Em meio às comemorações do Dia Nacional do Cinema, celebrado em 19 de junho, destacamos a contribuição de um dos ícones da música brasileira, cuja obra transcendeu as fronteiras musicais para se imortalizar também no cinema. José Gomes de Abreu, conhecido como Zequinha de Abreu nos legou um dos choros mais emblemáticos da história: “Tico-Tico no Fubá”.

Zequinha de Abreu, o primogênito de uma família de oito filhos, nasceu com o destino musical entrelaçado desde cedo. Filho do boticário José Alacrino Ramiro de Abreu e de Justina Gomes Leitão, Zequinha era esperado, como o costume da época, que seguisse uma carreira eclesiástica ou médica, conforme o desejo de seus pais. No entanto, desde os seis anos, ele mostrou uma paixão incontrolável pela música, dominando a flauta e formando uma banda na escola primária, onde já exercia a função de regente.

Nos anos 1920, durante um baile, Zequinha apresentou uma peça instrumental que provocou uma reação efusiva dos dançarinos. Inicialmente chamada de “Tico-Tico no Farelo”, ele mudou o nome para “Tico-Tico no Fubá” para evitar confusão com outra composição homônima de Américo Jacomino. Embora a recepção fosse positiva, a gravação da música só se concretizou quatorze anos depois, pela Orquestra Colbaz sob a direção do maestro Gaó.

“Tico-Tico no Fubá” rapidamente se consolidou como um sucesso inquestionável da música brasileira, atravessando décadas e continentes. A composição foi interpretada por inúmeros artistas e recebeu várias letras, incluindo a famosa versão de Eurico Barreiros:

“Um tico-tico lá
O tico-tico cá
Está comendo todo, todo, meu fubá
Olha, seu Nicolau
Que o fubá se vai
Pego no meu Pica-pau e um tiro sai.”

Filme Copacabana, 1947

A popularidade da música explodiu nos anos quarenta, e ela foi integrada em trilhas sonoras de cinco filmes: “Alô Amigos”, “A Filha do Comandante”, “Escola de Sereias”, “Kansas City Kity” e “Copacabana”. A interpretação de Carmen Miranda em “Copacabana” eternizou a melodia nos corações do público mundial.

A carreira de Zequinha de Abreu floresceu em São Paulo, onde ele se apresentava em locais como o Bar Viaduto e a Confeitaria Seleta, além de clubes, cabarés, “dancings” e festas. Ele também trabalhou na Casa Beethoven, atraindo curiosos na Rua Direita com suas apresentações dos últimos lançamentos musicais, consolidando sua reputação como um autêntico “pianeiro”. Foi durante este período que ele conheceu o editor musical Vicente Vitale, um encontro que resultou em uma parceria frutífera com a editora Vitale, sendo responsável por lançar muitos de seus sucessos.

Zequinha de Abreu foi imortalizado no cinema com o filme “Tico-Tico no Fubá” (1952), dirigido por Fernando de Barros e Adolfo Celi, e estrelado por Anselmo Duarte e Tônia Carrero. Esta produção da Companhia Vera Cruz não só homenageou o compositor, mas também apresentou sua vida e obra a uma nova geração.

Zequinha de Abreu (1880-1935)

Hoje, “Tico-Tico no Fubá” permanece um ícone da música brasileira, lembrando-nos da genialidade de Zequinha de Abreu e de como sua obra continua a encantar e inspirar tanto músicos quanto cinéfilos. Celebrar o Dia Nacional do Cinema é também celebrar os talentos que, como Zequinha, fizeram da música uma parte marcante da sétima arte.

Este dia nos convida a revisitar clássicos do cinema brasileiro e a valorizar a rica história e as influências culturais que moldaram nossa identidade cinematográfica.

Vamos assistir a cena final do filme Tico-tico no Fubá de Adolfo Celi, 1952 com Anselmo Duarte e Tônia Carrero.

Observe como eram os filmes na década de cinquenta e ouça essa música contagiante que se tornou uma das canções brasileiras mais conhecidas do mundo.