Daniel Vilela tem o apoio de um general eleitoral e de três exércitos eleitorais: prefeitos, candidatos a deputado e pastores evangélicos
08 agosto 2026 às 21h00

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Mesmo não sendo bolsonarista-raiz — no máximo, é da ala bolsonarista light ou da direita festiva —, o senador Wilder Morais, candidato a governador de Goiás pelo PL, tem o apoio do candidato do partido a presidente da República, Flávio Bolsonaro.
Ainda assim, a um mês e 25 dias das eleições, Wilder Morais aparece em terceiro lugar nas pesquisas de intenção de voto — atrás dos candidatos do MDB, governador Daniel Vilela, e do PSDB, ex-governador Marconi Perillo.
De acordo com a última pesquisa Quaest, Wilder Morais está com 11% das intenções de voto, ou seja, 26 pontos percentuais atrás de Daniel Vilela. Marconi Perillo aparece 10 pontos à frente do postulante do PL.
Direita e centro com Daniel Vilela
O que a pesquisa sugere, praticamente explicita, é que Wilder Morais não está absorvendo o voto da direita em Goiás. O motivo é um só (e o Jornal Opção apontou isto no Editorial da semana passada; confira no link: https://tinyurl.com/z5hdh3ds): o eleitorado de direita está sendo absorvido, em larga escala, pelo governador Daniel Vilela. Por quê?

Porque Daniel Vilela é um político de centro — ou de centro-direita — e é apoiado por um general eleitoral do porte de Ronaldo Caiado, candidato a presidente da República pelo PSD.
O principal representante da direita em Goiás, nos últimos quarenta anos, é Ronaldo Caiado — que já disputou a Presidência, em 1989, e foi deputado federal, senador e governador. O líder do PSD possivelmente está canalizando o voto de direita para Daniel Vilela.
Por não ser de esquerda, Daniel Vilela também atrai, per si, atrai, o voto da direita, sobretudo da centro-direita, moderada. Mas, insistindo, o aval maior é de Ronaldo Caiado.
Tão poderoso quanto o exército de prefeitos é o exército de candidatos a deputado estadual e federal. São eles que circulam por todo o Estado pedindo voto para si e para Daniel Vilela e para os candidatos ao Senado, como Gracinha Caiado
A rigor, Wilder Morais não é de direita (talvez seja de centro) — ele está na direita. O eleitorado — inclusive, talvez sobretudo, o radical — percebe isto. O senador nunca fez uma crítica acerba ao Supremo Tribunal Federal, o que é mais mérito do que defeito. Porém, para o bolsonarismo, é uma “falha” grave.
Marconi Perillo é um político de centro-esquerda, com ligação histórica com o PT (seu padrinho político, Henrique Santillo, chegou a ser filiado ao PT, na década de 1980).
Porém, como percebe que o eleitorado conservador cresceu em Goiás, Marconi Perillo aproximou-se do campo da direita, apresentando-se como um de seus representantes.

Como aparece com 21% das intenções de voto, há indícios de que a direita não “adotou” Marconi Perillo. Porque prefere o candidato de Ronaldo Caiado, Daniel Vilela, e Wilder Morais.
A tática política de Marconi Perillo é o típico tiro pela culatra. Porque, de cara, perdeu o PT, que ofereceu aliança com insistência. O tucano parece acreditar que, no segundo turno, vai precisar da direita de Wilder Morais. Porém, e se Wilder Morais o superar e for para o segundo turno?
Assim como Wilder Morais precisará atacar Marconi Perillo para tentar ultrapassá-lo, o tucano terá de defenestrá-lo para tentar manter o segundo lugar.
Todo político sábio — e não há nenhum néscio na batalha eleitoral deste ano (nem Wilder Morais o é) — percebe que a disputa da primeira etapa pode ser decisiva. Porque Daniel Vilela pode ser eleito no primeiro turno. Então, quem ficar pensando no segundo turno, desde já, pode dormir candidato e terminar fora do páreo já no primeiro turno.
As infantarias das guerras eleitorais
Posta a questão do eleitorado da direita — no momento acompanhando Daniel Vilela e, em menor escala, Wilder Morais —, vale abordar três questões às quais a mídia se refere de maneira tangencial: os exércitos eleitorais, o eleitorado evangélico e os líderes evangélicos.

