmara Federal são 513 deputados. Fui líder de um partido que tinha 54 deputados federais, mais parlamentares do que toda a Câmara Municipal de Goiânia, que tem 37. São dimensões completamente diferentes.

Considero que meu mandato como vereador tem sido muito eficiente. Conseguimos aprovar projetos que se transformaram em lei. O Escudo Feminino, para mim, é um dos destaques porque enfrenta um problema grave do Brasil, que é a violência contra a mulher.
Não podemos ficar apenas nas medidas que já existem se elas não estão sendo suficientes para proteger as mulheres. Precisamos buscar outras alternativas efetivas para salvar vidas.
Ton Paulo – Você se considera independente em relação à gestão do prefeito Sandro Mabel ou está mais próximo da oposição? E como avalia atualmente a relação de Sandro Mabel com a Câmara Municipal? O diálogo com os vereadores melhorou?
Independente, tendendo à oposição. Considero Mabel inábil na relação com o Legislativo, insensível na relação com o cidadão e distante na relação administrativa.
Acho que ele tenta governar Goiânia como comandaria, ou como comandou, suas empresas. Na relação com o Legislativo, considero a atuação muito ruim.
A quantidade de projetos vetados é muito grande, e não estou falando apenas dos meus. Ele vetou projetos de vereadores da própria base.
Apresentei, por exemplo, um projeto para disciplinar as operações de carga e descarga, que são um problema no trânsito de Goiânia. A Câmara aprovou a proposta por unanimidade, e ele a vetou integralmente.
Também aprovamos o Escudo Feminino por unanimidade. O veto foi derrubado e agora existe a possibilidade de ele recorrer à Justiça para tentar invalidar o programa. Considero isso uma postura de grande insensibilidade e de desrespeito à Casa Legislativa.
Tenho ainda dois projetos voltados às famílias atípicas, especialmente àquelas com pessoas com autismo, que foram aprovados e vetados.
É inegável que hoje o povo goiano vive uma sensação que não é compartilhada por diversas outras regiões do país. Vivemos praticamente em uma ilha nesse aspecto
No caso do Escudo Feminino, conversei com a vice-prefeita, Coronel Cláudia, que integrou o Batalhão Maria da Penha; com a secretária de Políticas para as Mulheres, Erizânia Freitas; com representantes da área de segurança; com a secretária de Governo, Sabrina Garcez; e com a Procuradoria.

A Procuradoria inicialmente tinha dúvidas sobre a constitucionalidade, e procurei aprofundar a discussão jurídica. Essa é minha área de atuação e fiz questão de estudar o projeto para mantê-lo dentro das linhas constitucionais.
Se existe uma zona de dúvida jurídica e, ao mesmo tempo, mulheres estão morrendo, sendo agredidas, queimadas, arrastadas por carros ou espancadas, entendo que o gestor precisa implementar uma política pública que possa salvar vidas e permitir que os órgãos de controle façam, posteriormente, a análise jurídica.
Por isso, minha avaliação da gestão é muito ruim e capenga.
Ton Paulo – Você já foi deputado federal e agora tenta retornar a Brasília. Olhando para seu primeiro mandato, quais foram os principais acertos que pretende repetir e quais erros gostaria de corrigir?
Começando pelos acertos, considero que a própria decisão de entrar para a política foi acertada. Encaro a política como uma espécie de sacerdócio, uma decisão de vida.
Sou concursado na Câmara e estou no serviço público há 32 anos. Poderia ter uma vida muito mais estabilizada e tranquila, talvez dedicada à vida acadêmica, porque gosto muito de estudar.
Os únicos anos em que fiquei sem estudar foram justamente os quatro anos em que estive na Câmara Federal. Agora, como vereador, concluí uma pós-graduação em Direito Agrário e Agronegócio.
Também considero acertada minha decisão de me posicionar no campo da direita, assim como os projetos que apresentei, as pautas que defendi e as lideranças que exerci.
Como líder do governo, ajudei a aprovar pautas que considero muito importantes, como reformas, o auxílio emergencial de R$ 600 durante a pandemia, além de programas e novos marcos regulatórios criados no governo Bolsonaro.
Tenho orgulho disso. Mas, como era meu primeiro mandato, naturalmente também havia inexperiência.
Assumi a responsabilidade de ser líder do governo antes mesmo de tomar posse como deputado. Bolsonaro me escolheu para a função em 14 de janeiro e tomei posse em 1º de fevereiro.
Com a experiência que tenho hoje, acredito que, em diversos momentos, teria sido ainda mais cauteloso no relacionamento com parlamentares mais experientes.
Tive uma relação muito conflituosa com Rodrigo Maia, que era presidente da Câmara e fazia oposição ao nosso governo. Hoje, certamente manteria minhas posições, porque esse era meu papel, mas talvez fosse mais habilidoso no relacionamento cotidiano para evitar que as divergências se transformassem em conflitos públicos.
Esse é um aspecto que fui lapidando com a própria experiência política.
Ton Paulo – Então você acredita que voltaria à Câmara Federal mais aberto ao diálogo?
Quando Bolsonaro me escolheu para ser líder do governo, a primeira orientação que me deu foi justamente nesse sentido. Ele disse que eu não deveria ser o parlamentar do embate ou da tribuna, que brigaria com todo mundo. Como líder, esperava de mim articulação, votos e diálogo.
Procurei incorporar isso ao máximo, mas era difícil controlar os ânimos porque minha percepção, principalmente em relação ao então presidente da Câmara, era de uma oposição muito forte ao governo.
Na época, eu imaginava que o presidente da Câmara deveria atuar como árbitro entre oposição e governo. Hoje, percebo que o presidente da Casa sempre terá um lado e se posicionará de alguma maneira.
Talvez fosse difícil cobrar de um deputado de primeiro mandato uma percepção completa de todo o jogo político. Agora, depois de um mandato na Câmara Federal e de mais essa experiência na Câmara Municipal, acredito que voltaria a Brasília muito mais experiente e efetivo.
Para mim, o principal para um político não é apenas navegar bem ou ser bem relacionado. É ser efetivo. É conseguir trazer emendas e modificar a legislação para melhorar a vida dos brasileiros e, especialmente, dos goianos.
Vou chegar muito mais preparado para essa disputa por orçamento e recursos. É por isso que tenho feito campanha e pedido votos em todo lugar.


