O economista Francisco Lafaiete Lopes, conhecido nacionalmente como Chico Lopes, morreu nesta sexta-feira, 8, aos 80 anos, no Rio de Janeiro. Ele estava internado no Hospital Pró-Cardíaco. Considerado um dos principais nomes da economia brasileira nas últimas décadas, Lopes participou de momentos decisivos da formulação da política econômica do país, incluindo o Plano Cruzado, o Plano Bresser e a consolidação do Plano Real.

Formado em Economia pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com mestrado pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e doutorado pela Universidade Harvard, nos Estados Unidos, Chico Lopes também teve forte atuação acadêmica. Nos anos 1970, participou da criação do programa de pós-graduação em Economia da PUC-Rio, instituição que se tornou referência nacional na área.

Ao longo da carreira, esteve envolvido nos principais debates econômicos do país durante o período de hiperinflação. Participou da elaboração do Plano Cruzado, em 1986, e do Plano Bresser, em 1988. Embora não tenha integrado oficialmente a equipe econômica do governo Itamar Franco, foi consultado durante a construção do Plano Real, implantado em 1994 para estabilizar a economia brasileira.

No Banco Central, ganhou protagonismo durante o primeiro mandato do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. A convite de Persio Arida, assumiu a diretoria de Política Econômica da instituição e, posteriormente, a diretoria de Política Monetária. Nesse período, participou da criação do Comitê de Política Monetária (Copom), órgão responsável pela definição da taxa básica de juros do país, a Selic.

Em 1999, durante a crise cambial que levou à desvalorização do real e ao fim do regime de bandas cambiais, Chico Lopes chegou à presidência do Banco Central. O período, porém, ficou marcado pelo caso Marka-FonteCindam, um dos maiores escândalos financeiros da época.

Na ocasião, o Banco Central autorizou a venda de dólares abaixo da cotação de mercado para socorrer os bancos Marka e FonteCindam, que enfrentavam fortes prejuízos após apostarem na manutenção da estabilidade cambial. A operação gerou investigações, CPI no Congresso e processos judiciais. Em 2012, Lopes e outros envolvidos foram condenados por improbidade administrativa, mas as acusações acabaram prescritas anos depois.

Apesar das controvérsias, Chico Lopes continuou sendo reconhecido por sua contribuição ao processo de estabilização econômica do país. Em depoimento ao projeto “História Contada do Banco Central do Brasil”, publicado em 2019, ele afirmou que a transição do câmbio fixo para o câmbio flexível no Brasil foi uma das mais bem-sucedidas do mundo.

Filho de Lucas Lopes, ex-ministro da Fazenda do governo Juscelino Kubitschek, Chico também mantinha ligação histórica com figuras importantes da política nacional.

Ele deixa a esposa, Ciça Pugliese, os filhos Estefânia Maria Lopes, Bruno Pugliese e Sérgio Pugliese, além de netos. O velório será realizado neste sábado, 9, no Cemitério do Caju, no Rio de Janeiro. A cerimônia começa às 13h, e a cremação está prevista para as 16h.