Adolpho Bloch viveu fazendo muito pela vida em vida
08 outubro 2026 às 12h37

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“Adolpho Bloch tem mais anos de Brasil do que muitos brasileiros”. Assim falou o então presidente João Figueiredo no dia da estreia da Rede Manchete de Televisão. Adolpho Bloch nasceu na Ucrânia, em 8 de outubro de 1908, e veio com a família para o Brasil fugindo da Revolução Russa. Aqui, os Bloch fundaram uma editora que levava o nome da família e publicou vários livros, como as memórias de Juscelino Kubitschek, e a Revista Manchete, uma das mais importantes da história da nossa imprensa. Bloch foi muito amigo do ex-presidente. A sede da Manchete ficava na Rua do Russel, no bairro da Glória, no Rio de Janeiro e era comum ver os dois caminhando pelo Aterro do Flamengo. A amizade durou até 1976, ano da morte de Kubitschek.
Com o fim da TV Tupi, abriu -se a concorrência para novos concessionários. Adolpho Bloch entrou na disputa e levou algumas emissoras. Começava em 1983 a Rede Manchete de Televisão. A proposta era oferecer uma programação de qualidade, tornar-se a emissora do ano 2000. Mas, as sucessivas crises financeiras fizeram com que a Manchete encerrasse suas atividades em 1999. Fernando Barbosa Lima foi diretor da Manchete e lembra das broncas de Bloch em sua equipe: “Eu não gastei 40 milhões de dólares pra fazer essas coisas”. Existem várias histórias sobre Adolpho Bloch e seus funcionários que foram publicadas pelo jornalista Luiz Santoro em dois livros.
Um dos grandes problemas de Adolpho Bloch era a finança. As contas sempre estavam no vermelho. Arnaldo Niskier, que trabalhou por muitos anos na Manchete, conta em seu livro “Memórias de um sobrevivente” o dia que ele acompanhou Adolpho até Brasília para uma audiência com o então presidente José Sarney. O dono da Manchete chorou ao ter que se humilhar para o governo ajuda-lo com suas dívidas. Até hoje os processos de funcionários estão na Justiça do Trabalho. Esse descontrole com o dinheiro foi o principal motivo para o fim da Rede Manchete.
Bloch gostava de uma frase que norteou sua vida: “A vida só é digna de ser vivida quando se faz algo pela vida em vida”. Adolpho Bloch foi um homem que fez muito em vida. Juscelino Kubitschek também. Talvez seja por isso que os dois eram tão amigos.


