Maílson da Nóbrega prevê baixo crescimento e alerta indústria goiana sobre riscos econômicos
06 outubro 2026 às 15h36

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O ex-ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega defendeu, durante apresentação na Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), nesta terça-feira, 6, que a indústria goiana se prepare para um período de baixo crescimento, juros elevados e maior instabilidade na economia mundial. Segundo Maílson, é necessário estudar o impacto de uma possível crise financeira e adotar medidas internas para se preparar, como conter novos investimentos e proteger o caixa.
Entre as recomendações estão o controle do endividamento, a redução temporária de novos investimentos e, principalmente, a proteção do caixa. “Em crises como essa, em que o crédito escasseia, o custo aumenta, as empresas que têm caixa são aquelas que mais sobrevivem”, afirmou. Maílson também defendeu que entidades empresariais promovam estudos, debates e orientações para que o setor produtivo conheça os riscos e se antecipe a eles.
O diagnóstico apresentado aponta que o Brasil permanece em uma “armadilha do baixo crescimento”, com investimento e poupança em níveis reduzidos, juros elevados e inflação acima da média dos países emergentes. As projeções apresentadas indicam crescimento do PIB de 1,8% em 2026, 1% em 2027, 1,3% em 2028 e 1,7% em 2029. No mesmo período, a taxa de desemprego poderia subir de 5,5% para 7%.
Maílson também chamou atenção para a situação fiscal brasileira. Segundo os dados apresentados, a dívida bruta do país supera 90% do PIB, colocando o Brasil entre os países emergentes mais endividados. Para ele, a combinação entre desequilíbrio fiscal, baixa produtividade e dificuldades para aprovação de reformas limita a capacidade de crescimento do país.
O cenário internacional também foi apontado como fonte de preocupação, especialmente diante do enfraquecimento das regras multilaterais de comércio e da política tarifária do governo Donald Trump. O ex-ministro defendeu que o Brasil mantenha negociações para reduzir as tarifas e adote mecanismos de apoio às empresas afetadas. “Negociar até conseguir uma revogação, uma redução substancial das tarifas”, afirmou.
Na avaliação apresentada, conflitos geopolíticos, riscos de uma crise energética e as transformações provocadas pela inteligência artificial ampliam as incertezas para empresas e governos. O diagnóstico também aponta que a fragmentação da economia mundial exige maior capacidade de adaptação do setor produtivo brasileiro.
Outro tema abordado foi a reforma tributária. Maílson considera que a mudança para um sistema baseado no IVA tende a elevar a produtividade e a competitividade brasileiras, apesar dos custos de adaptação. Para ele, a resistência ao novo modelo é, em parte, resultado do desconhecimento sobre seu funcionamento. “As empresas deveriam ter estudado esse impacto e se preparar para isso”, afirmou.
A apresentação também relacionou as perspectivas econômicas ao cenário eleitoral e à capacidade do próximo governo de avançar em reformas estruturais. Entre as medidas defendidas estão mudanças na vinculação de despesas ao salário mínimo, maior flexibilidade orçamentária e uma nova reforma da Previdência. Maílson citou ainda a necessidade de melhorar a infraestrutura e recuperar a capacidade de investimento do poder público, especialmente em logística.
Sobre Goiás e o Centro-Oeste, o ex-ministro afirmou não ter elementos para fazer uma avaliação detalhada da infraestrutura atual, mas destacou a evolução observada na região nas últimas quatro décadas. “Mudou de água para o vinho. As estradas, começamos a ter ferrovias”, disse. Para ele, a continuidade dos investimentos em logística dependerá da capacidade do Estado brasileiro de realizar reformas que ampliem a margem do orçamento para investimentos públicos.
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