Gustavo Gayer: “Eu era muito militante, ficava mais no confrontamento. Hoje converso com todos, mas continuo radical no que eu acredito”
05 setembro 2026 às 21h00

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Filho do empresário Ermulges Machado e da ex-deputada e delegada de Polícia Maria da Conceição Gayer, Gustavo Gayer, de 45 anos, chegou à vida pública como um personagem improvável da política tradicional. Professor de inglês e youtuber, sem nunca ter ocupado um cargo eletivo, o hoje deputado federal pelo PL parece ter abraçado o título de “outsider”, saindo das redes sociais diretamente para a Câmara dos Deputados em 2022, quando foi o segundo candidato mais votado de Goiás, atrás apenas de Silvye Alves.
A votação expressiva (Gayer foi eleito com mais de 200 mil votos) não veio por acaso. Com personalidade polêmica e retórica acessível, dura e quase sempre combativa, Gustavo Gayer soube transformar as redes sociais em um palanque que outros políticos tradicionais não conseguiram acessar. Seus vídeos, discursos inflamados e embates com figuras da esquerda e do centro político (e até com alguns da própria direita) costumam viralizar e ajudam a projetá-lo nacionalmente, fazendo dele um dos principais nomes da direita bolsonarista em Goiás.
Ao mesmo tempo, o próprio parlamentar diz que foi construída em torno dele uma imagem que reconhece ter se tornado, em alguma medida, uma caricatura de quem é fora das câmeras. Agora, quatro anos depois de estrear na política institucional, Gayer tenta chegar ao Senado e aparece, na maioria das pesquisas, entre o segundo e o terceiro lugares. Mas diz chegar à disputa diferente daquele personagem que desembarcou em Brasília em 2023.
Reconhece erros e acertos, diz ter aprendido que política não se resume ao confronto e conta ter ampliado o diálogo até mesmo com parlamentares que estão no extremo oposto de seu campo ideológico.
Nesta entrevista ao Jornal Opção, Gayer fala sobre a política nacional e regional, as denúncias e controvérsias envolvendo Flávio Bolsonaro, rebate críticas a Wilder Morais, candidato do PL ao Palácio das Esmeraldas, e revela o que chama de processo de amadurecimento em Brasília, além de listar feitos de seu mandato e de sua trajetória.
O senatoriável admite ter se “desradicalizado” na maneira de lidar com adversários. Isso não significa, porém, que tenha abandonado o estilo que o tornou conhecido. “Ainda sou radical no que acredito”, garante, se referindo aos chamados ideais da direita.
Ton Paulo – Você, hoje, é candidato ao Senado. E muita gente se perguntou por que você escolheu o Senado e não a reeleição a deputado. O que pesou nessa sua escolha para disputar o Senado?
Sinceramente, pelo trabalho que fiz, pela aceitação que estou tendo. Ando pelas ruas de Goiás, em qualquer lugar, e as pessoas me param para cumprimentar, agradecer, tirar foto.
E pergunto: agradecer pelo quê? Porque a gente só apanhou nesse governo por não ter desistido, por ter continuado, por dar esperança para as pessoas. Acho que, se fosse para a reeleição, talvez batesse o recorde de votos para deputado federal, para a Câmara Federal aqui em Goiás.
Mas a solução para o problema em que o Brasil se encontra agora não está na Câmara dos Deputados. Os problemas que nós temos hoje estão na Casa maior e podem ser resolvidos lá. É a questão do STF, de ministros do STF que abusam do poder, da perseguição, do uso de inquéritos como instrumento de destruição de reputações, de buscas e apreensões contra jornalistas, por exemplo, como vocês viram recentemente, além da quebra do sigilo da fonte.
Hoje, temos pessoas que vão ter medo de denunciar crimes de corrupção do governo porque temem que Alexandre de Moraes determine uma busca e apreensão na casa delas e na casa do jornalista que fizer a matéria. E toda essa bagunça que se criou, todo esse desrespeito à nossa Constituição, tem uma solução que está no Senado.
