O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central anunciou uma redução de 0,5 ponto percentual na taxa básica de juros (Selic), fixando-a em 11,25% ao ano. Essa decisão segue a estratégia de cortes adotada desde agosto do ano passado, quando dois novos diretores indicados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ingressaram no BC, enquanto parte do PT pressionava por uma redução mais significativa.

Os novos diretores, Paulo Picchetti e Rodrigo Teixeira, que assumiram seus cargos no início deste mês, concordaram com a continuidade dos cortes de 0,5 ponto na Selic nas próximas reuniões do Copom, considerando-os adequados para o atual ciclo de redução da Selic. Eles afirmaram que esse ritmo é necessário para manter uma política monetária contracionista, fundamental para o processo de desinflação. Com essa medida, o número de diretores indicados por Lula no BC chega a quatro, num total de nove membros da diretoria, incluindo o presidente Roberto Campos Neto.

O comunicado do Copom reiterou a importância da execução das metas fiscais para ancorar as expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária. Apesar de manter as projeções de inflação para 2024 e 2025, o Copom revisou levemente as expectativas para os preços administrados e destacou que o país está em trajetória de desinflação, embora ainda enfrentando riscos como pressões inflacionárias globais e a resiliência na inflação de serviços.

Os analistas já esperavam esse novo corte de 0,5 ponto, dadas as recentes indicações de inflação. De acordo com o boletim Focus, divulgado na terça-feira, o mercado projeta uma taxa de 3,81% para o IPCA ao final de 2024.

O ciclo de redução da taxa básica de juros teve início após 12 altas consecutivas entre março de 2021 e agosto de 2022, em resposta ao aumento nos preços de alimentos, energia e combustíveis, mantendo-se congelada em 13,75% ao ano até agosto do ano passado.

EUA mantém taxa

Nos Estados Unidos, o Comitê de Mercado Aberto (FOMC, na sigla em inglês) do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, optou por manter os juros básicos da economia do país no mesmo nível, marcando a quarta reunião consecutiva com essa decisão. Desde julho, a taxa tem variado dentro de uma banda entre 5,25% e 5,50% ao ano. O comunicado divulgado pelo FOMC não indicou um cronograma para o início de um ciclo de cortes de juros.

A decisão estava alinhada com as expectativas da maioria dos analistas. O monitor de juros FedWatch, do CME Group, mostrava que até o início da tarde, 94,8% do mercado esperava que a taxa fosse mantida, enquanto 5,2% ainda previam um aumento de 0,25 ponto percentual.

Os diretores do Fed observaram que os indicadores recentes apontam para uma expansão sólida da atividade econômica, embora os ganhos de emprego tenham desacelerado desde o início do ano passado, permanecendo robustos, e a taxa de desemprego tenha se mantido baixa. Eles também notaram que, embora a inflação tenha diminuído ao longo do ano passado, ela continua elevada.

De acordo com o comunicado do FOMC, o Comitê não planeja reduzir o intervalo da meta até ter maior confiança de que a inflação está caminhando de forma sustentável em direção à meta de 2%.

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