“Caiado é galo de terreiro, acostumado na briga, mas brigo pelo que interessa ao Brasil”, afirmou Ronaldo Caiado (PSD) ao oficializar neste domingo, 26, em São Paulo, sua candidatura à Presidência da República.

Em discurso de tom combativo, o ex-governador de Goiás disse que está preparado para enfrentar seus adversários, combater o crime organizado e apresentar uma alternativa à polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e nomes ligados ao bolsonarismo. Vale ressaltar que o governador de Goiás, Daniel Vilela (MDB), sucessor de Ronaldo Caiado no comando do Estado e pré-candidato ao governo, compareceu ao evento.

Caiado afirmou que sua presença na disputa nacional só foi possível pela “coragem” do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que decidiu lançar um nome fora da polarização política.

“Eu não seria candidato se não fosse a coragem de Kassab. Jamais poderia renunciar ao apoio daquele que enfrentou todos aqueles que achavam que podiam calar o Brasil e diziam que não teria mais nenhum candidato fora da polarização”, declarou Caiado. Segundo ele, a decisão do dirigente partidário abriu espaço para que o PSD apresentasse um novo projeto para o país. “Obrigado, Kassab. Eu não podia renunciar a você”, afirmou.

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O evento contou com a presença de Daniel Vilela – governador de Goiás | Foto: Divulgação/PSD

No discurso, Caiado direcionou críticas aos seus principais adversários políticos. Sem citar diretamente uma disputa eleitoral já definida, o governador afirmou que Lula e o senador Flávio Bolsonaro não apresentam propostas para o Brasil. Segundo ele, o governo petista teria levado o país ao empobrecimento, enquanto Flávio Bolsonaro estaria envolvido em sucessivas crises políticas.

“Um está há 20 anos no poder. O que ele fez para o Brasil a não ser empobrecer o Brasil perante os outros países do mundo? O outro já teve oportunidade e nada construiu, e hoje está às voltas com tantas denúncias do dia a dia”, disse. Caiado também ressaltou sua trajetória política de quatro décadas e afirmou nunca ter sido envolvido em escândalos.

“Eu nunca desonrei o voto de um brasileiro, nunca vocês me viram envolvido em negociata, em mensalão, em escândalo para assaltar aposentado ou em qualquer outro caso. Aqui não tem espaço para bandido crescer”, afirmou.

Ao pedir apoio aos eleitores, o ex-governador afirmou que pretende chegar ao segundo turno e derrotar o atual presidente. “Me dê essa chance, povo brasileiro. Me dê a chance de chegar ao segundo turno, que eu vou bater o Lula e nós vamos criar um país diferente e devolver o Brasil aos brasileiros”, declarou.

Segurança pública como principal bandeira

A segurança pública foi um dos principais temas do discurso. Caiado afirmou que o governo federal não enfrenta o crime organizado porque, segundo ele, haveria uma relação de dependência entre setores políticos e criminosos. “Por que o atual governo não acaba? Porque são complacentes e irmãos siameses. Vivem juntos e um se alimenta do outro”, disse.

O ex-governador apresentou Goiás como exemplo de sua política de segurança e afirmou que o modelo adotado no estado reduziu a criminalidade e aumentou o controle sobre o sistema prisional. “Antes, penitenciária era universidade de bandido, era quartel de bandido. Hoje, faccionado só fala com Deus, se quiser. É monitorado 100% e o crime caiu”, afirmou.

Caiado prometeu levar o modelo de Goiás para o governo federal caso seja eleito. “Me coloquem na Presidência e vocês vão ver um modelo de segurança que vai fazer com que o presidiário cumpra sua pena. Comigo, bandido não se cria. Comigo, corrupto não se cria”, declarou.

O candidato também apresentou propostas voltadas ao combate à violência contra mulheres. Ele afirmou que pretende confiscar bens de agressores e transferir os valores para as vítimas, além de defender punições mais rígidas para casos de feminicídio.

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Caiado prometeu levar o modelo de Goiás para o governo federal caso seja eleito | Foto: Divulgação/PSD

Educação e gestão de Goiás

Durante o discurso, Caiado afirmou que os resultados obtidos por Goiás nas áreas de educação e segurança pública mostram que é possível melhorar os serviços públicos por meio de gestão eficiente. Segundo ele, o estado passou por uma transformação durante seus sete anos de governo.

“Hoje Goiás tem o cidadão andando na rua com celular, tem uma das melhores educações do país, tem o maior centro de desenvolvimento e inteligência artificial da América Latina e retirou mais de 620 mil pessoas da pobreza”, afirmou.

Na área educacional, Caiado destacou investimentos em estrutura, alimentação escolar, material didático e profissionalização dos jovens. “O aluno se sente orgulhoso de estar na sala de aula. O pai e a mãe estão satisfeitos porque sabem que o filho está tendo oportunidade”, declarou.

Críticas a Flávio Bolsonaro e defesa de um projeto nacional

No encerramento do discurso, Caiado voltou a criticar Flávio Bolsonaro e afirmou que o senador seria o nome que interessa ao PT em um eventual segundo turno. Segundo ele, sua candidatura representa uma alternativa para evitar a repetição da polarização política.

“O Kassab botou água no chope e veio a candidatura do Caiado. Nós vamos cometer o erro de entregar para o PT o candidato que ele quer no segundo turno?”, questionou.

Em tom de confronto, Caiado afirmou que não se considera um político moderado diante dos desafios do país e usou uma comparação para defender sua postura de enfrentamento. “Nós não somos homens frouxos, aqueles candidatos que não têm como explicar suas atitudes, igual frango de franja. Caiado é galo de terreiro, acostumado na briga, mas briga pelo que interessa ao Brasil”, afirmou.

O candidato disse ainda que pretende apresentar ao mundo as potencialidades brasileiras, citando o agronegócio, os recursos minerais e a disponibilidade de água como vantagens estratégicas do país. “Vou sentar à mesa e dizer que somos o único país que tem tudo aquilo que o mundo precisa: alimento, um agronegócio forte, minerais, água doce e um presidente do tamanho da cadeira que ocupa.”

Ao finalizar, Caiado afirmou que sua candidatura representa uma tentativa de mudança no comando do país. “A hora é agora. É devolver o Brasil aos brasileiros. É dizer em alto e bom som: PT, corrupção e narcotráfico não têm vez aqui no Brasil.”

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