SBT peca nas redes sociais enquanto Globo recupera terreno durante Copa do Mundo que marca ascensão da CazéTV
21 junho 2026 às 10h29

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Enquanto a Cazé TV e a Rede Globo disputam a audiência e a narrativa da Copa do Mundo de Futebol 2026, o SBT, com Galvão Bueno no comando da transmissão no canal, não consegue alcançar a mesma relevância da tradicional cobertura do maior evento esportivo do mundo nem competir nas redes sociais com a nova forma de assistir jogos.
O SBT entrou na Copa apostando que a contratação de Galvão Bueno seria suficiente para transferir prestígio, audiência e relevância para a emissora. A estratégia faz sentido do ponto de vista televisivo tradicional: Galvão continua sendo a principal voz associada à seleção brasileira para boa parte do público acima dos 35 anos. O problema é que a Copa de 2026 está sendo disputada em outro terreno.
Segundo dados do Ibope, o SBT conseguiu média geral de seis pontos em 14 partidas transmitidas, chegando aos 11 pontos na partida de estreia da seleção brasileira. Um ponto de audiência equivale a 199 mil telespectadores na Grande São Paulo. Enquanto isso, a Globo alcançou média de 16 pontos em 14 jogos, chegando a 32 pontos na primeira partida.
Enquanto isso, a Cazé TV transmitiu o jogo de Brasil vs Haiti para mais de 16 milhões de espectadores simultâneos, um recorde de audiência para o Youtube. Apesar do recorde, no comparativo com a televisão aberta, a Globo mantém a liderança com folga. A vitória por 3×0 sobre o Haiti alcançou 51,3 milhões de pessoas acompanhando pelo ecossistema (TV Globo, sportv e ge tv).
Diferença mais gritante está nas redes sociais
Para além das transmissões ao vivo durante os jogos, o SBT tem comido bola principalmente na produção de conteúdo para as redes sociais. A grande inovação da CazéTV nunca foi apenas transmitir futebol. Foi transformar a transmissão em um evento coletivo da internet. O espectador não entra apenas para assistir ao jogo; ele entra para participar. O chat, os memes, os cortes instantâneos, os comentaristas sem o formalismo da televisão e a interação permanente criam uma sensação de comunidade que a TV aberta dificilmente consegue reproduzir.
A Globo parece ter entendido que a audiência não se resume aos 90 minutos de jogo. Durante décadas, a emissora tratou a Copa como um produto centralizado: pré-jogo, partida e pós-jogo. Agora ela opera uma lógica mais próxima da internet, transformando seus jornalistas, apresentadores e correspondentes em produtores permanentes de conteúdo.
O conteúdo dos jornalistas da Globo mostrando o dia a dia competem, em certa medida, com as matérias dos influenciadores no quesito leveza e descontração enquanto passa a mensagem de autoridade de quem transmite a Copa do Mundo desde o México em 1970.
O SBT, por sua vez, parece preso entre dois modelos.
Não possui a tradição, a estrutura internacional e a capacidade de cobertura da Globo. Também não possui a linguagem digital nativa da CazéTV. O resultado é uma posição desconfortável: não é o produto premium tradicional nem o produto inovador da internet.
Sem aproveitar sua principal figura, a lenda da narração Galvão Bueno — que já está inserido no contexto das redes sociais e youtube desde a saída da Globo —, o SBT patina nas redes com pouquíssimos conteúdos e quase nenhum interessante. A cobertura se vale apenas das tradicionais passagens e um ou outro vídeo de Galvão narrando um gol.
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