Só o Senado é o antídoto para essa doença que o Brasil está vivendo agora. O Senado vai dar a garantia de que o próximo presidente, Flávio Bolsonaro, possa executar seu planejamento, seu plano de governo. O Senado pode devolver o equilíbrio entre os poderes.
O Senado pode devolver o equilíbrio entre os poderes, pode devolver a nossa democracia. Muitos não concordam, mas quase metade do Brasil acredita hoje que nós não vivemos uma democracia plena. As pessoas têm medo de dar a sua opinião. E o antídoto para isso está no Senado. É o Senado que é capaz de resgatar essa nação.
Ton Paulo – É sabido que havia um acordo em andamento entre o PL e a base governista do governador Daniel Vilela, que incluiria o apoio do partido ao nome de Daniel e você na base como candidato ao Senado. Aos 45 minutos do segundo tempo, isso mudou. Wilder foi confirmado como candidato e, hoje, você disputa pelo PL, ao lado de Oseias Varão, enquanto a base governista tem quatro candidatos. O que aconteceu exatamente?
A política é muito dinâmica. O cenário muda e precisamos nos ajustar de acordo com essas mudanças.Lá atrás, enquanto Bolsonaro ainda estava livre e podíamos conversar com ele com frequência, a intenção era outra. Ele ainda acreditava que seria o candidato e nós também tínhamos essa esperança.
Estávamos no início do processo de julgamento dele pelo chamado golpe de 8 de janeiro. A ideia era juntar toda a direita para vencer a esquerda nessas eleições. Como sabiam que Caiado poderia vir como candidato à Presidência, a ideia era não ter conflito, não criar rusgas aqui em Goiás, para que pudéssemos caminhar juntos no segundo turno ou talvez até no próprio primeiro turno, dependendo da articulação.
Bolsonaro sempre gostou do Caiado. Apesar das brigas e de, às vezes, trocarem algumas farpas, Bolsonaro sempre teve uma admiração muito grande por ele.
Ele defendia: “Olha, não vamos brigar nos estados onde houver um candidato ao governo. Vamos tentar unir para que possamos juntar todo mundo no segundo turno”.
Esse era o planejamento e foi isso que ele falou não só comigo, mas com toda a base dele aqui em Goiás. Só que não deu certo. Wilder quis ser candidato e, depois, acabou tendo a aprovação, o aval de Bolsonaro para disputar. Então, esse projeto foi colocado de lado e agora estamos focados na nossa chapa.

João Paulo Alexandre – Você chegou a acreditar realmente nessa composição? Acha que ela seria benéfica para você? Porque existe uma rivalidade aqui entre a direita bolsonarista e o MDB.
Sinceramente, minha prioridade não era saber se seria bom ou ruim para mim. Minha prioridade é o que for melhor para vencermos Lula nessas eleições. Existe uma hierarquia. Se vem de cima o comando de que, nos estados onde houver candidatos ao governo, não vamos colocar ninguém contra esse candidato, seguimos essa orientação. Ou seja, não era para ter alguém em Minas Gerais, não era para ter alguém em São Paulo, por exemplo.
Imagine colocar alguém contra Tarcísio, embora ele não esteja no PL. Isso poderia prejudicar a direita e, inclusive, criar uma rusga com Tarcísio, fazendo com que, no segundo turno, não tivéssemos o apoio dele.
Então, essa era a ideia. Onde houvesse um candidato ao governo de direita, uma pessoa que fosse de direita, nós não iríamos interferir. Nos outros estados, estaria aberto para a chapa fazer o que quisesse.
Da forma como enxergava, isso poderia ser benéfico no segundo turno, porque a ideia é juntar todo mundo. Hoje, posso dizer que, mesmo com algumas rusgas e conflitos aqui dentro de Goiás, o ideal é que, no segundo turno, toda a direita, toda a centro-direita e toda pessoa que ainda ama este país se una para derrubar esse governo, porque ninguém aguenta mais quatro anos de Lula.
Acho que mais um ano desse governo, do jeito que as coisas estão indo, com o que estamos vendo, colapso econômico, 80% das famílias endividadas, 44,8% dos adultos inadimplentes e um terço das empresas também endividadas, pode levar o Brasil a um colapso. Acho que podemos chegar e passar do ponto de reversibilidade.

