O PSD vai oficializar neste domingo, 26, a candidatura do ex-governador de Goiás, Ronaldo Caiado, à Presidência da República durante a convenção nacional da legenda. O evento, que será realizado nesta manhã, também deve confirmar o presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, como candidato a vice-presidente. A intenção dos pessedistas é consolidar uma chapa que buscará se apresentar como alternativa à polarização política nacional.

Para Caiado, no entanto, a disputa começa com um desafio reconhecido por ele mesmo: ampliar sua popularidade para além de Goiás. Em diversas declarações públicas, o ex-governador admite que, apesar da longa trajetória política, ainda precisa se tornar mais conhecido do eleitorado brasileiro.

Médico e político com mais de quatro décadas de vida pública, Caiado construiu sua carreira como um dos principais nomes do conservadorismo brasileiro. Foi candidato à Presidência da República nas eleições de 1989 pelo PSD, legenda que, embora tenha passado por diferentes configurações ao longo das últimas décadas, mantém o nome do partido ao qual retorna agora. Também exerceu cinco mandatos como deputado federal e governou Goiás por dois mandatos consecutivos.

À frente do Palácio das Esmeraldas, ganhou projeção nacional pelo discurso firme na área da segurança pública, resumido em uma frase que marcou sua gestão: “Ou o bandido muda de profissão ou muda de Goiás.” Durante seus oito anos de governo, também alcançou índices superiores a 80% de aprovação entre os goianos, sendo apontado por diferentes levantamentos como o governador mais bem avaliado do país.

Bandeiras conservadoras e oposição à esquerda

Ao longo da carreira política, Caiado manteve uma atuação marcada pelo enfrentamento à esquerda, especialmente ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Defensor de pautas conservadoras, sempre esteve entre os principais porta-vozes da defesa do direito à propriedade privada, do agronegócio e do endurecimento das políticas de segurança pública. Essas bandeiras devem permanecer no centro de sua campanha presidencial.

Mudança de partido e aposta no PSD

A candidatura pelo PSD representa uma mudança importante na trajetória recente de Caiado. A expectativa inicial era de que ele disputasse a Presidência pelo União Brasil, partido ao qual era filiado. Sem respaldo interno para viabilizar seu projeto nacional, decidiu aceitar o convite do presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, que agora integra a chapa como candidato a vice-presidente. Curiosamente, trata-se do mesmo partido pelo qual Caiado disputou sua primeira eleição presidencial, em 1989, ainda sob uma configuração partidária diferente da atual.

O desafio de conquistar o eleitor brasileiro

Apesar do currículo político e da expressiva aprovação obtida em Goiás, Caiado reconhece que sua principal missão será ampliar sua visibilidade nacional. O próprio candidato tem afirmado que sabe não ser suficientemente conhecido pelo eleitorado brasileiro e que sua prioridade, a partir da oficialização da candidatura, será apresentar sua trajetória, suas propostas e os resultados de sua gestão ao restante do país. A convenção deste domingo, portanto, marca não apenas o lançamento oficial da candidatura, mas o início da tentativa de transformar um capital político regional em uma candidatura competitiva ao Palácio do Planalto.

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