Governo brasileiro nega visto a representantes dos EUA por suspeita de intervenção nas eleições presidenciais
26 julho 2026 às 12h46

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O Itamaraty decidiu negar a entrada no Brasil de dois integrantes do Departamento de Estado dos Estados Unidos que planejavam desembarcar no país às vésperas das eleições presidenciais. A avaliação do Itamaraty foi de que a missão poderia alimentar questionamentos sobre a segurança das urnas eletrônicas e representar uma tentativa de interferência no processo eleitoral brasileiro.
Os pedidos de visto foram rejeitados na sexta-feira, 24. A comitiva seria composta por Riley M. Barnes, secretário-assistente do Escritório de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho (DRL), e Samuel D. Samson, secretário-assistente adjunto da mesma divisão.
Barnes é um dos principais auxiliares do secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, com quem mantém uma relação próxima. Além de comandar a área de Democracia, Direitos Humanos e Trabalho, ele foi escolhido por Rubio para acumular funções estratégicas, como a coordenação especial para Questões do Tibete e as atribuições do embaixador-geral para Liberdade Religiosa Internacional.
Já Samuel D. Samson integra o mesmo departamento desde 2025 e ocupa o cargo de secretário-assistente adjunto. Ele atua na formulação de políticas ligadas à democracia e aos direitos humanos e é identificado como um defensor da agenda “America First”, adotada pelo governo do presidente Donald Trump, especialmente em temas relacionados à política externa e aos valores defendidos pela atual administração norte-americana.
Embora o Brasil costume receber observadores internacionais durante as eleições, os dois representantes norte-americanos não foram apresentados oficialmente por Washington para essa função. Em vez disso, informaram que pretendiam cumprir uma agenda de reuniões sobre o processo eleitoral brasileiro.
Segundo informações publicadas pelo Metrópoles, com base em fontes do governo federal, a programação incluía encontros com o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e com autoridades eleitorais para discutir temas ligados à liberdade de expressão e às eleições de outubro.
A decisão do governo também levou em conta o momento escolhido para a visita. Dias antes do pedido de visto, Flávio Bolsonaro voltou a questionar a confiabilidade das urnas eletrônicas durante um encontro com embaixadores de dezenas de países com base em informações falsas.
Na ocasião, o senador afirmou que as urnas brasileiras teriam a mesma origem das fabricadas pela empresa Smartmatic e citou supostas fraudes eleitorais na Venezuela. A informação, no entanto, foi desmentida pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que esclareceu que a empresa não forneceu urnas para as eleições brasileiras.
Reportagens da imprensa estadunidense revelaram que a missão enviada pelo governo de Donald Trump pretendia levantar dúvidas sobre a confiabilidade do sistema eleitoral brasileiro. Para o Itamaraty, a coincidência entre a viagem e a retomada dos ataques às urnas reforçou a percepção de que a iniciativa poderia ampliar a desconfiança sobre o processo eleitoral em pleno período de campanha.
Com esse entendimento, o governo brasileiro optou por negar os vistos aos dois integrantes da delegação, impedindo a realização da missão no país.