Cilas Gontijo – Na legislatura iniciada em 2022, tanto o Senado quanto a Câmara fizeram uma maioria formada, podemos dizer, por políticos conservadores e de direita. Apesar dessa composição, não foi o que vimos acontecer em relação aos projetos defendidos pela direita. Muitas das pautas que vocês defendem, e que você particularmente defende, não avançaram ou não foram aprovadas da maneira que vocês esperavam. Como você explica ter uma maioria, mas não conseguir aprovar os projetos e avançar com as pautas da direita?
Bom, quando saiu o resultado das eleições, olhamos para os partidos e vimos que PP, União, Republicanos e PL formariam uma suposta maioria.
O que não podíamos prever é que grande parte dessas pessoas que estão em partidos de centro e de direita venderia seus votos da forma como vendeu. Aquilo foi uma grande decepção para nós. O que vimos foram pessoas negociando votos em projetos absurdos em troca de R$ 5 milhões, R$ 10 milhões, R$ 15 milhões em emendas.
Isso saía na imprensa. No dia da reforma tributária, havia manchetes dizendo que o governo oferecia R$ 5 milhões para cada parlamentar que votasse a favor da reforma tributária. Não sei se foram R$ 5 milhões ou R$ 10 milhões.
Infelizmente, uma parte considerável do Congresso hoje não é nem de esquerda, nem de direita, nem de centro. Essa parte é formada por pessoas que têm etiqueta de preço, e não valor.
Dependendo do que se coloca na mesa, votam no projeto que for. Foi muito ruim quando percebemos isso. Realmente acreditávamos que poderíamos ter força para, pelo menos, barrar os piores projetos. Mas, quando a emenda entra na conta, infelizmente, muitas pessoas acabam seguindo a emenda.
É muito triste ver que existe esse balcão de negociação pornográfico. Infelizmente, temos cerca de 50 deputados que são de direita. Posso garantir que existem 50 deputados, 60 no máximo, com os quais não há a menor possibilidade de sentar à mesa para negociar emenda em troca de voto. Eles não desviam do seu caminho.

Ton Paulo – Você tem o que se pode chamar de “pé de guerra” com alguns colegas do Congresso. Um deles é o senador Vanderlan Cardoso. Vocês, inclusive, levaram à Justiça ações um contra o outro e, por vezes, trocam ataques. Como está essa situação atualmente?
Não tenho um pé de guerra com Vanderlan Cardoso, mas acho que aluguei um triplex na cabeça dele. Da última vez, ele zombou de um acidente que sofri quando tinha 19 anos, no qual morreram três pessoas, uma delas meu melhor amigo. Fez um vídeo zombando desse acidente, colocando um carrinho de desenho animado batendo. Aquilo é coisa de demônio.
Não tenho pé de guerra com Vanderlan Cardoso. Sou indiferente. Ele faz o que quiser da vida dele. Sei que está obcecado por mim. Não consegue dar uma entrevista sem falar de mim. Acho que está desesperado porque está vendo que não vai ganhar essas eleições, que será um fracasso como foi na eleição de Goiânia.
Mas tenho prioridades. Temos o Brasil para pensar. Temos 82% das famílias endividadas.
Como disse agora, temos adultos endividados, um terço das empresas falindo e o povo desesperado.
Andando por Goiás e vejo pessoas chorando, dizendo que vão fechar suas lojas. Não estou preocupado com Vanderlan Cardoso. Estou preocupado com o Brasil. Não tenho pé de guerra com ele.
Ton Paulo – Você citou alguns indicadores econômicos negativos, mas ainda assim o presidente Lula da Silva lidera nas pesquisas de intenção de voto. Por que acha que isso acontece?
Nós temos um padrão de comportamento eleitoral tanto da esquerda quanto da direita. Se você voltar a 2022, neste mesmo mês de agosto, Lula estava dez pontos à frente de Bolsonaro. Se olhar o agregador de pesquisas, que reúne todas as pesquisas e faz uma média, vai ver algo impressionante: Lula estava dez pontos à frente de Bolsonaro neste mesmo período, em 2022.
