Richard Wagner, renomado compositor alemão do século XIX, tem sido objeto de intensos debates devido à sua conexão com o regime nazista de Adolf Hitler. Suas composições foram amplamente utilizadas em comícios e eventos do partido, tornando-se ícone da Alemanha nazista.

Em função dessa conexão, o nome do grupo rebelde russo “Wagner”, atuante na Guerra da Ucrânia, parece ter sido inspirado pela música do compositor alemão. No entanto, é importante ressaltar que Wagner nasceu antes do surgimento do nazismo e sua música alcançou grande reconhecimento muito antes de ser relacionada por tais propósitos ideológicos. 

Grupo mercenário Wagner | Foto: Reprodução

Nascido em Leipzig, no leste da Alemanha, em 1813, Richard Wagner demonstrou desde a infância interesse pela música, teatro e literatura. Autodidata, encontrou inspiração em figuras como William Shakespeare, Carl Maria Von Weber e Beethoven. Embora tenha cursado faculdade de música, abandonou essa vertente, antes de concluir o curso, dedicando-se à composição de suas primeiras obras. 

Wagner ficou conhecido por seu antissemitismo, expressando ódio a essa etnia e à sua contribuição artística. Escreveu panfletos que demonstravam seu preconceito, sendo eleito posteriormente pelo nazismo como um exemplo de superioridade da música e do intelecto alemão. 

Carta escrita pelo alemão antissemita Richard Wagner | Foto: Reprodução

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Wagner menosprezava os judeus. Suas convicções antissemitas se tornaram cada vez mais agressivas ao longo de sua vida. No entanto é importante ressaltar que suas visões antissemitas não eram compartilhadas por todos seus contemporâneos e que não se pode afirmar que sua musica influenciou a difusão desse preconceito ou o mesmo possa ser vinculado à totalidade de sua obra e seu legado. 

Já o grupo “Wagner, criado em 2014, consiste em mercenários utilizados pelo Kremlin para atividade bélica para defender interesses russos em outras nações ao participar de conflitos armados. Alguns membros do grupo foram associados a atividades neonazistas, como propaganda de ódio nas zonas de guerra onde atuaram, incluindo pichações com símbolos de ideologias extremistas. Porem faz-se importante destacar que o grupo, no momento, se rivaliza ao governo de Vladimir Putin, o que pode indicar divergências ideológicas e estratégicas. 

Quanto a Wagner, o compositor, embora ele seja aclamado mundialmente, seu legado é marcado por controvérsias devido ao seu antissemitismo e ao uso posterior de sua música pela associação com o nazismo É essencial entender a complexidade da histórica por trás de sua obra e evitar generalizações simplistas. Da mesma forma, a associação entre o nome do grupo russo “Wagner” e o compositor alemão pode ser meramente simbólica, sem implicar uma conexão direta entre ambos. . O debate em torno de Wagner e sua influência no cenário político e culturais continua a ser objeto de análise e discussão.

Aproveitando a onda de curiosidade, vamos ouvir um pouco da obra desse grande compositor. 

Pintura de Tristão e Isolda, por Herbert Draper (1863 – 1920) | Foto: Domínio Público

As composições de Wagner são notáveis por suas texturas complexas, harmonias ricas e orquestração. Por não gostar da maioria das outras óperas de compositores da época, Wagner escreveu simultaneamente a música e os libretos, para todos os seus trabalhos.

Richard Wagner (1813 – 1883) compôs Tristão e Isolda baseada na lenda medieval contada por Gottfried von Strassburg. Composta entre os anos de 1865 e 1859 foi estreada em Munique em junho de 1865 no teatro da Baviera sob a regência do maestro Hans com Bülow.

Wagner modificou profundamente a lenda para criar seu drama musical cujo tema é à paixão que acontece em meio às condições adversas e que culmina em tragédia. 

Ouviremos “Volpiel and Liebestod, “A abertura e a morte de amor” da ópera “Tristão e Isolda”, com a orquestra Sinfônica de Frankfurt sob a regência do maestro Andrés Orazco  Estrada. . 

Essa afamada ópera manteve um legado entre os compositores ocidentais e serviu de inspiração a músicos como Gustav Mahler, Richard Strauss , Alban Berg, Arnold Schoemberd, dentre outros.

Observe que essa ópera é considerada moderna por apontar para a dissolução da tonalidade, cuja consequência é o atonalismo do século XX.