O governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), determinou a retirada de nove obras literárias do acervo bibliotecário das instituições de ensino públicas do estado. Foi enviado um ofício às instituições na última terça-feira, 7, determinando que as obras listadas abaixo fossem retiradas de circulação e armazenadas em local “não acessível à comunidade escolar”.

Lista de livros proibidos

  1. A química Entre Nós, de Larry Young e Brian Alexander;
  2. Coração Satânico, de William Hjortsberg;
  3. Donnie Darko, de Richard Kelly;
  4. Ed Lorraine Warren: demonologistas – arquivos sobrenaturais, de Gerald Brittl;
  5. Exorcismo, de Thomas B. Allen;
  6. It: A Coisa, de Stephen King;
  7. Laranja Mecânica, de Anthony Burgess;
  8. Os 13 Porquês, de Jay Ascher;
  9. O diário do Diabo: os segredos de Alfred Rosenberg, de Robert K. Wittman e David Kinne.

O ofício não explica a motivação e é assinado pelo supervisor regional de educação, Waldemar Ronssem Júnior, e pela integradora regional de educação, Anelise dos Santos de Medeiros. O caso foi denunciado ao Ministério Público pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) de Santa Catarina.

Em nota, a pasta de educação informou que foi feita uma “redistribuição” das obras. “A Secretaria de Estado da Educação (SED), por meio da Coordenadoria Regional de Educação de Florianópolis, informa que está redistribuindo alguns dos títulos das bibliotecas das unidades escolares da região, buscando melhor adequar as obras literárias às faixas etárias das diferentes modalidades oferecidas na rede estadual de educação”, explicou a SED.

Censura literária

A censura literária persiste no Brasil, mesmo após o período da ditadura. Um exemplo marcante ocorreu há quatro anos, quando a HQ “Vingadores: A Cruzada das Crianças” foi recolhida da Bienal do Livro do Rio de Janeiro devido a uma cena de beijo gay. A justificativa para essa ação veio do então prefeito do Rio, Marcelo Crivella, que alegou estar “protegendo os menores da nossa cidade”.

O episódio gerou debates acalorados sobre liberdade de expressão, diversidade e o papel das autoridades na regulação do conteúdo artístico. A decisão de recolher a obra foi amplamente criticada por organizações, artistas e defensores dos direitos LGBTQIA+, que argumentaram contra a interferência na liberdade artística e na representação da diversidade nas produções culturais.

Dentre as obras que sofreram tentativa de censura estão não só romances recentes, mas também outras mais antigos, como: “Enquanto o Sono Não Vem”, de José Mauro Brant, “A semente do Nicolau”, de Chico Alencar, “Meninos sem pátria”, de Luiz Puntel, “Queermuseu – Cartografias da Diferença na Arte Brasileira”, “Martí: sem a luz do teu olhar”, Brígido Ibanhes, “Bolsa Amarela”, de Ligia Bojunga, “Beirage”, de George Furlan, “Os Vingadores – A cruzada das crianças”, de Allan Heinberg e Jim Cheung.