No momento que deixava a Presidência da República, em janeiro de 1961, Juscelino Kubitschek pretendia voltar ao recém inaugurado Palácio do Planalto. Como não havia reeleição naquela época, o jeito era esperar as eleições de 1965 para o lançamento da sua candidatura. Seus apoiadores já divulgavam o “JK-65”. O poeta Augusto Frederico Schmidt fez o slogan da nova campanha presidencial: “5 anos de agricultura para 50 anos de fartura”.

Para lhe garantir um espaço no campo político, o PSD goiano fez uma manobra para que Juscelino se candidatasse ao Senado representando Goiás. Mesmo com a vitória assegurada, JK viajou pelo interior do estado fazendo campanha e pedindo voto. Ao ser eleito Senador, Kubitschek poderia responder as críticas dos seus opositores e articular apoio político à sua campanha eleitoral.

O golpe de 1964 alterou totalmente os planos de Juscelino para voltar ao poder. A deposição de Jango Goulart e a ascensão do Marechal Castello Branco colocou o Poder Militar acima do Poder Civil. Ao contrário de outras intervenções, os militares saíram dos quartéis para tomar o poder. O senador Juscelino votou em Castello no Colégio Eleitoral acreditando que o seu governo seria breve. Que nada! Começava ali o tormento de muitos políticos principalmente o do ex-presidente.

Durante seu mandato, JK sofreu duas tentativas de golpe militar. Em ambas, anistiou os revoltosos. Entretanto, seus inimigos que não o depuseram nos anos 1950, em 1964, chegaram ao poder. O nome de Juscelino começou a ser citado na lista de prováveis cassados. Denúncias foram desenterradas para justificar tal ato. Da tribuna do Senado, Juscelino fez seu último discurso apontando as terríveis consequências de sua cassacao. Mas, não teve jeito. No dia 8 de junho de 1964, foi publicada a cassação dos seus direitos políticos.

Encerrava-se assim a carreira política do médico que virou Presidente da República e mudou a cara do país. Em uma ditadura, não há espaço para um “JK-65”.

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