Quem está acostumado a ver o Serra Dourada como palco de jogos e grandes eventos deverá encontrar um cenário diferente nos próximos anos. A modernização do complexo prevê novos espaços de convivência, lazer, hospitalidade e prática esportiva, com a intenção de aproximar o estádio da rotina da cidade mesmo fora do calendário de partidas.

A primeira mudança estará no entorno. Onde hoje predominam grandes áreas asfaltadas, o projeto prevê um Parque Poliesportivo de 16 mil metros quadrados e um parque linear, com espaços para corrida e ciclismo e paisagismo inspirado na vegetação do Cerrado.

A proposta é ampliar o uso do complexo sem tirar do estádio o papel que o tornou conhecido. A área deverá receber atividades esportivas, culturais e de entretenimento ao longo do ano, transformando o Serra Dourada em um espaço de convivência para além dos dias de jogos.

Com mais de cinco décadas depois da inauguração, o Serra Dourada continua sendo uma referência da arquitetura de Goiânia. O projeto de Paulo Mendes da Rocha é associado ao brutalismo e à chamada Escola Paulista, com o uso do concreto aparente, grandes vãos e uma estrutura de caráter monumental.

É essa identidade que a modernização busca manter. A ideia é atualizar o funcionamento do estádio e ampliar seus usos sem apagar as características que fizeram dele um dos símbolos arquitetônicos da capital.

O que muda dentro do estádio

No interior, a modernização será percebida principalmente por quem frequenta as arquibancadas e demais áreas do estádio. O projeto prevê novos camarotes e espaços de hospitalidade, além de melhorias em segurança, conforto e acessibilidade. Também estão previstas novas tecnologias e serviços.

Apesar das mudanças, a intenção não é criar um novo estádio. A estrutura projetada pelo arquiteto Paulo Mendes da Rocha e inaugurada em 1975 será preservada. A grande cobertura, as arquibancadas superiores, os vãos livres e os espaços de circulação continuarão como elementos centrais da arquitetura.

O concreto aparente, uma das principais marcas do projeto original, também será mantido. Novas estruturas deverão ser incorporadas de forma a não esconder ou descaracterizar o desenho do estádio.

Antes das intervenções, são realizados levantamentos, inspeções, modelagens e avaliações das condições da edificação. O objetivo é orientar as soluções de engenharia e definir como as novas estruturas poderão ser incorporadas sem comprometer os elementos originais.

Um complexo para além do futebol

A transformação não se limita ao estádio. O Complexo Serra Dourada reúne o estádio, o Goiânia Arena e o Parque Poliesportivo e está sob gestão da iniciativa privada por meio de uma concessão de 35 anos à Construcap. O patrimônio, porém, permanece pertencendo ao Estado de Goiás.

O investimento privado inicialmente anunciado para a modernização era superior a R$ 300 milhões, acima dos R$ 265 milhões previstos como mínimo contratual. Com o início das obras, em julho de 2026, o valor divulgado para a primeira grande etapa passou a ser de aproximadamente R$ 400 milhões. A previsão é que essa fase seja concluída em 2028.

Ao longo dos 35 anos de concessão, os investimentos no complexo podem superar R$ 1 bilhão, considerando também ações de manutenção e modernização. A expectativa é que o espaço tenha uma programação permanente de esporte, cultura, lazer e entretenimento. A meta apresentada pelo governo e pela concessionária é chegar a mais de 150 eventos e cerca de 3 milhões de visitantes por ano.

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