Levantamento da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel) revela que os bares e restaurantes irão contratar mais neste ano. O setor mira em investimentos para os próximos eventos, como Copa do Mundo, Natal e Réveillon. Este ano deve marcar uma movimentação maior nos estabelecimentos em relação aos dois últimos anos, quando a pandemia de Covid-19 estava menos controlada.  

De 1.709 empresários em todo o país que responderam à pesquisa, entre 21 e 30 de setembro, 45% afirmam que têm intenção de contratar funcionários até o fim do ano. Desse total, 25% revelaram já ter aumentado o quadro de funcionários em setembro. Outros 51% têm a expectativa de manter o time atual e apenas 4% dizem que irão realizar demissões.

“Estamos entrando em um ciclo virtuoso nos próximos meses, com vários fatores contribuindo positivamente: o fim da pandemia, a melhora no poder aquisitivo, os benefícios sociais como o Auxílio-Brasil, a baixa nos índices de desemprego, o aumento de pessoas frequentando bares e restaurantes depois de tempos tão difíceis”, o presidente-executivo da Abrasel, Paulo Solmucci. “O número de empresas contratando é alto, mas não nos surpreende. Estamos acompanhando de perto a movimentação dos estabelecimentos e já prevíamos a melhora dos indicadores na economia”, emenda.  

“Além disso tudo, a redução da inflação geral é muito importante para os negócios, pois permite a redução nos custos para um setor que estava há meses pressionado, segurando os repasses do cardápio e absorvendo parte importante dos aumentos. A cereja do bolo é a Copa do Mundo em novembro, estamos muito animados”, completa.

Dentre aqueles que pretendem contratar, 63% apontam como motivo o aumento de demanda previsto, em função dos eventos. Mas também chama a atenção o número de empresas que busca mais funcionários para ampliar o negócio para lançamento de novos produtos e serviços. Nesse quesito são 11%. Abrir filiais chegam a 9%. Além disso, 25% querem recompor o quadro e readequar a empresa no pós-pandemia.

Pessoal qualificado

Por outro lado, 99% dos empresários citam como dificuldade encontrar pessoal especializado. Entre os cargos difíceis de preencher estão: padeiro e sommelier, apontados como alto grau de dificuldade para contratação para 72% e 71% dos respondentes, respectivamente. Chef de cozinha (62%), gerente (59%) e profissional de TI (39%) também estão em falta no mercado.

“Encontrar bons profissionais sempre foi uma dificuldade do nosso setor, que se torna mais evidente em momentos como este, de alta demanda. Os estabelecimentos acabam formando muita gente, mas isso leva tempo e investimento. Além disso, na dinâmica do nosso setor, o garçom de hoje é o empresário de amanhã, e muita gente trocou o emprego por um negócio próprio, como microempresário, durante a pandemia. Então encaramos esta dificuldade como algo transitório”, afirma Solmucci.