O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) atuou nos bastidores para tentar convencer a federação formada por PP e União Brasil a não apoiar a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República. A estratégia é evitar que o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro amplie sua base de apoio com partidos do Centrão na disputa eleitoral de 2026.

A articulação do governo ocorre em meio às discussões internas da chamada União Progressista, formada por PP e União Brasil. A tendência é que as duas siglas adotem uma posição de neutralidade na eleição presidencial e deixem os diretórios estaduais livres para definir alianças locais.

A decisão representa um revés para Flávio Bolsonaro, que buscava atrair o apoio da federação para fortalecer sua campanha. A aliança também poderia garantir ao pré-candidato maior tempo de propaganda eleitoral no rádio e na televisão, além de uma estrutura partidária mais ampla.

O cenário, porém, não é uniforme nos estados. Em São Paulo, por exemplo, os diretórios do PP e do União Brasil já declararam apoio à pré-candidatura de Flávio. Durante uma convenção realizada no dia 20 de julho, o deputado Guilherme Derrite (PP-SP) afirmou que, no Estado, “não tem neutralidade nenhuma”.

A posição paulista, no entanto, contrasta com a estratégia que vem sendo discutida pelas direções nacionais dos dois partidos. A neutralidade permitiria que as legendas mantivessem maior liberdade para negociar alianças regionais e apoiar diferentes candidatos aos governos estaduais.

Para o governo Lula, impedir um apoio nacional da federação a Flávio é considerado importante para evitar o fortalecimento da candidatura bolsonarista. O movimento também abre espaço para que integrantes do PP e do União Brasil mantenham diálogo com o Palácio do Planalto e construam acordos de acordo com os interesses de cada Estado.

A decisão definitiva sobre a posição nacional da federação ainda depende das discussões internas das duas legendas. Nos bastidores, porém, a neutralidade ganhou força e pode deixar Flávio Bolsonaro sem o apoio formal de uma das maiores estruturas partidárias do chamado Centrão.

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