Cotistas já superam não cotistas em conclusão no ensino superior do Centro-Oeste
20 abril 2026 às 17h11

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Mais de 60% dos ingressantes no ensino superior do Centro-Oeste são oriundos da rede pública, e cerca de 45% já entram por políticas de ações afirmativas, segundo o Censo da Educação Superior 2024, divulgado pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira.
Os dados mostram ainda que esses estudantes apresentam melhor desempenho acadêmico: a taxa de conclusão entre cotistas chega a cerca de 55%, ante 49% entre não cotistas, evidenciando a efetividade das políticas de inclusão.
O levantamento nacional mostra que 49% dos estudantes cotistas concluíram a graduação, enquanto entre os demais alunos o índice foi de 42%.
As informações indicam uma mudança no perfil dos universitários da região, com crescimento consistente da participação de alunos que vieram da escola pública. O avanço reflete a consolidação da Lei de Cotas e de outros mecanismos de acesso ao ensino superior, ampliando a diversidade dentro das instituições.
Além disso, a evasão entre cotistas é menor ou equivalente à dos demais estudantes, reforçando a capacidade dessas políticas de garantir não apenas o ingresso, mas também a permanência no ensino superior. O resultado é uma taxa de conclusão superior à dos não cotistas, o que desmonta a ideia de que políticas de reserva de vagas comprometeriam o desempenho acadêmico.
De acordo com os dados, mais de 55% das matrículas da região já estão fora das capitais, evidenciando a expansão do ensino superior para cidades do interior em estados como Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. Esse movimento tem contribuído para reduzir desigualdades regionais e ampliar o acesso.
O Centro-Oeste soma aproximadamente 850 mil matrículas, com predominância da rede privada, responsável por cerca de 80% dos estudantes, enquanto a rede pública concentra os 20% restantes. O avanço acompanha o movimento nacional de interiorização e ampliação da oferta de cursos.
No panorama nacional, o Censo registra mais de 10 milhões de matrículas em 2024, consolidando a expansão do sistema. Os dados confirmam uma tendência clara: os cotistas já são maioria entre os concluintes, com desempenho superior ao dos não cotistas ao longo da trajetória acadêmica, evidenciando o impacto positivo das políticas públicas de inclusão no Brasil.
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