Os tiros da rua toneleiro acertaram o palácio do catete
05 agosto 2026 às 16h20

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Quando a gente é historiador e viaja para lugares turísticos, não se prende apenas aos destinos conhecidos. Nós vamos em busca daquele lugar onde aconteceu determinado evento histórico. O historiador que visita o Rio de Janeiro não vai apenas ao Pão de Açucar ou ao Cristo Redentor. Ele sempre dá uma passadinha nos museus e praças onde aconteceram os principais eventos da nossa história. Em 2008, estive no Rio e visitei o Pão de Açúcar e o Cristo, mas também estive na Rua Toneleiro, em Copacabana. No número 180, fica o Edifício Albervânia, onde morava o jornalista Carlos Lacerda. Na noite do dia 5 de agosto de 1954, ele sofreu um atentado em frente à portaria do seu prédio. Major Rubem Vaz, que fazia sua segurança, morreu. Lacerda levou um tiro na perna.
O assunto foi pauta para toda a imprensa. Logo após o atentado já se falava sobre uma possível participação do Presidente Getúlio Vargas. O velho ditador voltou ao poder em 1951, nos braços do povo, mas sofria uma sistemática oposição de Lacerda e do seu jornal Tribuna da Imprensa. Ao contrário da sua primeira passagem pelo Catete, de 1930 a 1945, Vargas não tinha poderes absolutos para calar quem lhe criticava. Além do jornal, o rádio e a televisão, novidade para a época, exerciam influência sobre a opinião pública. O próprio Lacerda usava o rádio e a televisão para atingir seu principal alvo. Vargas não tinha a mesma força política de antes e os militares a cada dia se distanciavam dele e apoiava Lacerda.
Como um militar da Aeronáutica foi assassinado, a investigação ficou sob o comando da Aeronáutica. Logo, apareceram as evidências de que o atentado contra Lacerda fora arquitetado dentro do Palácio do Catete. Gregório Fortunato, chefe da guarda pessoal de Vargas, era o mandante. Os tiros disparados na Rua Toneleiro ecoariam por aquele agosto de 1954.
Não tem como um historiador visitar o Rio de Janeiro e não dar uma passada na Rua Toneleiro e no Palácio do Catete.
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