Se olhar agora o agregador de pesquisas, a diferença é de um ponto. Flávio Bolsonaro está a um ponto de Lula, ou seja, há um empate técnico, mas existe uma tendência. Lula está caindo e Flávio Bolsonaro está subindo.
A tendência de comportamento da direita é crescer na reta final. Sempre foi assim. Tanto que, em 2022, havia dez pontos de diferença neste período, mas, no resultado das eleições, no segundo turno, a diferença foi de pouco mais de um ponto.
Olhando por esse ponto de vista, tenho absoluta certeza de que vamos vencer essas eleições. Em grande parte, pelo mérito de Flávio Bolsonaro, que tem um discurso mais ponderado, mais equilibrado.
As pessoas, de início, tiveram aquela impressão: “Ah, deve ser intempestivo, igual ao Bolsonaro”. Mas, quando escutam Flávio falar, percebem que não. Ele tem os mesmos valores e princípios, defende as mesmas bandeiras, mas consegue conversar com um público mais ao centro e à centro-direita.
Em contrapartida, vemos um escândalo atrás do outro envolvendo Lula. Lulinha, Roberta Luchsinger, Marcola e, todos os dias, surgem novas conversas. Já é inequívoco, para mim, que havia um esquema de corrupção liderado pelo filho de Lula. Se havia ou não o consentimento do pai, isso ainda precisamos saber. Então, sim, a tendência é Lula cair e Flávio continuar subindo.

João Paulo Alexandre – Mas vemos que, ao mesmo tempo, Flávio também aparece no contexto do Banco Master, com a questão do dinheiro que foi pedido para o filme sobre Bolsonaro, Dark Horse. Há quem diga nos bastidores, inclusive, que isso pode ter sido apenas a ponta do iceberg. Como você avalia?
Você sabia que Daniel Vorcaro também financiou o filme sobre a biografia do Lula? Pois financiou. O filme sobre a biografia de Lula teve dinheiro de Daniel Vorcaro, que foi um dos financiadores.
Vocês sabiam que o filme sobre a biografia de Temer também teve dinheiro de Vorcaro? Os dois últimos ex-presidentes, tirando Bolsonaro, tiveram filmes sobre suas biografias financiados com dinheiro de Daniel Vorcaro.
Vendo isso, Flávio pensou: “Olha, é um cara que quer financiar filmes, a gente está precisando de recursos, vou pedir para ele”. Foi lá e pediu dinheiro privado, antes de saber do esquema.
São coisas diferentes. Quando houve a conversa, quando ocorreu o pedido de investimento para produzir um filme, que está pronto e, inclusive, foi aprovado pela Ancine para passar no cinema nacional, o que é a maior prova de que não foi dinheiro desviado, ele não sabia dos esquemas de Daniel Vorcaro. Ninguém tinha a menor noção.
Nessa época, inclusive, Daniel Vorcaro era retratado pela imprensa nacional como o futuro do sistema financeiro. Recebia prêmios, participava de eventos da LIDE, onde era entrevistado pela própria Globo como alguém que iria renovar, inovar e trazer tecnologia para o mercado financeiro. Ele era o futuro, o garoto do mercado financeiro. Ninguém tinha a menor noção de que, por trás daquilo, existia uma máfia que contratava a esposa de ministros do STF, com contratos de R$ 139 milhões, para se blindar.
Ninguém sabia, por exemplo, que ele tinha encontros com Lula na calada da noite, nos quais Lula dizia: “Olha, não vende seu banco ainda não. Aguenta só mais um pouquinho que eu vou colocar o presidente do BC e nós vamos te ajudar”.
Isso não era de conhecimento público. Era do Rui Costa, do Jaques Wagner, do Lula, mas não de Flávio Bolsonaro, que não fazia parte do poder nem do governo e não poderia dar nada em contrapartida. Infelizmente, descobriu-se depois que esse cara não vale nada, que é um mafioso e que hoje existe também um sistema do STF tentando protegê-lo.

Ton Paulo – Então por que ele negou, quando perguntado, que Vorcaro havia colocado dinheiro no filme Dark Horse?
