“Goiás não depende exclusivamente do agronegócio”, diz especialista sobre exportações de US$ 1,14 bilhão
16 setembro 2026 às 19h14

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AA balança comercial de Goiás segue marcada pela força do agronegócio, da mineração e da indústria, mantendo o Estado entre os principais exportadores do país. Em agosto, as exportações goianas somaram US$ 1,14 bilhão, com destaque para soja, carne bovina e sulfetos de minério de cobre. Já as importações alcançaram US$ 587,7 milhões, lideradas pelos produtos imunológicos.
No total, a corrente de comércio — soma das exportações e importações — chegou a aproximadamente US$ 1,7 bilhão no mês.
Ao Jornal Opção, a gerente de Internacionalização do Centro Internacional de Negócios da Federação das Indústrias do Estado de Goiás (CIN-Fieg), Juliana Tormin, explicou, nesta quarta-feira, 16, que a soja permanece como carro-chefe das vendas goianas ao exterior.
O produto respondeu por US$ 396,1 milhões em agosto, mantendo ampla vantagem sobre os demais itens da pauta exportadora.
“A soja permanece como principal produto da pauta exportadora porque Goiás possui uma forte base produtiva no agronegócio, com escala, produtividade e inserção consolidada no mercado internacional”, afirmou.
Segundo Juliana, a importância da cultura para a economia estadual vai além da comercialização do grão.
“Além da produção em si, o Estado vem ampliando sua capacidade de processamento e agregação de valor ao complexo da soja. A soja não representa apenas a venda do grão. Existe uma cadeia produtiva que envolve produção, armazenagem, processamento, transporte, indústria de óleos, farelo e outros derivados”, completou.
Carne bovina movimenta cadeia produtiva
A carne bovina também ocupa espaço relevante nas exportações de Goiás. Em agosto, as carnes desossadas de bovino congeladas foram o segundo principal produto vendido ao exterior, movimentando US$ 143,6 milhões.
Para a gerente do CIN-Fieg, os efeitos econômicos da atividade não se restringem aos valores registrados nas exportações.
“A carne bovina tem um impacto que vai muito além da receita obtida com a exportação”, destacou.
“Ela movimenta toda uma cadeia que envolve pecuária, nutrição animal, frigoríficos, transporte, armazenagem, serviços e empregos. A exportação de carne ajuda a gerar divisas, sustentar a cadeia produtiva e ampliar a presença internacional da produção goiana”, acrescentou.
Mineração amplia diversidade das exportações
Outro destaque da pauta foi o setor mineral. Os sulfetos de minério de cobre e seus concentrados movimentaram US$ 119,6 milhões em exportações durante agosto.
“O sulfeto de cobre aparece entre os principais produtos porque Goiás possui uma importante atividade mineral, especialmente relacionada à produção de cobre. Trata-se de uma commodity de grande demanda internacional e que tem peso significativo na geração de receitas externas do Estado”, explicou Juliana.
Na avaliação da especialista, a presença do minério entre os principais produtos exportados também demonstra uma maior diversidade da economia estadual.
“Esse dado também é importante porque mostra que a pauta de Goiás não depende exclusivamente do agronegócio. Agronegócio, mineração e indústria formam conjuntamente a base exportadora do Estado”, afirmou.
Produtos imunológicos lideram importações
No sentido contrário da balança comercial, os produtos imunológicos ocuparam a primeira posição entre as importações goianas, com US$ 168,3 milhões movimentados em agosto.
Segundo Juliana, o resultado evidencia a participação de produtos de maior complexidade tecnológica nas compras realizadas pelo Estado no exterior.
“Os produtos imunológicos aparecem como principal item da pauta de importações. A presença desse produto entre os principais importados indica uma característica importante da economia goiana: Goiás também depende do comércio internacional para acessar produtos de maior complexidade tecnológica e valor agregado”, explicou.
“Pode estar relacionado à demanda do mercado de saúde, aquisição de insumos e produtos especializados e às cadeias produtivas que utilizam esses materiais”, acrescentou.
China permanece como principal parceiro
A China continua ocupando a posição de principal parceiro comercial de Goiás. Para Juliana, a relação é explicada pela combinação entre a estrutura produtiva estadual e a demanda do mercado chinês.
“A China ocupa posição estratégica porque existe uma forte complementaridade entre a estrutura produtiva goiana e a demanda chinesa. De um lado, Goiás possui grande oferta de soja, carnes, minerais e outros produtos ligados ao agronegócio e à mineração”, disse.
“Do outro, a China é um dos maiores mercados consumidores globais desses produtos. A relação com a China é importante, mas a diversificação de mercados deve continuar sendo uma prioridade, porque reduz a dependência de um único destino e amplia as oportunidades para as empresas goianas”, completou.
Goiás perde uma posição no ranking
Apesar do volume registrado no mês, Goiás perdeu uma posição no ranking nacional das exportações. Juliana pondera, entretanto, que a mudança na colocação não representa necessariamente uma perda de capacidade exportadora.
“A perda de uma posição no ranking não significa necessariamente uma redução da capacidade exportadora de Goiás. Em agosto, o Estado exportou US$ 1,14 bilhão, mantendo-se em um patamar elevado e praticamente estável em relação a 2025”, afirmou.
Segundo ela, a posição no ranking também é influenciada pelo desempenho das demais unidades da Federação.
“O ranking é relativo. A posição de Goiás também depende do desempenho dos demais estados. O mais importante é observar que o Estado mantém uma participação relevante, de 3,8% das exportações brasileiras, e uma trajetória de consolidação no comércio exterior”, explicou.
Internacionalização como estratégia
Para a gerente do CIN-Fieg, ampliar a presença das empresas goianas no exterior também pode estimular mudanças internas relacionadas à produtividade, tecnologia e qualidade.
“A internacionalização não significa apenas vender para fora. Ela coloca as empresas em contato com novos mercados, concorrentes, padrões de qualidade, tecnologias, processos e exigências internacionais”, afirmou.
Segundo Juliana, esse movimento pode estimular empresas a elevar a produtividade e os padrões de qualidade, desenvolver novos produtos, incorporar tecnologias, buscar certificações, aperfeiçoar processos de gestão e diversificar mercados e clientes.
“A internacionalização não deve ser vista apenas como uma agenda das grandes empresas. Pequenas e médias indústrias também podem acessar mercados externos quando recebem informação, preparação, inteligência comercial e apoio adequado. E a área internacional da Fieg oferece todo o suporte e soluções para as empresas que desejam internacionalizar”, finalizou.
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