Em Israel, passei por perrengue grande, criei duas dúvidas capitais e encontrei um bar em homenagem ao Cartola
14 maio 2026 às 19h02

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Então pessoal, estou em Tel Aviv, Israel, com dois problemas grandes que clamam por enérgica providência. Em primeiro lugar, comprei dois potes de iogurte, provavelmente grego, e os esqueci em compartimento de La Madrasta II, minha mochila.
A dúvida exposta diz respeito se o produto está estragado após passar mais de 48 horas fora da geladeira. Posso ou não posso comê-lo? Foi uma vacilada sem limites de um retardado em ação. A única certeza que tenho é de que não posso perder dinheiro, sob pena de ficar doente.

A segunda dúvida se reparte em dois questionamentos. Fui presenteado por um grande amigo israelense, Daniel Haddad, com um pote de mel produzido no sul país.
O apicultor me deu uns livrinhos em hebraico para a proteção de Deus (Hashem) nas horas mais difíceis. Daniel é o cara mais gente fina de todo o Oriente Médio e o conheci no Marrocos.
O problema foi criado na noite passada. Acordei na madrugada louco por chocolate e não tinha doce no apartamento. Claro que tinha. O mel estava à minha frente sobre a geladeira e eu na criação de dilema desnecessário.

Enchi bem uma colher de café e decidi repetir a ação. Mel de primeira linha produzido pelas abelhas do próprio Daniel. Definitivamente, não poderia telefonar para o amigo e expor tamanha descortesia.
No século passado, minha avó, Carlota de Melo, proibia com muita severidade usar colher levada à boca em qualquer alimento. Então, o mel continua apropriado para a alimentação após a atitude imprudente? Como identificar se o produto está perdido?
Gostei muito do choro teatral da Janja, mulher do presidente do Brasil, um antissemita que não sabe o significado da palavra. Ela correu lágrimas de cobra cascavel ao descobrir que há pessoas bebendo detergente no país. A galera de direita realmente exagerou desta vez e deve estar fumando coisas estragadas.

Vou enviar o problema do mel para a socióloga de porta de cadeia resolver. Só não pode empregar a choradeira dissimulada no Instagram nem falar com o sotaque de roceira do interior do Paraná, Estado do sul do Brasil.
Passei por um perrengue expressivo ao chegar em Israel. Antes, havia tomado a maior geral da minha vida no aeroporto de Bucareste, Romênia, só por ser mochileiro. Trata-se de um país atrasado, com povo que dá bom dia e onde não deveria ter gastado meu euros.
Ao desembarcar no aeroporto Ben Gurion, em Tel Aviv, o oficial da imigração só me perguntou se aquela seria minha primeira vez em Israel e me deu o cartão que te autoriza a entrar no país e me advertiu a não perdê-lo.

Eu estava muito irritado com a mulher que vasculhou minha mochila sem luvas e esparramou as roupas em lugar sujo em Bucareste. Mesmo assim, fui a até a estação de trem sem o menor problema e comprei a passagem para o centro de Tel Aviv.
Só que, ao embarcar, percebi que havia deixado o celular na cabine de venda do bilhete. Bateu um desespero. Tão logo desci no meu destino, pedi ajuda no setor de informação e fui socorrido de imediato.
Nada menos do que três funcionários da rede ferroviária uniram esforços para localizar meu celular e confirmaram que o aparelho estava na gerência da estação do aeroporto.
Ao chegar lá, imaginei que iria tomar uma escovada grande do gerente. Qual o quê! O funcionário foi super amigável, me pediu para desbloquear o aparelho, estendeu a mão para me cumprimentar e ainda deu um sorriso para curtir com minha cara de brasileiro esfomeado.
Eu fico puto da vida com os esquerdopatas brasileiros que falam mal dos israelenses sem motivação e nunca ter ido ao país. Especialmente em Tel Aviv, o pessoal é de uma educação e gentileza que não existe no planeta.
Até para servir um chá eles te recebem de braços abertos e dão largo sorriso mesmo estando sob bombardeio na guerra contra o Irã e os terroristas afiliados ao Estado islâmico.
Na quarta-feira, 13 de maio, fiz compra considerada boa no supermercado. Adquiri melancia, pão, queijo temperado com alho e ervas, croissant e uma fanta laranja no caso de ter ressaca.
Depois do infarto, tomo um vinho por semana e passo mal no outro dia. Preciso ter uma palestra específica sobre o tema com dra. Juliana Tranjan. Só tenho medo de a médica me proibir definitivamente de beber.
Por falar em medicina, decidi nomear a doutora para o Ministério da Saúde do meu Principado Imaginário. Também já dei posse ao professor e jurista Joveny Cândido de Oliveira como ministro Plenipotenciário das Relações Exteriores.
A imprensa brasileira especulou muito que o professor iria assumir a pasta da Justiça. Negativo. Joveny será meu chanceler — já que, além do português, idioma nativo, fala inglês, alemão, espanhol e italiano. É meu amigo desde 1981.
O Ministério da Justiça foi destinado ao grande Marcelo Fernandes de Melo, promotor público. Marcelão reúne todos os gabaritos para o cargo e tem minha confiança por ser de Uberlândia, cidade brasileira diferenciada. Tenho alguns parentes nascidos naquela região.
Já o Ministério da Cultura do Principado Imaginário ficará a cargo da Heloísa Fitzgerald. Decidi dedicar o posto a uma americana com a recomendação de que ela infernize a vida dos artistas engajados que se enriquecem com benefícios estatais da lei brasileira de incentivos à cultura.
Se eles querem comprar cobertura com vista para Oceano Atlântico em Ipanema, Rio de Janeiro, que vão trabalhar. Acabou a moleza com dinheiro do pagador de impostos.
Nélia Cristina Costa, ministra do Armazém dos Sonhos do principado já está no trabalho e fez importante esclarecimento sobre certo arroz amarelo que comi em Tel Aviv. Não se trata de produto endêmico do Oriente Médio, mas de arroz colorido com açafrão.
Na cidade também experimentei régio café da manhã composto de omelete, salada, húmus, pão e limonada. Não tinha chá e não bebo café. Um espetáculo.
Na segunda-feira, 18, vou embora de Israel muito feliz com minha viagem. O país, mesmo não sendo minha pátria, é muito amado por mim e nunca vai deixar de morar em meu coração.
Afeição que ficou ainda sólida depois que descobri na cidade um pessoal da Escola Semente do Samba e um bar que tem o nome de Cartola, grande compositor da música popular brasileira. Infelizmente, não fui, por não frequentar bares, mesmo no exterior.
Marcio Fernandes, jornalista, é colaborador do Jornal Opção.