Existia no contrato uma cláusula de confidencialidade, segundo a qual o investidor não queria que seu nome fosse divulgado. Depois que o nome foi divulgado, não por ele, Flávio falou: “Olha, realmente foi, pedimos, foi desse jeito, está aqui. Nós vamos fazer a auditoria e o filme vai ser apresentado”.
Ton Paulo – Mas ele não apresentou o contrato.
O contrato foi, se não me engano, publicado.
Ton Paulo – Não foi.
Vi trechos do contrato na imprensa. Não vi o contrato inteiro, mas vi trechos. Inclusive, descobriram isso pelo contrato. Foi pelo contrato que isso foi descoberto.
João Paulo Alexandre – Isso desgastou Flávio Bolsonaro?
Acho que desgastou, porque souberam usar isso de uma maneira muito ardilosa. E a esquerda é mestre em fazer isso, em pegar uma coisa que é um pastel de vento e transformar em uma bomba atômica.
Mas o efeito já passou. Houve aquele momento em que o desgaste foi grande, mas agora Flávio já está passando Lula nas últimas pesquisas.
Ton Paulo – Voltando ao cenário regional, o PL lançou Wilder Morais como o candidato ao governo de Goiás. Mas não vemos um apoio expressivo de mandatários da legenda ao nome dele. Um exemplo são os prefeitos do PL: uma parte considerável apoia Daniel, a exemplo de Márcio Corrêa e Carlinhos do Mangão. Por que isso acontece?
Sou deputado federal, não faço parte da Executiva nem participo das reuniões de cúpula. São esferas diferentes. Não sei dizer exatamente. Muitos prefeitos saíram do PL, acredito que pela necessidade de ter mais acesso a recursos do Estado. E entendo, às vezes, um prefeito que toma essa decisão, principalmente de cidades pequenas, porque os recursos estaduais são importantes.
É uma questão da qual, sinceramente, não faço parte da discussão. É um debate que acontece na Executiva. Seria necessário conversar com os membros da Executiva.
Penso da seguinte maneira. Vou falar, por exemplo, do caso do Márcio Corrêa. O Márcio é um grande amigo, está me apoiando para o Senado, apoiando o Major Vitor Hugo e, de forma muito firme, Flávio Bolsonaro. É ruim que ele não esteja apoiando Wilder. Inclusive, conversei com ele e disse: “Márcio, não é bom para você. Não faça isso agora, nem que tenha que ficar neutro”. Ele veio do MDB e tem uma amizade com Daniel Vilela, mas, da mesma forma, foi eleito pelo PL e acabou declarando apoio.
Houve um desgaste, mas acredito que, com o tempo, tudo vai se ajeitar. Ele é um cara de direita, uma peça fundamental da minha campanha hoje, uma das pessoas que mais me apoiam. Bolsonaro e Flávio Bolsonaro já deixaram muito explícito que a nossa prioridade é fazer maioria no Senado.

Ton Paulo – Recentemente, entrevistamos a ex-primeira-dama Gracinha Caiado, que afirmou que o simples fato de um candidato levar o número 22, ou seja, ser bolsonarista, não o gabarita para gerir o Estado. É exatamente uma das críticas que pesam contra Wilder, que ele se apoia 100% no bolsonarismo. Qual a sua visão disso?
Wilder tem seus méritos, e uma das características dele é não ficar mostrando suas ações o tempo inteiro. Acho que isso até o prejudica bastante.
As emendas, a forma como ajuda as cidades, como tenta melhorar a estrutura do Estado. Ele é um gestor, tanto que é um empresário de grande sucesso e um dos poucos no Brasil que alcançaram a posição em que está sem nunca ter feito um contrato público. Nunca!
Nenhuma licitação, nenhum contrato com dinheiro público, e hoje é um dos maiores empresários do Brasil. Tem empresas fora do país, hotéis e shopping. Chegar a esse nível sem recorrer ao contrato público, que é um anabolizante para qualquer empresa, é algo de se admirar.
Mas ele não é uma pessoa que fica mostrando o que faz o tempo inteiro. Agora, nesta eleição, terá a oportunidade de apresentar sua história, suas realizações, seus feitos e suas obras.
