Eleitor bolsonarista parece apostar mais em Daniel Vilela do que em Wilder Morais
01 agosto 2026 às 21h00

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A eleição para o governo de Goiás será realizada no dia 4 de outubro, num domingo, daqui a dois meses e dois dias.
Parece um tempo longo, mas, a rigor, é curto. Diz-se: “A campanha ainda não começou”. Ninguém acredita na veracidade da frase. Porque a campanha já começou.
No caso específico de Goiás, há uma singularidade: o governador Daniel Vilela, pré-candidato à reeleição pelo MDB, mantém-se na liderança há vários meses. Nunca caiu. O quadro de favoritismo, portanto, é absolutamente estável. A expectativa de poder está enfeixada em suas mãos.
(Vale sublinhar: as pesquisas de intenção de voto — as sérias, como a Quaest — aferem a realidade das ruas, ou seja, buscam os eleitores reais, não o ambiente conflagrado das redes sociais.)
Se a eleição fosse realizada hoje, Daniel Vilela teria chance de ser reeleito já no primeiro turno. Porque, de acordo com a Quaest, tem mais intenção de voto do que todos os demais postulantes juntos.

Os eleitores estão dizendo que querem “continuidade” em Goiás. O governo de Ronaldo Caiado foi bem avaliado e o de Daniel Vilela mantém avaliação altamente positiva.
A direita em Goiás é muito mais representada por Ronaldo Caiado, do PSD, do que por qualquer outro político. Portanto, o candidato a presidente pelo PSD tem um peso imenso na atração do eleitorado de direita para Daniel Vilela. Porque é o “avalista” do governador
Portanto, os eleitores não querem mudança. Ou melhor, querem mudança, sim, mas com a continuidade do que deu certo — por exemplo, na segurança pública, na educação e na rede de proteção social. O que a maioria diz é: Daniel Vilela assumiu o governo e não deixou a peteca cair. Goiás se mantém avançando, mas de maneira tranquila, sustentável.
Voto do eleitorado de direita e de esquerda
Há um aspecto a se discutir, que tem sido negligenciado pelas análises publicadas na imprensa. Quem está “levando” os votos da direita e até os de esquerda?
O pré-candidato a governador pelo PT, Luis Cesar Bueno, aparece, na última pesquisa Quaest, com 3%. Noutras palavras, não está absorvendo os votos de todos os eleitores de esquerda.

O mais provável é que Daniel Vilela esteja, de alguma forma, absorvendo parte do eleitorado de esquerda. Porque, exatamente, não se sabe. Talvez seja porque os Vilelas, tanto Maguito quanto Daniel, são políticos moderados, que dialogam com todos os setores da sociedade, sem amarras ideológicas.
Dadas suas alianças político-eleitorais, Daniel Vilela posiciona-se na centro-direita, mas há indícios de que está conquistando parcelas substanciais dos votos de eleitores de esquerda ou de centro-esquerda. Daí a estagnação de Luis Cesar Bueno.
Marconi Perillo, do PSDB, e Wilder Morais, do PL, estão se apresentando como candidatos das direitas.
Mas fica a pergunta: se a direita é forte em Goiás, por que as intenções de voto de Marconi Perillo e Wilder Morais persistem baixas, desde sempre, de acordo com as pesquisas dos institutos sérios, como Quaest, Real Time Big Data e Paraná Pesquisas?
Na pré-campanha, confiando apenas no eleitorado bolsonarista, Wilder Morais não buscou novos apoios. O resultado é que não atraiu os eleitores bolsonaristas — que não o percebem como bolsonarista nem como de direita — e não conseguiu apoio de outros setores
Uma resposta precisa demandaria pesquisas, notadamente qualitativas. Mas é possível especular, a partir dos números apresentados.
Tudo indica que Daniel Vilela está absorvendo, em larga medida, os eleitores de centro, de direita e parte substantiva do eleitorado de esquerda (aquele desprezado tanto por Wilder Morais quanto por Marconi Perillo).
Vínculo da direita com Ronaldo Caiado
O fato é que a direita em Goiás é muito mais representada, inclusive em termos históricos, por Ronaldo Caiado, do PSD, do que por qualquer outro político.

