“O administrativo não é só o pano, o rodo e o chão. Se estamos na secretaria da educação, também somos da educação. Tem que ter respeito. Apesar dos cargos diferentes, a categoria é igual. Você passou para aquilo, não é vergonha não. Vergonha é o que tá acontecendo aqui. Vergonha é remanejar pessoas de outras áreas para não pagar os direitos dos trabalhadores”, disse José Divino, responsável pela limpeza do CMEI Jardim Europa. A greve dos administrativos municipais da educação completa 15 dias nesta segunda-feira, 16, ainda sem propostas de acordo pela Prefeitura de Goiânia.

Pelo menos 120 unidades escolares e Centros Municipais de Educação Infantil em Goiânia, de um total de 400, enfrentam interrupções nos serviços devido à greve dos servidores administrativos da Educação, iniciada no início do mês. A categoria pede o reajuste de 6% no pagamento da data-base de 2023, um novo plano de carreira e a equiparação no auxílio locomoção, que hoje é de R$ 300 e os profissionais pedem que seja de R$ 600, o mesmo valor para professores.

Thiago Augusto, auxiliar educativo do CMEI Tia Jovita, em Goiânia, disse que as greves estão sendo realizadas desde o ano passado, mas os professores não participaram desta manifestação porque foram contemplados pela prefeitura. “O plano de carreira dos administrativos da prefeitura foi aprovado tanto da limpeza quanto para o nível médio, somente nós da educação ficamos de fora. Aí esse ano nos revoltamos porque, com o reajuste inflacionário, estamos recebendo menos de um salário mínimo”, explicou ao Jornal Opção.

Na greve do ano passado, estavam os administrativos e professores lutando pelo pagamento do piso salarial e pelo data-base, que estava atrasado há 3 anos. Os professores conseguiram o pagamento do piso, mas os administrativos não conseguiram o reajuste do data-base, porque segundo a Prefeitura de Goiânia, não havia dinheiro em decorrência da pandemia. Segundo os administrativos, o prefeito prometeu o pagamento em maio de 2023, mas até o momento eles não foram beneficiados.

“Desde o ano passado já vinha falando de um novo plano de carreira para os administrativos da prefeitura, mas o plano excluía a educação. Entramos em greve porque toda a prefeitura terá um plano de carreira, por que nós da educação temos que ficar de fora?”, continuou Thiago. O plano de carreira dos administrativos da prefeitura foi aprovado tanto da limpeza quanto para o nível médio, somente os administrativos da educação ficaram de fora.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), até o momento nenhuma proposta concreta foi apresentada aos trabalhadores pela gestão municipal. O prefeito Rogério Cruz (Republicanos) não recebeu a diretora do Sindicato, Bia de Lima, para negociações à categoria. Na manhã desta segunda-feira, 16, ela foi recebida pelo chefe de gabinete do prefeito, mas ainda sem propostas de acordo.

Enquanto isso, a greve segue por tempo indeterminado e os administrativos estão acampados em frente ao Paço Municipal.

Servidores estão acampados em frente ao Paço Municipal, em Goiânia. | Foto: Jornal Opção

Reivindicações dos grevistas

Diogo Fernando Nascimento é administrativo na escola municipal Rui Barbosa e denuncia a diferença nos tratamentos dos servidores públicos. “Os que fazem 8 horas tiveram um aumento de 3 mil reais, sendo que a categoria é igual. Por que tem esse espaço de diferença de salários? ‘Não, mas é porque eu não sou da educação’, dizem alguns. Como que não é da educação? Se você está na secretaria, é da educação sim. Por que que recebe esse montante? E por que só os administrativos devem ser prejudicados?”, explicou ele.

Três dias após o Ministério da Educação (MEC) anunciar um reajuste de 14,9% no piso salarial dos professores, a Prefeitura de Goiânia e o governo de Goiás se mobilizam para aplicar as correções nos valores recebidos pela categoria. Depois do anúncio do MEC, que eleva o piso nacional de R$ 3,8 mil (referente a uma jornada semanal de 40 horas) para R$ 4,4 mil, o Sintego conseguiu negociações com a prefeitura.