Tenho certeza de que, à medida que a campanha avançar, o programa eleitoral na televisão começar e as pessoas conhecerem o que ele já fez, sua história e o sucesso que alcançou, ele será mais conhecido e essa visão vai mudar. Tenho certeza de que ele vai crescer.

Ton Paulo – O que há de verdade na história de que o senhor cogitou recuar do Senado e se lançar à reeleição para deputado federal?
Nada. Nunca teve essa história. Vou explicar o que é isso. As pessoas não entendem que estou nessa por sacrifício. É comum na política as pessoas agirem por benefício próprio, em causa própria. Não é nem culpa delas, porque esse é o padrão de comportamento da política.
Se estivesse agindo em causa própria, iria para a reeleição, com a reeleição garantida. Já preparei minha família, meus amigos e meu advogado. Disse a eles: “Se preparem, não é brincadeira”. Estou preparado. Se tiver que ficar preso dois, três anos pelo meu país porque não me curvei, porque continuei falando quando muitos ficaram com medo de falar, vou fazer isso. Meus filhos já sabem disso.
Por isso, estão muito empenhados na minha campanha. Minha filha está participando porque sabe disso. Ela discursou agora e meu filho discursou no evento com Flávio. As pessoas que cogitaram a desistência projetaram em mim o medo delas. Ou projetaram em mim a falta de paixão delas pelo Brasil.
Amo este país. Estou lutando por um país. Mesmo que tenhamos uma discordância dentro do espectro político, saiba de uma coisa: a minha bandeira é genuína, é autêntica, ainda que você não concorde com o que defendo.
Estou disposto a entregar minha vida por isso. Respeito uma pessoa de esquerda que tenha esse mesmo tipo de comportamento. Respeito, por exemplo, deputados do PSOL que são completamente opostos a mim.
Sei que aquela pessoa dá a vida pelo que defende. É capaz de pular na frente de um trem se acreditar realmente naquilo. Respeito muito mais essa pessoa do que aquela que senta e negocia quem é ou a máscara que veste. Como o Chico Alencar, do PSOL. Gosto muito dele, é um gentleman. Outro é o Glauber Braga. Ele acredita e vive aquela pauta. Posso discordar 100%, e discordo, mas respeito a pauta dele.
Sobre a candidatura, sei que é um risco. E, pior, sou o único candidato que não vai usar fundo eleitoral. Estou correndo atrás. Parei de fazer a vaquinha da campanha, mas cheguei a arrecadar R$ 94 mil. Agora estou no desespero.

Ton Paulo – Quando foi eleito deputado, você era professor de inglês e youtuber, era um neófito na política. Hoje, pleiteia o Senado. Nesses anos de mandato na Câmara, onde você acha que acertou e errou?
Acho que acertei ao permanecer coerente com o meu discurso, mostrando que não era algo meramente eleitoreiro. Acertei em continuar sendo quem sou. Não gosto de privilégios, de andar com motorista ou com uma equipe de assessores para todo lado. Continuo sendo a mesma pessoa, andando de moto para cumprir meus compromissos.
Continuo do mesmo jeito. Acertei, por exemplo, em não usar o fundo eleitoral. Acho que isso torna tudo mais difícil, mas durmo mais tranquilo à noite, porque sinto que não estou usando o dinheiro de um povo endividado.
O Brasil está endividado, as empresas estão fechando e, em grande parte, precisam pagar impostos que também financiam o fundo eleitoral. O fato de não usar esse dinheiro, pelo menos, me dá tranquilidade. Minha cabeça fica leve.
Ganhando ou perdendo, pelo menos sei que estou fazendo a coisa certa. Fazer o certo é muito mais difícil. Acho que errei, no entanto, porque não fiz uma transição.
Era muito militante. O que move o militante, às vezes, é o sentimento de indignação e revolta com a forma como as coisas estão.
Quando virei deputado federal, talvez não tenha feito essa transição muito bem. Continuei militante durante muito tempo. Então, talvez tenha ficado muito mais no debate e no confronto do que na entrega.
