Dança e performance de graça: Núcleo Coletivo 22 se apresenta no CCUFG em maio
28 abril 2026 às 17h28

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O Coletivo Núcleo 22 realizará dois espetáculos no Centro Cultural da UFG nos dias 14 e 15 de maio. As apresentações se chamam “Dançar o tempo” e “Por cima do mar eu vim”, ambas são gratuitas, começam às 20h e celebram os 25 anos do grupo artístico.
Em entrevista ao Jornal Opção, Renata Kabilaewatala, professora da UFG e idelizadora do projeto. Sobre o surgimento do Coletivo Núcleo 22, a professora conta que nasceu de um TCC apresentado por ela e por um colega na Unicamp em 2001.
“Desse trabalho surgiu o interesse de montar uma companhia para a gente experimentar artisticamente a partir das nossas informações e dos nossos interesses de pesquisa, Então, mais pessoas foram se somando à inciativa e projeto migrou para São Paulo e depois para Goiânia”, conta Renata Kabilaewatala.
Ela também explicou o motivo da escolha do número 22. “Estávamos interessados em pensar e aprender sobre uma abordagem própria de arte. O 22, no tarô, é a carta do Louco, que também é a carta número zero. Ela tem a ver com isso: com a coragem de se lançar a novos desafios”, afirmou.
Sobre a concepção dos espetáculos, a professora detalhou o significado de cada apresentação. Em relação a Dançar o Tempo, que estreia no dia 14, ela destacou: “É uma celebração da minha trajetória profissional na dança. São 30 anos de trabalho com dança, mas também a minha chegada ao nível de professora titular da Universidade Federal de Goiás”.
Renata afirmou ainda que o espetáculo representa a defesa de seu memorial acadêmico. “Vou defender o meu memorial dançando, já que essa foi a luta e a bandeira de toda a minha vida”, declarou.
Já sobre Por Cima do Mar Eu Vim, a professora explicou que a montagem foi desenvolvida a partir de pesquisas realizadas por estudantes orientados por ela. Atualmente, esses alunos integram o Coletivo Núcleo 22.
“Foi pensando bastante nessa relação entre o Brasil, a África e a diáspora africana como um espaço de continuidade de matrizes culturais africanas. Contamos a história da Rainha Nzinga e a relacionamos com arquétipos de entidades da Umbanda, como o Preto Velho, as Pombagiras, os Exus e também os Caboclos”, explica a professora sobre proposta da apresentação.
Por fim, Renata explicou como se dá a integração entre dança e teatro nas apresentações. “Isso foi acontecendo de uma maneira muito orgânica, porque, como nossa base são as performances tradicionais e as poéticas afro-ameríndias, já percebemos um trânsito muito grande entre linguagens. Quando pensamos a partir de uma perspectiva afrocentrada, a dança está em relação com a palavra e também com a musicalidade”, afirmou.
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