Costuma-se subestimar prefeitos, vereadores e candidatos a deputados estadual e deputado federal. Não deveria ser assim. Porque eles são a verdadeira infantaria das “guerras” eleitorais. Porque são aqueles que verdadeiramente colocam as campanhas nas ruas. Expõem os nomes dos candidatos a governador e senador de maneira massiva.
O maior exército eleitoral desta eleição apoia Daniel Vilela para governador, Gracinha Caiado, Vanderlan Cardoso, Zacharias Calil e, sim, Gustavo Mendanha para senador. Não só apoia. Vai trabalhar — já está trabalhando — quase em tempo integral pela vitória dos candidatos da base governista.
Veja-se o caso do Entorno de Brasília. Não há um único prefeito da região apoiando Marconi Perillo, Wilder Morais e Luis Cesar Bueno, do PT. Todos estão com Daniel Vilela. A maioria absoluta dos vereadores, secundando os gestores municipais, também apoia o candidato a governador pelo MDB.
Evangélicos são bandeirantes da fé e do social. A assistência aos pobres é um de seus referenciais. Suas igrejas são templos de integração social. Onde o Estado às vezes não alcança, os pastores estão lá, atendendo os desgarrados sociais
Dado o imenso apoio do exército eleitoral do Entorno de Brasília, Daniel Vilela pode ser reeleito no primeiro turno, até com certa facilidade. Assim como aconteceu com Ronaldo Caiado em 2022. Em algumas cidades, o ex-governador obteve quase 80% dos votos válidos.

Até o governo de Ronaldo Caiado, o Entorno era conhecido como terra do Nem-Nem. Ou seja, “nem de Goiás” e “nem de Brasília”. Agora, há um forte sentimento de pertencimento. Porque a região foi favorecida, em larga escala, nas áreas de saúde, educação, social e segurança pública (antes, era o caos — um zona de controle do banditismo).
Nas demais regiões, ocorre praticamente a mesma coisa: Daniel Vilela é o favorito da maioria dos prefeitos.
Marconi Perillo tem largo conhecimento do interior e de sua política. Mas tem pouco ou nada a oferecer aos gestores municipais — exceto o passado. Tornou-se um prisioneiro do passado e os prefeitos, vereadores e moradores dos 246 municípios vivem no presente e à espera de um futuro melhor.

Tão poderoso quanto o exército de prefeitos — como Sandro Mabel (Goiânia), Leandro Vilela (Aparecida de Goiânia), Márcio Corrêa (do PL, Anápolis), Wellington Carrijo (Rio Verde), Diego Sorgatto (Luziânia), Lucas Antonietti (Águas Lindas), Velomar Rios (Catalão), Renato de Castro (Goianésia) e Vanuza Valadares (Porangatu) — é o exército de candidatos a deputado estadual e federal. São eles que circulam por todo o Estado pedindo voto para si e para Daniel Vilela e para os candidatos ao Senado, como Gracinha Caiado.
Em maior número, os candidatos a deputado estadual representam um exército poderoso. Daniel Vilela tem uma infantaria e uma artilharia poderosa — maior do que as de todos os candidatos somados. Talvez seja a maior “armada” eleitoral da história de Goiás.
(Consta que Wilder Morais é muito pouco conhecido no interior. Por isso, em algumas cidades, é visto assim: “É o ex-marido da Andressa Mendonça, a ex do Carlos Cachoeira”. Ou dizem: “Ah, é o dono do helicóptero”. Marconi Perillo é bem conhecido, mas sua rejeição é alta — 46%, segundo pesquisa do instituto Quaest.)

