Cezar Santos
Cezar Santos

O óbvio ululante: Lula sabia de tudo e participou do petrolão

Ministério Público Federal afirma que o petista “participou ativamente  do esquema criminoso na Petrobrás” e foi beneficiado pela estrutura de corrupção instalada na petroleira

Procuradores apontam fartura de crimes de Lula da Silva e causa espanto o fato de ele ainda estar em liberdade | Foto: Instituto Lula

Procuradores apontam fartura de crimes de Lula da Silva e causa espanto o fato de ele ainda estar em liberdade | Foto: Instituto Lula

Alguém em sã consciência tem dúvida de que o ex-presidente Lula da Silva sempre soube do abissal esquema de corrupção que foi instalado nos governos petistas — primeiramente o mensalão e depois ou concomitantemente o petrolão?

Quem se permite pensar sem peias ideológicas não tem dúvida. No caso do mensalão, lembre-se, José Dirceu chegou a dizer que estava enganado quem pensasse que Lula ignorava alguma coisa que acontecesse em seu governo.

Um presidente da República tem tal aparato de informações a seu dispor que, é evidente, sabe sim o que acontece em seu entorno. No caso de Lula, pior, além de saber, ele mesmo dava a ordem para que as falcatruas fossem feitas, a fim de arrecadar dinheiro para o partido e financiar as campanhas petistas, sobrando para os mais espertos se locupletarem pessoamente.

Essas ordens aconteciam inclusive na forma de nomeação de escroques para diretorias da Petrobrás, gente que tinha know-how para roubar.

Pois o que todos sabem, evidente à farta em investigações da Polícia Federal (PF) e do Ministério Público Federal (MPF), foi mais uma vez registrado em letra de forma. Na quinta-feira, 4, o Ministério Público Federal, ao defender a competência do juiz federal Sérgio Moro para julgar o ex-presidente, enviou à Justiça uma manifestação de 70 páginas.

No documento, o MPF afirma que Lula não apenas sabia de tudo como “participou ativamente do esquema criminoso” na Petrobrás. O texto, que defende a competência do juiz Sérgio Moro para julgar o petista, foi subscrito por quatro procuradores da República que compõem a força-tarefa da Operação Lava Jato.

“Contextualizando os fortes indícios, diversos fatos vinculados ao esquema que fraudou as licitações da Petrobras apontam que o ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva (Lula) tinha ciência do estratagema criminoso e dele se beneficiou”, acusam os procuradores.
A manifestação é uma resposta à ofensiva da defesa de Lula da Silva que, em exceção de incompetência, alega parcialidade de Moro para conduzir as investigações contra o ex-presidente. A Lava Jato suspeita — e as investigações não deixam dúvida — que Lula é o verdadeiro proprietário do sítio Santa Bárbara, em Atibaia, no interior de São Paulo, e do tríplex 164-A no Guarujá – os advogados de Lula negam taxativamente que ele possua tais propriedades.

A investigação da Lava Jato também foca a LILS, empresa de palestras de Lula. “Considerando os dados colhidos no âmbito da Operação Lava Jato, há elementos de prova de que Lula participou ativamente do esquema criminoso engendrado em desfavor da Petrobras, e também de que recebeu, direta e indiretamente, vantagens indevidas decorrentes dessa estrutura delituosa”, reforçam os procuradores.

A defesa de Lula usa argumentos de rábula na tentativa de desqualificar Moro. Segundo a defesa do ex-presidente petista, inexistem motivos para que Moro “seja competente para processar e julgar os feitos que o envolvem, em razão de os fatos supostamente delituosos – aquisição e reforma de imóveis nos municípios de Atibaia e Guarujá e realização de palestras contratadas – consumaram-se no Estado de São Paulo, não apresentando conexão com os fatos investigados no âmbito da Operação Lava Jato”.

Os procuradores Julio Carlos Motta Noronha, Roberson Henrique Pozzobon, Jerusa Burmann Viecili e Athayde Ribeiro Costa afirmam que há ‘fortes indícios’ de envolvimento de Lula no esquema Petrobrás. Segundo “Veja.com”, a peça é um verdadeiro libelo e remonta ao episódio do mensalão, 11 anos atrás.

