Os acontecimentos meteorológicos recentes, como as intensas ondas de calor no Centro-Oeste e as chuvas abundantes no Sul, são esperados para impactar os preços dos alimentos no final deste ano e nos primeiros meses de 2024, conforme apontam as projeções de economistas. Os efeitos já são percebidos nos preços de produtos in natura, como hortaliças e tubérculos.

Para 2024, o que se espera é um impacto maior no primeiro trimestre, que tende a se dissipar com a chegada do outono. Essa mudança de direção nos preços, mesmo que temporária, tem impacto no orçamento das famílias porque reduz o espaço para gastos com outros produto. Em outubro, os preços dos alimentos subiram 6,09%, conforme o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), calculado pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Foi a maior alta em três anos, desde outubro de 2020 (10,54%). De acordo com o IBGE, o encarecimento do custo de vida pode ser associada à maior demanda em razão do calor e a seca histórica no Amazonas, que dificultou a produção no Estado. As altas temperaturas, associadas ao fenômeno climático El Niño, alteram o padrão de chuvas no país, podendo acelerar os preços de alimentos mais sensíveis ao clima, como verduras, legumes e frutas.

Outra ameaça das altas temperaturas, diz, é um possível atraso na safra de soja, com reflexos sobre a qualidade dos grãos. As baixas temperaturas também refletiram em uma menor demanda de frutas como laranja, melancia e mamão, influenciando nos preços mais baixos na média.Tanto no caso da alface como no do mamão, o maior percentual de queda foi registrado na Ceasa de Goiânia. As reduções ficaram em 26,7% e 33,99%.

A estrategista de inflação da Warren Investimentos, Andréa Angelo, disse ao Jornal O Globo que, em 2024, a inflação de alimentos pode chegar a 6,6%, com impacto centrado no primeiro trimestre, em um cenário de fortes efeitos adversos do El Niño. Caso o cenário se mostre mais benigno, espera alta de 4%.