Mas rapidamente comecei a aprender. Brasília é uma faculdade impressionante, onde se aprende rápido. Hoje já estou muito mais aberto ao diálogo. Converso com todo o espectro político. Tanto que consegui apoios como o do pastor Josué e do Rafael Gouveia, que vai declarar apoio, e de vários prefeitos que não são do PL.
João Paulo Alexandre – Você acha que essa “desradicalização” te ajudou?
Eu continuo radical na defesa do que acredito. Apenas não no comportamento, no diálogo com aqueles que falam de mim. Mas eu não cedo naquilo que acredito.
João Paulo Alexandre – Quem olha para você em um primeiro momento já pensa que vai brigar com aquela pessoa e cria até certa aversão. Quero saber quem é o Gustavo por trás desse escudo. Quero saber quem é esse cara por trás disso, que está disposto a dar a vida pelo que acredita.
Primeiro, quero explicar por que muitas pessoas têm essa caricatura quando pensam em Gustavo Gayer. Sou combativo, sou do embate. Não recuo quando vou defender alguma coisa em que acredito.
Não tenho medo do cancelamento. Isso já está mais do que provado. Então, o algoritmo escolhe os recortes que dão mais alcance. O que viraliza? Não sou eu falando, por exemplo, de pautas técnicas sobre como precisamos melhorar o PISA (Programa Internacional de Avaliação de Alunos), a educação ou o sistema didático. Isso não viraliza.
E tenho esse conteúdo que você nunca viu. Tenho conteúdo em que explico por que uma emenda pode, muitas vezes, criar o próprio problema que se propõe a solucionar. Explico, de forma técnica, por que existe um desequilíbrio entre os Poderes, com a experiência de quem foi professor por 25 anos.
Só que isso nunca chegou até vocês, porque esse conteúdo não viraliza. O que chega até você é o embate. O que chega é o momento em que estou gritando, em que minha veia estufa porque estou falando contra Alexandre de Moraes. Isso cria uma imagem na sua memória, uma caricatura que destoa da realidade.
Você acaba achando que Gustavo Gayer é apenas aquilo. Vou dar um exemplo. Tinha a mesma imagem do Glauber Braga. Achava que ele era o cara que chegava batendo, literalmente, em todo mundo. Mas, quando você se senta para conversar com ele, percebe que não é assim.
Ele conversa de uma maneira muito tranquila, muito serena. Também tinha essa impressão sobre ele e sei que muitos têm a mesma impressão sobre mim.
Esse Gustavo que você conhece, essa caricatura, é o Gustavo do embate e da defesa daquilo em que acredita. O Gustavo Gayer real é um cara muito brincalhão, que gosta de fazer piada, que se dá bem com todo mundo. Quem me conhece costuma gostar de mim. Consigo causar uma boa impressão até em um jornalista que tenha escrito 200 artigos me criticando de todas as formas. Basta sentar na minha frente.

Ton Paulo – Analistas políticos e o próprio governo apontam a segurança pública como a maior vitrine de Caiado e Daniel. Qual a sua visão sobre isso, uma vez que a segurança pública é, segundo levantamentos de opinião, a principal preocupação da população hoje?
Acho que existem alguns fatores que contribuem muito para a questão da segurança pública em Goiás. Um deles é a cultura do povo goiano. Temos uma cultura muito conservadora, com valores e princípios bastante tradicionais.
Então, Goiás já é um estado em que é mais difícil haver uma explosão da criminalidade. O povo goiano é trabalhador, tradicional e muito cristão. Temos, inclusive, uma parcela muito grande de evangélicos.
Acho que isso ajuda bastante. O segundo ponto é a nossa polícia, que é muito boa, independentemente de qual governo esteja no poder.
Ela vai continuar sendo muito boa, não importa quem seja o próximo governador. Acredito que já era uma polícia muito boa antes mesmo dos governos mais recentes. O que aconteceu foi uma reestruturação da Polícia Militar, da própria corporação, que contribuiu para melhorar a segurança pública. E, obviamente, Caiado tem mérito nisso.
Ele tem essa identificação com a segurança pública e deu condições para que a polícia agisse. Mas, essencialmente, deixou a polícia trabalhar. A nossa polícia é boa.