Portanto, Ronaldo Caiado tem um peso imenso na atração do eleitorado de direita para Daniel Vilela. Ele é o avalista do governador.
Então, é bem possível que a conexão de Ronaldo Caiado com Daniel Vilela esteja impedindo que o eleitorado de direita busque outro candidato a governador — como Marconi Perillo e Wilder Morais.
Pode-se dizer que Marconi Perillo e Wilder Morais, que se expõem como de direita, estão travados pela conexão Ronaldo Caiado e Daniel Vilela.
A questão histórica é decisiva. Ronaldo Caiado milita na direita em Goiás e no país ao menos desde 1989 — são quase 40 anos de militância e liderança. Foi candidato a presidente e foi eleito deputado federal, senador e governador (duas vezes).
Já Wilder Morais, um empresário de centro — mais do que político —, é um chegante, um novato na direita. Aproximou-se dos Bolsonaros mais por questões circunstanciais, eleitorais, do que por razões ideológicas. Tanto que o dono da Construtora Orca não “critica” o Supremo Tribunal Federal e muito menos o ministro Alexandre de Moraes.
Não há, a rigor, nenhuma conexão entre os eleitores de direita e Wilder Morais. Por isso, ele precisa, em larga medida, do empurrão do bolsonarismo.
Sem a direita, que não o quer, e sem a esquerda — que ele não quer —, Marconi Perillo está isolado. Tanto que, a dois meses das eleições, ainda não conseguiu definir sua chapa majoritária. Esperou alguma defecção base governista e deu-se mal. Ninguém quis apoiá-lo
Sem o apoio do deputado federal Gustavo Gayer, do PL — que se identifica realmente com as bandeiras da direita bolsonarista —, Wilder Morais dificilmente terá condições de ampliar seu raio de ação entre os eleitores de direita.

Há, inclusive, um problema para Gustavo Gayer. Se estivesse junto com Ronaldo Caiado e Daniel Vilela, o parlamentar do PL possivelmente seria eleito senador, ao lado de Gracinha Caiado, a postulante do União Brasil.
No momento, Gustavo Gayer até ajuda Wilder Morais a ter 11% das intenções de voto (pesquisa Quaest). Mas é bem provável que o pré-candidato a governador do PL esteja colaborando para travar a ascensão do deputado na disputa para o Senado.
Então, Wilder Morais pode perder para governador e, de alguma maneira, tende a contribuir para uma possível derrota de Gustavo Gayer.
Marconi, sem a direita, rejeita a esquerda
Marconi Perillo, embora esteja se apresentando como postulante da direita, sempre foi ligado ao centro, até à centro-esquerda do PSDB, assim como o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e Henrique Santillo (o padrinho político chegou a ser filiado ao PT, na década de 1980).
Para tentar conquistar parte do eleitorado bolsonarista, Marconi Perillo começou a criticar o presidente Lula da Silva e a se apresentar como de direita. Até agora, a guinada ideológica não lhe deu a mínima sorte.

Possivelmente porque o tucano, assim como Wilder Morais, não quis entender a força de Ronaldo Caiado na direita goiana. Os dois estão tentando “atrair” um eleitorado que já tem identidade com outro político.
Marconi Perillo e Wilder Morais querem, naturalmente, ser eleitos governador de Goiás. A estratégia de ambos — o objetivo — é a disputa em si, ou seja, tentar ser eleito. Mas não estão acertando nas táticas.
Wilder Morais fez uma única aposta — ficou e está esperando o apoio do eleitorado bolsonarista (esquecendo, repita-se, que tal eleitorado vota, há anos, em Ronaldo Caiado). Sua tática, portanto, pode ser um equívoco.
Ao longo da pré-campanha, confiando apenas no eleitorado dito bolsonarista, Wilder Morais não buscou novos apoios. O resultado é que ainda não atraiu os eleitores bolsonaristas — que não o percebem como bolsonarista nem como de direita — e não conseguiu apoio de outros setores da sociedade.
Marconi Perillo “abriu” diálogo com o PT de Lula da Silva, por intermédio de Delúbio Soares, pré-candidato a deputado federal. Os dois são amigos.

Durante meses, Delúbio Soares operou por uma aliança do PT com Marconi Perillo. Porém, alegando que a esquerda o prejudica eleitoralmente em Goiás, o tucano decidiu manter-se distante do petismo. Chegou até a criticar Lula da Silva de maneira enfática. Ante seu insulamento, fica-se com a impressão de que o tucano está “buscando” um eleitorado que não existe.
De alguma maneira, Marconi Perillo esperava conquistar apoio no Agro e entre evangélicos. Porém, isto não está ocorrendo. Parte substancial do Agro ficará com Daniel Vilela. Um de seus principais representantes, José Mário Schreiner, opera para ser vice do candidato do MDB.
Os evangélicos, a parte mais substantiva, já está fechada com Daniel Vilela e tenta indicar Luiz do Carmo — irmão do bispo Oídes José do Carmo, uma referência nacional dos evangélicos — para vice.
Sem a direita, que não o quer, e sem a esquerda — que ele não quer —, Marconi Perillo está, política e socialmente, isolado. Tanto que, a dois meses das eleições, ainda não conseguiu definir sua chapa majoritária. Esperou alguma defecção base governista e deu-se mal. Ninguém quis apoiá-lo.
Na campanha, além dos problemas do passado — motivo de sua rejeição de 46% (pesquisa Quaest) —, Marconi Perillo terá dificuldade para explicar sua ligação com o Banco Master e Daniel Vorcaro. O próprio tucano admitiu ter recebido 14,5 milhões de reais do Banco Master. Alegou que fez consultoria. Mas qual tipo de consultoria?
Talvez seja possível concluir que o eleitorado bolsonarista tende a ficar mesmo, e em larga escala, com Daniel Vilela — o candidato de Ronaldo Caiado a governador.
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