As exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentam um novo cenário de restrições após a adoção de duas medidas tarifárias neste mês. Com base na Seção 301 da legislação comercial norte-americana, Washington estabeleceu sobretaxas adicionais de 25% e 12,5% sobre parcelas das importações originárias do Brasil. O impacto combinado alcança 23,1% das vendas externas brasileiras para aquele mercado, enquanto 52,7% permanecem livres de tarifas específicas além das ordinárias.

A primeira decisão, publicada no dia 15, decorre de investigação exclusiva contra o Brasil e impõe sobretaxa de 25% sobre determinados produtos. Entre os itens afetados está o açúcar. A segunda medida, divulgada no dia 23, integra uma ação mais ampla contra 60 parceiros comerciais e está relacionada ao combate ao trabalho forçado nas cadeias globais. Nesse caso, o Brasil foi incluído no grupo de 41 economias sujeitas à tarifa adicional de 12,5%, que incide sobre produtos como pescados, óleos essenciais e obras de pedra e gesso.

As duas medidas podem se acumular sobre um mesmo produto, elevando a tarifa a 37,5%. Essa situação atinge 16,5% das exportações brasileiras, incluindo máquinas e equipamentos, madeira, calçados, móveis, confecções, gorduras e óleos. Além disso, 1,9% das vendas externas estão sujeitas apenas à tarifa de 25% e 4,7% apenas à de 12,5%.

Mais da metade das exportações brasileiras para os Estados Unidos, equivalente a 52,7%, continuam sem incidência de sobretaxas adicionais. Permanecem sujeitas apenas às tarifas ordinárias norte-americanas produtos como café, carnes, ferro fundido, aeronaves, suco de laranja, frutas, diversos químicos e a maior parte da celulose.

As medidas se somam às tarifas específicas da Seção 232, que já atingem 24,2% das exportações brasileiras com incidência sobre produtos determinados e aplicáveis a todos os países. Em 2024, o comércio bilateral registrou recorde de 40,4 bilhões de dólares, mas desde então vem sofrendo retração. Em 2025, as exportações caíram para 37,7 bilhões de dólares e no primeiro semestre de 2026 houve nova queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. A redução foi puxada principalmente pela queda de 30,4% nos embarques de petróleo bruto e de 21,7% nas vendas de ferro e aço.

A participação dos Estados Unidos nas exportações brasileiras também diminuiu. Passou de 12% em 2024 para 10,8% em 2025 e de 12,1% para 9,4% na comparação entre os primeiros semestres de 2025 e 2026. As importações brasileiras de produtos norte-americanos igualmente recuaram, levando a uma queda de 12,8% na corrente de comércio bilateral.

O quadro revela uma desaceleração significativa das trocas comerciais entre Brasil e Estados Unidos em meio ao uso crescente de instrumentos tarifários por parte de Washington e à incerteza sobre as condições de acesso ao mercado norte-americano.

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