Eis alguns dos candidatos a deputado federal que estão no batalhão parlamentar de Daniel Vilela: Bruno Peixoto (União Brasil), Célio Silveira (MDB), Daniel Agrobom (PSD), Delegado Waldir (União Brasil), Fátima Gavioli (PSD), Flávia Morais (MDB), Glaustin Fokus (Podemos), Ismael Alexandrino (PSD), José Nelto (União Brasil), Lêda Borges (Republicanos), Lucas Calil (PRD), Lucas do Vale (PSD), Magda Mofatto (está sendo escanteada por líderes do PL), Marussa Boldrin (Republicanos), Pedro Salles (PSD), Ricardo Quirino (Republicanos), Silvye Alves (União Brasil). Três deles — Silvye Alves, Bruno Peixoto e Lucas do Vale — figuram na lista de possíveis campeões de voto.
O poderoso exército eleitoral evangélico
Chegou o momento de falar de outro exército eleitoral poderoso, porque altamente coeso. Cerca de 33% dos eleitores goianos são evangélicos. Evidentemente, nem todos votam em Daniel Vilela. Há os que votam em Marconi Perillo e Wilder Morais. Mas a maioria absoluta votará, possivelmente, no postulante do MDB.
Um dos motivos de votarem no católico Daniel Vilela é que seu vice é o empresário e ex-senador Luiz Carlos do Carmo.

Luiz do Carmo é irmão do bispo Oídes José do Carmo e do prefeito de Bela Vista de Goiás, Eurípedes.
Oídes José do Carmo, bispo da Assembleia de Deus/Madureira, é uma dos líderes evangélicos mais respeitados de Goiás e do país. Como é uma referência, sua palavra conta, e muito.
Goiás conta com uma liderança evangélica respeitável, que é uma referência religiosa. Não só. Os líderes evangélicos têm uma presença ativa na sociedade goiana — em cada um dos 246 municípios.
Os evangélicos são bandeirantes da fé e do social. A assistência aos pobres, aos que não têm nada, é um referencial das igrejas evangélicas. Suas igrejas são, de alguma maneira, templos de integração social. Onde o Estado às vezes não alcança, por variados motivos, os pastores evangélicos estão lá, atendendo aos, por assim dizer, desgarrados sociais.
No dia em que tiver menos preconceito contra os evangélicos, a mídia poderá mostrar tanto sua missão espiritual (que é relevante) quanto sua missão social(importante complemento à rede estatal). A abnegação de religiosos com os indivíduos já começar a merecer estudos acadêmicos sérios, mas raramente a questão chega aos jornais, revistas, sites, emissoras de televisão e rádio.

(Chega-se a falar que não se deve misturar política e religião. Quem diz isto parece desconhecer a história da humanidade. Política e religião sempre estiveram irmanadas, mesmo depois que se decidiu pela separação entre Estado e Igreja.)
A pedido do Jornal Opção, dois religiosos listaram alguns dos pastores que apoiam Daniel Vilela e Luiz do Carmo: Abnair Vargas (Assembleia de Deus/Ministério Fama), Bertiê Magalhães (Assembleia de Deus/Madureira/Anápolis), Cleoncio Sathler Garcia (apóstolo, do Conselho de Pastores de Goiás), Gentil (Assembleia de Deus/Bethel), João Queiroz (Igreja Batista), Jônathas Silveira (Luz Para os Povos), José Carlindo (representante das chamadas igrejas independentes de Goiás), José Clarimundo César (Assembleia de Deus/Ministério Anápolis), Josué Gouveia (Assembleia de Deus/Madureira/Vila Nova), Oídes José do Carmo (Assembleia Deus/Fama), Romeu Ivo (Assembleia de Deus/Ministério Esperança), Thiago Cunha (Church, sem manifestação oficial).
Quem conhece bem o meio evangélico costuma dizer: os 33% (do eleitorado) podem se tornar, durante a campanha, 50% — dada a imensa capacidade de trabalho dos pastores e dos fiéis das igrejas.


