Na semana passada, o Brasil celebrou os 100 anos de nascimento do artista carioca reconhecido como um mestre do cavaquinho Waldir Azevedo (1923-1980).

Considerado um divisor de águas do cavaquinho, como instrumento solo, os músicos da área afirmam: “Existe um cavaquinho antes de Waldir Azevedo e pós-Waldir Azevedo”.

Waldir Azevedo brilhando no rádio | Foto; Reprodução

“Eu comecei a tocar ouvindo as músicas do Waldir e estudando as músicas do Waldir. Hoje eu sou bacharel em cavaquinho, e graças ao Waldir eu estou fazendo a minha trilha como cavaquinhista também”, afirma o músico Pedro Cantalice.

O mestre Waldir Azevedo revolucionou a prática do cavaquinho ao retirá-lo do lugar de acompanhador e colocá-lo em destaque como instrumento solista. Waldir Azevedo explorou de forma inédita as possibilidades do instrumento.

Waldir Azevedo na infância | Foto: Reprodução

Apaixonado por música desde a infância iniciou sua carreira na flauta transversal, foi para o violão, a viola, o bandolim, para posteriormente se entregar ao cavaquinho, instrumento no qual fez história.

Sua primeira experiência profissional se deu com apenas 10 anos de idade no carnaval de 1933, no Jardim do Méier, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro com a flauta.

Em 1949, compôs o afamado choro “Brasileirinho”, ganhando o mundo e muitos arranjos. Essa obra vendeu mais de 1 milhão de discos com diversas gravações espalhadas pelo planeta.

Daiane dos Santos: a ginasta foi a estrela do Mundial de Anaheim, em 2003 | Foto: Reprodução

“Brasileirinho” ficou marcado na carreira da ginasta Daiane dos Santos (1983) quando a ginasta conquistou uma inédita medalha de ouro para o Brasil no Mundial de Anaheim, nos Estados Unidos, em 2003.  

Curiosamente, sua família queria fazer dele padre, já Waldir Azevedo sonhava ser aviador, mas problemas de saúde o levaram para outros caminhos antes se dedicar inteiramente à música.  Azevedo foi funcionário da companhia elétrica carioca Light.

Aos 22 anos ocupou uma vaga no conjunto de Dilermando Reis (1916–1977) em um programa da Rádio Clube do Brasil, assumindo a liderança do grupo dois anos após seu ingresso, e desfrutou de grande fama excursionando por várias partes do mundo.

Waldir Azevedo morreu na madrugada de 20 de setembro de 1980, com apenas 57 anos. Ele compôs mais de 130 músicas, deixando uma herança inestimável para a música brasileira.

Waldir Azevedo posa no estúdio com o cavaquinho, instrumento de sonoridade burilada pelo artista carioca | Foto: Acervo Todamérica/Divulgação Biscoito Fino

O criador de choros antológicos e mestre do cavaquinho pode ser ouvido nos discos gravados pelo artista entre os anos de 1949 e 1979.

A importância do instrumento na obra fonográfica de Waldir Azevedo pode ser constatada até pelos títulos: “Cavaquinho maravilhoso” (1957), “Baile de cavaquinho” (1958), “Um cavaquinho na madrugada” (1959), “Um cavaquinho acontece” (1960), “Um cavaquinho no society” (1960) e “Um cavaquinho me disse” (1961).

Ainda é possível apreciar a obra de Azevedo na discografia de seus discípulos, “Waldir Azevedo — O mestre do cavaquinho” (2000), gravado por sexteto liderado por Déo Rian, lançado em CD no ano de 2000 e reposto em catálogo pela gravadora Biscoito Fino, em edição digital, celebrando o centenário de nascimento do compositor.

É mesmo impossível falar do grande Waldir Azevedo sem mencionar além de suas composições sua mestria ao interpretar o cavaquinho.

Assim se expressa o músico Ronaldinho do Cavaco ao falar de Waldir Azevedo: “Realmente é um fenômeno do cavaquinho como solista”.

Brasileirinho por Waldir Azevedo

Ouviremos o “Brasileirinho” interpretado por Waldir Azevedo. Observe como o músico realmente burilou a sonoridade do cavaquinho.