“Considerando que uma das formas de repasse de propina dentro do arranjo montado no seio da Petrobras era a realização de doações eleitorais, impende destacar que, ainda em 2005, Lula admitiu ter conhecimento sobre a prática de “caixa 2″ no financiamento de campanhas políticas”, destacam.

Nomeações em acordos políticos

Os procuradores registram que Lula, em depoimento à Polícia Federal, “reconheceu que, quanto à indicação de Diretores para a Petrobras ‘recebia os nomes dos diretores a partir de acordos políticos firmados’”. “Ou seja, Lula sabia que empresas realizavam doações eleitorais ‘por fora’ e que havia um ávido loteamento de cargos públicos. Não é crível, assim, que Lula desconhecesse a motivação dos pagamentos de ‘caixa 2’ nas campanhas eleitorais, o porquê da voracidade em assumir elevados postos na Administração Pública federal, e a existência de vinculação entre um fato e outro”.

Os procuradores anotam ainda que “a estrutura criminosa perdurou por, pelo menos, uma década”. A Lava Jato investiga o esquema de corrupção, cartel e propinas instalado na Petrobrás entre 2004 e 2014. A peça lista quadros importantes do PT, antigos aliados de Lula, muitos deles acabaram na prisão da Lava Jato — olha José Dirceu aí.

“Nesse arranjo, os partidos e as pessoas que estavam no Governo Federal, dentre elas Lula, ocuparam posição central em relação a entidades e indivíduos que diretamente se beneficiaram do esquema: José Dirceu, primeiro ministro da Casa Civil do Governo de Lula, pessoa de sua confiança, foi um dos beneficiados com o esquema; André Vargas, líder do Partido dos Trabalhadores na Câmara dos Deputados durante o mandato de Lula, foi um dos beneficiados com o esquema; João Vaccari, tesoureiro do Partido dos Trabalhadores, legenda pela qual Lula se elegeu, foi um dos beneficiados com o esquema; José de Filippi Júnior, tesoureiro de campanha presidencial de Lula em 2006, recebeu dinheiro oriundo do esquema; João Santana, publicitário responsável pela campanha presidencial de Lula em 2006, recebeu dinheiro oriundo do esquema.”

Os procuradores se reportam ainda a inquéritos abertos no Supremo Tribunal Federal e relatam que “partidos políticos da base aliada do Governo Federal de Lula e seus filiados receberam recursos oriundos do esquema”.

“Executivos das maiores empreiteiras do País, que se reuniam e viajavam com Lula, participaram do esquema criminoso, fraudando as licitações da Petrobras, e pagando propina. Considerando que todas essas figuras, diretamente envolvidas no estratagema criminoso, orbitavam em volta de Lula e do Partido dos Trabalhadores, não é crível que ele desconhecesse a existência dos ilícitos”, destaca o documento.

Depois de ter saído da Pre­sidência, Lula continuo auferindo vantagens indevidas, o que a Procuradoria registra: “mesmo após o término de seu mandato presidencial, Lula foi beneficiado direta e indiretamente por repasses financeiros de empreiteiras envolvidas na Operação Lava Jato”.

“Rememore-se que, no âmbito desta operação, diversos agentes públicos foram denunciados por receber vantagem indevida mesmo após saírem de seus cargos. Além disso, é inegável a influência política que Lula continuou a exercer no Governo Federal, mesmo após o término de seu mandato (encontrando-se até hoje, mais de cinco anos após o fim do seu mandato com a atual Presidente da República). E, por fim, não se esqueça que diversos funcionários públicos diretamente vinculados ao esquema criminoso, como os Diretores da Petrobrás Paulo Roberto Costa e Renato Duque, foram indicados por Lula e permaneceram nos cargos mesmo após a saída deste da Presidência da República.”

A manifestação dos procuradores é um petardo contra Lula da Silva. E causa espanto o fato de o ex-presidente ainda estar em liberdade.

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