A gigante do setor alimentício, JBS, encontra-se em avançadas negociações para adquirir a Mantiqueira, líder na produção de ovos na América do Sul. A empresa em questão ostenta a marca de mais de 3 bilhões de ovos anuais, registrando um faturamento expressivo de R$ 2 bilhões.

Segundo informações obtidas pelo jornal O Globo, Leandro Pinto, fundador e atual proprietário da Mantiqueira, permaneceria como sócio após a conclusão do negócio. A transação reflete a estratégia característica do conglomerado J&F, que, uma vez mais, se destaca ao adentrar de maneira estratégica em um setor já consolidado. O grupo da família Batista controla empresas como a Friboi, Moy Park, Pilgrim’s Pride, Primo, Seara, Swift, Gold’n Plump, Doriana, Massa Leve, Marba, entre outras.

Em Rolândia, no Paraná, a JBS inaugurou recentemente um “berçário” de aves que recebeu investimento de R$ 135 milhões. Apontado como o maior e mais tecnológico incubatório do país, o local tem capacidade de incubação de mais de 16 milhões de ovos férteis por mês, ocupando uma área de 16.314 m², sendo responsável por 12% dos pintos produzidos pela Seara.

O incubatório de Rolândia vai passar a atender municípios no norte do Paraná, como Campo Mourão, Santo Inácio e Jaguapitã. De acordo com a empresa, eles também estão prontos para atender outras regiões, se necessário.

A previsão é que o incubatório comece a operar na segunda metade de fevereiro, e a reconstrução rápida levou apenas 10 meses, com cerca de 200 pessoas trabalhando nas obras. Agora, com as atividades retomadas, a equipe do local contará com 155 colaboradores.

A JBS e a Lava Jato

Dono da JBS, Joesley Batista, foi um dos envolvidos em um escândalo de corrupção do Brasil que veio à tona em 2016, a Lava Jato. Ele e seu irmão, Wesley Batista, fizeram acordos de delação premiada com o Ministério Público Federal (MPF) admitindo o pagamento de propinas a diversos políticos, incluindo Eduardo Cunha, na época presidente da Câmara dos Deputados.

Em 2017, Joesley Batista fez novas revelações durante a sua delação premiada. Ele afirmou ter gravado uma conversa com o então presidente Michel Temer, na qual discutiram a compra do silêncio de Eduardo Cunha. Ele também mencionou supostos esquemas com o atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com a ex-presidente Dilma Rousseff.

As revelações de Joesley Batista tiveram grandes repercussões no cenário político brasileiro. Michel Temer enfrentou acusações e processos, mas a Câmara dos Deputados barrou a abertura de processos criminais contra ele. No caso de Lula e Dilma, ambos enfrentaram uma série de problemas legais, incluindo acusações relacionadas à Operação Lava Jato, embora as acusações específicas mencionadas por Joesley tenham sido objeto de investigação.

Nos meses que se seguiram, Temer foi denunciado por corrupção passiva pelo Procurador-Geral da República, Rodrigo Janot, os irmãos Batista foram presos, as empresas do grupo J&F perderam valor, receberam multas bilionárias, venderam ativos e renegociaram dívidas.

Joesley Batista foi preso no fim de 2018, durante a operação Capitu, desdobramento da Operação Lava Jato conduzida pela Polícia Federal (PF). Também foram detidos o vice-governador de Minas Gerais, Antonio Andrade (MDB), um deputado estadual mineiro e um deputado federal recém-eleito por Minas Gerais.

A investigação da operação se concentrou em um suposto esquema de corrupção que operou no Ministério da Cultura e na Câmara dos Deputados entre 2014 e 2015, durante o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT). Foram cumpridos 63 mandados de busca e apreensão e 19 mandados de prisão temporária em Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Paraíba e Mato Grosso.

Além de Joesley Batista e do vice-governador de Minas, foram presos o deputado estadual João Magalhães (MDB), o deputado federal recém-eleito Neri Geller (PP-MG), ex-ministro da Agricultura entre março e abril de 2014, os executivos da JBS Ricardo Saud e Demilton de Castro, três advogados e o ex-secretário de defesa Agropecuária Rodrigo Figueiredo. Eles enfrentam acusações de lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva, participação em organização criminosa e obstrução de Justiça.

Joesley Batista após ser preso pela PF em 2018. | Foto: Willian Moreira